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quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Botafogo prevê orçamento para 2022 com R$ 1,5 milhão de lucro e traça 106 metas para o clube


Clube quer, no mínimo, chegar às semifinais do Carioca, ir até a terceira fase da Copa do Brasil e ficar em 14º no Brasileiro. Receita é de R$ 192,9 milhões e despesas chegam a R$ 191,4 mi



O Botafogo planeja que o ano de 2022 termine com superávit de R$ 1,5 milhão. Esse número está presente no orçamento que o Conselho Fiscal devolveu à diretoria e que será votado pelo Conselho Deliberativo na próxima terça-feira. Além do orçamento, o clube também traçou o Plano de Metas para o ano que vem, com 106 objetivos a serem cumpridos nas mais diversas áreas e com prazos distintos, mas sem passar de dezembro de 2022.


O plano do Botafogo é que a próxima temporada seja melhor em termos financeiros, causado pela presença na Série A. Segundo o orçamento, a receita total (bruta) é de R$ 192.876.289. As despesas serão de quase a mesma coisa: R$ 191.364.247. Um orçamento tão apertado quase não dá margem para erros. Inclusive, no Plano de Metas há a determinação de que o máximo da diferença entre o orçado e o realizado seja de 5%. O Conselho Fiscal emitiu parecer favorável, com oito votos em concordância com o orçamento e duas ausências.




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Orçamento do Botafogo será votado na próxima terça-feira — Foto: Davi Barros


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Naturalmente, a receita maior está concentrada no departamento de futebol, que seria responsável por R$ 147,9 milhões. Estão incluídos aí R$ 60 milhões, que é quanto o clube espera arrecadar com venda de direitos econômicos de jogadores. Nesse número, há um mínimo de dois jogadores da base vendidos ao exterior por R$ 3 mi.


No campo do futebol, também está prevista a campanha para o ano que vem. Em 2022, o Botafogo espera que seus jogadores profissionais do masculino fiquem, no mínimo, entre os quatro primeiros colocados do Campeonato Carioca, avancem até a terceira fase da Copa do Brasil (já está pois foi campeão da Série B) e terminem o Brasileirão em 14º. Entre as metas destinadas ao diretor de futebol está a necessidade de ter 43% de aproveitamento na Série A, o equivalente a 49 pontos. Caso consiga, a posição garante ao clube na Sul-Americana de 2023.



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Botafogo apresenta projeto de museu em evento na sede do clube (https://ge.globo.com/video/botafogo-apresenta-projeto-de-museu-em-evento-na-sede-do-clube-10110259.ghtml)



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O segundo departamento que mais gera dinheiro ao Botafogo é o de negócios, liderado por Lênin Franco. De acordo com o orçamento, a área dará um lucro de R$ 22,9 milhões, já que acumulará quase R$ 34 mi em receitas. Dentro desse número está prevista a arrecadação de R$ 9 mi com patrocínios, além de R$ 9,5 mi com o programa Camisa 7, que tem a meta de 29 mil sócio-torcedores.



No orçamento é possível perceber um aumento significativo de gasto com pessoal a partir de junho. Alternando entre R$ 5,3 mi e R$ 5,9 mi, a folha do clube dá um salto para R$ 10 milhões a partir do sexto mês do ano, quando começam a entrar as cotas de TV relativas à Série A. De julho a novembro o número cai um pouco, mas não chega a ser menor que R$ 9,3 mi e termina 2022 com R$ 12 milhões em dezembro.



Comparação com 2021

O orçamento que o Botafogo teve para 2021 foi um pouco diferente. Como assumiu neste ano, a diretoria enviou o orçamento ao Conselho Deliberativo apenas no fim de março, sendo que o CEO revisou no fim de junho. Nessa revisão, o Botafogo teria um déficit de R$ 60 milhões em 2021 mesmo com R$ 71,8 milhões em vendas de jogadores. Os números finais serão conhecidos quando o clube divulgar o balanço, previsto para abril do ano que vem.



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Fonte: GE/Por Davi Barros e Emanuelle Ribeiro — Rio de Janeiro

Gatito faz contraproposta, e Botafogo tenta denominador comum para renovar com o goleiro


Partes voltarão a conversar nos próximos dias por um consenso pela permanência do jogador


O Botafogo recebeu de Gatito Fernández uma contraproposta para a renovação do seu contrato. O clube pretende conversar novamente com o goleiro para chegar a um denominador comum. Há um interesse grande da diretoria para que ele fique em General Severiano e o otimismo se dá porque a vontade do goleiro também é essa.


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Botafogo tenta acordo com Gatito Fernandez por renovação — Foto: Vitor Silva/Botafogo



Por mais que as duas partes desejem a renovação, ainda há divergências sobre os valores. O clube considera alta a pedida do goleiro e, por isso, vai enviar nova proposta. Além disso, o Botafogo pretende colocar no contrato metas a serem cumpridas por Gatito, que não entrou em campo nesta temporada devido a uma grave lesão no joelho direito.


Atualmente, Gatito está de férias com a família no Paraguai, por isso a comunicação entre as partes deu uma desacelerada. A diretoria está confiante num acerto.


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Além de Gatito, o Botafogo tem Diego Loureiro, Douglas Borges e Igo Gabriel como opções para o gol. Mas os dois últimos também não estão garantidos para 2022. Igo pertence ao CSA, e o clube alvinegro busca recursos para ficar com o jovem. Caso não consiga, a renovação com Douglas, que tem contrato até dezembro de 2021, é uma alternativa.


Diego Loureiro e Igo Gabriel, caso este permaneça, são dois goleiros jovens, por isso também o interesse do Botafogo em manter Gatito, que, além da experiência em campo, é uma referência para elenco e torcida e tem "casca" para disputar a Série A do Brasileirão.


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Botafogo apresenta projeto de museu em evento na sede do clube (https://ge.globo.com/video/com-presenca-de-idolos-e-torcedores-ilustres-botafogo-lanca-projeto-de-museu-10110348.ghtml)



Gatito não entra em campo pelo Botafogo desde setembro de 2020, quando o clube eliminou o Vasco na Copa do Brasil. Com dor no joelho direito causada por um edema ósseo, o goleiro tinha sido convocado pela seleção do Paraguai, mas o departamento médico alvinegro avisou da lesão. Os paraguaios consideraram que mesmo assim ele poderia ir a campo e foi o que aconteceu, na partida contra o Peru, pelas Eliminatórias da Copa. O quadro se agravou desde então.


A renovação se arrasta desde o início do ano, mas a lesão travou um pouco as conversas. O clube sabia que havia a possibilidade de o paraguaio ser sondado por outras equipes e sair de graça ao fim da temporada. Em maio, o goleiro passou por uma artroscopia e aos poucos foi retomando o trabalho de condicionamento físico. Com o acesso garantido para a Primeira Divisão, Gatito chegou até a ser relacionado para o último jogo do ano, mas não entrou em campo no empate com o Guarani.



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Fonte: GE/Por Davi Barros e Emanuelle Ribeiro — Rio de Janeiro

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Do choro quando criança na Brasília do pai ao "sonho mágico": Rafael completa três meses de Botafogo


Em conversa com o ge, lateral lembra das primeiras memórias de torcedor e dá o mapa da mina para que o clube não sofra mais: "Aqui não tem estrela, a que tem é a do Botafogo, que brilha"



As lembranças mais marcantes da infância envolvendo o Botafogo são mistas. Uma boa e outra ruim. O título brasileiro de 1995, quando tinha cinco anos, é presente na cabeça principalmente pela euforia do pai, Zecão, mas naquela época Rafael ainda não era fissurado por futebol. Quatro anos depois, no auge da empolgação com o preto e o branco, ele e o irmão não conseguiram ver a partida na televisão e tiveram que sintonizar na Rádio Globo dentro da Brasília do pai. O choro de criança, sem entender como o time do coração não terminou campeão, foi inevitável.


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Rafael comemora título da Série B pelo Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo



A emoção com o time não se resume aos episódios da infância. Mesmo hoje, Rafael está eufórico com o "sonho mágico" que vive no Botafogo. Quer dizer, não necessariamente hoje, mas na estreia contra o Sampaio Corrêa, em 26 de setembro, sim. Tanto que achou que teria um "piripaque" dentro de campo mesmo sendo o jogador mais rodado do elenco, tendo chegado à final de Liga dos Campeões e sido titular numa final de Mundial.


- Eu lembro que entrei, dei uns bicos e comecei a correr tanto que eu mal conseguia respirar. Já não estava tão bem fisicamente, comecei a correr... Eu estava (suspira). Teve uma hora que eu achei que fosse morrer, na moral. Porque é uma tensão muito grande. Depois de tudo que eu vivi, mas a sensação é diferente, não vou mentir pra você. Eu amava muito jogar no Manchester e no Lyon, tinha um carinho pela torcida e ela comigo. Era uma relação muito legal. Mas jogar pelo seu time de coração mesmo é uma coisa diferente, falando a verdade. Foi diferente e está sendo, não vou mentir não.


A paixão pelo Botafogo vem do pai, aquele mesmo que Rafael lembra bem na comemoração do Brasileiro de 95. José Maria da Silva trabalhou como caseiro até os filhos se profissionalizarem no futebol. Zecão tem 70 anos, criou os filhos no Vale da Boa Esperança, em Petrópolis, e acompanhou quase todos os jogadores que estão nas paredes do Nilton Santos e em frente aos muros de General Severiano. Ele até jogou uma vez contra o principal expoente da mesma camisa usada pelo filho no Botafogo, Mané Garrincha.



Quarto episódio do Acesso Total mostra o começo da evolução do Botafogo na Série B (https://ge.globo.com/video/quarto-episodio-do-acesso-total-mostra-o-comeco-da-evolucao-do-botafogo-na-serie-b-10106900.ghtml)

Quando criança, Rafael jogava junto do irmão gêmeo Fábio nas ruas de Petrópolis e com frequência usava o uniforme do clube do coração. Para quem vestiu tanto na infância, o número 7 não pesa hoje, mas é um privilégio. Tanto que se chegar alguém reivindicando a camisa, não há problema algum para ele em passar adiante.


- É uma responsabilidade grande, mesmo sendo só um número, mas é um número de vários ídolos que jogaram aqui. Acho que uma coisa que o torcedor e as pessoas têm que enxergar é que foi uma homenagem do Botafogo pela minha torcida, porque eu sou um torcedor. Lembro que quando cheguei algumas pessoas falavam que eu ia meter um monte de gol. Mas quem conhece minha história sabe que não faço muito gol. Sou um jogador mais técnico e até defensivo, eu diria. A torcida tem que entender que é uma homenagem.



Quem conversa com Rafael consegue perceber a empolgação quando o assunto é Botafogo. A fala do jogador de 31 anos é rápida, assim como o raciocínio, e às vezes escapa um palavrão ou outro sem querer - normal em qualquer pessoa nascida e criada no estado do Rio ao falar do time do coração.


Consciente das próprias limitações, Rafael chegou ao Botafogo sabendo que talvez não tivesse tantas chances nesta temporada. Seja por ter ficado alguns meses parado, ainda não estar na forma física ideal ou porque a concorrência não dava espaço. O lateral não teve qualquer problema em ficar no banco - até porque a ideia é prepará-lo para o ano que vem. Ainda assim, entrar em campo quatro vezes pelo clube não tem comparação com qualquer outra coisa que tenha vivido. Talvez por isso as palavras fujam na hora de explicar qual a sensação.


- É muito mágico. Porque quando eu era criança eu sonhava em jogar futebol. E se eu jogasse no Botafogo seria um sonho mágico. A primeira coisa que uma criança que ama futebol quer é jogar. Você nunca sabe onde. Por mais que eu fosse botafoguense, não é assim que acontece. Meu sonho era ser jogador. Então, eu virei jogador lá fora, e quando eu fui pra lá eu não imaginava que um dia pudesse voltar e jogar no Botafogo. É mágico, eu não tenho nem palavra pra descrever esse sentimento, ainda mais com o time voltando à Série A e campeão, está sendo maravilhoso.



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Rafael vive sonho de vestir a camisa do Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo


Rafael ainda traz muita coisa dos tempos de Europa. Afinal, 13 dos 31 anos de vida foram lá. E, com o "melhor de todos", Alex Ferguson, técnico do Manchester United por 27 anos, aprendeu a se adaptar, ter humildade e trabalhar. Justamente por ter esse passado, ele sabe que é uma referência para o elenco e não tem problema algum em dizer isso.


Por ser botafoguense é possível que Rafael entenda muito bem qual é a realidade financeira do clube. Se não, pelo menos pôde ter uma noção melhor depois das conversas com o diretor de futebol Eduardo Freeland e o presidente Durcesio Mello. Tanto que disse para um torcedor no Twitter que receberia o grosso da sua remuneração quando o time estivesse de novo na Série A, e explicou um pouco mais agora.



- O combinado (de pagamento de salários) é que seria mais para o ano que vem. Claro que teve a luva, mas como eu estava livre é outra coisa. Eu conversei com o Freeland e com o Durcesio, eles me explicaram isso e entendi muito bem. Só faltavam três meses e fiz esse esforço para vir ao Botafogo, por isso acho que eles são gratos a mim. E, na real, eu sou grato ao Botafogo também por tudo que eles fizeram me acolhendo.


Mesmo quando estava na Turquia, Rafael acompanhava e sofria "muita coisa" com o Botafogo que jogava ano passado. Por mais que não estivesse no dia a dia na temporada em que o time foi rebaixado, a sensação que ele tem é que o clube tentou dar um passo maior do que as pernas ao contratar jogadores estrangeiros com histórico de Copa do Mundo. Na visão dele, a intenção de quem comandava o clube seria mostrar que o Bota estava de volta, mas no futebol não é tão simples assim.




Após a vitória sobre o Sampaio, Rafael saúda familiares e torcedores do Botafogo (https://ge.globo.com/futebol/video/apos-a-vitoria-sobre-o-sampaio-rafael-sauda-familiares-e-torcedores-do-botafogo-9894105.ghtml)



Agora, é diferente. Com a ideia de ir crescendo pouco a pouco, Rafael acredita que Kanu e Carli sejam os principais líderes por terem uma identificação maior com o Botafogo. Se quando chegou ao clube a ambição era subir, agora é mudar um pouco o foco, mas não muito. Como o acesso e o título vieram com os pés no chão, a ideia é continuar dessa forma até que o clube retorne aos tempos gloriosos.


- Agora é manter essa mentalidade de quando eu cheguei. A Série A é mais difícil, sem dúvida nenhuma, e com certeza a gente vai reforçar. Mas é continuar jogando como jogador do Botafogo tem que jogar, com profissionalismo e personalidade. Isso que os jogadores do Botafogo precisam. É um fazendo pelo outro e buscando ajudar os companheiros. É a melhor forma de colocar o Botafogo de volta onde ele tem que estar.



"Aqui não tem estrela, a que tem é a do Botafogo, que brilha".



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Fonte: GE/Por Davi Barros — Rio de Janeiro