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terça-feira, 10 de setembro de 2019

Globo muda forma de cobrança, e deixa Botafogo sem renda em 2019




BBB
Botafogo tem se virado com venda de jogadores em 2019, mas conta ainda não fecha Imagem: VITOR SILVA/SSPRESS/BOTAFOGO

Gentile Do UOL, no Rio de Janeiro


A principal renda dos clubes brasileiros são os direitos de transmissões pagos pela Globo, e com o Botafogo não é diferente. O problema é que o Alvinegro não contou com um único centavo da empresa em 2019 até agora. Isso porque o dinheiro tem sido direcionado para pagar o ato trabalhista, penhoras e uma dívida do clube com a emissora.


O Botafogo deve R$ 22 milhões à Globo - R$ 11 milhões desta temporada e mais R$ 11 mi de 2020. Tudo isso estava dentro dos planos, mas não a forma de cobrança. É que a Globo optou por pegar o total que havia disponível em cada mês e não de forma linear. Assim, o Botafogo viu o dinheiro que seria usado mensalmente para pagar salários de atletas e funcionários ser destinado à quitação da dívida com a emissora.


A previsão é que esses R$ 11 milhões de 2019 sejam quitados no fim de setembro, quando poderá ver a cor do dinheiro novamente. Até agora, o Alvinegro tem se mantido apenas com a venda de atletas, já que não conseguiu gerar novas receitas com patrocínios. Gatito é a bola da vez.


Atualmente, o Botafogo gasta R$ 1,76 milhão mensal com o ato trabalhista, o que permite uma fila de credores de dívidas trabalhistas, evitando assim penhoras inesperadas. Somente processos iniciados após dezembro de 2014 conseguem 'furar' fila.


Desde então, o Alvinegro já pagou aproximadamente R$ 90 milhões em dívidas trabalhistas. O pagamento é debitado automaticamente do dinheiro da Globo todo mês. O acordo serve até o ano de 2024 e ainda faltam R$ 117 milhões a serem quitados.


Portanto, o que sobrará ao Botafogo a partir de outubro é a quantia que o clube tem a receber da Globo menos o R$ 1,76 milhão do ato trabalhista. Além, é claro, de possíveis penhoras que não entrem na fila. A quantia não é suficiente para pagar uma folha salarial por mês, mas ajudará de alguma forma e anima o Alvinegro.


Além disso, o Botafogo ainda tem para receber a premiação pelo se posicionamento no Campeonato Brasileiro. O valor será pago em uma parcela após o fim da competição, em dezembro.
A situação do Alvinegro em 2019 é ainda mais delicada e tornou o dinheiro da Globo cada vez mais necessário.


Isso porque o Botafogo não foi bem no Carioca e, principalmente, foi eliminado precocemente da Copa do Brasil. Com isso, perdeu premiações importantes para o orçamento.


Por fim, a falta de capacidade da diretoria em gerar novos recursos complicou ainda mais o panorama. Assim, o Alvinegro se manteve na atual temporada apenas com as vendas de atletas - foram cinco no total. O problema é que a quantia arrecada até o momento não é o suficiente para manter os salários em dia.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Análise: Alex Santana tira Botafogo do marasmo, time cresce e vence com autoridade


Eduardo Barroca faz boas mexidas, e equipe quase triplica número de finalizações de um tempo para o outro



André Durão


De modorrento, sem criatividade e insistente nos passes laterais ao time que mereceu gritos de "olé" no segundo tempo. Assim foi o Botafogo na vitória por 2 a 1 sobre o Atlético-MG, neste domingo, no Nilton Santos. A mudança de postura começou na parte final do primeiro tempo e ratificada com as mexidas de Eduardo Barroca na etapa complementar.


Início sem inspiração


O Botafogo começou o jogo com um ritmo muito lento. Passes para o lado em excesso, cruzamentos errados e uma demora impressionante para finalizar - a primeira com relativo perigo foi de Marcinho, aos 29 minutos.


Sorte que a torcida foi ao Niltão para apoiar incondicionalmente o time, não à toa os gritos ouvidos no fim do jogo: "Ô, ô, ô, paga o salário" e "Um, dois, três, estamos com vocês".


Se pouco agredia, também não sofria. A dobra de marcação, sobretudo na direita com os laterais Marcinho - este como ponta - e Fernando, funcionava muito bem.


A falta que resultou no pênalti favorável ao Botafogo foi o indicativo da mudança de postura. Se momentos antes Diego Souza já tinha tentado infiltrar e sofreu falta perto da área, Alex Santana fez o mesmo posteriormente em jogada de sua característica. Arrancou em velocidade e levando a bola como podia para frente, mas acabou parado por Igor Rabello com falta.



Diego Souza foi figura importantíssima para a vitória — Foto: Bruno Cantini/ Atlético-MG


O ex-botafoguense levou amarelo. E, na cobrança de falta de Gilson, o próprio Rabello cometeu pênalti e acabou expulso. Gol de Diego Souza, e a vantagem numérica de jogadores permitiu um retorno do Botafogo após o intervalo com maior ímpeto ofensivo, intensidade e disposição.


Volta do intervalo em outra intensidade


O Botafogo iniciou a etapa complementar disposto a matar o jogo. Em três minutos, já tinha finalizado a metade do que fizera em todo o primeiro tempo. E foram dois ótimos lances. Marcinho, de trivela, lançou Diego Souza, e Wilson saiu bem. Depois, Gilson, Luiz Fernando, Alex Santana e João Paulo protagonizaram bela combinação, mas o último chutou para fora.



Alex Santana jogou muito contra o Galo — Foto: André Durão


Diego Souza saía da área e procurava a ponta direita, onde mostrava muito entendimento com Marcinho. No outro lado, Gilson e Luiz Fernando também cumpriam bem seus papéis.


- No segundo tempo, com mais espaço, conseguimos ser verticais e fazer o segundo gol. Hoje o resultado era muito importante, a gente vinha de uma sequência sem vencer. Por tudo o que estávamos passando, saio bastante satisfeito com o resultado - disse Barroca.


Preocupado em não perder um jogador que tinha cartão amarelo, Eduardo Barroca optou por sacar Fernando, àquela altura sofrendo com investidas de Cazares. Colocou Valencia no lugar do lateral e trocou João Paulo por Bochecha. Assim, Marcinho voltou à lateral.


Botafogo quase triplicou o número de finalizações de um tempo para outro. De quatro, pulou para 11.


A resposta foi quase que imediata. Cinco minutos após as mexidas, Diego Souza foi fundamental ao cortar bola parada com cabeçada que foi um passe para Valencia. O chileno segurou e tocou na hora certa para Alex Santana infiltrar e praticamente matar o jogo.




Melhores momentos de Botafogo 2 x 1 Atlético-MG pela 18ª rodada do Brasileirão 2019


Conquistada a vantagem de dois gols, o Botafogo cadenciou o jogo numa clara demonstração de alívio após mais uma semana conturbada por conta dos problemas financeiras. Relaxou mesmo, mas manteve a partida sob controle com o bom tratamento que dava à bola.


Bochecha, Alex Santana, os laterais e Diego Souza administravam com sucesso. Prova disso é que até "olé" e "mais um" foram gritados da arquibancada. O gol atleticano, nos acréscimos, foi fruto de um cochilo defensivo, mas incapaz de apagar a boa atuação alvinegra. Vitória crucial pelo dificílimo momento do Botafogo.



Pontos positivos:


- Entendimento de Marcinho e Fernando: embora o primeiro seja mais ofensivo, tanto que foi escalado na ponta, trocaram de papéis e confundiram a defesa do Galo. Geralmente mais preocupado em defender, Fernando subiu bastante no início do jogo. Já Marcinho apareceu várias vezes recompondo bem e pôde flutuar entre o lado direito e o meio-campo.


- O "termômetro" Alex Santana: pouco participativo no início, inflamou a equipe ao começar a dar seus habituais piques com a bola dominada. É fundamental para esse Botafogo. Leva o time para frente e finaliza bastante, tanto que é o artilheiro do time na temporada, com 11 gols, mesmo sendo volante.


- Diego Souza multifuncional: hoje centroavante, aproveita o fato de ter jogado em todas as posições do meio-campo para dar opção em todos os espaços ofensivos. Busca a ponta, volta à intermediária para armar e ajuda nas bolas paradas defensivas. Compensa a pouca mobilidade com a experiência e conhecimento dos atalhos.


Pontos negativos:


- Início com pouca imaginação: problema que mais irrita a torcida alvinegra, o Botafogo tem abusado em várias partidas da lentidão. Os jogadores, por característica, não são velozes, mas acelerar o ritmo para agredir com maior frequência é necessário.


- Cartões evitáveis: se o Botafogo começou a pressionar mais quando a dupla de zaga do Galo foi amarelada, pouco depois Carli, experiente e principal líder do grupo, levou cartão totalmente desnecessário ao retardar cobrança de falta no fim do primeiro tempo. Diego Souza reclamou de cartões bobos no intervalo, inclusive.


No segundo, Luiz Fernando recebeu o seu por dar um empurrão em Fábio Santos após sofrer falta dura. Reação desproporcional e que o deixou pendurado para a próxima rodada, mesma situação em que ficou Joel Carli.



Fonte: GE/Por Fred Gomes — Rio de Janeiro

domingo, 8 de setembro de 2019

Barroca cita funcionários do Botafogo e dedica vitória a eles: "Indicativo de que podemos ir mais longe"


Técnico alvinegro usa a dedicação do massagista Átila Dória como exemplo para o Alvinegro crescer no Campeonato Brasileiro; comandante vê evolução no segundo tempo



Eduardo Barroca fala sobre a vitória do Botafogo sobre o Atlético-MG no Nilton Santos



O Botafogo venceu o Atlético-MG por 2 a 1 neste domingo, no Nilton Santos, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro, independentemente de crise financeira e atrasos salariais. O técnico Eduardo Barroca destacou o resultado positivo, que manteve o Alvinegro na 10ª posição na tabela de classificação, e citou dificuldades durante a partida no Nilton Santos.


- Foi um jogo difícil. No primeiro tempo a gente mais uma vez controlou. Tivemos dificuldades de penetração. O Atlético-MG jogou muito bem organizado, com as linhas próximas, e nós tomamos decisões erradas, principalmente passando do meio. Depois do gol, foi importante para a gente. Todos os jogos em que colocamos vantagem, vencemos.


- No segundo tempo, com mais espaço, conseguimos ser verticais e fazer o segundo gol. Hoje o resultado era muito importante, a gente vinha de uma sequência sem vencer. Por tudo o que estávamos passando, saio bastante satisfeito com o resultado - disse o técnico.



Eduardo Barroca em entrevista coletiva — Foto: Fred Huber


Após a primeira análise sobre o jogo, Barroca dedicou a vitória aos funcionários, que, mesmo em sérias dificuldades pelos dois meses de atraso e por terem salários bem inferiores ao de jogadores e comissão técnica, seguem se dedicando no dia a dia do clube. Citou nominalmente o massagista Átila.


- Essa vitória para mim tem uma importância a mais pelos funcionários do Botafogo. Nessa semana, na quinta-feira estava chovendo muito no treino, e o Átila, um dos nossos massagista, estava aqui servindo água e atento. É um senhor, tem idade para ser meu pai. Isso é um indicativo que a gente tem condições de que a gente tem condição de ir muito longe na competição, apesar das dificuldades que estamos vivendo.


Confira outros tópicos:

Posicionamento sobre protesto dos jogadores

- A gente tem se agarrado 100% à preservação do lado esportivo. Mais uma vez eles conversaram comigo e pediram que, eu junto com o Anderson, fosse o elemento que mantivesse a ordem no trabalho e o lado esportivo em sua plenitude, e é isso que eu tenho feito com eles. Não posso deixar de exaltar a atitude dos jogadores mais uma vez. Encontrei um grupo de jogadores comprometidos, frontais para debater suas posições.


Trabalho integrado com jogadores e direção

- Sempre falei que a gente precisa do triângulo central: que é direção, comissão técnica e jogadores. A gente tem o Anderson (Barros, gerente de futebol), que é uma pessoa bastante importante representando a direção nesse processo. A comissão técnica se dedica ao máximo, e o principal, que são os jogadores, que estão fazendo o seu trabalho junto com o torcedor.


- Hoje eles (torcedores) deram mais uma prova que estão ao nosso lado, vieram e deram apoio o tempo todo. A gente sai muito satisfeito com o que aconteceu aqui. Mesmo com dificuldades, a gente vê um Botafogo com possibilidade de seguir um bom caminho no Brasileiro.


Ao dar entrevista sem os patrocinadores ao fundo, você mostra que está ao lado dos jogadores?

- Com certeza. Estou 100% junto com os jogadores, essa decisão de sair da sala de imprensa partiu do departamento de futebol, que eu acatei. O Anderson é o responsável pelo departamento. Todos nós estamos juntos nesse cenário que estamos passando.


- Mais uma vez eu preciso estar aqui diante de vocês e do torcedor do Botafogo para preservar o lado esportivo, que é a minha função. É fazer com que o Botafogo saia desse cenário administrativo e financeiro através de boas partidas, vitórias e conquistas. E hoje a gente conseguiu fazer isso da melhor forma.


Gostou da formação com os dois laterais-direitos, Marcinho e Fernando?

- Gostei. A gente ganha algumas alternativas com os dois. Fernando é um jogador que tem números que mostram que a nossa equipe tem um aproveitamento muito alto quando ele joga. Mantém uma consistência de linha de quatro, jogador extremamente na bola parada defensiva.


- Hoje precisei tirá-lo porque tinha cartão e ficou perigoso para ele porque o Atlético jogava com muita ligação direta no Cazares em cima dele. Tirei, mas saí satisfeito com essa dobradinha do Fernando com o Márcio.



Eduardo Barroca - Botafogo x Atlético-MG — Foto: Fred Gomes


As constantes mudanças têm prejudicado muito o Botafogo?

- O ideal é que você consiga manter os mesmos jogadores no maior número de jogos possível, porque a sincronia coletiva vai aumentando de acordo com os jogos e os problemas que os jogos oferecerem para os jogadores. Hoje a gente sofreu esse gol no final, não deveríamos ter sofrido porque estávamos com um jogador mais. Mas em determinado momento do jogo a gente optou em não arriscar mais saindo jogando pressionando, que é uma característica principalmente do Gabriel.


- Isso fez com que a gente usasse a bola longa, o Réver e o Leonardo Silva são muito bons nessas bolas rebatidas. Fez com que a gente ficasse um pouco na parte defensiva sem conseguir sair de trás. Mas hoje a gente só tem que celebrar essa vitória, a atitude e ir para casa com muito orgulho.


Diego Souza falou que o Botafogo não poderia tomar um cartão bobo, como o que Carli levou no fim do primeiro tempo. Houve papo no intervalo para não perder a vantagem numérica que o time tinha após a expulsão de Igor Rabello?

- Era muito importante a gente não desequilibrar numericamente, porque tinha um jogador a mais. Conversamos sim no intervalo quanto a isso e para não dar chance na bola parada, porque o Atlético é muito forte nela com o Cazares. Acho que a gente conseguiu nosso objetivo no segundo tempo de neutralizar esses pontos. Sofremos um gol no final, mas saímos muito satisfeitos.


Reação de ir comemorar junto com os jogadores no bolo que se formou no gol de Alex Santana

- Era uma vitória muito importante pra gente continuar pensando em brigar na parte de cima da tabela, nosso objetivo é esse. Desde o início, eu não seria capaz de dizer que nosso objetivo era diferente, mesmo diante das dificuldades. A gente trabalha muito sério, se dedica, tem um grupo com qualidades e jogadores jovens que querem espaço e jogadores experientes que comandam esse trabalho.


- Eu tenho muito orgulho de trabalhar com esse grupo, e a gente vai se dedicar ao máximo para brigar o mais na parte de cima da tabela que puder.


Importância de Alex Santana, artilheiro do time e que mudou a cara do Botafogo no primeiro tempo
- Alex é um jogador extremamente importante, com capacidade de definição e chute de fora da área. Com infiltração, que ele teve, como foi no lance do segundo gol. Tem boa estatura. Nos ajudou diretamente tanto no primeiro gol quanto no segundo gol. Foi uma tarde muito especial para todos nós.


Crescimento de Marcinho

- Para mim, é muito simples. Quando você está feliz e confiante, faz tudo melhor naturalmente. O Marcinho está feliz, mais confiante, recebendo mais carinho do torcedor e produzindo mais, segundo a própria autoavaliação dele. Naturalmente com o talento e a cognição dele, tem todas as condições de continuar crescendo, independentemente da posição em que ele jogar. É um jogador bastante importante para nós.


Cantos da torcida em apoio ao elenco

- A torcida do Botafogo sempre esteve ao lado da gente desde quando cheguei. Sempre. Ela reconhece. Por isso eu não seria capaz de falar que nosso objetivo é brigar lá em baixo. Jamais.


- Torcedor do Botafogo merece que a gente lute até o fim para brigar o mais em cima possível, mesmo diante de dificuldades. Eu não sou o cara que vou falar: "A gente vai brigar para não cair, porque todos sabem das nossas dificuldades".


- Não preciso falar isso, torcedor sabe qual é a dificuldade, entende a dificuldade e está ao nosso lado. A gente vai dar o nosso melhor. Vejo nos jogadores ambição para brigar por coisa grande na competição. A gente não vendeu nada barato para ninguém nessa competição. E será assim até o final, porque os jogadores do Botafogo têm esse perfil.



Fonte: GE/Por Fred Gomes — Rio de Janeiro