Alvinegro compra novo equipamento usado por Barça e Chelsea e "empata" com Alviverde, únicos no país com duas máquinas completas. Fisiologista aponta média de lesão muscular menor que da Uefa
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OBotafogo já contratou 10 jogadores em 2018, mas segue se reforçando também fora de campo, principalmente no departamento médico. Para quem sofreu muito com lesões musculares nas últimas temporadas, o clube vem modernizando sua estrutura desde o ano passado. E recentemente comprou um novo Kineo, aparelho de última geração para prevenção e tratamento de lesões usado por equipes como Barcelona, da Espanha, e Chelsea, da Inglaterra, por exemplo.
Agora com dois, o Alvinegro se iguala ao Palmeiras como os únicos do Brasil com um par completo desse equipamento – o Flamengo também tem dois, mas um deles uma versão menor, que faz só um dos três exercícios. A máquina, de origem italiana, tem como diferencial permitir variar as cargas de força em três tipos de movimentos: extensão, flexão e agachamento. E assim, criar "séries" individuais de acordo com a capacidade de cada jogador em cada uma das práticas.
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Fisiologista Manoel Coutinho e auxiliar da preparação física Lucas Ometto coordenam uso (Foto: Thiago Lima)
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Tela de computador acoplada ao Kineo mostra resultados em tempo real (Foto: Thiago Lima)
Segundo o fisiologista do Botafogo, Manoel Coutinho, os maiores benefícios do uso periódico do aparelho são: a redução dos níveis sanguíneos de creatina quinase (CK), que se elevam quando há microrupturas nas fibras musculares, ou seja, quando há risco de lesão; e um controle da fadiga nos músculos, com os jogadores se queixando menos de dor no dia seguinte aos jogos.
– Desde que implementamos o Kineo, já observamos um resultado muito bom de redução das lesões musculares. Os próprios atletas começaram a notar uma sensação melhor na execução do trabalho e eles mesmos pediam por mais um para poder dar vazão. Quando chegou foi uma alegria. Alguns não abrem mão de fazer o equipamento antes de subir a campo. Às vezes havia fila, atrapalhava um pouquinho a sequência do que a gente chama de "pré-treino", agora facilitou muito. Têm jogadores da base também já usando o aparelho com a gente aqui.
No ranking de machucados feito pelo GloboEsporte.com em abril, o Botafogo aparece como o sétimo clube com maior número de baixas médicas: 15 desfalques, ao lado de América-MG e Paraná. A estatística indica que a bruxa continua solta em General Severiano, mas desse montante só três foram lesões musculares: Carli, Renatinho e Kieza.
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Com dois aparelhos, clube melhora fluxo de exercícios e evita "filas" (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)
As demais foram o que Coutinho chama de "traumas", que não são possíveis de prever, como fraturas e entorses. Quatro jogadores já foram operados só esse ano: João Paulo (perna direita), Yuri (pé direito), Dudu Cearense (apêndice) e Leandro Carvalho (joelho direito). O fisiologista cita um estudo da Uefa, denominado "Uefa Elite Club Injury Study", para mostrar que em termos de lesões musculares o Botafogo está com média menor que a dos clubes europeus:
– Esse ano tivemos três musculares. Todas mínimas, com recuperação curta, em torno de 10 dias. Nosso índice é baixíssimo comparado a qualquer padrão nacional ou internacional. Temos os dados do estudo de lesões da Uefa em 2016-2017. A média dos clubes lá foi de 18 lesões na temporada, dá 1,5 ao mês. Com três em quatro meses, estamos abaixo da média. E estamos falando de Uefa. Lá não tem essa variação louca daqui de temperatura, distâncias, campo... Nunca que lá t o jogo que tivemos contra o Sport, naquelas condições do gramado.
Um Kineo custa cerca de R$ 230 mil, só com o par o Botafogo gastou quase R$ 500 mil. Mesmo diante das dificuldades financeiras, principalmente em 2018, o clube vem conseguindo ter uma margem para investir no departamento médico nos últimos anos. O ex-presidente Carlos Eduardo Pereira foi quem comprou o primeiro aparelho, enquanto o segundo foi Nelson Mufarrej, atual mandatário.
– Essa linha de raciocínio que eles têm de investir na estrutura, o que não é comum no futebol, traz um retorno muito grande. Nós machucamos muito pouco. A hiper maioria das nossas lesões são por trauma, que não tem como controlar. Luiz Fernando, João Paulo, Moisés... Até mesmo lesões clínicas, como foi o caso do Dudu Cearense (apendicite). A muscular você controla com o monitoramento, os mecanismos de recuperação, fisioterapia, nutrição... É uma roda gigante, se um deles falhar você fica mais suscetível a ter uma lesão – explicou Coutinho.
Aguirre a ponto de bala
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Aguirre vem impressionando pela força e está pronto para estreia (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)
Um dos jogadores que mais vem se beneficiando do equipamento é Aguirre. Principal contratação do clube em 2018, o atacante uruguaio se livrou das dores e fortaleceu a musculatura do joelho operado através do aparelho; recuperou a massa magra que havia perdido pelo tempo de inatividade; e vem surpreendendo a comissão técnica com seus índices de força, calculados pelo robô da máquina. Segundo o fisiologista, o gringo já está pronto para estrear.
– O Aguirre teve uma evolução no grau de força muito grande nesse período em que ficou com a gente aqui. É um atleta de muita força muscular, a característica dele de explosão é muito boa mesmo. É que não estou com o número aqui, mas baseado nessa percepção que temos certamente ele é acima da média. Estamos muito esperançosos com ele, todos ansiosos para vê-lo estrear. Hoje a gente o considera preparado para jogar em totais condições. O que falta é o treino, ele se enquadrar no esquema do treinador, mas fisicamente ele está preparado.
Maior aposta da diretoria, a custo de R$ 800 mil, o atacante uruguaio foi emprestado pela Udinese, da Itália, até junho de 2019. Com o joelho direito recuperado, ele vem treinando com o grupo há duas semanas, mas ainda não vem sendo relacionado para poder aprimorar a parte física. Sua estreia deve ser no clássico com o Fluminense na próxima segunda-feira, no Nilton Santos. Alberto Valentim já indicou que pretende utilizá-lo de 30 a 45 minutos em seu primeiro jogo.
Foto destaque: Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Fonte: GE/Por Thiago Lima, Rio de Janeiro