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terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Daniel brilha, marca dois gols e Botafogo vence Olaria em jogo-treino


Meia-atacante, recém-promovido dos juniores, tem se destacado na pré-temporada alvinegra em Saquarema





Botafogo x Olaria.(Foto: Satiro Sodre/ SSPress)
Daniel foi o grande destaque do jogo
-treino (Foto: Satiro Sodre/ SSPress)
Se com a ausência de Rafael Marques dos treinamentos do últimos dias, o meia Daniel tem entrado e correspondido, no jogo-treino da tarde desta terça-feira, no CT da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), contra o Olaria, não foi diferente. O jogador, de 19 anos, recém-promovido dos juniores, marcou os dois gols da vitória do time misto do Botafogo, por 2 a 1, e reafirme as boas expectativas que se tem dele para o futuro. 

Da equipe titular - que irá disputar a Copa Libertadores - apenas Dória, Gabriel e Jefferson, que entrou no segundo tempo, participaram do confronto. No intervalo, Eduardo Hungaro modificou toda a equipe.

Os titulares que não participaram do jogo-treino, mais Bolatti e Ferreyra, que se apresentou na segunda-feira, foram à praia com o preparador físico Ricardo Henriques, para a realização de um treino físico. A equipe que enfrentou o Olaria é formada por jogadores que disputarão o Campeonato Estadual.

O Botafogo atuou com Renan (Jefferson); Lucas (Alex), Dankler (Matheus), Dória (André Bahia) e Lima (Renan Lemos); Gabriel (Dedé), Renato (Fabiano), Rodrigo Souto (Octávio), Gegê (Jeferson Paulista) (Anderson) e Daniel (Yguinho); Henrique (Sassá).


Alexandre Braz - LANCENET! 

Seedorf chega de helicóptero a Saquarema e chora em despedida


Jogador abraça os ex-companheiros de Botafogo e deve viajar ainda na noite desta terça-feira para a Itália, onde será apresentado como treinador do Milan




Praticamente uma hora depois de conceder entrevista coletiva na qual anunciou sua aposentadoria dos gramados, o holandês Seedorf já estava em Saquarema-RJ para se despedir do elenco do Botafogo, que realiza pré-temporada na cidade da Região dos Lagos. O meia chegou de helicóptero ao Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e se emocionou ao abraçar os ex-companheiros, chorando no adeus.

Seedorf chora na despedida do Botafogo com os companheiros (Foto: Satiro Sodré / SSPress)
Seedorf havia dito que fazia questão de abraçar todos os jogadores. E o fez. A maioria o acompanhou durante o um ano e meio em que o agora ex-jogador defendeu o Botafogo. No clube, o holandês venceu o Carioca de 2013 e conquistou a vaga para a disputa da Taça Libertadores de 2014. O craque também cumprimentou os funcionários do departamento de futebol.

- Na vida, quando a oportunidade vem, você tem que pegar. E o futebol dá muitas oportunidades de crescer como profissional e como homem. O que construímos aqui juntos é o que me dá tranquilidade para este novo desafio. Cada um de vocês me fez pensar e raciocinar. Agradeço a todos pelo apoio e por aceitarem meu jeito de ser. O mais importante foi a mentalidade que construímos. Meu sonho é sempre ver esse espírito vencedor. Tinha muita vontade de ajudar mais e tenho orgulho de ter feito parte deste grupo - disse Seedorf, emocionado.

O lateral-direito Edilson comentou sobre a convivência com o craque, sobre seus ensinamentos no dia a dia e desejou sorte ao ex-companheiro neste desafio à frente do Milan.

- Desde o meu primeiro dia no Botafogo, eu aprendi demais com o Seedorf. Nos treinos, nos jogos, na concentração. Perdemos um jogador fantástico e um ser humano maravilhoso. Desde as orientações táticas pela sua vivência no futebol europeu até os conselhos de vida, ele me ensinou muito. Eu só tenho a agradecê-lo pela convivência e pela amizade que construímos. Torço muito para o seu sucesso na Europa. Com certeza, se tornará um excelente técnico - afirmou o lateral.

O retorno ao Rio de Janeiro cerca de uma hora depois, também de helicóptero. Antes, ele acenou para os cerca de 50 tocedores que acompanhavam tudo do muro e ouviu pela última vez sua música como atleta alvinegro: "Seedorf, oba, oba!".

Seedorf planeja embarcar para a Itália em um voo nesta noite. Se não conseguir, viajará na manhã de quarta-feira para, onde será apresentado como novo treinador do Milan.

Seedorf chega de helicóptero ao CT da CBV em Saquarema (Foto: Fred Huber)


Seedorf se despede do zagueiro Dória, a quem elogiou em sua entrevista coletiva (Foto: Fred Huber)

Por Fred Huber Saquarema, RJ

Seedorf anuncia adeus ao Bota:'Que possa manter o que a gente construiu'


Holandês se aposenta para dar início à carreira de treinador no Milan, da Itália



Chegou ao fim a passagem de Seedorf pelo futebol brasileiro e pelo Botafogo. O craque abriu mão dos últimos seis meses de contrato que restavam no clube e da chance de disputar a Libertadores, o que seria seu primeiro torneio internacional na América do Sul, para se aposentar aos 37 anos e dar início à carreira de treinador no Milan, da Itália. Alvo antigo do clube milanês, a investida sobre o holandês aumentou com a demissão do técnico Massimiliano Allegri, que não resistiu à vexatória derrota para o modesto Sassuolo, pelo Campeonato Italiano, no último domingo. O convite pesou, e craque, sorridente e tranquilo, anunciou sua despedida em entrevista coletiva nesta segunda-feira, no Engenhão.

Seedorf é homenageado pelo presidente alvinegro com um quadro e a mensagem: 'Obrigado' (Foto: Gustavo Rotstein)

- Vou parar de jogar futebol depois de 22 anos. Foi uma noite difícil, mas estou satisfeito com o que fiz na minha carreira, no que fiz com o Botafogo. Objetivo de voltar a sonhar, a entrar na Libertadores após 17 anos. Minha felicidade de poder ter deixado também em campo resultados importantes. Carioca foi um começo. Não acabou mal. Conseguimos a vaga na Libertadores que o clube merece, o grupo que estou deixando aqui merece. Gostaria de agradecer a todos. Agradeço o projeto do Botafogo e desejo o melhor. Que possa manter a autoestima, melhorar e manter o que a gente construiu. Muitos times poderiam ser melhores tecnicamente que o Botafogo, mas por causa da nossa cabeça fizemos melhor. Vou seguir o Botafogo à distância. Obrigado por essa convivência, muitas coisas positivas, agradeço ao Rio, ao Brasil, a todos vocês que estão aqui e aos que não estão. Me abraçaram daquela forma. Estou feliz e satisfeito, não tenho arrependimento. Posso me aposentar tranquilo. Poderia jogar muito mais, treinar mais. Ver a garotada treinando me motivava. O Brasil, que me abraçou, não vou esquecer nunca mais, acho que dei algo importante, que fiz isso e por isso estou tranquilo para fechar - declarou.

Agradeço o projeto do Botafogo e desejo o melhor. Que possa manter a autoestima, melhorar e manter o que a gente construiu. Muitos times poderiam ser melhores tecnicamente que o Botafogo, mas por causa da nossa cabeça fizemos melhor. Vou seguir o Botafogo à distância. Obrigado por essa convivência, muitas coisas positivas, agradeço ao Rio, ao Brasil
Seedorf, ex-meia e novo treinador do Milan

Seedorf ainda vai de helicóptero a Saquarema nesta tarde para abraçar os jogadores que estão realizando a pré-temporada. O craque, porém, disse que o anúncio não se trata de um adeus. Ele deixa em aberto a possibilidade de reencontrar um dia não só o Botafogo, como o Brasil. E antes e partir rumo à Itália, o holandês desejou sorte à Seleção na Copa do Mundo daqui a cinco meses.

- Não é um adeus, vamos nos encontrar ainda. Essa experiência nesse um ano e meio me fez crescer muito e me ajudará no meu próximo passo, que será como treinador do Milan. Queria fechar de maneira elegante e correta. Muito obrigado de novo a todos. Espero que o Brasil possa ter uma Copa inesquecível e que a seleção brasileira possa honrar as cores. Obrigado.

O presidente alvinegro, Mauricio Assumpção, admitiu a perda de qualidade técnica que o time terá sem o Seedorf e tratou de dizer que encontrar um substituto será um desafio. Mas o comandante aposta no legado do próprio holandês não só para atrair jogadores, como para evoluir as categorias de base do clube.

- Vai ser difícil (achar um substituto). É um desafio que temos aqui. Achar alguém que traga tudo o que ele trouxe. Algumas contratações estão sendo feitas. A vinda dele e a saída dele vão abrir as portas de um Botafogo para muito jogador do quilate dele, embora seja difícil achar. O Botafogo se credencia como um clube que tem condições de receber alguém assim, fica fácil para o mercado internacional entender. Meu sócio-torcedor pulou mais de 100%, isso é representativo. Mas tenho de falar da chancela que ele deu à base. Vi gerações surgirem e desaparecerem sem chancela. O Botafogo pôde subir garotos com o Seedorf, convivendo com ele no dia a dia. Esse é o ganho maior de todos. Não é a toa que hoje temos mais de 16 atletas da base no elenco. Essa foi a maior contribuição e vai se perpetuar a outras gerações. O que é bem feito não é perdido - defendeu.

Bem-humorado e transmitindo segurança ao ter tomado a decisão de antecipar a aposentadoria para assumir o comando do Milan, Seedorf lembrou a partida contra o Criciúma, pela última rodada do Brasileirão, como o momento mais emocionante de sua trajetória pelo Botafogo. E deixou claro estar certo de que ao migrar de uma sólida carreira nos gramados para outra ainda incerta à beira dele, está certo de que deu um passo firme em direção ao futuro.

- Gosto de trabalhar, de estar nesse mundo do futebol, e acho que vou continuar ajudando na minha missão de vida, que é ajudar a fazer um mundo melhor, não mais como ator no campo, mas treinando esses atores, que são modelos para as crianças. É um passo natural. Um taça a mais ou a menos não vai mudar minha história. O legado deixado é o importante para mim. Isso foi fantástico, bonito e feliz por tudo que fiz. Ninguém sabe qual é o momento certo. Tem que ter coragem pra seguir o coração. A cabeça pode tomar decisões erradas, mas o coração dificilmente erra.

Seedorf se mostrou tranquilo e sorridente em
 sua despedida da carreira de jogador (Foto: Reuters)

Do anúncio da contratação até a confirmação do fim da trajetória de Seedorf no Botafogo foram 564 dias, 81 jogos e 24 gols. O camisa 10 ajudou o clube na conquista do Carioca de 2013, quando foi eleito o melhor jogador da competição, e na conquista da vaga para a Libertadores de 2014 após 17 anos longe do torneio. A chegada foi apoteótica, no aeroporto lotado. A apresentação, no Engenhão, também emocionou os torcedores. A chegada do ídolo, além da qualidade técnica, serviu para elevar a autoestima dos alvinegros.


Como em todo casamento, na relação de Seedorf com o Bota houve momentos de turbulência. O camisa 10 ficou bastante chateado com ao episódio em que torcedores foram ao aeroporto hostilizar os atletas e atirar ovos no ônibus após uma derrota para o Internacional. Outra coisa que incomodava o holandês eram os contantes atrasos de salários do elenco. O perfil participativo e as cobranças durante treinos e jogos por vezes criaram algumas rusgas, por exemplo, com Dória, Gilberto, Jefferson e Antônio Carlos.

Diante da má receptividade, ele ficou mais calado. O grupo percebeu e pediu a volta do "pai chato", já que consideravam que o meia conseguia fazer com que os companheiros produzissem mais. No início deste ano, a notícia de que Oswaldo de Oliveira não renovaria contrato também desapontou Seedorf, que sempre disse ter uma relação especial com o comandante.

Um craque emotivo e com talento musical

Neste um ano e meio no Brasil, Seedorf mostrou um lado bastante emotivo e chorou algumas vezes. A primeira vez, no entanto, não foi de alegria. Em uma partida do Brasileiro de 2012, contra o Atlético-GO, no Engenhão, vencida por 4 a 0 pelo Botafogo. O holandês fez um dos gols, mas machucou a coxa ainda no primeiro tempo e deixou o gramado lentamente, com lágrimas nos olhos, enquanto era aplaudido pela torcida alvinegra.

O segundo choro do holandês foi um somatório de emoções. Ele fez três gols (pela primeira vez na carreira) na vitória sobre o Macaé e ainda tinha recente em sua memória a lembrança da perda de sua avó, que havia morrido dias antes no Suriname. Talvez o choro mais inesquecível para os botafoguenses foi o do dia da conquista do Carioca. Seedorf, o mesmo que já ganhou quatro vezes a Liga dos Campeões, derramou lágrimas para celebrar mais um triunfo na carreira. 
 
Os momentos marcantes de Seedorf durante pouco mais de um ano e meio de Botafogo (Foto: editoria de arte)


Na última partida que fez pelo Bota, na vitória sobre o Criciúma, no Maracanã, como se já imaginasse que não vestiria mais a camisa alvinegra, ele também se emocionou bastante ao ser aplaudido pela torcida. Na saída de campo, disse que estava com o sentimento de dever cumprido.

A música também foi parte importante na vida de Seedorf no Brasil. O craque conseguiu influenciar o vestiário do Bota com seu gosto musical, especialmente pelo reggae. Foi a canção "One Love" do cantor jamaicano Bob Marley que se tornou símbolo da conquista do Carioca. Na comemoração do título, na sede lotada de General Severiano, o craque soltou a voz e foi acompanhado pelos torcedores.

O Rio de Janeiro perde um "quase carioca". Frequentador da cidade mesmo antes de se transferir para o Botafogo, até porque é casado com a brasileira Luviana, o holandês adorava pegar sua bicicleta e dar uma volta pela orla. Colocava um boné, fone nos ouvidos e seguia sem quase ser incomodado nas ruas.

Por Fred Huber e Gustavo Rotstein Rio de Janeiro