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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Assediada, família faz força-tarefa e assume a carreira de Luis Henrique


Apesar da procura de empresários, mãe do atacante alvinegro conduz a gestão dos negócios do filho e conta com a ajuda de parentes em diversas áreas técnicas


O sucesso repentino nos gramados acarretou um novo patamar para Luis Henrique. Os últimos dias foram agitados, e o atacante assinou seu primeiro contrato como profissional e acertou um patrocínio pessoal com uma marca internacional de produtos esportivos. Roteiro normal para um jovem que, apesar dos 17 anos, já que é tratado como uma joia dentro do Botafogo. Incomum é a forma como as negociações ocorreram e a maneira como a carreira do jogador vem sendo gerida. Um verdadeiro negócio em família.

Apesar do grande assédio de empresários, a família do atacante decidiu, por ora, adotar uma linha mais familiar para cuidar da carreira do garoto. Comissária de bordo, é Tanara Farinhas, mãe de Luis Henrique, quem assumiu as rédeas das negociações.

Família de Luis Henrique reunida. A mãe do jogador é a que está à direita na foto (Foto: Arquivo Pessoal)

- Chegamos a essa decisão de dar um caráter mais família para a carreira do Luis pois, atualmente, não vemos a necessidade de contar com um agente para fazer isso. Estou pronta para tomar frente do gerenciamento da carreira do meu filho até mesmo para dar mais tranquilidade para ele e para nossa família. Estamos recebendo muito assédio de empresários, e precisamos de um momento de calmaria, para que o Luis possa desenvolver sua carreira da melhor forma possível. Ele é muito focado, procura participar de tudo, mas tem apenas 17 anos e eu sou a única responsável por sua carreira no momento. Tanto em termos de conversa com Botafogo, como no caso de analisar propostas e patrocínios pessoais - disse a mãe do jovem talento alvinegro. 

Luis Henrique com o pai e os irmãos
(Foto: Arquivo Pessoal)
Tanara Farinhas, no entanto, criou uma força tarefa familiar para cuidar da carreira do filho. Do cunhado, o advogado Diego Beretta, vem a assessoria jurídica. Formada em Letras, a irmã de Tanara, Cibélle Farinhas, ministra aulas de inglês para Luis. Ex-jogador profissional no Espírito Santo, o pai do jovem, Evilmar Taffner, participa na parte técnica, com conselhos antes e depois dos jogos. Evilmar fala não somente da parte de campo, mas também dá dicas ao atacante de como se comportar no dia a dia do futebol.

- É um desafio novo para nós, mas estou preparada e conto com a ajuda da minha irmã, que fala inglês fluente por ter morado fora, e do meu cunhado, que é advogado e nos dá essa assessoria jurídica - disse Tanara.

Na renovação com o Botafogo, lá estavam Tanara e o cunhado Diego Baretta para negociar com o coordenador da base alvinegra, Manoel Renha, um dos principais entusiastas de Luis Henrique no clube. O encontro definitivo, na semana passada, durou mais de seis horas.

Luis Henrique e a mãe logo após a estreia como profissional, contra o Sampaio Corrêa (Foto: Gustavo Rotstein)

- É sempre importante a presença da família. Se fosse meu filho, eu, particularmente, iria querer cuidar das coisas dele. Sabemos que muitas vezes os pais dos atletas não têm condições, mas, tendo a possibilidade, é importante, especialmente por se tratar de um menino de 17 anos. Foi importante a presença do tio, pelo conhecimento dele das leis esportivas. Quando você negocia diretamente com a família, fica mais fácil, por não haver o interesse de terceiros. Foi uma negociação direta, e as duas partes procuraram ser o mais transparente o possível. Acho que todos saíram satisfeitos. No encontro, até falei uma frase conhecida: “Quem ama, cuida”. Muitos pais acompanham as carreiras desses meninos desde cedo e, na hora que vai começar a ficar bom, precisam abrir mão. A família do Luis foi muito assediada nos últimos dias por pessoas que queriam uma procuração do rapaz. Mas, pelo menos a curto prazo, eles preferiram se cercar de pessoas de confiança - disse o coordenador das categorias de base do Bota, Manoel Renha.




Na negociação, Luis Henrique teve um aumento salarial "considerável", nas palavras do presidente Carlos Eduardo Pereira. A multa do atleta subiu para aproximadamente R$ 60 milhões. Antes, o valor girava entorno de R$ 1 milhão para clubes nacionais, e R$ 30 milhões para times do exterior. O vínculo segue até maio de 2017, uma vez que, Luis Henrique, por ser menor de 18 anos, ficaria sem condições de jogo se assinasse um novo contrato. A ideia do Botafogo, porém, é estender o tempo de contrato assim que se torne maior de idade.

Com a Puma, Luis Henrique assinou um contrato de três anos de duração. Para celebrar o acerto, a marca fez um vídeo com o atacante Olivier Giroud, do Arsenal, dando boas-vindas ao jogador do Botafogo.


Por Marcelo BaltarRio de Janeiro/GE

Seleção, títulos, AVC e Bota: Ricardo Gomes tem novo desafio na carreira


Depois de quatro anos, Ricardo Gomes volta a treinar um time de futebol. Recuperado de um AVC sofrido em 2011, ex-zagueiro é o novo técnico do Botafogo



Quatro anos depois, Ricardo Gomes volta a trabalhar
 como técnico. É o novo comandante do Bota
 (Foto: Marcos Alves / Agência O Globo)
Passaram-se quatro anos. MasRicardo Gomes está de volta. Agora, no comando do Botafogo. O treinador aceitou o desafio - e a proposta da diretoria alvinegra - de voltar a chefiar um elenco, desta vez, na tentativa de retorno à Série A do Brasileirão. Ainda não há data confirmada de quando iniciará o trabalho - ele e o presidente Carlos Eduardo Pereira se reunirão para definir -, e o certo, por ora, é que o interino Jair Ventura comandará o time carioca contra o Bahia, neste sábado. Ricardo chega para assumir o posto deixado por René Simões, demitido na última semana, após perder para o Figueirense no Engenhão e ser eliminado da Copa do Brasil.

Ricardo Gomes não trabalha como treinador desde 2011, quando sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) durante clássico do Vasco contra o Flamengo, no dia 28 de agosto (veja no vídeo abaixo o atendimento ao técnico no Engenhão). No ano anterior, trabalhando no São Paulo, ele teve uma vasculite, considerada um pequeno AVC, e também precisou ficar internato após o clássico contra o Palmeiras, pelo Campeonato Paulista. A recuperação, porém, foi bem mais rápida.

O Ricardo está totalmente liberado para voltar ao trabalho. As funções cerebrais estão normais, há mais de ano, inclusive. Ele quem optou por aguardar um pouco mais de tempo".
Fábio Miranda, médico de Ricardo Gomes


Quem o ajudou - e o salvou - naquela tarde foichefe do departamento médico do Flamengo, doutor José Luiz Runco. Ex-sócio do Hospital Pasteur, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o médico percebeu a gravidade da situação e logo ligou para a diretoria do hospital, pedindo a preparação para uma cirurgia de emergência. Foram 21 dias internado, 15 no CTI e mais seis no quarto. Depois, ao longo dos anos, mais inúmeras sessões de fisioterapia, musculação e fonoaudiologia, além de check-ups frequentes. Hoje, está pronto para recomeçar na profissão.


Quem garante é o médico pessoal do treinador, Fábio Miranda. Não há nenhuma restrição para que o técnico exerça o trabalho normalmente. Há mais de ano, inclusive.

- O Ricardo está totalmente liberado para voltar ao trabalho. As funções cerebrais estão normais, há mais de ano, inclusive. Ele quem optou por aguardar um pouco mais de tempo. Ele tem apenas uma pequena sequela na fala, mastiga um pouco as palavras às vezes, tem um pouco de gagueira. Mas o raciocínio é normal. Sem problema algum - disse.





Em março deste ano, o Vitória tentou a contratação do treinador. A necessidade de recuperação de uma artroscopia no joelho, porém, impediu-o de assumir naquele exato momento, por isso a negociação não avançou. O médico Fábio Miranda também tranquiliza sobre o fato:

- Ele tem problema nos joelhos desde a época de jogador. Talvez venha a precisar de uma nova cirurgia no futuro, mas nada disso impede o trabalho dele como treinador.

TRABALHO COMO DIRIGENTE

Ricardo Gomes foi diretor técnico e diretor executivo
 de futebol em 2013, pelo Vasco
(Foto: Marcelo Sadio / Site do Vasco)
Entre 2011 e 2015, porém, Ricardo Gomes não deixou de trabalhar com futebol. Ficou bem perto dele, inclusive. No fim de 2012, voltou ao Vasco, à convite de Roberto Dinamite, então presidente do clube. Desta vez, como diretor técnico. Em junho de 2013, após saída de René Simões, assumiu o posto de diretor executivo de futebol. A nova função foi exercida por mais seis meses, apenas. Ao início da temporada 2014, Ricardo deixou o clube para se focar totalmente à recuperação física. O objetivo era voltar aos gramados, como treinador, sua verdadeira paixão.


O ÚLTIMO CLUBE

Ricardo Gomes assumiu o Vasco, seu último clube, em fevereiro de 2011, depois te ter trabalhado no São Paulo nos anos anteriores e não ter dito seu contrato renovado. Nos seis meses que esteve à frente da equipe, conquistou a primeira e única Copa do Brasil do Cruz-Maltino.

Ao fim do ano, compartilhando o trabalho com Cristóvão Borges, seu auxiliar, efetivado no cargo após o AVC, o Vasco chegou ao segundo lugar do Campeonato Brasileiro, em uma grande campanha.

Juninho Pernambucano trabalhou poucos meses com o treinador, uma vez que foi contratado após a Copa do Brasil e, em agosto, Ricardo sofreu o AVC. O curto período, no entanto, não impediu de ser criado um vínculo de amizade entre os dois. Até porque, em 2013, com Ricardo como dirigente, voltaram a trabalhar juntos. 

Ricardo Gomes e Juninho Pernambucano trabalharam juntos (Foto: Marcelo Sadio / Site Oficial do Vasco da Gama)

O agora comentarista da TV Globo vê-o como um bom nome para o Botafogo. Apesar de reconhecer que pode existir um risco em virtude do tempo fora dos vestiários, crê também que o período utilizado estudando e se aperfeiçoando pode ser importante.

- O Ricardo está sem trabalhar como treinador há um tempo, mas ele estudou mais, passou a ver mais jogos, está se preparando. O conhecimento de futebol ele tem. E ele mora no Rio, trabalhou com os times do Rio... Ele merece muito, tem muito conhecimento - falou, completando: - É uma oportunidade bem difícil. O Botafogo perdeu peças importantes. Imagino que seja um risco em relação aos resultados, mas é uma felicidade muito grande. Para quem já passou por um problema de saúde na vida, ele serve de inspiração. Foi uma situação muito dramática na época. E vê-lo voltando a comandar um time... torço para que dê tudo certo.

Ele (Ricardo) estudou mais, passou a ver mais jogos, está se preparando. O conhecimento de futebol ele tem. Ele merece muito, tem muito conhecimento".
Juninho Pernambucano, ex-jogador

O ex-meia revela ainda que, nas conversas com o treinador após o problema de saúde, ele sempre dizia que "faria de tudo" para voltar a trabalhar na profissão:

- É uma história de superação. Ninguém tinha esperança. Ele é muito bom, conhece muito bem o futebol, jogou Copa do Mundo, tem conhecimento geral. Fico muito feliz, vou mandar mensagem, ligar para ele. Espero que dê tudo certo. Depois do ocorrido (em 2011), a gente voltou a se encontrar e ele dizia: "O que eu gosto é ali no campo, vou fazer de tudo para poder voltar a ser treinador".


A CARREIRA DE TREINADOR

Foram 13 clubes em quase 20 anos de carreira como técnico. Passagens pelo estrangeiro, pela Seleção e por seis estados brasileiros. Iniciou no Paris Saint-Germain em 1996, clube onde atuou por quatro temporadas enquanto jogador. Dois anos mais tarde, conquistou a Copa da Liga Francesa e a Copa da França. Voltou ao Brasil para ser novamente campeão. Assumiu o Vitória em 1999, em uma equipe cheia de garotos da base, mas que contava com Petkovic. Conquistou o Campeonato Baiano e a Copa do Nordeste.

Passou ainda por Sport, Guarani, Coritiba, Juventude, Fluminense, Flamengo, São Paulo e Vasco, no Brasil. No exterior, comandou o Bordeaux, de 2005 a 2007, quando conquistou mais uma Copa da Liga Francesa, e o Monaco, de 2007 a 2009.

O bom trabalho realizado no Juventude, no começo do século, quando levou o time ao quarto lugar da primeira fase do Brasileirão 2002, resultou em uma oportunidade no comando da seleção olímpica. Nomes como os ex-santistas Diego e Robinho faziam parte da equipe. O Brasil, porém, não fez nada bonito. Precisando apenas de um empate no Pré-Olímpico, o time perdeu por 1 a 0 para o Paraguai e sequer conseguiu se classificar para os Jogos de Atenas, em 2004.


RICARDO, O JOGADOR



O zagueiro Ricardo Gomes iniciou sua carreira profissional no Fluminense, no início da década de 1980. Durante seis anos, conquistou quatro títulos pelo Tricolor: o tricampeonato carioca, em 83, 84 e 85, e foi campeão brasileiro de 84.

Foi a boa campanha de 1984, com as duas conquistas, que lhe rendeu a primeira convocação para a seleção brasileira. Foi titular na conquista da Copa América 1989 e nas eliminatórias para a Copa de 90.Embora tenha sido o capitão no Mundial, o desempenho da equipe não foi o esperado: o Brasil perdeu nas oitavas de final para a Argentina.

Um dos preferidos de Carlos Alberto Parreira, Ricardo Gomes não pode disputar a Copa do Mundo de 1994 em virtude de uma lesão. Foi em um amistoso contra El Salvador, o último antes da competição, quando sentiu uma lesão muscular. Foi cortado (veja gol marcado pelo ex-zagueiro contra a Bolívia nas eliminatórias de 1993 no vídeo acima).

O novo treinador do Botafogo atuou ainda por Benfica, em duas oportunidades, entre 88 e 91, e entre 95 e 96, e pelo Paris Saint-Germain, durante quatro anos, entre 91 e 95.

Por Jessica MelloRio de Janeiro/GE

Sede de Marechal Hermes vai ganhar ginásio, piscina e pista de atletismo



Presidente do Botafogo teve encontro com secretário de Esporte, Lazer e Juventude 





Botafogo e Governo do Estado assinam carta de compromisso (Crédito: Divulgação)
Botafogo e Governo do Estado assinam carta
 de compromisso (Crédito: Divulgação)
Conforme o LANCE! antecipou, em maio, o Botafogo tem planos de parceria com o poder público na sede de Marechal Hermes. Atualmente abandonado, o antigo centro de treinamento de jovens das categorias de base do Glorioso vai dar lugar ao Centro de Cidadania Alvinegro. Na terça-feira, o presidente alvinegro, Carlos Eduardo Pereira, teve um encontro com o secretário de Esporte, Lazer e Juventude do estado do Rio de Janeiro, Marco Antônio Neves Cabral. As partes assinaram uma carta de adesão firmando um compromisso.

Pelo Facebook, o secretário Marco Antônio Cabral informou que o Botafogo cederá o espaço à Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude do Rio de Janeiro por meio da da Lei de Incentivo, o que irá contribuir para a construção de espaços esportivos e culturais previstos no projeto, como pista de atletismo oficial, piscina semiolímpica e ginásio poliesportivo.

O centro de treinamento atualmente está completamente destruído, com entulho e coberto de mato. Em fevereiro deste ano, o clube divulgou, no site oficial, as condições precárias das instalações de Marechal Hermes.

O ex-presidente do Botafogo Mauricio Assumpção prometeu, diversas vezes, que construiria o centro de treinamento da base em Marechal Hermes, mas não cumpriu. 
Assumpção chegou a lançar a pedra fundamental para as obras no local, mas as intenções não saíram do papel.


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