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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Experiência e promessa de jogo ofensivo: o perfil de Ramón Díaz, novo técnico do Botafogo


Treinador chega para o primeiro trabalho no Brasil com currículo largo e vitorioso na bagagem. Argentino é ídolo no país natal, mas teve trabalho contestado no Paraguai



O torcedor brasileiro pode conhecer pouco, mas Ramón Díaz é um dos grandes técnicos do continente sul-americano. Ídolo na Argentina como jogador e treinador e com experiência internacional, o novo comandante do Botafogo chega ao Brasil como um novo desafio, mas com bagagem suficiente para a missão de liderar o clube para longe da crise.


Díaz é nada menos que o segundo treinador mais vitorioso da história do River Plate. Venceu copas e campeonatos nacionais, além de encerrar uma espera de 10 anos da torcida por uma conquista da Libertadores. Ficou marcado também pelo primeiro título dos Millonarios após o retorno à primeira divisão. Na Argentina, também levantou taça pelo San Lorenzo.


+ Por que Botafogo aposta em Díaz? Entenda


O argentino de 61 anos tem uma experiência como técnico no futebol europeu: comandou o Oxford United, da Inglaterra. Passou também pelo Pyramids, do Egito, e ficou algumas temporadas no Al Hilal, da Arábia Saudita, que é considerado seu bom desempenho mais recente e onde conquistou os últimos títulos.


No Ocidente, os últimos trabalhos foram no Paraguai. No país vizinho, comandou a seleção nacional e o Libertad, de onde saiu em setembro deste ano. Na seleção, foram duas temporadas. O resultado mais expressivo foi a campanha na Copa América de 2015, quando chegou à semifinal após eliminar o Brasil. Pelo Libertad a passagem foi bem mais discreta, com a saída após resultados negativos.



Díaz é um dos grandes técnicos da América do Sul — Foto: EFE


Experiente, mas exigente

Esse é um resumo do currículo, mas o que Díaz pode apresentar dentro de campo? Quem acompanhou momentos marcantes da carreira do treinador destaca a experiência e a liderança para passar por momentos importantes. Mas, também, o nível alto de exigência que pode levar a desgastes internos.


Com praticamente 30 anos de carreira, Ramón é visto como um técnico de estilo tradicional, mas adaptável às circunstâncias do clube. O treinador tem como objetivo implementar um jogo ofensivo e atraente, mas sabe ler o contexto para ser mais pragmático se necessário.


As análises levam a crer que o Botafogo não terá grandes inovações, mas deve ganhar solidez e um estilo de jogo definido. Além do comando de um profissional experiente em um momento delicado dentro e fora de campo.


Análises dos jornalistas

Martín Blotto, do jornal Olé (Argentina)

"É uma ideia muito tradicional. Ele se baseia nas características dos jogadores, dos que estão bem. E se adapta. Ele é um técnico muito ofensivo no discurso, mas também dá muita importância para a defesa. Gosta de dar liberdade aos jogadores para expressarem o talento individual. Sempre se adapta ao estilo dos jogadores.


Por isso, a relação com o elenco costuma ser boa. Costuma ter uma relação estreita com as referências do plantel. O filho dele (Emiliano) também ajuda muito, costuma ficar próximo dos jogadores. É mais jovem, se adapta mais à linguagem dos atletas. Ramón já passou dos 60 anos, mas o filho não chegou aos 40, está mais próximo dos jogadores.


Com os dirigentes, é um personagem difícil de agradar, porque costuma exigir bastante do lado financeiro, das contratações. Sempre quer os melhores jogadores, não se conforma. Isso pode gerar conflito. Foi assim no River Plate e no San Lorenzo, por exemplo. Nesse sentido, não é muito fácil de agradar. Já com a torcida o tratamento é bem mais fácil. Ele costuma valorizar o clube, os torcedores.


No River, fez história. Primeiro como jogador, tinha muita qualidade. Foi referência até sair para a Itália, nos anos 80. Como treinador, era o maior ganhador do clube até a chegada de Gallardo. Superou Angel La Bruna, que era o ídolo máximo do River. É um personagem que vai ser amado para sempre pelo torcedor do River".


Mauricio Caballero, do Tigo Sports (Paraguai)


"Utiliza um sistema acostumado e adaptado ao seu conceito, filosofia e ideias de futebol. No Libertad, era um sistema de 4-4-1-1. Às vezes ele tirava um atacante para colocar um meia ofensivo por dentro ou pela ponta. Também gosta de dar minutos aos jogadores jovens, além dos reforços que trouxer ao clube.


Conseguiu triunfos importantes, mas na volta do torneio paraguaio, depois da pausa por causa da pandemia, não teve êxito nos resultados. Além disso, teve divergências com a diretoria.


Ele disse que se sentia em dívida com o clube por não encontrar resultados. Ali começaram a falar sobre a continuidade. Para o futebol paraguaio, a presença de Ramon Díaz foi enriquecedora, é um treinador classe A".



Fonte: Por Redação do ge — Rio de Janeiro

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

Kalou se recupera de lesão e estará à disposição do Botafogo para jogo contra o Bahia


Marfinense está recuperado de dores no tendão da coxa direita e treinou com o grupo nesta quinta-feira; Éber Bessa é outro que já treina com o grupo


Se o Botafogo ainda não sabe quem estará à frente da equipe no próximo domingo, contra o Bahia, às 18h15 (de Brasília) na Itaipava Arena Fonte Nova, pelo menos poderá ter o retorno de Salomon Kalou. O marfinense se recuperou das dores no tendão da coxa direita que o tiraram dos últimos quatro jogos do time e fica à disposição da comissão técnica para a próxima partida.


Enquanto o atacante marfinense esteve fora da relação nos últimos jogos, o Botafogo não venceu. Foram três empates e uma derrota para o Cuiabá, que culminou na demissão de Bruno Lazaroni. Antes disso, Kalou havia participado de todas as 13 partidas (algumas como titular, outras não) desde a estreia contra o Coritiba, na nona rodada do Brasileirão.



Último jogo de Kalou foi na derrota para o Grêmio em Porto Alegre — Foto: Vitor Silva/Botafogo


Além dele, outro que está clinicamente liberado é o meia Éber Bessa. Diagnosticado com Covid-19, o jogador esteve em campo por apenas seis minutos no 0 a 0 com o Goiás e perdeu as três partidas seguintes. Rentería, que também estava no DM por causa de dores na coxa esquerda, é outro liberado.


Porém, o Botafogo continua com jogadores no departamento médico, como é o caso de Gatito Fernández e Lecaros. Ainda sofrendo com um edema ósseo no joelho, o goleiro foi até cortado da seleção paraguaia para as próximas duas rodadas das Eliminatórias. Algo que não aconteceu na convocação anterior, quando jogou no sacrifício mesmo com o Botafogo tendo alertado a federação do Paraguai.


No caso do atacante peruano, o clube realiza tratamento de maneira intensiva. A situação dele exige um pouco mais de cuidado por envolver uma lesão ligamentar no tornozelo. Assim como Gatito, o Botafogo não trabalha com um prognóstico de quando o jogador voltará a campo.



Font: GE/Por Davi Barros e Thayuan Leiras — Rio de Janeiro

Pressa, jogo duro na Bolívia e resposta à crise: a aposta do Botafogo em Ramón Díaz


Exigências da federação boliviana atrapalharam negociação com César Farías e abriram espaço para o argentino. Primeira missão será controlar o momento turbulento em General Severiano



Sai César Farías, entra Ramón Díaz e o Botafogo mantém a decisão de contratar um treinador estrangeiro para comandar o clube neste 2020 turbulento. A diretoria alvinegra mudou do venezuelano para o argentino porque não tem tempo a perder na temporada.


Díaz estava livre no mercado, o que encurtou consideravelmente a negociação. Ele deixou o Libertad, do Paraguai, em setembro. Com o currículo vitorioso e a experiência de décadas no futebol, seja como jogador ou treinador, o clube viu uma boa escapatória para não ficar sujeito às vontades da Federação Boliviana de Futebol.


Isso porque o presidente da entidade, Marcos Rodríguez, fez jogo duro para liberar a antiga prioridade do Bota, César Farías. Balizado pela multa rescisória do contrato, o dirigente fez exigências e não liberou o treinador de imediato. A única chance seria a partir do dia 17, depois das rodadas de novembro das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022.


+ Botafogo encaminha negociação com Cesinha, ex-Inter




Díaz é esperado no Brasil nesta quinta-feira — Foto: Reuters


O Botafogo viu a condição como inaceitável porque tem pressa para arrumar a casa. No momento, o elenco é liderado pelo preparador de goleiros Flávio Tenius e pelo auxiliar-técnico recém-chegado Lúcio Flávio. Com a proximidade da zona de rebaixamento e a eliminação da Copa do Brasil, a torcida pressionou e a temperatura aumentou nos bastidores. A diretoria viu o risco de ficar à deriva no meio da crise.


Por isso, a intenção é colocar o novo treinador à beira do campo já no domingo, contra o Bahia, fora de casa, pela 20ª rodada do Brasileirão. Díaz é esperado no Rio de Janeiro já nesta quinta-feira para assinar contrato e ser apresentado aos torcedores.


Negativas no mercado brasileiro

A solução gringa não foi a primeira opção do Botafogo. Com quatro meses para o fim do campeonato e a necessidade de resultados no curto prazo, a preferência foi por treinadores experientes do futebol nacional. Só que o mercado não se apresentou favorável.




Ex-Bahia, Roger era o favorito no Bota — Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia


Nas buscas iniciais, os dirigentes tentaram Roger Machado, cogitaram Lisca e viram Alexandre Gallo ser oferecido. Nenhuma das alternativas vingou. Limitado financeiramente e diante dos principais nomes do país já empregados, o clube atravessou a fronteira.


Houve sondagem pelo brasileiro Alexandre Guimarães, que fez carreira no exterior, mas o ex-técnico da Costa Rica pretende continuar no mercado de seleções. Foi quando o Bota tentou Daniel Garnero e César Farías, mas as negociações fracassaram.


Após idas e vindas, Ramón Díaz surgiu como um nome experiente e dentro do orçamento. O fator financeiro foi decisivo, mas não pelos salários. Isso porque o argentino chega ao Rio perto da projeção de custo feita por outros brasileiros sondados. Pesou a favor do novo treinador o fato de não estar preso a nenhum contrato com multa rescisória.




Fonte: GE/Por Davi Barros, Emanuelle Ribeiro e Thayuan Leiras — Rio de Janeiro