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sexta-feira, 24 de março de 2017

Jair fala em início avassalador, mas lamenta virada: "Dois tempos distintos"


Treinador elogia atuação do Fluminense, evita criticar a arbitragem e minimiza primeira expulsão na carreira: "Faz parte do show"



A noite parecia ser do Botafogo. Grande atuação, vantagem de dois gols no primeiro tempo... Mas o Fluminense reagiu no segundo tempo, virou para 3 a 2 e saiu vitorioso nesta quinta-feira do Nilton Santos. O resultado – e a arbitragem – irritaram Jair Ventura, que foi expulso pela primeira vez na carreira e saiu de campo visivelmente nervoso. Mais calmo, após a partida, o treinador analisou a derrota.

- Fizemos um primeiro tempo avassalador. Você vai para o segundo tempo... O placar de 2 a 0 é perigoso. Não que é que você recua, mas o outro time precisa fazer os gols. Hoje tivemos dois tempos distintos. Foi minha primeira expulsão. Não falo de arbitragem, mas vamos deixar para eles que são especialistas analisarem o pênalti. O que reclamei foi em relação aos acréscimos. Faz parte do show. O futebol é assim há anos. Mas não temos que tirar os méritos da equipe do Fluminense.


MUDANÇA DE POSTURA EM CAMPO

Não é hora de falar quando a gente sai de cabeça quente. Hoje é um dia triste, pois ainda perdi meu sogro, que estava internado. Mas a gente tem que trabalhar. Estou triste duas vezes. Não gosto de perder, mas a gente sabe perder. A minha reclamação foi para uma questão do jogo não é o Fluminense, que fez um grande jogo.

Jair Ventura (Foto: Vitor Silva / SSpress / Botafogo)


COISAS POSITIVAS
Quando você faz dois gols a tendência é vencer a partida. Mesmo assim, tivemos oportunidades no segundo tempo. As transições entraram, bola na trave, bola parada, mas não fomos felizes. Lógico que o resultado é ruim, mas precisamos tirar coisas boas. Para quem é profissional tem que ver que teve algo positivo.

PRIMEIRO TEMPO
A gente queria jogar sempre como foi no primeiro tempo, mas não foi o Botafogo que mudou. Não demos chances para eles. O Fluminense fez um grande segundo tempo. Foi eficiente e venceram.

LESÃO DO CARLI
Perdi mais uma substituição. É muito difícil para o treinador, quando você perde uma. Te quebra. Eu tinha uma condição de fazer uma mexida antes e acaba atrapalhando.

SITUAÇÃO NO CARIOCA
Nós priorizamos a Libertadores, mas não deixamos o Carioca de lado. Não temos que achar que está tudo perdido. Vamos lutar pela classificação e se tudo der certo estaremos entre os quatro.

Fonte: GE/Por Felippe Costa/Rio de Janeiro










  

Análise: Bota faz melhor 1° tempo do ano, mas sofre apagão e frustra torcida



Time consegue apresentação quase perfeita na etapa inicial, vai para o vestiário com o placar de 2 a 0, mas deixa o ritmo cair e acaba surpreendida no Nilton Santos




Os torcedores do Botafogo tinham tudo para ir dormir na noite desta quinta-feira festejando a maior apresentação da equipe na temporada. Mas, como o jogo de futebol não tem apenas 45 minutos, eles acabaram não tendo muito o que comemorar. Isso porque, o time fez o melhor primeiro tempo do ano, dominou o Fluminense e foi para o intervalo com o placar de 2 a 0. Até ai, tudo bem! Acontece que o Alvinegro parou na etapa final e acabou sendo surpreendido, sofrendo a virada frustrante no Estádio Nilton Santos: 3 a 2.


Realmente, o lado positivo foi o primeiro tempo. O Botafogo sobrou e viu Roger, que foi o grande destaque do time, balançar as redes duas vezes, chegando ao quarto gol com a camisa do Botafogo. Além dele, Bruno Silva esteve muito bem. Ao lado de Airton, não deixava espaços para o ataque do Fluminense e ainda foi responsável pelo inicio da jogada do primeiro gol, quando, de carrinho, desarmou um adversário ainda no campo de defesa e proporcionou o contra-ataque alvinegro.


Roger comemora seu gol contra o Fluminense
(Foto: André Durão)
Na verdade, o grande mérito pelos 2 a 0 foi o lado coletivo. Montillo e Camilo não tiveram uma grande noite, mas contribuiram. No esquema de Jair, Camilo fica mais preso no lado esquerdo e, aparentemente, ocupa menos espaços do que o argentino, que parece mais livre e com menos responsabilidade na marcação. Esse, talvez, possa ser um fator que tenha contribuído para a falta de gols de "Camito". O meia acaba os jogos visivelmente cansado.


Saída de Carli prejudicou o plenejamento


A defesa não comprometeu e também não havia sido tão exigida, como aconteceu após a saída inesperada do zagueiro Carli, que sofreu uma pancada no tornozelo direito e deu lugar a Renan Fonseca. Jair perdeu uma substituição e, consequentemente, um planejamento para a etapa final. O time foi sentindo, o Fluminense aumentou o ritmo e não perdoou.


O Botafogo sofreu com a velocidade do rival e, quando não parou a jogada fazendo pênalti, viu os atacantes tricolores levando vantagem na maioria das jogadas. Estreante nos profissionais, o goleiro Saulo até que fez uma boa defesa após cobrança de falta aos 26 da etapa inicial, mas acabou levando três, sendo que o segundo passou muito perto de sua mão e poderia ser impedido.

Saulo teve atuação regular no clássico contra o Fluminense, no Estádio Nilton Santos (Foto: André Durão)

Não foi o lado físico e nem o técnico, mas parece que o Botafogo não se imaginava perdendo o jogo. Como disse Jair Ventura na coletiva de imprensa, o "resultado de 2 a 0 no futebol é perigoso". E foi!. Agora é o Botafogo precisa se concentrar para a sequência do Campeonato Carioca e tirar de lição a virada no Estádio Nilton Santos para ainda sonhar com uma vaga nas semifinais.

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Fonte: GE/Por Felippe Costa/Rio de Janeiro

quinta-feira, 23 de março de 2017

Polícia faz operação para prender suspeitos de matar torcedor do Bota


Cerca de 130 agentes cumprem 20 mandados de prisão temporária contra integrantes da Torcida Jovem Fla. Diego foi golpeado com espeto e morreu por hemorragia





A Polícia do Rio prendeu cinco suspeitos pela morte do torcedor alvinegro Diego Silva dos Santos, de 28 anos, na manhã dessa quinta-feira (23). Uma megaoperação foi realizada pela Polícia Civil do Rio para cumprir 20 mandados de prisão de integrantes da Torcida Jovem do Flamengo. Desses, oito teriam participado diretamente da morte do torcedor do Botafogo no dia 12 do mês passado no entorno do Engenhão, na Zona Norte da cidade e foram indiciados por homicídio e organização criminosa. Três suspeitos do crime estão foragidos.

Delegado Fábio Cardoso exibe camisa de Diego, torcedor do Botafogo assassinado (Foto: Reprodução / TV Globo)

Ao ser interrogado pelos policiais, um dos presos na operação disse que "a filosofia da Torcida Jovem é para atacar e ir para brigar".


- Ele deixou claro que a ideologia que prevalece na torcida não é ir para torcer, é ir para brigar - explicou o delegado Fábio Cardoso, ressaltando que os suspeitos ainda se vangloriam dos crimes que cometem.
 
Um dos integrantes da Torcida Jovem do Flamengo foi preso na Ilha do Governador (Foto: Reprodução / TV Globo)

Em uma das imagens obtidas pela polícia, o presidente da Torcida Jovem do Flamengo aparece com a camisa de Diego amarrada no tornozelo, como uma espécie de troféu.


- Isso aí a gente conseguiu apurar que é como se fosse um gesto de uma demonstração da vitória, que venceu o opositor. É como se fosse um troféu. Então, ele agride, faz a pessoa desmaiar ou mata a pessoa como foi o caso do Diego, arranca a camisa dele e depois amarra na perna, como um gesto, um significado, como se fosse um troféu pela vitória, naquela guerra, que nesse caso foi matar um botafoguense - prosseguiu o delegado.

Polícia Civil esteve em um condomínio na Barra da Tijuca à procura de Rafael Maggio Afonso, vice-presidente da TJF. No entanto, o suspeito deixou o local minutos antes (Foto: Thierry Gozzer)

Dos oito procurados por envolvimento na morte de Diego, três estão foragidos, segundo a polícia:

Wallace Motta, presidente da TJF
Rafael Maggio Afonso, vice-presidente da TJF
Fábio Pinheiro, o Playboy

Foram presos:
Rafael Camelo, diretor da TJF
Vitor Portencio
Adonai Santos
Rogerio Silva Guinard
Herbert Sabino de Paula

Dinheiro, explosivos e material da torcida organizada do Flamengo foram apreendidos (Foto: Cristina Boeckel / G1)

- O acusado Vitor permanecia com a camisa da vítima suja de sangue na casa dele, quarenta e cinco dias após o crime. Isso é uma prova muito importante. Esses integrantes de torcida guardavam camisetas, bandeiras e outros ícones como prêmios - destacou o delegado Daniel Rosa, um dos responsáveis pelas investigações da Divisão de Homicídios.


Em outra imagem obtida pela polícia, um torcedor da Jovem do Flamengo, identificado como Vitor Portêncio da Silva e conhecido como Gringo, aparece pisando na camisa.


- A investigação apontou que a perna que aparece na foto é do preso de apelido Gringo. Estava na casa do Gringo - disse Fábio Cardoso.


De acordo com o delegado, Rogerio foi um dos responsáveis por enfiar os espetos na vítima, após roubar os espetos de churrasco de ambulantes que trabalham na região.


Os oito suspeitos pela morte da vítima apontados pela polícia já tinham passagens anteriores por brigas de torcida.


- Investigamos 2,1 mil pessoas que integram a Torcida Jovem do Flamengo. Algumas delas já tinham mandados de prisão em aberto e estamos na rua a procura por eles, mas eles não têm relação direta descoberta com o crime por exemplo. São mandados em aberto por tráfico de drogas, homicídios, pensões alimentícias e outros crimes - destacou o delegado Daniel Rosa.


Cerca de 130 agentes e seis delegados das Divisões de Homicídios do Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Baixada Fluminense, além da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), participaram da ação. Eles ainda cumpriram 14 mandados de busca e apreensão.


Segundo o delegado Fábio Cardoso, durante a investigação, foi possível perceber que a Torcida Jovem do Flamengo estava com a ideia de atacar a torcida do Vasco, no Maracanã, no próximo sábado. Ainda de acordo com o delegado Fábio Cardoso, como há uma ordem de que os jogos só podem ocorrer com uma única torcida, a partida foi transferida para Brasília e, por isso, a Divisão de Homicídios do Rio de Janeiro está comunicando o Ministério Público Estadual, a Ferj, a CBF, a Polícia Civil e a Polícia Militar de Brasília para que sejam adotadas medidas para evitar um possível confronto. "A gente está providenciando essa comunicação hoje, nesse momento, pra se evitar um confronto e um homicídio como ocorreu aqui no Engenhão", disse Fábio Cardoso.


Na casa dos suspeitos os agentes apreenderam uma grande quantia em dinheiro, porretes, soco inglês, morteiros e acessórios da torcida organizada do Flamengo. De acordo com a investigação, dos 2.100 integrantes da Torcida Jovem do Flamengo, pelo menos 12 estavam foragidos por crimes como homicídio, roubo e dano ao patrimônio. Os oito suspeitos de matar o torcedor alvinegro teriam golpeado a vítima com um espeto de churrasco roubado de um bar. Diego morreu de hemorragia interna e externa.


Fonte: GE/Por Do G1/Rio de Janeiro