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terça-feira, 5 de maio de 2020

Sem registro no Bira, Carli aguarda novo contrato, mas Botafogo quer acordo para saída do zagueiro


Por ser estrangeiro, argentino tem vinculo vencido e não está cadastrado na Ferj, mas possui acordo até janeiro de 2021 com cláusula de renovação por mais uma temporada



O nome de Joel Carli saiu do Bira nos últimos dias. Apesar de ter acerto com o Botafogo até janeiro de 2021, a situação do argentino precisa ser regularizada a cada dois anos e ele está sem registro na Ferj. Com renovação automática até janeiro de 2022, o zagueiro ainda não teve o novo contrato executado, e o clube tenta um acordo para sua saída.


Carli chegou ao Botafogo no início de 2016 e assinou contrato até o fim de 2018. Há dois anos, o argentino prolongou o vínculo até dezembro, mas com cláusula que possibilitava a ampliação por mais um ano caso batesse a meta estipulada para 2019. Foi o que aconteceu quando o defensor participou de 31 jogos com a camisa alvinegra.


O salário do jogador é um fator que dificulta a permanência. Para a diretoria do Botafogo, os vencimentos atuais de Carli estão fora da realidade financeira do clube, mas ainda não houve proposta ao jogador. O Alvinegro tenta uma maneira amigável de se entender com o atleta, já que o não cumprimento do contrato pode gerar mais uma ação judicial. A reportagem procurou o estafe do atleta, que não quis se manifestar sobre o assunto.



Botafogo tenta acordo para saída de Joel Carli — Foto: André Durão/GloboEsporte.com


Se financeiramente o Bota avalia de maneira negativa, Carli tem apoio interno no departamento de futebol. O técnico Paulo Autuori conta com o argentino no elenco, apesar de não avaliá-lo como titular absoluto. Assim como os demais jogadores, que têm no zagueiro uma das principais lideranças do grupo.


Em 2018, Carli foi o herói do título carioca ao marcar um gol aos 49 minutos do segundo tempo e levar a decisão contra o Vasco para os pênaltis no Maracanã. Nesta temporada, o zagueiro atuou em cinco dos 12 jogos do Botafogo e foi para a quarentena como reserva. Marcelo Benevenuto e Kanu eram os titulares antes da paralisação por conta da pandemia do novo coronavírus.


A perda de espaço do zagueiro, além de ser uma decisão da comissão técnica, também passa pela vontade do Botafogo de negociá-lo. Por duas vezes este ano, Carli esteve próximo do Sport, mas o Alvinegro acabou recuando, e a rescisão passou a ser prioridade do clube de General Severiano.


Fonte: GE/Por Emanuelle Ribeiro e Thayuan Leiras — Rio de Janeiro

segunda-feira, 4 de maio de 2020

Botafogo recomeça treinos "home office" e não dá prazo para reunir elenco: "Vamos prezar pela saúde"


Reinício do trabalho após férias terá reunião virtual, relatórios de atletas, orientações da comissão técnica e treino "online". Clube defende isolamento e espera decisão das autoridades de saúde




Em férias desde o fim de março, o futebol do Botafogo volta à ativa ainda com todos os cuidados impostos pela luta contra o novo coronavírus. Nesta segunda-feira, jogadores e comissão técnica se reunirão, mas apenas virtualmente. Será o reinício do trabalho do time alvinegro em tempos de isolamento social.


A programação será bem similar ao que a comissão técnica planejou há mais um mês, ainda no início da quarentena, antes do recesso para os funcionários. A única diferença será o início dos treinos "online", ou seja, com orientação em tempo real da preparação física do clube. O que, na prática, aumentará a carga de trabalho para os jogadores.




Alvinegros treinam em casa há quase dois meses


+ Relembre: preparador explica rotina de treinos na quarentena


- A posição do Botafogo é de esperar para ver como a pandemia vai se comportar. É um momento de muito cuidado e zelo. O futebol é uma paixão nacional, mas vamos prezar pela saúde dos nossos jogadores, funcionários, comissão técnica e dos repórteres. Não vamos voltar para campo no momento, será tudo feito em casa e online - resumiu o coordenador médico Christiano Cinelli.


Está marcada para esta segunda-feira conferência virtual com todos os integrantes do futebol alvinegro. A comissão receberá, também, questionários preenchidos por todo o elenco para avaliar os jogadores nesses quase dois meses longe dos gramados. O retorno para o dia a dia no Nilton Santos não está nos planos no momento.



Nilton Santos continua vazio por conta da pandemia — Foto: Vitor Silva/Botafogo


Clube defende isolamento


O Botafogo adota postura incisiva contra o retorno do futebol no momento em que ainda está em alta a curva de mortes de infectados pelo vírus no Brasil. Mesmo com o aval do Ministério da Saúde e as sinalizações da CBF e da Ferj, a diretoria mantém apoio público ao isolamento social.


Foi o que reafirmaram nesta semana duas figuras importantes do clube de General Severiano. O ex-presidente Carlos Augusto Montenegro, integrante do comitê de futebol, afirmou que o time não entrará em campo se houver pressão para o futebol voltar ainda em maio. No último domingo, o técnico Paulo Autuori deu declaração parecida ao Esporte Espetacular.


- Me parece uma sandice falar sobre o retorno das equipes de futebol neste momento. Falta de respeito diante de tantas mortes e sofrimentos. Demonstra uma preocupante falta de conhecimento dos responsáveis a favor dessa medida sobre a complexa rotina dos treinamentos de futebol. Ausência de preocupação e de respeito aos profissionais, especialmente daqueles mais sacrificados, que não são jogadores nem membros da comissão técnica. Nós, profissionais, merecemos respeito. Querem futebol de volta? E daí? Lamento.


Fonte: GE/Por Emanuelle Ribeiro e Thayuan Leiras — Rio de Janeiro

domingo, 3 de maio de 2020

Jogador, técnico, dirigente e professor: histórias de um herói do Botafogo no Torneio de Caracas


Ex-jogador do Alvinegro nos anos 60, Humberto lembra disputas na Venezuela e relata como foi por dentro o grande momento do clube. Depois da prática, levou o futebol para a sala de aula




O reconhecimento das entidades oficiais não é certo, mas o pleito do Botafogo pelos títulos mundiais serve de estímulo para o torcedor conhecer ou revisitar um momento que é considerado o maior desde a criação do clube. E os personagens daquelas conquistas. Histórias como a do ex-atacante Humberto.



Humberto (agachado, à esquerda) com o time do Botafogo de 1968 — Foto: Arquivo Pessoal


Atleta do clube nos anos 60, o ex-jogador ainda vive para o futebol cinco décadas depois. Nesse tempo, foi também técnico e dirigente dentro e fora do Botafogo, além de professor de universitários e aspirantes a treinadores. Conseguiu duas graduações, mestrado e, em 2012, voltou de Portugal com o doutorado. Isso tudo depois de, 50 anos atrás, ter sido um dos heróis alvinegros na conquista da Pequena Taça do Mundo de 1970.


- Foi uma partida muito difícil para o Botafogo. Só jogamos o que a gente sabia jogar no segundo tempo. Lembro que o Paulo Cezar fez um gol e eu fiz outro. Em um jogo desses, entre duas grandes equipes, fazer um gol é um grande feito. E eu estava em um time extremamente forte, era muito difícil jogar. Quando fiz o gol, valorizei muito porque representava essa conquista. Passei oito anos no Botafogo, tinha esse espírito - disse Humberto ao GloboEsporte.com.



Humberto ao lado de Zagallo, treinador naquela conquista — Foto: Arquivo Pessoal


O jogo a que ele se refere é a vitória de 2 a 1 sobre o Spartak Trnava, equipe da antiga Checoslováquia, em 6 de fevereiro daquele ano. Depois de sair do primeiro tempo atrás no placar, o Alvinegro buscou a virada na etapa final. Paulo Cezar Caju marcou o gol de empate e coube a Humberto sacramentar o triunfo nos minutos finais. Este resultado somado ao 1 a 0 sobre a União Soviética, três dias antes, deu o título ao time comandado pelo técnico Zagallo, que levantou a taça no Estádio Olímpico de Caracas.


História vista de dentro


Esta é uma das três conquistas que o clube quer reconhecidas como títulos mundiais. Na capital da Venezuela, o Bota venceu o mesmo torneio em 1967 e 1968. Foi um momento em que a equipe colecionou outros troféus, como Campeonatos Cariocas e a Taça Brasil, reconhecida como Campeonato Brasileiro. Época, também, de muitos craques que serviram a seleção brasileira e fizeram história.



Humberto em treino ao lado de Didi e Garrincha — Foto: Arquivo Pessoal


Humberto esteve presente em praticamente toda a década áurea do Botafogo. Chegou ao clube em 1963, no antigo juvenil, e no ano seguinte subiu ao profissional. Teve a oportunidade de conviver com muitos dos grandes ídolos do clube. Para citar alguns: Nilton Santos, Garrincha, Didi, Gerson, Zagallo... Nem sempre foi possível jogar, mas ele valoriza a chance de ver de perto a história do time de coração acontecer.


"Vivi isso intensamente, até porque sou torcedor do Botafogo. Vi meu primeiro jogo no Maracanã aos oito anos. 11 anos depois, estava fazendo o meu primeiro jogo no mesmo Maracanã".


- A minha primeira excursão foi em janeiro de 1965. Foi a última viagem do Garrincha como jogador do Botafogo. Foram também Didi, Zagallo... Eu era centroavante, mas estreei no lugar do Zagallo, na ponta esquerda. O Botafogo tinha um time que ganhava muito, era difícil de bater. Naquela viagem, tivemos 10 vitórias e três empates, se me lembro bem - contou.


Do Botafogo à academia


O ano de 1970 não foi especial apenas dentro de campo. O ex-atleta conciliou os jogos e treinos com a sala de aula e, naquele ano, conseguiu o primeiro diploma, em administração de empresas. Como o sonho sempre foi ser treinador, Humberto também se formou em educação física e fez mestrado e doutorado, sempre com o futebol como tema.



Ex-jogador recebeu em 2012 diploma de doutorado na Universidade do Porto — Foto: Arquivo Pessoal


Além de jogador, o ex-atacante também foi técnico do Botafogo nos anos 80. Duas décadas depois, voltou como dirigente das categorias de base. Mesmo fora de General Severiano, continuou ligado ao clube, que virou material de pesquisa. Em Portugal, na Universidade do Porto, fez Mané Garrincha virar assunto entre os acadêmicos.


- Fiz meu doutorado sobre o Garrincha como um herói mítico. Professores na Universidade do Porto analisam o futebol como uma religião, uma espécie de mitologia. Os estádios seriam os templos. E os clubes e jogadores são como deuses, semideuses. Esse é o verdadeiro significado de "mito" - explicou.


Coutinho e Ronaldo na Seleção

Fora do Botafogo, as voltas do mundo da bola fizeram Humberto ter papel importante no início das histórias de dois personagens da seleção brasileira. O maior foi Ronaldo Fenômeno, convocado pela primeira vez para as divisões de base do Brasil pelo ex-treinador.



Humberto e Ronaldo na seleção de base — Foto: Arquivo Pessoal


- Lembro que, na época, muito pouca gente acreditava nele. O médico na época, o doutor Adilson de Castro, me pede para apontar o horizonte e mostrar o caminho do futuro para ele (veja na foto acima). Porque nós dois achávamos que ele seria um grande jogador. Depois daquele Sul-Americano ele foi para o Cruzeiro e começou a história dele no futebol - recordou.


Com a Seleção, a segunda história é uma aleatoriedade: Humberto foi colega de classe de Cláudio Coutinho, comandante do Brasil na Copa do Mundo de 1978. O encontro aconteceu oito anos antes daquele Mundial, em 1970, quando Coutinho ainda tentava entrar no mundo do futebol. A ponte para isso foi o ex-atacante, que ainda jogava no Botafogo na época.


- A UFRJ ficava do lado do Botafogo. Acabava o treino e eu partia direto para a aula, que era à noite. Naquelas aulas, quem sentou do meu lado e eu não conhecia ainda era o Cláudio Coutinho. A gente começou a conversar, ele viu que eu era jogador e pediu para eu apresentá-lo ao Zagallo e ao Chirol. Um dia, fomos em General Severiano. Foi ali que começou a vida dele no futebol. Depois, foi para a Seleção, o Flamengo... Essa história começou lá - conta.



Coutinho e Toninho Cerezo na Seleção — Foto: Reprodução/SporTV



Fonte: GE/Por Thayuan Leiras — Rio de Janeiro