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segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Garrincha, Jairzinho, Maurício, Túlio... Luiz Henrique revive mística da camisa 7 do Botafogo



Com o número mais marcante na história do clube, atacante é decisivo e eleito o melhor jogador da Libertadores





Atlético-MG 1 x 3 Botafogo | Melhores Momentos | Final | Taça Libertadores 2024



Se para a maior parte dos clubes do Brasil a camisa 10 é a mais representativa, para o Botafogo esse número é o 7. Neste sábado, coube a Luiz Henrique usar a 7 e ser o herói da maior conquista da história do clube.


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A lenda do sete alvinegro é profundamente atrelada à história de craques que atuaram pelo clube, começando principalmente com o maior deles: Garrincha. O Anjo das Pernas Tortas construiu a mística que passou por gerações, eternizou o número na memória afetiva dos torcedores e deu a ele um peso histórico.



Voz do Setorista: Jéssica Maldonado capta comemoração de torcedores no apito final (https://ge.globo.com/video/voz-do-setorista-jessica-maldonado-capta-comemoracao-de-torcedores-no-apito-final-13144903.ghtml)



- Não há dúvida nenhuma que o 7 é o 10 do Botafogo por causa do Mané Garrincha. O número 7, usado por ele, acaba se tornando uma camisa emblemática. Por que não é o 6 do Nilton Santos? Porque o Garrincha, apesar de dividir o posto de maior ídolo do Botafogo, era midiático, era espetáculo, circense, a alegria do povo - explicou o pesquisador da história do Botafogo, Rafael Casé.

Não tem como você desassociar a camisa 7 da mais importante do Botafogo. É o 10 do Pelé em Santos, e o 7 do Garrincha no Botafogo. Isso nunca vai mudar


Jairzinho deu continuidade ao legado, sendo protagonista de uma geração que conquistou o título do Campeonato Brasileiro de 1968, chegando à seleção brasileira e marcando em todos os jogos da Copa do Mundo de 1970.


A relação técnica e estética ganhou ares sobrenaturais em 1989. Foi quando Maurício balançou a rede, garantiu o título do Campeonato Carioca, que acabou com a fila de 21 anos sem títulos, a maior seca da história do Botafogo.


Após o gol, a reação era de certeza. Tinha que ser do camisa 7. É nas decisões, que o portador do número aparece para salvar o Glorioso. Foi assim 1995, foi novamente em 2024. Foi com ela que Túlio Maravilha fez o gol que garantiu o título nacional sobre o Santos.


Novamente foi com ela que Luiz Henrique abriu o placar sobre o Atlético-MG e depois sofreu o pênalti que deu a vantagem por 2 a 0 e praticamente selou a maior conquista da história do clube.





Luiz Henrique comemora gol em Atlético-MG x Botafogo, pela Conmebol Libertadores — Foto: Alejandro Pagni/AFP



O garoto do Vale do Carangola reacendeu a mística e construiu mais um capítulo de um dos maiores legados da história do futebol brasileiro. Fez o que nem mesmo Garrincha conseguiu fazer. Definitivamente, Luiz está na história do Botafogo e no coração dos botafoguenses.


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Fonte: Por Giba Perez — Rio de Janeiro

domingo, 1 de dezembro de 2024

Análise: expulsão precoce é o último obstáculo vencido pelo Botafogo em título épico



Desde a fase preliminar da Libertadores, Alvinegro supera decisão com um a menos por mais de 100 minutos como cereja do bolo de troféu merecido





Botafogo, o Mais Tradicional! Título inédito é o mais importante de uma história gloriosa (https://g1.globo.com/jornal-nacional/video/botafogo-o-mais-tradicional-titulo-inedito-e-o-mais-importante-de-uma-historia-gloriosa-13144695.ghtml)



A trajetória do Botafogo na Conmebol Libertadores começou em 21 de fevereiro contra o Aurora, em Cochabamba, na Bolívia. Dezessete jogos e nove meses depois, o Alvinegro sagrou-se campeão pela primeira vez ao vencer o Atlético por 3 a 1. Por si só, este seria um roteiro considerável. Mas tem coisas que só acontecem com esse clube.


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Ter um jogador expulso com 35 segundos em uma final talvez seja a última coisa que qualquer treinador queira. Gregore, em entrada no mínimo imprudente, acertou a sola do pé em Fausto Vera e levou cartão vermelho.


O movimento natural seria colocar mais um volante e tirar um jogador do quarteto ofensivo para recompor o meio-campo. Artur Jorge arriscou e apostou que os atletas que já estavam em campo iriam se sobrepor ao espaço deixado pelo camisa 26.


Marlon Freitas assumiu postura mais defensiva no meio e Savarino recuou para função mais central no setor, tendo papel de auxiliar a marcação e ser o responsável pelas rápidas escapadas ao ataque. Ao mesmo tempo, Almada e Luiz Henrique também foram mais para o sistema defensivo, com os laterais assumindo um posicionamento mais central no miolo da defesa.


Ao congestionar o meio, o Botafogo travou o Galo e obrigou o rival a praticamente cruzar a bola na área. O Atlético alargava bastante o campo, e Guilherme Arana e Hulk por vezes apareciam quase parados na lateral do campo. Sem espaço na faixa central, as bolas alçadas na área eram a única opção - e quase sempre cortadas por Barboza e Adryelson.


+ Quem sai e quem fica em 2025 no Botafogo? Luiz Henrique, Almada e Adryelson comentam futuro


O tempo passou - e virou aliado do time de Artur Jorge. Aos poucos, o time foi entendendo quais espaços tinha para explorar. Após uma conversa à beira do gramado, o português acumulou jogadores do mesmo lado para bagunçar a defesa adversária. Assim nasceu o primeiro gol: Almada e Luiz Henrique se juntaram e, após rebater no argentino na pequena área, o camisa 7 completou para o fundo das redes.




Gatito Fernández, Tchê Tchê e Marlon Freitas erguem taça do título do Botafogo na Libertadores — Foto: Antonio Lacerda/EFE


A vantagem no placar mudou a tônica do jogo: o Atlético-MG teve quase 80% de posse de bola, mas pouco intensificou isto em chances perigosas de jogo. Quase sempre buscando alternativas para alçar jogadas na área, fazia justamente o cenário que o Botafogo queria.


Com campo aberto para contra-atacar, o time carioca foi feliz em mais duas oportunidades: a defesa do Galo dormiu, Luiz Henrique chegou primeiro que Arana e sofreu pênalti de Everson - Alex Telles converteu. No fim da partida, já em momento de mais pressão do Galo na busca do empate, Júnior Santos contou com o brilho individual para confirmar a conquista.


O Botafogo é apenas o segundo clube a ser campeão da Libertadores começando na fase preliminar - o primeiro a passar por duas fases pré antes de chegar no confronto por grupos. A trajetória de nove meses coroa um time que, por mais que tenha passado por altos e baixos dentro da cabeça, foi merecedor do título.


Das duas derrotas seguidas nos primeiros jogos da fase de grupos, mudanças de treinador no início da competição, enfrentar o principal algoz já nas oitavas de final, perder o lateral-direito titular no fim da janela e lidar com clima hostil no Uruguai, a expulsão precoce de Gregore pareceu apenas mais um capítulo das dificuldades superadas pelo clube na busca pela glória eterna.



"O novo Botafogo é campeão da América", celebra Dep | Voz da Torcida (https://ge.globo.com/futebol/voz-da-torcida/video/o-novo-botafogo-e-campeao-da-america-celebra-dep-voz-da-torcida-13144725.ghtml)



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Por Sergio Santana — Rio de Janeiro

sábado, 30 de novembro de 2024

Artur Jorge vê "vitória épica" do Botafogo em final e elogia elenco: "Animais de competição"



Treinador português exalta comportamento da equipe mesmo após a expulsão de Gregore aos 30 segundos e vê título contra o Atlético-MG como um dos maiores da história da Libertadores




O sorriso quase que congelado no rosto a cada pergunta evidenciava o tamanho da alegria de Artur Jorge. Mais do que isso, o tamanho do orgulho de quem viu em campo um time aguerrido, organizado e letal para vencer o Atlético-MG por 3 a 1 neste sábado, no Monumental de Nuñez, em Buenos Aires e conquistar o título inédito da Libertadores da América pelo Botafogo.


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Artur Jorge comemora título do Botafogo na Libertadores ao lado de John Textor — Foto: Antonio Lacerda/EFE


Após uma atuação irretocável e incontestável mesmo com um jogador a menos desde os 30 segundos de bola rolando, o treinador português não poupou elogios aos seus comandados. Ciente de que entrou para a eternidade de um clube que tem nomes como Garrincha, Didi e Nilton Santos em seu hall de ídolos, Artur Jorge deu o tom da dimensão do feito realizado na Argentina.


"Temos muito de emoção dentro de cada um de nós. Foi uma vitória épica, provavelmente a vitória mais épica de uma final de Libertadores. É um feito enorme"


- Sabíamos das nossas possibilidades desde o primeiro minuto, mesmo com um homem a menos. Eu, como técnico, só tenho que me render a todos essas atletas, a qualidade humana, futebolística de cada um deles, porque foram animais de competição. Só uma equipe com essa vontade consegue um feito deste tamanho. Estou muito, muito feliz por levar esse troféu para o Botafogo. Meus jogadores trabalharam imensos desde o Aurora com essa objetivo.


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Atlético-MG 1 x 3 Botafogo | Melhores Momentos | Final | Taça Libertadores 2024


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O treinador português fez questão ainda de compartilhar do momento com os torcedores alvinegros em Buenos Aires, no Rio de Janeiro e mundo afora. Com a compreensão do quanto o passado recente foi sofrido, Artur Jorge deu méritos a quem definiu como "fonte inesgotável de energia".


- Nossa torcida é merecedora do que fizemos por eles. É por eles que lutamos, eles são uma fonte de energia inesgotável e feliz por eles por contribuir e dar uma alegria a quem tanto tem sofrido nos últimos anos.



Júnior Santos e Arthur em Atlético-MG x Botafogo — Foto: REUTERS/Agustin Marcarian


Artur Jorge e seu elenco campeão da América chegam ao Rio de Janeiro na tarde deste domingo e a programação prevê festa em General Severiano. A partir de segunda-feira, no entanto, é hora de já buscar a conquista do Brasileirão e o compromisso contra o Internacional, quarta-feira, às 21h30 (de Brasília), no Beira-Rio, pode ser decisivo.


Para ser campeão já na 37ª rodada, o Glorioso precisa vencer o Colorado em Porto Alegre e torcer por um tropeço do Palmeiras, no mesmo dia e a horário, diante do Cruzeiro, no Mineirão.


Confira a íntegra da entrevista de Artur Jorge


Argentinos campeões

Esses dois grandes homens argentinos (Thiago Almada e Barboza) fazem parte de uma equipe tremenda, carregada de ambição. São dois bons exemplos da qualidade do que é o jogador argentino, também têm tido sucesso no Brasil. Foram hoje justamente coroados em sua terra natal. Fico muito feliz por eles, não consigo imaginar a alegria de estar em seu país e conquistar esse título. Barboza trouxe três ônibus da família (risos), então acredito que tenham ficado muito satisfeitos de vê-lo ganhar não só o troféu (da Libertadores), como também um troféu individual. Sem dúvidas, trabalharam muito para chegar aonde chegaram e ganhar o que ganharam.


Maior técnico da história?


Eu nunca fui de individualizar, nunca fui nada sozinho. O que me move é conquistar títulos coletivos. Não tenho preocupação de ser o melhor, o pior, o terceiro ou quarto técnico na história do Botafogo. Pra mim, aquilo que é importante é este troféu que aqui está, que é nosso, da equipe. O que nós conseguimos hoje aqui é a minha meta. É hoje, sempre, será no futuro, onde quer que eu esteja. Meu objetivo será sempre, lado a lado com os meus jogadores, caminhar para conquistar títulos. Muito fiz hoje porque ajudei e contribuí na minha melhor parte, naquilo que eu consigo dar o meu melhor, para que eles pudessem fazer um jogo com esta dimensão. Um jogo épico, volto a dizer.



Mundial de Clubes


Vamos viver isso de forma muito tranquila, serena. Para poder desfrutar do que conseguimos fazer. Por mérito nosso estamos no Mundial. Que chegará a seu tempo. Porque até lá temos Internacional e São Paulo para ganhar, porque quero ganhar o título Brasileiro. Hoje vamos festejar, espero ter dormido bem ontem, porque hoje não vamos dormir. Depois vamos para o Rio, nos preparar para os jogos contra Internacional e São Paulo. Depois pensamos no que tem mais adiante.


Méritos compartilhados


É justo nós podermos entregar este título a todos que amam o Botafogo. Sabemos também que este é um ano que nos faz ver quase que a história do filho bonito que todos querem ser o pai. E nós temos que poder fazer com que esse feito possa ser partilhado por muita gente, que no passado fez com que esse feito seja possível. Nesse sentido que possa ser partilhado por todos.


Atuação com um jogador a menos


- Não me recordo de nada parecido de uma equipe que disputou uma final como essa, jogando mais de 90 minutos com um jogador a menos. Obviamente que é difícil perder um jogador naquele momento. E como venho dizendo, essa equipe nunca me falha. Hoje, mais do que não me falhar, é não falhar a eles mesmos. Fizeram que perdendo um colega, se superassem para compensar. 3 a 1. Não foi 1 a 0 com bola para a frente. 3 a 1. São extraordinários. Sem títulos, são campeões.


Jogo mais importante da carreira


Era o jogo mais importante da minha carreira. E foi a vitória mais saborosa de toda a minha carreira.


Orgulho do elenco


Gosto muito deles. Fico sempre rendido porque é aquilo que nós sentimos. Não fazemos e trazemos aqui conversas para sermos simpáticos com a imprensa. Dizemos o que sentimos, o que é genuíno e verdadeiro. E isso só se consegue em um grupo, de fato, de grande nível. Sincero no dia a dia, no trabalho, naquilo que faz todos os dias para ganhar o maior número de jogos possível. Alguns jogos não ganhamos, não somos imbatíveis. Mas lutamos e trabalhamos para ganhar todos os jogos que participamos. Fico desta forma porque me vejo em todas as palavras que eles dizem. É exatamente o que prometemos e nos comprometemos uns com os outros no dia a dia do nosso trabalho.



Fonte Por Jéssica Maldonado e Sérgio Santana — Buenos Aires, Argentina