Fotos do jogo em que o Botafogo venceu o São Paulo por 4 a 2 de virada, no Engenhão, na estreia dos dois times no Brasileirão 2012. Pouco mais de 7.000 torcedores viram o espetáculo de raça e vontade de Herrera, o herói do jogo com três gols. Veja:
Atacante substitui Loco Abreu e marca três vezes na vitória do Botafogo sobre o São Paulo. Leandro Damião decide para o Inter contra o Coritiba
Mais um Campeonato Brasileiro teve início neste fim de semana e com ele
começou a quarta edição do Troféu Armando Nogueira. O prêmio tem o objetivo de
apontar os melhores jogadores da competição com base nas avaliações feitas por
comentaristas do SporTV e por jornalistas do GLOBOESPORTE.COM jogo a jogo. O
atual vencedor da disputa é o craque Neymar, com média de 6,98. Nesta primeira
rodada, o jogador que obteve a maior nota foi o atacanteHerrera,
do Botafogo, que brilhou intensamente no Engenhão.
O argentino herdou a vaga de Loco Abreu no intervalo, quando o Alvinegro perdia
por 1 a 0 para o São Paulo, e foi fundamental para a bela estreia do Glorioso.
Com a garra habitual e a pontaria em dia, ele balançou a rede três vezes e
decretou o triunfo do clube carioca por 4 a 2 sobre o Tricolor paulista. Assim,
Herrera faturou a nota 9 e o prêmio de craque da rodada de abertura, também
chamado de Armandinho.
Quem foi muito bem no ano passado e já dá mostras de que neste ano não será
muito diferente éLeandro Damião. O atacante do Internacional fez um gol e deu uma assistência na
vitória colorada sobre o Coritiba. Outro destaque da primeira rodada foi o
goleiro Roberto. Inspirado, o arqueiro garantiu um ponto ao Atlético-GO diante
do Cruzeiro, em Minas.
Vale lembrar que a seleção do campeonato é montada após a apuração das médias
de todos os jogadores que disputaram ao menos 13 partidas no Brasileirão. Os
autores das notas de todas as partidas da competição são sempre os
comentaristas do SporTV e repórteres do GLOBOESPORTE.COM.
GOLEIRO
A responsabilidade de substituir o ídolo Márcio não pesou para Roberto. Com
cinco defesas de alto grau de dificuldade, o goleiro se transformou em
peça-chave para garantir o empate por 0 a 0 ao Atlético-GO contra o Cruzeiro,
em confronto realizado em Uberlândia. A mais brilhante das intervenções de
Roberto aconteceu aos 17 do segundo tempo, após uma cabeçada de Wellington
Paulista no contrapé. Com agilidade e elasticidade, ele foi buscar e com isso
faturou a nota 8,5. Paulo Victor, do Flamengo, também fez cinco defesas
difíceis no empate por 1 a 1 com o Sport e ganhou a mesma avaliação. No
entanto, o fato de ter levado um gol pesou para que não fosse eleito o melhor
da posição na rodada em comparação a Roberto, que não foi vazado. Jefferson foi
decisivo para a vitória do Botafogo e também merece o registro, principalmente
por uma defesa à queima-roupa, após cabeçada de Luís Fabiano. LATERAL-DIREITO
Curiosamente, o lateral-direito da rodada é um volante e conquistou a nota 7.
Fabinho foi improvisado pelo técnico Paulo Roberto Falcão e deu conta do recado
no empate sem gols entre o seu Bahia contra o Santos. Com clara prioridade à
marcação, o jogador se adaptou bem à nova posição e conseguiu brecar grande
parte das investidas do Peixe pela esquerda, com Léo e Gerson Magrão. Além
disso, Fabinho ainda foi visto no ataque e por pouco não surpreendeu Aranha no
segundo tempo, em um cruzamento venenoso. Carlos César (Atlético-MG), Allan
(Vasco) e Luís Ricardo (Portuguesa) são os demais laterais-direito que tiveram
algum destaque. ZAGUEIROS
A zaga da rodada tem pinta de dupla sertaneja. Léo, do Cruzeiro, cujo o nome é
Leonardo, sobressaiu no empate do Cruzeiro diante do Atlético-GO. Seguro, ele
se desdobrou para evitar os chutes de média distância de jogadores como Bida e
Elias, que tem potencial quando o assunto é arremate de fora. Leandro Euzébio
comandou a equipe reserva do Fluminense no triunfo sobre os também suplentes do
Corinthians (1 a 0), no Pacaembu. Além disso, o até outrora titular do time
tricolor foi o autor do gol da vitória, numa bela cabeçada, sem chances para
Cássio. Os xerifes da rodada obtiveram a nota 7. Rafael Donato (Bahia), Bruno
Rodrigo (Santos) e Rodrigo Moledo (Internacional) tiveram boas atuações e
mantiveram suas defesas invictas na estreia. LATERAL-ESQUERDO
A vitória do Atlético-MG sobre a Ponte Preta foi conquistada na raça. E o símbolo
deste triunfo foi Richarlyson. Com muita disposição e o pé esquerdo calibrado,
ele se tornou um tormento constante ao goleiro Lauro. O agora
lateral-esquerdo também demonstrou valentia depois de abrir o supercílio e
voltar a campo com a cabeça enfaixada. Boa parte das melhores jogadas do Galo
surgiu de seus pés. Apesar de não ter participado diretamente do gol de
Escudero, o triunfo conquistado no fim só fez premiar todo o esforço de
Richarlyson na partida. Por tudo isso, ele garantiu a excelente nota 7,5. Bruno
Cortez (São Paulo), Pará (Grêmio) e Léo (Santos) jogaram muito bem na rodada. VOLANTE
Maestro do time do Botafogo, Renato teve mais uma atuação que mantém seu alto
padrão de qualidade e faturou a nota 7. Com boa saída de bola e preenchendo
espaços na marcação, ele ditou o ritmo alvinegro, principalmente no segundo
tempo, na vitória por 4 a 2 sobre o São Paulo. A vitória tem também um sabor
especial para Renato por conta da aposta que havia feito com o ex-companheiro
Luís Fabiano, com quem atuou ao lado pelo Sevilla (ESP). Quem perdesse a
partida teria que lavar o uniforme do outro. Resta saber se o atacante
são-paulino vai cumprir o combinado. Fernando (Grêmio), Jadson (Botafogo) e
Romulo (Vasco) são outros volantes que desempenharam um bom futebol. MEIAS
Com 7,5 de avaliação, Juninho Pernambucano e Luan foram apontados como os
melhores apoiadores da rodada. O Reizinho entrou no intervalo e mudou a cara do
Vasco no triunfo por 2 a 1 sobre o Grêmio. Foi dele o cruzamento primoroso que
resultou no gol de cabeça de Alecsandro. Depois de amargar um período no
estaleiro, Luan volta a ganhar espaço no Palmeiras. Homem de confiança de
Felipão, o meia abriu o marcador contra a Portuguesa no empate por 1 a 1 com
sua marca registrada: uma bomba de fora da área. Fernandes, do Figueira, merece
menção honrosa por ter sido decisivo no êxito de sua equipe contra o Náutico.
Bida (Atlético-GO), Vítor Júnior (Botafogo) e Jadson (São Paulo) são os demais
destaques da armação de jogadas nesta primeira rodada. ATACANTES
O craque da rodada de abertura do Brasileirão surgiu do improvável. Herrera
saiu do banco de reserva com missão de substituir o ídolo Loco Abreu num
momento em que o Botafogo perdia por 1 a 0 para o São Paulo. Com quatro minutos
em campo, o argentino igualou o marcador numa bela cabeçada. Mais tarde, quando
o Tricolor Paulista havia recuperado a vantagem, Herrera voltou a deixar tudo
igual, desta vez de pênalti. Para completar a jornada de inspiração, o atacante
aproveitou falha da defesa são-paulina e fuzilou o goleiro Denis para anotar o
seu terceiro gol, quatro do Bota na vitória por 4 a 2. Pelo conjunto da obra,
Herrera obteve a nota 9. Pelo Internacional, Leandro Damião parece trilhar
novamete o caminho da boa fase. No Beira-Rio, o camisa 9 abriu o marcador na
vitória colorada por 2 a 0 sobre o Coxa numa linda jogada individual. Além de
dar a meia-lua em Gil, disparou um chute forte, inalcançável para Vanderlei. No
gol de Dagoberto, Damião foi decisivo ao dar a assistência. Apesar do revés do
São Paulo no Engenhão, Luís Fabiano (que ganhou a nota 8) tem de ser exaltado
pela exibição que teve. Como de costume, ele deixou a sua marca ao cabecear sem
perdão diante do goleiro Jefferson, da Seleção Brasileira, que pouco antes
havia operado um milagre em outra finalização do Fabuloso.
O argentino Herrera, demonstrando a garra que lhe é peculiar, faz três gols e lava a alma botafoguense
A tão cobrada falta de personalidade do time do Botafogo em momentos decisivos, como as que ocorreram, mais uma vez, na semana passada, estava incomodando.
Foram três jogos pra esquecer. Com o lateral Lucas expulso, fomos facilmente batidos pelo Fluminense na primeira partida válida pelas finais do Campeonato Carioca 2012 que decidiu o título à favor do tricolor. Três dias depois, nova tragédia. O Botafogo foi vergonhosamente eliminado da Copa do Brasil, diante do Vitória, com outra expulsão de Lucas. Nem mesmo o bom resultado colhido em Pituaçu, com cinco desfalques na equipe, serviu como motivação no jogo de volta.
Na segunda partida, o time se mostrou inexplicavelmente apático e foi derrotado no Engenhão sem mostrar um mínimo de vontade de vencer o jogo e reverter a situação desfavorável que se prenunciava após o empate de 1 a 1. E tudo, diante de sua torcida.
Nesse domingo, na estreia do clube no Brasileirão 2012 contra o “todo poderoso” e auto suficiente São Paulo, time paulista de um vociferante Leão, lavamos a alma. O time paulista vem passando de fases na mesma Copa do Brasil com certa facilidade, o que credenciava como "osso duro de roer", Mas os deuses queriam que as glórias ficassem com o Glorioso e a Personalidade, com “P” maiúsculo do Botafogo foi resgatada. E o nome dessa personalidade é Herrera.
Herrera brilhou contra o São Paulo (Foto: Cléber Mendes)
O instinto guerreiro do argentino, que tem como principais características a perseverança e a raça, encarnou um personagem determinado, daqueles que não desiste nunca, que o levou a protagonizar um dia de glória pra sua carreira e pra todo o grupo de jogadores, alavancando, dessa maneira, o moral do time que anda um tanto quanto combalido ultimamente.
Sua atuação histórica e decisiva é digna de todos os elogios e foi muito comemorada pelo técnico Oswaldo de Oliveira após o jogo.
Herrera entrou no intervalo substituindo o capitão Loco Abreu, incendiou o jogo e levou o time à reação numa virada pra ficar na história, marcando três gols.
Botafogo vira pra cima do São Paulo, Herrera faz três gols
A entrada do Guerreiro foi decisiva não só pela seu espírito de luta mas também, por ter oferecido alternativas de jogadas aos homens de armação, em especial a Vitor Junior que mostrou categoria em grande parte da partida, com chutes fortes a gol e cobranças de falta como a que resultou no gol da virada, após desvio na barreira. O jogador passa a ser uma ótima opção na armação de jogadas pelo meio, justamente na faixa de campo onde joga Andrezinho.
Osvaldo teve o mérito na substituição ao enxergar a deficiência do time no ataque, que concentrava as jogadas num Loco Abreu apático, estático e com baixo aproveitamento nas poucas bolas que recebeu pelo alto. O treinador mostrou ter o comando do grupo ao mexer na peça mais emblemática do elenco, com riscos de ser contestado caso fracassasse nas suas intenções. Sem contar que o uruguaio é tido como um cara de personalidade forte mas também, consciente de sua condição atual ao voltar ao banco já de banho tomado.
A briga vai ser boa, lembrando que o Elkeson foi merecidamente barrado após seu baixo rendimento nos jogos que disputou nessa temporada, não figurando nem como opção nas substituições realizadas pelo treinador.
Oswaldo se exaltou na partida contra o São Paulo e foi expulso (Foto: Paulo Sérgio)
Pelas declarações de Oswaldo, que se desculpou frente à comunidade esportiva pelo destempero que protagonizou ao ser expulso de campo pelo árbitro do jogo, o “GueHerrera” não tem vaga garantida na próxima partida, contra o Coritiba, no Couto Pereira, apesar da atuação brilhante nesse jogo. Elogiou também El Loco por suas qualidades e características especiais, que hoje não serviram ao time. É esperar para ver o que vem por aí.
Um aspecto curioso ao final da partida deve ser ressaltado. Ao ser interpelado pelo repórter da Globo sobre que música pediria no Fantástico pelo três gols marcados, nosso Herrera, com a simplicidade que lhe é peculiar, disse que não pediria música nenhuma e que não dava importância para isso, deixando o repórter sem ter o que falar. Até mesmo o narrador Cléber Machado sentiu o golpe.
Fato semelhante já havia acontecido com El Loco, que ironizou a brincadeira do “Inacreditável Futebol Clube” do Sportv, chamando-a de ridícula. Está decretada, dessa forma, o fim dessa história de musiquinha e tal com los hermanos alvinegros.
A se lamentar, somente o fato de que um espetáculo dessa magnitude proporcionado pelos dois times tenha sido visto por pouco mais de 7.000 presentes no Engenhão. A torcida, por um motivo ou por outro, não compareceu: paciência e aguardar os acontecimentos. São as considerações sobre uma tarde-noite memorável para o Glorioso Fogão e para seus sofridos e desconfiados torcedores.