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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Seedorf avalia ano no 'país especial': rezas, cansaço e manifestações


Craque conta suas impressões, comenta momento político do Brasil e diz que poderia render mais se o calendário exigisse menos de sua parte física



No sábado, Seedorf completou um ano como morador do Rio de Janeiro e jogador do Botafogo, e a comemoração veio no domingo, em forma de gol para a torcida na vitória por 1 a 0 sobre o Fluminense na Arena Pernambuco (veja vídeo ao lado). A cereja do bolo foi a liderança isolada do Campeonato Brasileiro.

Em entrevista por e-mail ao GLOBOESPORTE.COM, o craque holandês voltou no tempo para recordar o que de mais marcante passou no clube neste período. Apesar dos 37 anos de idade e quase 21 de profissional, disse que vivenciou experiências pela primeira vez, como alguns rituais de vestiário. Também aprendeu que o calendário brasileiro não é para qualquer um.

Na reta final de sua passagem de dez anos pelo Milan, Seedorf não era utilizado em todas as partidas. Era poupado em algumas delas para que estivesse sempre em boas condições. Pelo Alvinegro, precisou ser muito mais presente.

- Eu senti que poderia ter feito melhor, nas minhas temporadas anteriores fui utilizado apenas para os grandes jogos - contou.

O holandês nascido no Suriname também teve a oportunidade de observar de perto a tentativa de mudança do Brasil a partir da iniciativa popular. Antenado, ele vê o país como "especial" e que está querendo "escrever sua história novamente". Confira a entrevista completa com o craque.

Seedorf comemora gol que deu a vitória ao Botafogo no clássico com o Fluminense (Foto: Antônio Carneiro / Pernambuco Press)
GLOBOESPORTE.COM: como você avalia este primeiro ano no Brasil? Aconteceu tudo como você esperava?

SEEDORF: Foi um ano muito intenso, com grandes momentos e novas experiências. Eu não tinha expectativas, não estou acostumado a tê-las em geral, mas eu fui agradavelmente surpreendido com a cordialidade do país. Fico feliz por ter sido bem-sucedido na Meca do futebol e ter conseguido mostrar quem sou dentro e fora de campo.

O que não sabia do futebol brasileiro e que só passou a saber após sua chegada?

Eu não sabia muito sobre a preparação antes dos jogos e dos rituais internos, como a reza antes e depois dos jogos. É muito interessante ver certos mecanismos.

Quais foram os momentos mais marcantes deste primeiro ano? E os mais complicados?

A coisa mais complicada para mim foi a luta contra o meu cansaço. Joguei ano e meio sem um descanso real. Não tenho 20 anos mais, então, sem tempo a perder é o meu lema! Isso tudo foi pesado!"
Seedorf

Minha chegada foi um momento inesquecível. A primeira semana foi incrivelmente emocional. A alegria dos fãs, o respeito e carinho da população brasileira... A coisa mais complicada para mim foi a lutar contra o meu cansaço. Joguei ano e meio sem um descanso real. Eu senti que poderia ter feito melhor, nas minhas temporadas anteriores fui utilizado apenas para os grandes jogos, mas sentia falta de ritmo de jogo. Tive que me adaptar a uma nova forma e tempo de treinamento, alimentação, cultura, cultura do clube, jogadores novos e minha personalidade de querer influenciar diretamente tudo ao meu redor. Não tenho 20 anos mais, então, sem tempo a perder é o meu lema! Isso tudo foi pesado!

Os brasileiros puderam ver de perto uma versão do Seedorf artilheiro, o que não era muito comum. Como tem sido esta sensação?

Na Europa eu joguei poucos anos na posição em que estou jogando agora, perto dos centroavantes, e, consequentemente, mais perto da área do adversário. No entanto, eu fiz meu gol de número 100 no jogo contra a Ponte Preta em jogos da liga nacional. Nada mau para quem sempre jogou mais como armador, você não acha?!

Antes de você chegar, havia uma provocação dos rivais ao Botafogo por causa do "choro da derrota". Com suas demonstrações de emoção em alguns momentos, parece ter mudado o significado das lágrimas no clube...

Estou feliz e orgulhoso de ter esta influência positiva. Este é um país especial, que está querendo a história escrita novamente e dispostos a crescer e aprender. Fica mais fácil de ter um impacto positivo.

Recentemente o Brasil passou por uma experiência de mobilização popular que não era vista havia muito tempo para cobrar melhorias e protestar contra corrupção. Como observou isto?

Eu acho que é positivo quando a população mostra seu comprometimento em melhorar seu país. Sem as pessoas não há nada, então, assumindo responsabilidades, o governo tem que agir para um futuro sustentável do país para o povo. Progresso vem com responsabilidades assumidas por todos, governo e população. É semelhante ao clube e equipe técnica e os jogadores. O Botafogo é um bom exemplo dessa responsabilidade assumida pelos jogadores e funcionários.

O que achou da Copa das Confederações? Acredita que o Brasil está no caminho certo para ter sucesso na Copa do Mundo, tanto dentro de campo quanto na organização?

Eu gostei. Os jogos foram com muitos gols, mentalidade ofensiva e uma ótima atmosfera. Os fãs brasileiros sabem como comemorar em uma partida quando querem. A Copa do Mundo vai ser um sucesso. Minha única preocupação é sobre o que será feito com todas as oportunidades de crescimento do país usando este fantástico evento.

Por Fred Huber Rio de Janeiro

Atuações: 'maestro' Seedorf decide a vitória do Botafogo sobre o Flu


Camisa 10 comanda a equipe e marca o gol do triunfo Alvinegro no clássico. Bruno e Rafael Sóbis são os melhores do Tricolor






JEFFERSON - GOLEIRO
Voltou bem da Seleção e fez defesas importantes. Ainda ajudou na puxada de contra-ataques em alguns momentos.
Nota: 7,0

LUCAS - LATERAL-DIREITO
Poderia ter avançado mais, principalmente no primeiro tempo. Subiu de produção no segundo.
Nota: 6,5

BOLÍVAR - ZAGUEIRO
Atuação sóbria. Demonstrou um pouco de desatenção na saída de bola.
Nota: 6,0

DÓRIA - ZAGUEIRO
Travou um duelo particular com Fred e saiu vencedor da disputa. Se antecipou bem e ainda tentou ser elemento surpresa no ataque.
Nota: 7,5

JULIO CESAR - LATERAL-ESQUERDO
Assim como Lucas, muito discreto no apoio.
Nota: 6,0

MARCELO MATTOS - VOLANTE
Um brigador. Lutou bastante no meio de campo e conseguiu desarmar muitas jogadas. No entanto, mais uma vez pecou nos passes.
Nota: 6,0

GABRIEL - VOLANTE
Um pouco superior ao companheiro Marcelo Mattos na chegada ao ataque.
Nota: 6,5

LODEIRO - MEIA
Bem marcado, não teve muito espaço para fazer seu jogo.
Nota: 6,0

LUCAS ZEN - VOLANTE
Entrou no fim e pouco participou.
Nota: 5,0

SEEDORF - MEIA
O destaque do jogo. Já comandava a equipe no primeiro tempo, mas no segundo chamou o jogo para si, se movimentou, orientou os companheiros e foi premiado com o gol da vitória.
Nota: 8,0

ANDRÉ BAHIA - ZAGUEIRO
Entrou nos acréscimos.
Sem nota.

VITINHO - ATACANTE
No primeiro tempo ficou muito preso na esquerda e não participou ativamente do jogo. Cresceu na segunda etapa se movimentando mais e deu dois bons chutes a gol.
Nota: 6,0

ELIAS - ATACANTE
Teve a chance de fazer o segundo gol em grande passe de Seedorf. Ainda merece ser mais bem observado.
Nota: 6,0

RAFAEL MARQUES - ATACANTE
Foi importante taticamente. Teve apenas uma chance de marcar e desperdiçou.
Nota: 6,0


DIEGO CAVALIERI - GOLEIRO
Não teve culpa no gol. A quicada da bola no chute forte de Seedorf foi fatal para o gol.
Nota: 6,0

BRUNO - LATERAL-DIREITO
Melhor jogador do Fluminense na partida. Participou muito do jogo, fazendo ultrapassagens e aparecendo no ataque. Há muito tempo não jogava tão bem.
Nota: 7,5

GUM - ZAGUEIRO
Perdeu um gol de cabeça no primeiro tempo. Não comprometeu defensivamente.
Nota: 6,5

DIGÃO - ZAGUEIRO
Um pouco abaixo de Gum. Desatento nas saídas de bola do Tricolor.
Nota: 6,0

CARLINHOS - LATERAL-ESQUERDO
Sem o mesmo vigor e velocidade que o caracterizaram na reta final da Libertadores e nos jogos inciais do Brasileirão.
Nota: 5,5

EDINHO - VOLANTE
Abusou das faltas e levou um cartão amarelo.
Nota: 5,5

JEAN - VOLANTE
Tentou organizar o time do Fluminense mas não obteve sucesso. Ainda não é o mesmo jogador de 2012.
Nota: 6,0

WAGNER - MEIA
Irregular como sempre.
Nota: 5,5

SAMUEL - ATACANTE
Entrou no fim.
Sem nota.

RHAYNER - ATACANTE
Lutou muito em campo. Não foge das divididas e, por isso, acabou se machucando quatro vezes até deixar o campo em definitivo.
Nota: 6,5

BIRO-BIRO - ATACANTE
Não tem medo do jogo. Entrou e tentou ajudar no ataque.
Nota: 6,0

RAFAEL SÓBIS - ATACANTE
Depois de Bruno foi o melhor do time. Jogador que mais tentou algo diferente no ataque e participou de um lance polêmico com o goleiro Jefferson, que poderia ter resultado em um pênalti para o Fluminense. Ainda quase marcou de fora da área.
Nota: 7,0

DECO - MEIA
Jogou pouco e mostrou que ainda não está em forma.
Nota: 6,0

FRED - ATACANTE
Na sua volta ao Fluminense não estava inspirado. Perdeu o duelo com Dória.
Nota: 5,5

Por GLOBOESPORTE.COM São Lourenço da Mata, PE

Fim da ressaca! Brasileirão recomeça e Botafogo assume a liderança

Após pausa de um mês no calendário por causa da Copa das Confederações, competição nacional volta com tudo e tabela sofre mudanças na parte de cima





HOME - Botafogo x Fluminense (Foto: Guga Matos/JC Imagem)
Seedorf fez o gol que garantiu a liderança
do Botafogo (Foto: Guga Matos/JC Imagem)
Brasil tetracampeão da Copa das Confederações, seleção espanhola humilhada, Neymar destaque internacional e Luiz Felipe Scolari, mais uma vez, em alta com a torcida brasileira.

Mas e o Brasileirão? A competição voltou após longo período de pausa. E o grande jogo “pós-ressaca” não poderia ter sido outro: Fluminense, dos campeões Diego Cavalieri, Jean e Fred, contra o Botafogo, de Jefferson, na Itaipava Arena Pernambuco, palco de três jogos do torneio internacional (Espanha 2 x 1 Uruguai, Itália 4 x 3 Japão e Uruguai 8 x 0 Taiti).
Mesmo com quatro selecionáveis em campo, quem brilhou foi Seedorf. Sempre ele. Mais do que fazer o gol da vitória (1 a 0), o craque holandês colocou o Fogão na liderança.

Na Itaipava Arena Fonte Nova, que também recebeu partidas da Copa, Alexandre Pato, preterido por Felipão, desencantou contra o Bahia, fez dois gols e garantiu a primeira vitória (2 a 0) fora de casa do Corinthians.
Mesmo com a forte neblina em Caxias do Sul, o futebol do Internacional não desapareceu e a equipe gaúcha atropelou o Vasco por 5 a 3. O atacante uruguaio Forlán, que não brilhou na Copa das Confederações, fez um belíssimo gol.

No Morumbi não teve neblina. E não teve um público decente também. Apenas 12 mil torcedores acompanharam a vitória do Santos por 2 a 0 em cima do São Paulo.

No duelo entre Flamengo e Coritiba, no Mané Garrincha, estádio que recebeu o primeiro jogo do Brasil na Copa das Confederações (vitória por 3 a 0 em cima do Japão), destaque para a estreia de Mano Menezes no comando do time carioca. Antecessor de Felipão na Seleção Brasileira, o treinador conseguiu arrancar um empate (2 a 2) com o ex-líder Coxa.

E, por falar em liderança, o Vitória perdeu a chance de terminar a rodada na ponta. Os baianos tropeçaram por 1 a 0 para os goianos, que deixaram a zona de rebaixamento. Ainda na parte da baixo da tabela, o Atlético-PR apenas empatou (1 a 1) com Grêmio. Outro empate aconteceu no Canindé: Portuguesa 1 x 1 Cruzeiro.

Já o Atlético-MG, com o triunfo por 3 a 2 diante do Criciúma, também deu adeus à degola. Porém, o mesmo não pode ser dito do Náutico. Na Arena Pernambuco, o Timbu perdeu por 3 a 1 para a Ponte e, com isso, fica com na lanterna.


LANCENET!