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terça-feira, 29 de julho de 2014

Estudo diz que Bota precisa de R$ 65 mi para ficar em dia até o fim do ano






Crise financeira sem precedentes torna gestão do clube quase inviável. Salários estão atrasados na Carteira e nos direitos de imagem



Time do Bota entra com faixa protestando contra
os atrasos (Foto: Vitor Silva / SS Press)
A faixa exibida pelos jogadores do Botafogo em campo antes do jogo contra o Flamengo foi a sinalização mais clara da crise sem precedentes que se instalou em General Severiano. O clube não tem dinheiro para cobrir seus mais básicos vencimentos. O salário dos jogadores está com atraso de três meses (CLT) e cinco meses (direitos de imagem) - assim como o de gerentes e diretores. Os funcionários são os únicos que estão em dia.

Um estudo encomendado à empresa KPMG por investidores traçou um raio-x sombrio do futuro do clube. Segundo a análise, o Botafogo precisa de um aporte de pelo menos R$ 200 milhões para sobreviver e ter um mínimo de competitividade em 2015. Até o fim do ano o clube precisaria de pelo menos R$ 65 milhões para colocar tudo em dia. Boa parte da receita futura já está comprometida e não há previsão de entrada de recursos.

A situação chegou ao limite com a penhora de todas as receitas alvinegras pela fazenda e pelo TRT. O clube foi excluído do Ato Trabalhista no ano passado - e desde então vem lutando para ser reintegrado. O Botafogo optou por pagar salários e deixar encargos em atraso, e o presidente Maurício Assumpção apostou as fichas que a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte seria aprovada até o início de 2014. Não foi - e a bomba começou a explodir em janeiro.

A situação se agravou também por outro motivo - que começou a ficar evidente na semana passada: o departamento de futebol não se adequou à nova realidade. Após deixar o clube, o ex-gerente de futebol, Sidnei Loureiro, deu entrevista criticando o executivo, Sérgio Landau, e o diretor financeiro, Marcelo Murad:

- Eles disseram que se reduzíssemos os custos do futebol, pagaríamos em dia.

O presidente Maurício Assumpção deu entrevista à Rádio Globo na última sexta-feira e desmentiu Sidnei:

- A orientação de reduzir o orçamento do futebol foi minha. E ele sabia disso. Não entendi a entrevista.

Presidente Maurício Assumpção está no último ano
 do seu mandato (Foto: Satiro Sodré)
O departamento de futebol pediu um aumento na folha salarial do futebol - que pularia de R$ 5 milhões para R$ 7 milhões. A recomendação do CEO foi reduzir o custo para pouco mais do que metade disso. O orçamento foi revisado mas, ao contrário do que disse o presidente, o orçamento do departamento de futebol não foi reduzido. Pelo contrário - aumentou entre 2013 e 2014.

Em janeiro de 2014, o clube não renovou com o treinador Oswaldo de Oliveira e anteriormente havia demitido alguns membros da antiga comissão técnica. Após a eliminação da Libertadores, houve uma nova leva de demissões, que incluíram o preparador de goleiros Flavio Tenius - muito ligado ao goleiro Jefferson. Apesar disso, não houve redução na folha.

Pelo contrário - o Botafogo contratou uma série de auxiliares e ainda distribuiu reajustes. O ex-gerente Sidnei Loureiro, que saiu reclamando de cortes, recebeu aumento. E agora, como seu contrato foi rescindido, o clube ainda terá que arcar com a multa rescisória. Outro exemplo de aumento recente: promovido a treinador, Eduardo Hungaro foi reajustado. Ao ser rebaixado a auxiliar, em abril, continuou com o mesmo salário.

O orçamento preparado pelo departamento de futebol previa - como publicado em reportagem do GloboEsporte.com em dezembro - que o clube chegaria à final da Libertadores. Projetava um aumento de receita e contabilizava as premiações como entradas de caixa. O clube foi eliminado na fase de grupos - e obviamente a conta não fechou.

A busca por recursos tem causado preocupação em diversas correntes políticas alvinegras - com um receio comum de que o presidente assine contratos que ultrapassem seu atual mandato - buscando recursos "antecipados" para pagar os atrasados. Na entrevista para a Rádio Globo, o presidente anunciou que o clube está negociando a criação de um cartão de consumo para o Engenhão - embora não se saiba exatamente ainda quando o Botafogo vai retomar o estádio. Por conta desse temor, alguns habituais "emprestadores" do Botafogo já sinalizaram que a fonte "secou".

Para piorar, o clube não consegue sequer vender jogadores para abater as dívidas - porque os direitos econômicos dos destaques do elenco estão penhorados. A saída de Lodeiro para o Corinthians aconteceu em junho - mas o jogador não consegue estrear pelo time paulista porque seus direitos econômicos estão "paralisados" no Botafogo. O temor atual no futebol é não conseguir verba para pagar o terceiro mês de atraso da CLT dos atletas - o que pode provocar uma debandada a qualquer momento.


Por GloboEsporte.com Rio de Janeiro

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Mancini tem chance de ganhar mais duas opções para duelo com Cruzeiro


Tanque Ferreyra e Marcelo Mattos estão em fase final de recondicionamento físico e serão avaliados durante a semana. Time volta ao Maracanã no sábado




O técnico Vagner Mancini tem chance de ganhar mais duas opções para o confronto com o Cruzeiro, líder do Campeonato Brasil, sábado, no Maracanã. Tanque Ferreyra e Marcelo Mattos estão em fase final de recondicionamento físico e, dependendo da evolução durante a semana, poderão ser relacionados.

Marcelo Mattos, que se recuperou de um problema no quadril, poderia ser uma alternativa para Mancini, já que Airton levou o terceiro amarelo e está suspenso. A falta de ritmo, no entanto, pode pesar contra ele.

Marcelo Mattos durante atividade na sala de musculação do Engenhão (Foto: Satiro Sodre/SSPress)

Como ficou mais satisfeito com o desempenho do time do Bota no segundo tempo do clássico com o Fla, quando a equipe estava apenas com dois volantes, a tendência é que Bolatti e Gabriel sejam mantidos e outro homem de criação seja escalado. No domingo, Zeballos foi o escolhido para entrar. O paraguaio levou oito pontos na cabeça após um choque com o rubro-negro Cáceres e será observado.

Além de Mattos e Ferreyra, a expectativa é de que o atacante Rogério também possa jogar - e ser titular. Para isso, a diretoria ainda precisa acertar a regularização do jogador, que estava no Náutico.

Apesar da derrota por 1 a 0 para o Fla, o Bota se manteve na 13ª posição - 12 pontos em 12 jogos.

Por GloboEsporte.comRio de Janeiro

Projeto para parcelar dívida dos clubes deve ser votado na Câmara em 10 dias


Deputados vão colocar regime de urgência na Lei de Responsabilidade do Esporte





Reunião dos Dirigentes de clubes da série A e B do Campeonato Brasileiro na CBF - Vicente Candido (Foto: Paulo Sérgio/ LANCE!Press)
Vicente Cândido esteve na CBF nesta segunda-feira
(Foto: Paulo Sérgio/ LANCE!Press)
A Lei de Responsabilidade do Esporte, projeto de refinanciamento das dívidas dos clubes junto à União, deve ser votado na próxima semana na Câmara dos Deputados, em Brasília. Essa é a expectativa revelada pelo deputado federal Vicente Cândido (PT-SP), após reunião nesta segunda-feira com os clubes das Séries A e B, presidentes de federação e parlamentares, na sede da CBF, no Rio.

- Após a turbulência na Copa do Mundo, todos os setores estão com interesse de andar com o projeto. O presidente Henrique Eduardo Alves está disposto a colocar na pauta na semana que vem. Devemos aprovar a urgência na terça-feira e na quarta colocar no plenário - explicou Cândido, ressaltando que o texto ainda não está fechado:

- Os ajustes que tiverem que ser feitos deverão acontecer através de ajustes de plenário. Há uma disposição do Congresso nacional. Combinamos com o governo o momento adequado e está na hora de fazer isso.

O vice-presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, valorizou a iniciativa.
- O quanto antes, melhor - disse ele, após o encontro no Rio.


Igor Siqueira - LANCENET!