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quinta-feira, 18 de julho de 2019

As finanças do Botafogo em 2018: futebol em baixa interrompe recuperação e estrangula o clube


No primeiro ano de Nelson Mufarrej, sem jogar a Libertadores, os cariocas perderam receitas e regrediram várias casas em um lento processo de reestruturação que havia começado em 2015



— Foto: Infoesporte



Na época em que ainda começava a sua administração no Botafogo, com três anos pela frente como presidente, Carlos Eduardo Pereira declarou em entrevista que o clube levaria oito anos para clarear a sua situação financeira. E então o seu mandato passou, com resultados positivos indicando, pouco a pouco, que talvez fosse possível chegar a 2023 com uma realidade no mínimo melhor. A dúvida, agora, depois do primeiro ano de Nelson Mufarrej em seu lugar, é quantas casas o Botafogo voltou para trás após sobreviver a 2018.


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A recuperação financeira que vinha acontecendo desde a chegada dos atuais dirigentes – Mufarrej foi vice-presidente de Carlos Eduardo, e Carlos Eduardo hoje é vice de Muffarrej – foi interrompida no ano passado. Depois de um período de três anos em que receitas aumentavam e dívidas diminuíam, ainda que lentamente, ainda que muito distantes de uma relação saudável, bastou um ano de crise para fazer com que indicadores financeiros regredissem em alguns anos.


É superficial – e até injusto – escolher um momento específico para justificar toda uma virada, mas, com certa licença poética, o processo pelo qual passava o Botafogo começou a mudar no momento em que o time deixou escapar a Libertadores. Como disse o então técnico Jair Ventura, o time vinha de uma temporada que havia começado cedo, com um time limitado pela falta de dinheiro. As dificuldades eram grandes. Era natural que a equipe não chegasse pela segunda vez consecutiva à competição. Mas como fez falta a tal da vaga no G-8.


A relação entre receitas e dívidas no Botafogo
A lenta recuperação que o clube esboçou nos últimos cinco anos foi interrompida em 2018

Fonte: Balanços financeiros


Quase todos os motivos que explicam a queda no faturamento estão ligados à não classificação para a Libertadores – e, claro, ao ânimo que a disputa da competição dá aos torcedores e ao mercado. Nos direitos de transmissão, linha na qual são computadas as cotas de participação, o clube deixou de arrecadar os R$ 13 milhões que tinha conseguido com a Libertadores no ano anterior. Por mais que a disputa da Copa Sul-Americana tenha colocado R$ 3 milhões que não tinham sido obtidos anteriormente, a diferença entre os números corresponde à perda.


Nas receitas diretamente ligadas à torcida, o Botafogo perdeu justamente aquilo que tinha sido um ponto alto da temporada retrasada. Se em 2017 a diretoria alvinegra pôde contar com um incremento relevante nas bilheterias, em 2018 essa receita desapareceu. A renda com bilheterias havia sido de R$ 12 milhões com a Libertadores, também não reposta pela Sul-Americana, cujos ingressos renderam R$ 1 milhão. A situação foi problemática suficiente para o então vice de comunicação alvinegro dizer que a torcida havia abandonado o clube.


E tem mais. O estádio Nilton Santos vinha representando uma vantagem competitiva ao clube – tanto no sentido esportivo, quanto no financeiro – na comparação direta com os demais cariocas. Sem a atratividade que a Libertadores proporcionava, o equipamento também caiu em termos de arrecadação. A receita que ele gera por meio de suas propriedades comerciais, estacionamentos e bares era de R$ 16 milhões e ficou em apenas R$ 8 milhões. As despesas do próprio estádio foram maiores do que isso, então ele se tornou deficitário dentro das contas alvinegras.


O detalhamento das receitas do Botafogo em 2018
Todas as linhas do faturamento caíram em relação ao ano anterior, exceto a venda de jogadores




Conforme as receitas caíram, a diretoria do Botafogo bem que tentou cortar custos para não fechar o ano no vermelho. E de fato cortou. A folha salarial do futebol profissional baixou em R$ 5 milhões, gastos administrativos caíram ainda mais do que isso. Mas não dá para cortar demais – porque há contratos assinados que não podem ser rescindidos sem multa, porque economia demais pode comprometer o futebol, porque a torcida tem xingado e ameaçado elenco e diretoria...


A única solução a que todo clube de futebol nessas condições recorre é a venda de jogadores, e o Botafogo, diferente de um Fluminense, tem uma enorme dificuldade de fazer dinheiro com as categorias de base. Em 2018, a diretoria botafoguense fez a maior receita dos últimos quatro anos, com R$ 17 milhões arrecadados. E mesmo assim não passa nem perto da concorrência ou, mais importante, da necessidade de caixa.


Todo esse traçado ajuda a entender por que o Botafogo levou a virada, em 2018, em sua recuperação financeira. Para que a situação continuasse a melhorar e a direção de Mufarrej e Carlos Eduardo fizesse o quarto ano positivo, em sequência, precisaria ter muito mais receitas e alguma sobra depois de pagar todas as despesas. Justamente para que essa sobra fosse usada para pagar dívidas. Não aconteceu. E, quando começamos a falar de dívidas, o quadro fica ainda mais complicado.


O perfil do endividamento do Botafogo por vencimento
Dívidas de curto e longo prazo aumentaram em 2018 e tornaram o futuro ainda mais difícil


Fonte: Balanços financeiros


A maior dificuldade ao administrar um clube como o Botafogo é que passivo precisa ser controlado. Existe algo chamado Ato Trabalhista, no qual estão concentradas dívidas com ex-jogadores e ex-funcionários, que funciona como uma fila de credores. Todo mês o clube precisa dedicar uma parte de suas receitas para quitar pendências com quem estiver à frente. Não é recomendável deixar de pagar, pois se o acordo for cancelado serão penhoradas e bloqueadas todas as receitas, em vez de apenas um percentual delas. Lógica parecida vale para a parte fiscal, que está parcelada via Profut, mas que não pode ser negligenciada.


Quando você precisa dedicar cerca de metade do dinheiro que entra mensalmente para honrar acordos trabalhistas e fiscais, e ainda está com as contas vermelhas na relação receitas-custos, sem conseguir vender jogador para resolver o curto prazo, restam poucas soluções.


O Botafogo vem sobrevivendo por meio de empréstimos. Em alguns casos, consegue descolar dinheiro com instituições financeiras como BMG e Banco Daycoval. O crédito só é aprovado porque o clube entrega aos bancos como garantia os seus contratos com a Globo, aqueles válidos pelo período de 2019 a 2024. Quando o crédito não é aprovado, entram no jogo botafoguenses ricos. O ex-presidente Carlos Augusto Montenegro emprestou R$ 11 milhões em 2018. Mas a quantidade de torcedores dispostos a arriscar seus patrimônios também é limitada.


Bem no início, quando fez a previsão sobre a quantidade de bons anos que levaria a recuperação, Carlos Eduardo Pereira também deu uma declaração forte sobre o que seria do clube se o processo desse errado. "Se fracassarmos nessa missão, arrisco dizer que o Botafogo entra num processo de apequenamento difícil de ser revertido". Ele se referia ao retorno para a primeira divisão, é verdade. O time tinha que subir para sobreviver. Mas o alerta continua a fazer sentido. Na atual situação, a menos que alguma revolução aconteça – leia-se: alguém apareça com muito, muito dinheiro para aportar –, não demora muito até o clube parar na segunda divisão. E talvez não voltar mais.


O perfil do endividamento do Botafogo por tipo em 2018
Ainda que metade das dívidas estejam no Profut, partes trabalhistas e bancárias são graves



Fonte: GE/São Paulo @rodrigocapelo

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Ainda internado, Biro Biro, do Botafogo, agradece apoio: "Voltar mais forte do que nunca"


Jogador posta mensagem de agradecimento a torcedores e pessoas que lhe enviaram mensagens de apoio desde que passou mal durante treinamento do Alvinegro





Biro Biro tem parada cardíaca durante treino do Botafogo


Na tarde desta quarta-feira, um dia após sofrer síncope em treino do Botafogo e ser encaminhado para hospital na Zona Sul do Rio, o atacante Biro Biro manifestou-se via Instagram. Disse que está na espera de sua recuperação para "mais forte do que nunca". O jogador de 24 anos, ainda internado, tem alta prevista para quinta-feira.


- Boa noite, gostaria de agradecer a todos pelas preocupações, pela mensagem e pelas orações. Graças a Deus, já está tudo bem e já estou descansando. E aguardando para voltar mais forte do que nunca. Mais uma vez agradeço a todos de coração.



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Biro Biro Botafogo hospital internado — Foto: Divulgação



Biro Biro teve uma síncope durante o treinamento da terça-feira. E, após atendimento ainda no Nilton Santos, foi encaminhado para uma clínica na Gávea. Lá, passou por exames entre terça e esta quarta-feira.


O cardiologista Eduardo Saad, que acompanha o jogador, disse que vai fazer novo estudo eletrofisiológico em 15 dias para investigar a razão da síncope sentida pelo atleta - nome técnico para perda momentânea de consciência.


- No exame de sangue, assim que ele chegou no hospital ontem (terça), apareceu que uma enzima no coração estava elevada. Hoje, estava mais ainda. Não quero manipular o coração dele desse jeito. Tem que esperar baixar para então fazermos este novo estudo eletrofisiológico. Vamos esperar uns 15 dias, ir monitorando, para submetê-lo a esse procedimento. Por enquanto ele começou medicação específica e vai ficar em observação até amanhã. Se estiver tudo bem, pode ser liberado do hospital - disse o cardiologista Eduardo Saad.



Fonte: GE/Por GloboEsporte.com — Rio de Janeiro

Biro Biro faz novos exames nesta quarta e ainda pode passar por segunda intervenção


Jogador do Botafogo tinha dois laudos recentes que o liberavam a atuar e agora vai fazer mais uma investigação, que pode determinar outra intervenção com cateter após a ablação de 2018



Em repouso e observação numa clínica na zona sul do Rio de Janeiro após a síncope sofrida em treinamento do Botafogo, Biro Biro passou, nessa terça-feira, por exames de imagem. O quadro do jogador é estável, mas ele espera resultados de novos exames nesta quarta para que os médicos determinem os próximos passos no caso. Um estudo eletrofisiológico - introdução de cateter para captar atividade elétrica em áreas do coração - pode ser realizado logo neste dia seguinte em que o jogador caiu desacordado no treino alvinegro. Vai depender do resultado dos exames. É esse estudo que vai determinar a necessidade de uma nova ablação.


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Biro Biro está internado em um hospital na Gávea desde a tarde de terça-feira — Foto: Divulgação


- Vamos acompanhar. O estudo eletrofisiológico pode definir nova ablação - outra intervenção no coração - ou até mesmo pode definir se foi outro tipo de arritmia e indicar novas formas de tratamento - disse o cardiologista Eduardo Saad.


O QUE É ABLAÇÃO?

​É o procedimento utilizado para o tratamento de algumas arritmias cardíacas. Assim como o estudo eletrofisiológico, a ablação é realizada por meio de cateteres, sem a necessidade de abertura do tórax para acesso ao coração, possibilitando rápida recuperação. Esses cateteres são posicionados no foco do problema e uma energia, chamada radiofrequência, que aquece o tecido e “queima” o local, é aplicada para eliminar a arritmia.



Biro Biro passou por uma ablação no ano passado e o procedimento pode ser repetido em breve — Foto: TV Globo


No ano passado, Saad realizou a ablação no coração de Biro Biro. O jogador apresentou pela primeira vez um mal-estar, identificado posteriormente como miocardite (inflamação) viral, ainda quando atuava na China. Em agosto 2017, chegou a desmaiar durante um jogo do Shanghai Shenxin.


Desde então, segundo apurou o GloboEsporte.com, o jogador mostra ansiedade, receios e insegurança para voltar ao futebol. Ele recebeu dois relatórios o liberando para a prática do esporte, do médico Eduardo Saad. O primeiro quando voltou da China e outro, depois, quando foi jogar no São Paulo.




Leonardo Hartung@HartungLeo Preocupante a situação de Biro Biro. Em 26 de agosto de 2017, o jogador já havia desmaiado durante um jogo contra o Meizhou Hakka.


- A ablação por cateter mostrou arritmia benigna. Mas não era nada que sugerisse risco de vida, nada mais perigosa no caso dele. Ele fez exames justamente para poder jogar. Não havia nada que indicasse risco de atividade esportiva. Hoje (terça-feira) ele fez um ecocardiograma e não deu nada demais. Fez ressonância magnética também. O que vamos ver agora é se fazemos novo estudo eletrofisiológico, como fez ano passado. Teria que refazer esse procedimento (de ablação). É provável. Ele vai ficar internado, em observação. Não tem prazo - afirmou Saad.


O desequilíbrio emocional se acentuou quando foi contratado pelo São Paulo. Se seu primeiro problema, em fevereiro, foi apenas de ordem física - estiramento na coxa esquerda -, em abril apresentou gastrite nervosa, situação da qual se queixou por longo período. Ansiedade e insegurança tinham clara influência na questão que o fez perder espaço no Tricolor.


+ E o Biro Biro? Jogador "some" dos treinos e partidas do São Paulo


Após o desmaio em agosto de 2017 (reveja acima), Biro Biro jogou apenas 14 vezes, 12 em 2018, ainda pelo Shangai Shenxin, e duas na atual temporada, com a camisa do São Paulo. O último jogo em que atuou por 90 minutos foi em 25 de junho de 2018, na vitória por 2 a 0 sobre o Heilongjiang Lava Spring, pela Segunda Divisão chinesa.


Vale destacar que, segundo seu staff, perdeu as últimas sete partidas da temporada de 2017 e início da seguinte não apenas em função do problema cardíaco apresentado, mas também por questões contratuais.


Biro Biro passa mal durante treino do Botafogo


Fonte: GE/Por Edgard Maciel de Sá, Emanuelle Ribeiro, Fred Gomes e Raphael Zarko — Rio de Janeiro