CEP: Estão sendo estudados. Se mantiver esse perfil de lugares a serem vendidos no estádio o programa vai seguir esse molde até o final do ano. Os pacotes estão bem definidos. E isso é uma das características modernas do futebol que não permitem que as pessoas saudosas do velho Maracanã digam assim: "Ah, vamos fazer um jogo meio a meio". Isso é um problema gigantesco porque você vendeu lugares em seu estádio. Em um estádio de 45 mil lugares, a gente já tem hoje mais de 36 mil negociados. Se forem todos, como vou fazer um jogo meio a meio?
CEP: Está tudo previsto no Estatuto. Importante que a pessoa tenha adesão ao plano e sigam os preceitos como tempo de permanência, pagamento, categoria... Você tem aquele valor mínimo e aí vai agregando os pacotes até montar um elemento. Claro que se você quiser o direito a voto não vai ser com R$ 13,90. Vai ter alguma coisa proporcional ao direito.
CEP: Ainda não porque o próprio perfil para 2018 não está pronto. Hoje trabalhamos com o programa de 2017 dentro do que está colocado. Vamos deixar para lançar o de 2018 a partir do Carioca.
CEP: Como vou dizer para a pessoa, que contribui para o Botafogo o ano inteiro, que na hora de mandar um jogo não vou poder oferecer mais o lugar? Que ela vai ter que entrar na fila e comprar o ingresso. É um tiro no pé. Pelo contrário, ela quer chegar lá e encontrar a casa customizada, estar perto do amigo que também comprou o lugar, procurar a cadeira que ela colocou o nome, ver o bandeirão e o escudo subindo... Tudo isso é o resgaste da autoestima, ela quer se sentir em casa, não em um estádio neutro. O velho Maracanã não existe mais, acabou, acabou.
Mufarrej: E a mentalidade era outra, totalmente diferente. Naquela época não se pensava em sócio-torcedor. Tinha sim espaços para as torcidas: aqui é o Botafogo, ali é o fulano, o outro...
CEP: E tinha a figura da rodada dupla. Hoje exigem lugares isolados, com entradas isoladas... Uma das grandes rodadas duplas que fiquei foi quando o São Cristóvão virou sobre o Flamengo nos anos 70, com gols do Fio (Maravilha). Eles fizeram 2 a 0 no primeiro tempo, e o São Cristóvão virou para 3 a 2. Foi um negócio sensacional, saímos do Maracanã em festa. E o Botafogo tinha vencido na preliminar, do Madureira ou Portuguesa. Aí nós ficávamos, e aqueles persistentes, porque 2 a 0 contra... (risos) "Vamos esperar até os 15 do segundo tempo". Aí o Fio começou. Que beleza (risos).
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Dono de expressões sérias, Mufarrej também sorri (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)
Acabando essa primeira gestão e olhando para trás, qual o sentimento que fica?Mufarrej: É só orgulho, orgulho de ter tido a honra de ter sido eleito, de trabalhar com o presidente Carlos Eduardo, os vice-presidentes, com todos os funcionários, os torcedores, sócios... Isso é muito gratificante, impagável.
CEP: O melhor sentimento é não ter decepcionado as pessoas. No primeiro jogo-treino em 2015, em Várzea das Moças, a gente perdeu do Gonçalense. Eu afundei na cadeira e falei: "Caramba, será que é esse o caminho?" Liguei para a minha mulher: "Amorzinho, Gonçalense 1 a 0, gol do Sabão". E ela sempre muito otimista: "Fica tranquilo, o Tomas Bastos ainda não estreou". Depois, na estreia do Carioca contra o Boavista, com muita chuva, o Roger Carvalho fez aquele gol no final. Foi um peso que saiu das nossas costas, no sentido de que começamos com o pé direito.
Naming rights no Nilton SantosMufarrej: A gente está procurando quem queira fazer. Proposta não tem, mas a ideia é evidente: aproveitar o estádio ao máximo. Nesse sentido, o Anderson (Simões), vice-presidente de estádios, está fazendo um trabalho muito bacana. A situação do Brasil é meio difícil de conseguir esse tipo de publicidade, mas vejo que o Anderson tem vários projetos.
Quais projetos seriam esses?Mufarrej: Tivemos um grande problema com o Rock in Rio esse ano, não puderam ser feitos lá shows, que são uma forma de receita também. O vagão de trem ali vai ser ocupado com atividades... "Ah, mas é difícil chegar". Você tem trem, metrô, pode ir de carro. Lógico, tem um pouquinho de trânsito, mas chega com mais antecedência. Temos que criar meios de que as pessoas cheguem mais cedo, almocem com suas famílias... Criar ambientes nesse sentido como é feito lá fora. Teremos muitas coisas boas para o estádio ano que vem.
Planos para o CTMufarrej: O nosso pensamento, se tudo correr bem, é que em janeiro já tenha toda a base e o profissional lá. Então tem que ajeitar o necessário para concentrar lá. E teremos ainda a parte de eventos, que não vai poder se comunicar com outras áreas. Por exemplo, um casamento lá, é uma forma de receita importante que teremos. O custo lá é bastante alto, tem que contrabalançar através de eventos que já são feitos. Na Olimpíada, parte da delegação dos Estados Unidos ficou lá. Agora no Rock in Rio tem uma parte de pessoas que estão lá. Então já tem uma referência.
CEP: Teremos um "master plan" para o CT. Uma empresa de arquitetura vai analisar todas as instalações e torná-las o mais funcional possível. Um local para vocês (jornalistas) trabalharem, fazerem as coletivas... Uma movimentação lógica. "Ah, o Jair quer fazer um treino fechado". Então tem que ter um local adequado. Quantos banheiros? Quantas salas para o Kineo, que precisa de uma determinada temperatura? Tudo isso tem que ter um princípio lógico, por isso vamos contratar uma empresa para fazer isso e adaptar o CT ao que tiver de mais moderno.
Esse valor para contratar essa empresa já está incluído nos R$ 5 milhões que terão para a reforma do espaço?CEP: Sim.
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Parceria, parte 2? Mufarrej e CEP invertem papíes para nova eleição (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)
Há algum acréscimo em cima do valor total de R$ 25 milhões por causa da área do terreno que estava sob posse e vai ser comprada à parte?Mufarrej: Qualquer acréscimo já está incluído ali, não passa de R$ 25 milhões.
Marechal HermesMufarrej: Estamos recuperando e fazendo um trabalho de master lá, com pessoas ajudando. O Ministério Público indagou da gente que prometemos fazer lá um centro de treinamento, com pedra fundamental, e não teve mais nada. O jurídico explicou que houve problemas. Hoje tiramos o cavalinho que estava lá, já estamos gramando, (consertando) muro arrebentado, a invasão seria muito grande. Então Marechal Hermes vai ser para isso, e talvez até o futebol feminino, que vamos ser obrigados (exigência para jogar as próximas Libertadores).
CEP: A gestão passada demoliu tudo. Eles conseguiram não deixar pedra sobre pedra. A única que ficou lá no meio do mato foi o marco (pedra fundamental). Nunca construíram nada lá, então fica difícil quando se tem que partir do zero.
Cefat (Várzea das Moças) e Caio MartinsMufarrej: Cefat não (será usado). E no Caio Martins vamos fazer os jogos do sub-20 lá. Por enquanto é essa a programação.
Aproveitando o "Promessômetro" que fizemos com o Carlos Eduardo Pereira, já há alguma promessa da chapa para o próximo triênio?Mufarrej: Dar seguimento ao que está sendo feito. Agora, ainda não temos as propostas. Foi lançada (a candidatura) quinta-feira passada, vamos ter reuniões com o comitê, amadurecer para ver as propostas novas que teremos. Sendo sincero, não vou dizer aqui que tenho vontade disso ou daquilo. O colegiado, seja de campanha ou direção do clube, tem que ter participação. Senão fica: "O Nelson decidiu isso, o Carlos Eduardo decidiu aquilo..." Fica muito ruim.
Por fim, o que diria para o torcedor que ainda não o conhece?Mufarrej: Tenha plena confiança na continuidade deste trabalho. O torcedor que analisar poderá imaginar o que será apresentado futuramente. Se ele achar que até agora nada valeu, tudo bem, pedimos desculpas pois tivemos as melhores intenções. Mas prometemos fazer ainda mais porque fincamos o pé do novo Botafogo. Ao ponto que estamos com estádios cheios, todos falando bem da nossa administração... Espero que possa transmitir essa confiança no seguimento desse planejamento, mostrando aos botafoguenses o que queremos, desejamos e vamos conseguir.
Fonte: GE/Por Davi Barros, Marcelo Baltar e Thiago Lima, Rio de Janeiro