Treinador destaca número de finalizações do Alvinegro - 13 - e afirma que faltou ser cirúrgico para sair com os três pontos do Nilton Santos
No empate por 1 a 1 com o Palmeiras, nesta segunda-feira, no Nilton Santos, o Botafogo não teve grande atuação, mas foi combativo durante os 90 minutos e travou um duelo equilibrado com o adversário. Para Alberto Valentim, faltou ao seu time ser cirúrgico para sair com o triunfo.
- Sim, principalmente contra equipes muito fortes. Às vezes se ataca menos contra times de melhor qualidade. Finalizamos hoje 13 vezes, gostei muito do time. Achei que o time foi equilibrado nos dois tempos, foram bem parecidos. Apesar de chances mais claras no primeiro, achei que o time não deixou cair - afirma.
Alberto Valentim concede entrevista após o empate com o Palmeiras (Foto: Thiago Lima/GloboEsporte.com)
Valentim também abordou o reencontro com o Palmeiras, clube que dirigiu por 11 partidas no Brasileiro passado após a saída de Cuca.
- Muito feliz de rever amigos e jogadores que tenho carinho enorme. Foi muito legal. Relação muito bacana, e um clube pelo qual tenho muito respeito.
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Nossa ideia é que queremos fazer, independentemente de quem jogue, é uma equipe forte, que vai procurar jogar. Hoje jogamos bem, com a bola nos pés. Vamos tentar fazer isso em todos os jogos. A gente treina assim.
Satisfeito com o meio-campo
Nosso desenho tático de ponto de partida era Gustavo (Bochecha), Lindoso e Matheus, nenhum primeiro volante de origem, talvez o Matheus. Pedi que fossemos organizado para termos equilíbrio e não perder qualidade nossa. Fizeram bem.
Gol do Palmeiras
Preciso ver bem, com calma. A gente perdeu o primeiro lance, o segundo... Ver a qualidade do time do Palmeiras. Tiveram uma chance mais clara e fizeram. A qualidade do time adversário às vezes faz com que a gente não consiga marcar.
Comportamento após o gol
Não achei que a gente se abafou, não. A ideia de estarmos ganhando, perdendo ou empatando é ter equilíbrio. Lembro que Lindoso errou um passe no meio, mas era a jogada a ser feita, quebraria a linha deles. Achei o time organizado mesmo em desvantagem.
Opção por Leandro Carvalho e não por Pimpão
Pimpão tem entrado e nos ajudado muito. Hoje optei pelo Leandro, que fez um bom segundo tempo no Chile. Ele ainda não tem a condição física igual aos outros, estava um pouco resfriado, não 100% de saúde.
Elogios a Bochecha
Joguei com um jogador que não vinha jogando, e que eu elogiava, que é o Gustavo (Bochecha). Ele está de parabéns, o grupo está dando uma resposta mesmo com a ausência de jogadores importantes.
Estreia de Jean adiada
Todos os jogadores que estão indo para o banco têm condições de entrar. Não contei com ele hoje porque o time estava em desvantagem, precisava ser mais ofensivo. Optei pela entrada do Marcos (Vinícius), Pimpão e depois o Kieza.
Leandrinho pronto?
Hoje deixei o Leandrinho de fora, o Kanu e o Helerson... Apesar de o número maior no banco, são 23, não posso trazer todos.
Que seja um Campeonato Brasileiro GLORIOSO! #VamosFOGO (Botafogo de Futebol e Regatas)
Bastante desfalcado em relação ao time considerado ideal, o Botafogo entra em campo às 20h desta segunda-feira para enfrentar o todo poderoso Palmeiras no encerramento da 1ª rodada do Brasileirão.
Sem poder contar com João Paulo, Moisés, Renatinho e o Luiz Fernando por contusão e com Rodrigo Aguirre ainda em fase de transição, o Alvinegro encara o vice-campeão paulista, um dos favoritos ao título da competição, no Nilton Santos. Mas nada disso tira o entusiasmo do botafoguense que espera mais um bom resultado hoje já que vem de vitórias importantes na semana contra o Audax Italiano pela Copa Sul-Americana (2 a 1) e contra o Vasco (1 a 0) no jogo que lhe valeu o título de Campeão Carioca 2018. Já o adversário, tenta reencontrar o caminho das vitórias já que foi derrotado pelo Corinthians na decisão do Campeonato Paulista e cedeu o empate ao Boca Juniors na última rodada da Libertadores.
Na quinta-feira, no Estádio San Carlos de Apoquindo, o Glorioso não fez um bom primeiro tempo mas, na base da vontade, conseguiu se ajeitar no segundo. Virou o placar com gols de Brenner e Pimpão enquanto o brasileiro Sergio Santos, o mais lúcido do time deles, marcou para os chilenos. Loco Abreu até entrou no decorrer da partida mas não foi capaz de mudar o panorama do jogo e nem ajudar seu time.
Este é o histórico do duelo entre Botafogo e Palmeiras no Campeonato Brasileiro. Quem vai vencer na estreia?
Essa virada pela Sula assim como a vitória épica sobre o Vasco no Carioca, revela um traço marcante das equipes treinadas por Valentim. Seus times (mesmo sem apresentar um futebol consistente ainda, como o Botafogo) não desistem nunca diante das adversidades. Foi assim que conseguimos os triunfos nessas partidas, com gols decisivos marcados já no tempo de acréscimo.
No confronto direto entres as equipes no Campeonato Brasileiro, o Palmeiras leva ampla vantagem sobre o Bota. Apesar dos equívocos na composição da tabela ao lado, os times fizeram 55 partidas ao todo com 23 vitórias dos paulistas, 14 vitórias dos cariocas e 18 empates. O Botafogo marcou 54 gols enquanto o Palmeiras marcou 73. Como jogamos em casa, diante da torcida, é perfeitamente plausível que pensemos em vitória mesmo com os desfalques anunciados; mesmo contra um adversário considerado favorito ao título.
Em compensação a tudo isso, o meia/volante Leandrinho já voltou a treinar com o grupo após longo período afastado por cirurgia no joelho assim como o volante Jean que chegou no meio da semana, foi regularizado e já pode ficar no banco. Dudu Cearense, que passou por cirurgia de apêndice há 15 dias, deve estar voltando o que aumenta as opções de Alberto Valentim para armar a equipe e o banco.
Quanto a Rodrigue Aguirre, o atacante vem treinando normalmente e tem estreia programada para o jogo contra o Grêmio, dia 28, no Nilt... mais »
De origem humilde no Tocantins, Luiz Fernando acha refúgio no futebol e tem rápida ascensão após quase desistir da carreira: "Paro para pensar de onde saí e onde estou, tudo que passei valeu a pena"
O futebol era só um lazer na vida de Luiz Fernando quando Manoel Júnior começou a ouvir de amigos, conhecidos e até de estranhos em Tocantinópolis, cidade de 23 mil habitantes ao norte de Tocantins e a 530 km da capital Palmas:
– Olha, seu filho é muito bom de bola, viu?
– Ele é diferenciado dos outros.
– Moço, pode investir que seu filho tem futuro.
Foi aí que Seu Júnior, como é chamado pelos mais chegados da família, começou a levar a sério essa história de o filho ser jogador profissional. Até então, não passava de um sonho distante. O menino cresceu batendo bola no quintal da casa da avó, já fugiu da escola para jogar no terrão com os amigos, e até dentro de casa só tinha olhos para o futebol.
– Não perdia um Globo Esporte. Até eu passei a gostar. Não assistia a nenhuma novela, era só futebol – brincou a mãe noveleira Maria Ivonete, mais conhecida como Dona Ivonete.
Luiz sempre foi muito tímido. Era com a bola nos pés a forma com que conseguia melhor se expressar. E a bola rolando na televisão era o que lhe prendia a atenção, independentemente do time. Sabe aquela sensação de não saber o que seria da vida se não existisse alguma coisa? Desde criança sentia que o futebol era tudo para ele. E parecia ter certeza de que seu futuro estava nele.
– Nasci querendo jogar bola, passava o dia todinho jogando. Falei para minha mãe que queria ser jogador, e ela mandava eu estudar. Disse que ainda iria me ver jogando pela televisão e dar risada.
Luiz Fernando chegou com 17 anos para a base do Atlético-GO (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Mas a caminhada se assemelha a de muitos jogadores no início de suas carreiras: de origem humilde e muitas dificuldades. Ainda menino, começou como gandula no Tocantinópolis Esporte Clube, onde o pai havia jogado amadoramente. Quando teve idade para integrar o sub-20, passou na peneira de tênis, sequer chuteira tinha. Na hora de escolher posição, nem titubeou:
– Desde moleque jogava querendo fazer gol. Era do meio para a frente, meia ou atacante.
E logo no primeiro ano, foi artilheiro do time com sete gols e eleito revelação em um torneio regional. E antes de completar 18 anos, o presidente do Tocantinópolis E.C., Sallim Milhomem, conseguiu um teste para ele e Matheus, outro garoto do clube, no Atlético-GO. Luiz Fernando viajou os quase 1.300 km até Goiânia com o amigo e o pai dele, mas só o filho do Seu Júnior ficou.
A alegria da família logo esbarrou em novas dificuldades. Financeiras:
– No começo o Atlético-GO não tinha sede própria, era em Inhumas, no interior, e a gente que bancava os filhos lá. Foi quase um ano assim, tinha que pagar alimentação para ficar lá. Todo mês fazia uma vaquinha na família para pagar – relatou Seu Júnior.
E emocionais. Luiz nunca tinha passado uma noite fora de casa até então.
– Chorava demais. Ligava: "Mãe, falando sério, fala com meu pai que quero ir embora". Aí eu chorava e pedia para mandar dinheiro para o menino voltar, mas ele dizia: "Não, ele disse que quer jogar bola, ser jogador. Vai ficar lá" – recorda Dona Ivonete, emocionada.
Amparo dos pais, Seu Júnior e Dona Ivonete, foi fundamental para a carreira (Foto: Thiago Lima)
Com mais dois filhos – Jailson, o mais velho, e Juliana, a irmã caçula –, os pais não podiam deixar Tocantinópolis para ficar em outro estado. E a promissora carreida de Luiz Fernando ficou por um fio. Mas Seu Júnior conseguiu um acordo no serviço para folgar e passar 15 dias perto do garoto, na casa de conhecidos em Goiânia.
Com o amparo familiar, o meia-atacante se destacou na Copa São Paulo de Futebol Júnior, com três gols em três jogos, e no mesmo ano foi alçado ao time principal do Atlético-GO, passando a ficar em um alojamento com mais estrutura e a receber ajuda de custo do clube para se manter. Foi aí que o menino do interior decolou após quase desistir do futebol.
– Foi a primeira vez que saí de casa sozinho, sem meus pais, uma dificuldade danada. Chorava quase toda noite para querer ir embora mesmo. Se não fosse meu pai e a família dando força, tinha voltado para casa – admitiu o garoto, hoje campeão carioca.
O menino do interior do Tocantins dono da medalha de campeão carioca (Foto: Thiago Lima)
A rápida ascensão:
Revelado no Atlético-GO, foi promovido aos profissionais no início de 2016, logo após ir bem pelo time sub-20 do Dragão na Copinha;
Marcou o gol da vitória por 1 a 0 em seu primeiro teste na equipe principal, contra o Luziânia no estádio Antônio Accioly, durante a pré-temporada;
Fez 10 gols em 42 jogos em 2016 e virou peça importante na conquista do título da Série B, quando se tornou uma espécie de talismã, sempre saindo muito bem do banco;
Em 2017, teve um início discreto no Campeonato Goiano; mas na reta final do Brasileiro viveu seu melhor momento e foi o artilheiro do time na temporada com nove gols;
Em 2018, também oscilou em seu início no Botafogo, mas aos poucos vem se soltando. Aos 21 anos, virou titular e já deu uma assistência e marcou dois gols em 17 jogos.
Luiz Fernando foi o artilheiro do Atlético-GO em 2017 com nove gols (Foto: Estadão Conteúdo)
– Cara, tudo aconteceu tão rápido na minha vida. Às vezes eu estou deitado e paro para pensar de onde saí e onde estou agora. Tudo aquilo que passei está valendo à pena. Dificuldades às vezes vêm para te fortalecer, é importante passar por elas – observou, agarrando-se à fé:
– Carrego um ditado comigo de que tudo que vem fácil vai embora fácil. Então, quando tem dificuldade se dá mais valor. Passei por diversas, mas não foi por acaso. Hoje estou no Botafogo e não tenho nem palavras, só agradecer a Deus todos os dias.
A ESCOLHA PELO BOTAFOGO
Após aparecer no cenário nacional, Luiz Fernando foi comprado pelo Botafogo por R$ 2,5 milhões, em transação que envolveu também 20% dos direitos econômicos de Fernandes e 40% dos de Vinícius Tanque, ambos cedidos por empréstimo ao Atlético-GO. O jovem assinou contrato por quatro anos em General Severiano, mas antes esteve também perto de ir para o Flamengo.
Luiz fazia coleção de camisas quando adolescente e já tirou foto com a do Fla (Foto: Divulgação/ rede social )
– Meu empresário Rodrigo (Pitta) comentou que o Flamengo tinha sondado também. A gente sentou com meus pais para ver o que seria melhor. Toda a família conversou, e decidimos ir para o Botafogo. E estou muito feliz aqui – revelou o meia-atacante.
– A gente achou melhor em termos de oportunidades. O Jair (Ventura) foi quem pediu, mas logo depois ele saiu e nem chegamos a conversar – explicou Seu Júnior.
Família de Luiz Fernando e amigos viraram torcedores do Botafogo à distância (Foto: Arquivo Pessoal)
– Cidade toda virou botafoguense agora – afirmou o jogador, que mantém contato com a família e os amigos no Tocantins via "WhatsApp".
TIMIDEZ X PERSONALIDADE
Luiz Fernando foi quem "deu o troco" ao "chororô" de Vinícius Júnior (Foto: Vitor Silva / SS Press / BFR)
Ainda tímido diante das câmeras, Luiz provou que dá para ter personalidade mesmo com a timidez. Ao fazer o gol que eliminou o Flamengo na semifinal do Campeonato Carioca, comemorou com o dedo tampando o nariz, em alusão ao termo "cheirinho de título" criado pela torcida rubro-negra. Todos sabem que foi uma clara resposta ao "chororô" de Vinícius Júnior na semifinal da Taça Guanabara. Mas engana-se quem acha que foi algo planejado no vestiário para "dar o troco".
– Partiu de mim mesmo, espontâneo. No jogo nem pensava em fazer isso, mas depois que fiz o gol veio do nada aquela comemoração ali (risos). Foi bacana – divertiu-se o meia-atacante, que considera ter sido um dos gols mais importantes da carreira junto com outro no Atlético-GO:
– Um dos mais importantes da minha carreira. Esse e o que fiz pelo Atlético-GO contra o Londrina, o gol do acesso em 2016. Estava no banco, entrei e pude fazer o gol (veja no vídeo abaixo).
Gol do Atlético-GO! Luiz Fernando estufa as redes e define acesso