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domingo, 8 de setembro de 2019

Barroca cita funcionários do Botafogo e dedica vitória a eles: "Indicativo de que podemos ir mais longe"


Técnico alvinegro usa a dedicação do massagista Átila Dória como exemplo para o Alvinegro crescer no Campeonato Brasileiro; comandante vê evolução no segundo tempo



Eduardo Barroca fala sobre a vitória do Botafogo sobre o Atlético-MG no Nilton Santos



O Botafogo venceu o Atlético-MG por 2 a 1 neste domingo, no Nilton Santos, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro, independentemente de crise financeira e atrasos salariais. O técnico Eduardo Barroca destacou o resultado positivo, que manteve o Alvinegro na 10ª posição na tabela de classificação, e citou dificuldades durante a partida no Nilton Santos.


- Foi um jogo difícil. No primeiro tempo a gente mais uma vez controlou. Tivemos dificuldades de penetração. O Atlético-MG jogou muito bem organizado, com as linhas próximas, e nós tomamos decisões erradas, principalmente passando do meio. Depois do gol, foi importante para a gente. Todos os jogos em que colocamos vantagem, vencemos.


- No segundo tempo, com mais espaço, conseguimos ser verticais e fazer o segundo gol. Hoje o resultado era muito importante, a gente vinha de uma sequência sem vencer. Por tudo o que estávamos passando, saio bastante satisfeito com o resultado - disse o técnico.



Eduardo Barroca em entrevista coletiva — Foto: Fred Huber


Após a primeira análise sobre o jogo, Barroca dedicou a vitória aos funcionários, que, mesmo em sérias dificuldades pelos dois meses de atraso e por terem salários bem inferiores ao de jogadores e comissão técnica, seguem se dedicando no dia a dia do clube. Citou nominalmente o massagista Átila.


- Essa vitória para mim tem uma importância a mais pelos funcionários do Botafogo. Nessa semana, na quinta-feira estava chovendo muito no treino, e o Átila, um dos nossos massagista, estava aqui servindo água e atento. É um senhor, tem idade para ser meu pai. Isso é um indicativo que a gente tem condições de que a gente tem condição de ir muito longe na competição, apesar das dificuldades que estamos vivendo.


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Posicionamento sobre protesto dos jogadores

- A gente tem se agarrado 100% à preservação do lado esportivo. Mais uma vez eles conversaram comigo e pediram que, eu junto com o Anderson, fosse o elemento que mantivesse a ordem no trabalho e o lado esportivo em sua plenitude, e é isso que eu tenho feito com eles. Não posso deixar de exaltar a atitude dos jogadores mais uma vez. Encontrei um grupo de jogadores comprometidos, frontais para debater suas posições.


Trabalho integrado com jogadores e direção

- Sempre falei que a gente precisa do triângulo central: que é direção, comissão técnica e jogadores. A gente tem o Anderson (Barros, gerente de futebol), que é uma pessoa bastante importante representando a direção nesse processo. A comissão técnica se dedica ao máximo, e o principal, que são os jogadores, que estão fazendo o seu trabalho junto com o torcedor.


- Hoje eles (torcedores) deram mais uma prova que estão ao nosso lado, vieram e deram apoio o tempo todo. A gente sai muito satisfeito com o que aconteceu aqui. Mesmo com dificuldades, a gente vê um Botafogo com possibilidade de seguir um bom caminho no Brasileiro.


Ao dar entrevista sem os patrocinadores ao fundo, você mostra que está ao lado dos jogadores?

- Com certeza. Estou 100% junto com os jogadores, essa decisão de sair da sala de imprensa partiu do departamento de futebol, que eu acatei. O Anderson é o responsável pelo departamento. Todos nós estamos juntos nesse cenário que estamos passando.


- Mais uma vez eu preciso estar aqui diante de vocês e do torcedor do Botafogo para preservar o lado esportivo, que é a minha função. É fazer com que o Botafogo saia desse cenário administrativo e financeiro através de boas partidas, vitórias e conquistas. E hoje a gente conseguiu fazer isso da melhor forma.


Gostou da formação com os dois laterais-direitos, Marcinho e Fernando?

- Gostei. A gente ganha algumas alternativas com os dois. Fernando é um jogador que tem números que mostram que a nossa equipe tem um aproveitamento muito alto quando ele joga. Mantém uma consistência de linha de quatro, jogador extremamente na bola parada defensiva.


- Hoje precisei tirá-lo porque tinha cartão e ficou perigoso para ele porque o Atlético jogava com muita ligação direta no Cazares em cima dele. Tirei, mas saí satisfeito com essa dobradinha do Fernando com o Márcio.



Eduardo Barroca - Botafogo x Atlético-MG — Foto: Fred Gomes


As constantes mudanças têm prejudicado muito o Botafogo?

- O ideal é que você consiga manter os mesmos jogadores no maior número de jogos possível, porque a sincronia coletiva vai aumentando de acordo com os jogos e os problemas que os jogos oferecerem para os jogadores. Hoje a gente sofreu esse gol no final, não deveríamos ter sofrido porque estávamos com um jogador mais. Mas em determinado momento do jogo a gente optou em não arriscar mais saindo jogando pressionando, que é uma característica principalmente do Gabriel.


- Isso fez com que a gente usasse a bola longa, o Réver e o Leonardo Silva são muito bons nessas bolas rebatidas. Fez com que a gente ficasse um pouco na parte defensiva sem conseguir sair de trás. Mas hoje a gente só tem que celebrar essa vitória, a atitude e ir para casa com muito orgulho.


Diego Souza falou que o Botafogo não poderia tomar um cartão bobo, como o que Carli levou no fim do primeiro tempo. Houve papo no intervalo para não perder a vantagem numérica que o time tinha após a expulsão de Igor Rabello?

- Era muito importante a gente não desequilibrar numericamente, porque tinha um jogador a mais. Conversamos sim no intervalo quanto a isso e para não dar chance na bola parada, porque o Atlético é muito forte nela com o Cazares. Acho que a gente conseguiu nosso objetivo no segundo tempo de neutralizar esses pontos. Sofremos um gol no final, mas saímos muito satisfeitos.


Reação de ir comemorar junto com os jogadores no bolo que se formou no gol de Alex Santana

- Era uma vitória muito importante pra gente continuar pensando em brigar na parte de cima da tabela, nosso objetivo é esse. Desde o início, eu não seria capaz de dizer que nosso objetivo era diferente, mesmo diante das dificuldades. A gente trabalha muito sério, se dedica, tem um grupo com qualidades e jogadores jovens que querem espaço e jogadores experientes que comandam esse trabalho.


- Eu tenho muito orgulho de trabalhar com esse grupo, e a gente vai se dedicar ao máximo para brigar o mais na parte de cima da tabela que puder.


Importância de Alex Santana, artilheiro do time e que mudou a cara do Botafogo no primeiro tempo
- Alex é um jogador extremamente importante, com capacidade de definição e chute de fora da área. Com infiltração, que ele teve, como foi no lance do segundo gol. Tem boa estatura. Nos ajudou diretamente tanto no primeiro gol quanto no segundo gol. Foi uma tarde muito especial para todos nós.


Crescimento de Marcinho

- Para mim, é muito simples. Quando você está feliz e confiante, faz tudo melhor naturalmente. O Marcinho está feliz, mais confiante, recebendo mais carinho do torcedor e produzindo mais, segundo a própria autoavaliação dele. Naturalmente com o talento e a cognição dele, tem todas as condições de continuar crescendo, independentemente da posição em que ele jogar. É um jogador bastante importante para nós.


Cantos da torcida em apoio ao elenco

- A torcida do Botafogo sempre esteve ao lado da gente desde quando cheguei. Sempre. Ela reconhece. Por isso eu não seria capaz de falar que nosso objetivo é brigar lá em baixo. Jamais.


- Torcedor do Botafogo merece que a gente lute até o fim para brigar o mais em cima possível, mesmo diante de dificuldades. Eu não sou o cara que vou falar: "A gente vai brigar para não cair, porque todos sabem das nossas dificuldades".


- Não preciso falar isso, torcedor sabe qual é a dificuldade, entende a dificuldade e está ao nosso lado. A gente vai dar o nosso melhor. Vejo nos jogadores ambição para brigar por coisa grande na competição. A gente não vendeu nada barato para ninguém nessa competição. E será assim até o final, porque os jogadores do Botafogo têm esse perfil.



Fonte: GE/Por Fred Gomes — Rio de Janeiro

Atuações do Botafogo: Alex Santana, Diego Souza e Marcinho comandam vitória sobre o Galo


Alex acelera ritmo do time quando a equipe fazia partida em ritmo lento; Diego marca o seu e tem participação importante no outro




André Durão


Alex Santana

Quando o Botafogo fazia partida modorrenta, tratou de acelerar o ritmo do time. Sofreu a falta que Gilson bateu e redundou no pênalti cometido por Igor Rabello. No gol, foi inteligente ao escolher o tempo exato para finalizar. Nota: 7,5


Diego Souza

Além do gol de pênalti, Diego tem participação fundamental no segundo, de Alex Santana. Tirou bola da área alvinegra com cabeçada precisa, que Valencia aproveitou e, na medida, deixou Alex em ótimas condições para marcar. Saiu bastante da área e se entendeu com Marcinho pelo lado direito. Nota: 7,5


Marcinho
Buscou o jogo, fez bem a dobra de marcação com Fernando quando estava na ponta, finalizou e deu bons passes, como um de trivela para Diego Souza no início da etapa final. Está em franca evolução. Vacilou junto com a defesa no gol rival, nos acréscimos, mas não comprometeu sua boa atuação. Nota: 7,0


Notas:
Diego Cavalieri [GOL] - 6,0

Fernando [LAD] - 6,0

(Bochecha [VOL]) - 6,5

Carli [ZAG] -6,0

Marcelo [ZAG] - 6,5

Gilson [LAE] - 6,0

Cícero [VOL] - 5,5

Alex Santana [VOL] - 7,5

João Paulo [MEI] -6,0

(Valencia [MEI]) - 6,5

Luiz Fernando [ATA] - 6,0

Marcinho [ATA] - 7,0

Diego Souza [ATA] - 7,5

(Vinicius Tanque [ATA]) -



Fonte: GE/Por GloboEsporte.com — Rio de Janeiro

sábado, 7 de setembro de 2019

Venda de mando, pressão interna e movimento dos jogadores: vice aborda crise no Botafogo


Pressionado, VP executivo Luís Fernando Santos fala de críticas sobre si, explica motivo de clube tirar jogos do Niltão e não descarta venda de Gatito desde que atenda os anseios da direção



O Botafogo vive mais uma semana difícil em 2019. Para variar, o calcanhar de Aquiles é a asfixia financeira que sufoca funcionários e jogadores. E outra notícia trouxe críticas para a diretoria: a venda do mando de campo do clássico contra o Fluminense, marcado para 6 de outubro e válido pela 23ª rodada do Brasileiro. Já há um acerto para que a partida seja disputada no Mané Garrincha, em Brasília. Só falta assinar.


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Um dos dirigentes que está na mira de conselheiros importantes e de grupos políticos rivais ao "Mais Botafogo" é o vice executivo do clube, Luís Fernando Santos.


Em longa conversa com o GloboEsporte.com, explicou a necessidade de vender mandos, tratou do manifesto dos líderes do elenco e sobre conflitos internos que podem afastar "cardeais" acostumados a apagar incêndios diante das inúmeras dívidas. Também falou da pressão que vem sofrendo. Confira abaixo.



Luís Fernando Santos, vice-presidente executivo do Botafogo — Foto: Reprodução


Venda do mando de Botafogo x Fluminense

- Existe uma proposta, ela foi analisada, mas não está fechada. Um valor bastante significativo, mais de 500 mil reais em receita líquida, substancialmente maior que isso. Estamos precisando desse dinheiro. O ideal seria botar 30 mil botafoguenses com um tíquete médio de 40 reais.



Críticas da torcida por tirar o jogo do Nilton Santos

- Eu entendo a reação da torcida, mas é importante que a torcida também entenda as decisões que a gente toma. Logicamente que existem várias razões para que a torcida decida não ir ao estádio, cada um tem suas motivações para ir ou não. Muitas vezes as razões para não ir superam as razões para ir. Não é nenhuma crítica sobre o torcedor não ir.


- Os jogos do Botafogo não têm se caracterizado por grandes públicos. O torcedor faz a análise dele: preço, classificação, horário, clima, transmissão pela TV... Não temos direito de criticá-lo. Temos o dever de fazer que os fatos que os fazem ir sejam superiores ao que os fazem não ir. Não estamos conseguindo isso. Decidimos baixar os valores do jogo de domingo.


- Não podemos gerar prejuízo quando jogamos no Nilton Santos, até porque qualquer outro lugar que formos jogar é mais caro. Precisamos de renda para pagar a despesa do jogo, não podemos perder dinheiro. É um contexto financeiro também.


Motivação da venda, obviamente, é dinheiro


- Gostaríamos de vender o mando? Não. Poderia até haver uma política para levar jogos para alguma praça ou outra para atender torcedores. Mas a motivação principal tem sido dinheiro. Muitas vezes a torcida simplifica a decisão, mas o processo não é só difícil, como é dolorido. Temos que decidir muitas vezes contra convicções nossas. A presença da torcida no estádio nos daria algumas alternativas. Esportivamente seria importantíssimo.


Protesto dos jogadores

- A situação dos salários é extremamente grave. O próprio presidente já disse que a diretoria entende como legítima a manifestação dos jogadores. Todos temos direito de expressar nossos sentimentos, e eles não foram ofensivos. Temos um grupo de jogadores muito profissional.


- Impressionante a maturidade desses jogadores e a questão como conseguem separar o fator econômico das responsabilidades que eles têm. O atraso sempre prejudica, por mais focado que o jogador esteja, ele tem os compromissos deles para assumir. Imagina você sair para trabalhar sabendo que tem contas atrasadas?


Situação dos funcionários


- Existe um atraso salarial significativo, não basta que o funcionário tenha o vale-refeição e vale-alimentação para trabalhar. O próprio gestor está lidando com isso.


Pressão interna sobre si e acusações sofridas


- A pressão é inerente à minha função, sou vice executivo há quatro anos, sempre existiu. De umas semanas pra cá parece que descobriram que eu existo. Minha vida foi toda sob pressão, nunca desempenhei nenhuma função fácil, não é novidade.


- Machuca quando começam a aparecer leviandades. Podem me chamar de incompetente, de burro, faz parte. O desagradável é quando começam com acusações, começam a fazer ilações que procuram colocar em dúvida a honestidade da pessoa. Isso machuca.


- São 68 anos de idade, de uma vida aberta, limpa. Isso machuca, mas não desanima. Estou bem com a vida, com minha família, com o Botafogo. Não recebo absolutamente nada do Botafogo, não preciso receber, para mim é um prazer que me dei no caminhar para o fim da vida. Eu não deixo passar nada em branco, minha vida foi assim.


"Não vejo minha saída como possibilidade"

- Se eu discordo de um ponto de vista, eu coloco minha opinião, não importa quem esteja do outro lado. Não concordo com nada que vá contra meus preceitos. De 10 dias para cá parece que tem uma campanha (contra). Não vejo minha saída como possibilidade no momento. Existe um pouco de fogo amigo. Se eu saísse da vice-presidência não seria por isso.


Cofres vazios


- Quando a gente tem uma receita definida, a gente dá previsão, mas não temos receitas. Sempre trabalhamos com a possibilidade de pagar no dia seguinte. Estamos tentando, pagamos ontem alguma coisa. Imagem e salários atrasados de junho. Uma parte dos salários de julho dos funcionários que ganham menos também.


- A busca de dinheiro do Botafogo tem algumas limitações que são decorrentes das próprias fontes de receitas que podemos gerar. A gente tem patrocínio, venda de direitos econômicos dos jogadores...


Não nega que vender Gatito é uma possibilidade

- Se chegar uma proposta de compra de qualquer jogador será analisada, o que não queremos é vender Gatito muito abaixo da multa. Sobre o Jonathan, será que nesse momento ele valia isso (vendido por 1 milhão de euros)? Se a gente pudesse não vendê-lo, a gente não venderia. Não pelo valor, que é esse mesmo. Mas não temos o fôlego para esperar até o fim do ano, por exemplo.


Ausência de patrocinadores a três meses do fim do futebol em 2019

- Não conseguimos patrocínio master, isso é fato. Existem negociações que indicam possibilidade de fechamento. Mas é algo que ainda demanda algum tempo, conversas. Vemos que há hoje muitos bancos eletrônicos patrocinando futebol. Tivemos propostas, mas julgamos que não compensava fechar por valores muitíssimos menores do que o último patrocínio que tivemos.


- A gente acha que consegue esse patrocínio até o fim do ano.


Reclamação de grandes beneméritos em relação ao investimento no basquete em detrimento do pouco apoio à base

- Isto me parece um grande mal-entendido, que teve origem numa apresentação do balanço de 2018. Algumas pessoas por não terem entendido, outras entenderam mas usando de má fé, começaram a propagar uma notícia de que o Botafogo tirava dinheiro do futebol para utilizar no vôlei e basquete, o que é uma total inverdade.


- O basquete desde que entrou no NBB (maio de 2018) é patrocinado/bancado através de projeto incentivado - ICMS. Não tem dinheiro do Botafogo nisso. Agora que o vôlei foi para a superliga também dispõe de projeto incentivado.


Fonte: GE/Por Emanuelle Ribeiro — Rio de Janeiro