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terça-feira, 11 de junho de 2013

Relatório de entrega do Engenhão apontava mais de 50 ações ignoradas


Vistorias relatavam parafusos soltos, peças amassadas e deformações 'acima da tolerância do projeto' do estádio feito para o Pan de 2007



Torcida do Botafogo promove um abraço em
torno do Engenhão (Foto: Thales soares)
Dois consórcios, cinco empresas e pelo menos três relatórios que apontavam falhas na montagem do estádio João Havelange. Esse é o início da conta de tantos problemas, além da pouca ou nenhuma manutenção que gerou um Engenhão interditado sete anos depois. O estádio, fechado para obras de reforços na estrutura do teto, já tinha série de recomendações para correções desde antes de ser entregue. Em 2006, 2007 e 2008, muitos dos atuais problemas do campo do Botafogo já eram conhecidos pelos consórcios construtores e pelos engenheiros do estádio.

Em 21 de julho de 2006, uma vistoria da empresa Alpha Projetos, do engenheiro Flavio D´Alambert, gerou um relatório com fotos e comentários a respeito de "deformações" e "não alinhamento" das estruturas da cobertura do estádio João Havelange. Pouco depois, em fevereiro e abril de 2007, uma nova vistoria constatou 56 ações pedidas, mas não realizadas, de um total de quase 70 no relatório chamado "Pendências da cobertura EOJH" (Estádio Olímpico João Havelange). O GLOBOESPORTE.COM teve acesso aos documentos, aos quais a comissão de avaliação do Engenhão, nomeada pela prefeitura, também tomou conhecimento durante a investigação para análise das causas e soluções para desinterdição do estádio.

Em outro relatório, denominado "Não Conformidades encontradas no Lado Oeste", o projetista do teto sugere série de intervenções imediatas e constata mais problemas na obra.

"É inquestionável que existem muitas deficiências na estrutura da cobertura do setor Oeste. Para além das que são visíveis nas fotografias obtidas pelo Consórcio II, nós pudemos observar outras, que se repetem em várias localizações. Encontramos: ligações com parafusos não instalados; peças não montadas; porcas não montadas e parafusos com comprimento insuficiente; parafusos mal instalados; peças empenadas; chapas torcidas", diz um trecho do relatório de 2007, assinado pela Alpha Projetos.

Foto de 2007 comparada à de uma semana atrás: problemas seguiram sem soluções (Foto: Divulgação)

À época, D´Alambert assinou a vistoria com pedido de "reparos e providências", mas ressaltou que "as não conformidades não oferecem risco de colapso da estrutura". Os engenheiros destacados para analisar o caso pela prefeitura afirmam, porém, que o erro foi de projeto.

- Levamos em conta todos laudos e memórias de cálculo. Um doente (o estádio) foi identificado. Agora fizemos uma ressonância magnética e constatamos os problemas - disse na coletiva de imprensa da sexta-feira passada o engenheiro Sebastião Andrade.

Para Flavio D´Alambert, se tivessem seguido as recomendações dos relatórios e o manual de manutenção, o estádio não teria chegado ao ponto de interdição.

- Em qualquer obra é normal encontrar não conformidades, que precisam ser corrigidas. Ainda mais numa obra complexa. Mas, até pelas fotos divulgadas pela prefeitura, é possível perceber que não foi feito quase nada para os reparos - explica D´Alambert.

No relatório de "Pendências da cobertura", a empresa do projetista constatou que pouco foi feito para realização de melhorias no estádio. Foram mais de 50 pontos descritos como "não realizados" e três "rejeitados" - quando o material colocado foi esmagado ou amassado. Em outro trecho, a vistoria supõe que a "anomalia, como não foi verificada deficiência de projeto, ocorreu durante o procedimento de içamento do módulo ou descimbramento."

A prefeitura do Rio diz que os problemas no estádio foram causados por erro de projeto. “O monitoramento de rotina realizado pelo consórcio teve continuidade e detectou falhas na cobertura do estádio, que poderiam oferecer risco à segurança dos frequentadores em determinadas condições. O laudo técnico embasa a recomendação de interdição estádio. Conforme apresentado, o erro não é de execução e sim de cálculo”, respondeu a prefeitura em nota.

Nessa segunda-feira, os consórcios Delta, Racional e Recoma, da primeira fase da obra, e Odebrecht e OAS, da segunda etapa, foram notificados pela prefeitura para iniciarem as obras de reforço na estrutura do Engenhão. As novas intervenções têm previsão de duração de 18 meses. Interditado desde fim de março, o Engenhão foi fechado após a prefeitura receber um relatório da empresa alemã SBP, que calculou até três vezes mais riscos de colapso na cobertura do que outras companhias do ramo, como a canadense RWDI e a inglesa BRE.

Por Raphael ZarkoRio de Janeiro

Meias se tornam artilheiros, e time joga conforme Oswaldo desejou

Sistema de jogo do treinador, que foi duramente criticado, mostra eficiência e treinador colhe os furtos do trabalho à frente do Botafogo



Oswaldo de Oliveira - Botafogo (Foto: Paulo Sérgio/LANCE!Press)
Oswaldo de Oliveira mantém suas
convicções no comando do Botafogo
(Foto: Paulo Sérgio/LANCE!Press)
A conquista de um título não foi a única mudança do Botafogo deste ano em relação ao do ano passado. Agora, o 4-2-3-1 de Oswaldo de Oliveira, que foi duramente criticado e quase posto de lado, mostra eficiência e o treinador colhe os frutos do seu trabalho e da insistência que teve com a tão criticada tática.

A principal mudança se reflete na evolução dos meias - principal engrenagem da tática de Oswaldo - na participação dos gols do Alvinegro. O artilheiro da equipe em 2013 é o uruguaio Lodeiro, com dez gols, seguido de perto por Seedorf - outro apoiador - e Rafael Marques, centroavante que por vezes recua para o meio de campo, ambos com oito gols marcados.

No ano passado, a artilharia do Glorioso ficou dividida entre os centroavantes Elkeson, Herrera e Loco Abreu, com 18, 15 e 12 gols, respectivamente. Por outro lado, os meias não faziam gols com tanta frequência. Tanto que o principal jogador de meio-campo na tabela de artilheiros foi o holandês Seedorf, que estreou no somente segundo semestre.

- Acho que se você ficar ali na frente parado, se torna um jogador mais fácil de ser marcado. Nos últimos dois jogos finalizei pouco, mas ajudei na marcação e dei passe para o  gol (contra a Ponte Preta). Isso que é o principal. Sempre falo que o importante é ajudar o Botafogo - afirmou o atacante Rafael Marques, que já fez dois gols no Campeonato Brasileiro deste ano, em entrevista à Rádio Brasil.

Durante o Brasileirão do ano passado, - criticado - Oswaldo chegou a admitir uma mudança de esquema e usar dois atacantes de ofício na equipe. Hoje, com o bom momento do Botafogo, pouco se ouve esse pedido. Sintoma que a “teimosia” de Oswaldo de Oliveira deu certo.


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Botafogo tem reunião sobre o Maracanã marcada para quinta-feira


Clube quer saber do consórcio vencedor da licitação as condições para utilizar o estádio no Brasileiro depois da Copa das Confederações



Maracanã: Bota espera levar clássico com o
Fuminense para o estádio (Foto: AFP)
Com a informação do prazo de fechamento do Engenhão (ao menos 18 meses), o Botafogo começa a se estabilizar na busca por uma casa para a disputa do Campeonato Brasileiro. O palco preferido ainda é o Maracanã e uma reunião está marcada para quinta-feira, quando haverá a segunda conversa com o consórcio vencedor da licitação do estádio.

Nesta reunião, o Botafogo espera conhecer as possibilidades existentes de acordo para atuar no Maracanã em alguns jogos no Campeonato Brasileiro. Outras praças já fizeram propostas ao clube, como Brasília, mas por enquanto a ideia é permanecer no Rio, como prefere o departamento de futebol.

O Botafogo está sem o Engenhão desde o dia 26 de março, quando foi interditado pela Prefeitura do Rio. Na sexta-feira, a divullgação do prazo de 18 meses para corrigir o problema da cobertura pegou o clube de surpresa, o que criou a necessidade de agir rapidamente.

Por enquanto, o Botafogo tem atuado como mandante em Volta Redonda, onde tem bom aproveitamento e venceu os dois jogos disputados no local pelo Campeonato Brasileiro. O primeiro cofronto depois da paralisação para a Copa das Confederações será contra o Fluminense, no dia 7 de julho, ainda sem local definido.

Com relação ao procedimento a ser tomado em razão do fechamento do Engenhão, a diretoria do clube ainda vai se reunir para tratar do assunto. É possível que entre com uma ação na Justiça para pedir ressarcimento por causa da impossibilidade de utilizar o estádio para jogos.

Por Fred Huber e Thales Soares Rio de Janeiro