O clube comunicou a chegada do atleta com um cordel que fala da relação dele com o Piauí - ele é natural de Teresina -, passagem pelo Ceará e seu futuro no Alvinegro (vídeo acima).
David é o quarto reforço anunciado pelo Botafogo em 2025 e chega para suprir lacuna na defesa. Na última terça, Lucas Halter deixou o Alvinegro rumo ao Vitória, e Adryelson teve contrato de empréstimo encerrado no fim de dezembro.
Destaque no Sub-20, o jovem zagueiro David Ricardo recebeu chance no profissional do Ceará em 2022 e se consolidou na equipe. Em 2024, somou 46 partidas, com três gols e duas assistências. No total, foram 99 jogos com seis gols e três assistências.
As resoluções para o Botafogo nesse início de 2025 vão além do treinador e da nova comissão técnica. O Alvinegro perdeu opções no elenco e corre para suprir a lacuna deixada por 13 saídas no grupo que vinha sendo relacionado por Artur Jorge em 2024.
Com isso, a composição do banco de reservas mudou, e jovens surgiram como principais opções ofensivas. A base do time titular foi mantida - sem Thiago Almada e Luiz Henrique, dois destaques na última temporada vitoriosa. Isso se repetiu nos últimos dois jogos, período no qual o elenco principal voltou a atuar.
No 11 inicial do duelo com o Flamengo, no último domingo, Vitinho e Bastos começaram na reserva por questão física. O lateral-direito entrou no lugar de Mateo Ponte. Além dele, as opções no decorrer do jogo foram o volante Patrick de Paula, autor do gol de desconto, e os atacantes Rafael Lobato e Kayke.
Rafael Lobato em Botafogo x Fluminense — Foto: Vítor Silva/Botafogo
No clássico diante do Fluminense, pelo Carioca, quatro dias antes, o treinador interino Carlos Leiria recorreu a Rafael Lobato, de 18 anos, para começar o jogo - Artur, reforço para a posição, ainda não havia sido regularizado. O jovem é promissor, mas a ação é uma amostra de que o Botafogo precisa correr para compor o elenco e buscar alternativas.
A diretoria trabalha para ter o total de oito contratações nesse primeira janela de transferências. Dessas, o clube já fechou com o goleiro Léo Linck, os zagueiros Jair e David Ricardo, o volante Wendel - que chega somente em junho -, o atacante Artur e o centroavante Rwan Cruz. Ainda restam duas "vagas", e o clube pretende preencher com dois atacantes que atuem pelas pontas e por dentro também.
Titulares e jogadores que entraram ao longo do jogo
Botafogo 1 x 3 Flamengo - Final da Supercopa do Brasil
Time inicial: John; Mateo Ponte, Lucas Halter, Barboza e Alex Telles; Gregore e Marlon Freitas; Artur, Savarino e Matheus Martins; Igor Jesus.
Entraram: Vitinho, Patrick de Paula, Kayke e Rafael Lobato.
Botafogo 2 x 1 Fluminense - 6ª rodada do Carioca
Time inicial: John; Mateo Ponte, Lucas Halter, Barboza e Alex Telles; Gregore e Marlon Freitas; Rafael Lobato, Savarino e Matheus Martins; Igor Jesus.
Entraram: Vitinho, Cuiabano, Allan, Danilo Barbosa e Yarlen.
Se o banco de reservas do Botafogo precisa de reforço, quem ocupou esse lugar nos últimos meses recebe novas oportunidades em outros ares. O volante Tchê Tchê, no Vasco, o meia Eduardo, no Cruzeiro, o atacante Júnior Santos, no Atlético-MG, e o centroavante Tiquinho Soares, no Santos, têm sido aproveitados como titulares em seus clubes.
Tiquinho Soares em ação no duelo do Santos com o Velo Clube — Foto: Roberto Gardinalli/AGIF
Além deles, o lateral-esquerdo Hugo, no Vitória, também tem atuado durante os 90 minutos assim como o goleiro Gatito Fernández, no Cerro Porteño.
Apesar da dificuldade nesse início de ano, potencializada pela ausência do treinador, a remontagem do elenco não é novidade para o Botafogo, que teve o mesmo trabalho desde que virou SAF em 2022.
Atlético-MG x América-MG; Júnior Santos — Foto: Pedro Souza / Atlético-MG
Além das oito contratações agora, o clube pretende contratar em posições pontuais na janela do meio do ano, quando as competições estarão mais "quentes".
Quando confrontado por um Flamengo superior, interino Carlos Leiria não soube achar alternativas; Alvinegro sofreu do início ao fim no Mangueirão
Há poucas formas de descrever o desempenho do Botafogo neste domingo, contra o Flamengo, além de "dominado". Vice da Supercopa Rei, o Alvinegro sofreu do início ao fim e não conseguiu levar quaisquer lances de real perigo ao gol do rival. No clássico, o que se viu foi um time sem capacidade de reação e irreconhecível se comparado ao que conquistou dois títulos em 2024. O resultado também fez a torcida voltar os olhos à busca pelo técnico para 2025.
A única mudança no time que enfrentou - e aí sim, superou - o Fluminense na última quarta-feira foi a entrada do estreante Artur na vaga de Rafael Lobato. Havia a expectativa pelo retorno de Bastos, que focou em trabalho de recondicionamento físico, mas o técnico Carlos Leiria optou pela manutenção de Lucas Halter ao lado de Barboza. Na lateral direita, Ponte manteve a vaga na disputa com Vitinho.
A escalação do Botafogo contra o Flamengo teve: John; Mateo Ponte, Lucas Halter, Barboza e Alex Telles; Gregore e Marlon Freitas; Artur, Savarino, Matheus Martins e Igor Jesus.
Os primeiros lances de jogo já deram indícios de que o Botafogo não teria missão fácil. Foram necessários dois minutos para Wesley cruzar rasteiro na área; Bruno Henrique e Michael não conseguiram aproveitar a chance de abrir o placar.
Botafogo 1 x 3 Flamengo | Melhores Momentos | Supercopa Rei 2025
Aos 9 minutos, Lucas Halter cometeu um pênalti bobo, apenas o prenúncio de uma noite péssima com a camisa do Botafogo. O zagueiro, entretanto, passou longe de ser o único com desempenho abaixo do esperado no clássico. Fato é que, depois de ser derrubado por um carrinho dentro da área, Bruno Henrique aproveitou a cobrança e fez 1 a 0 para o Flamengo.
A partida foi paralisada aos 15 minutos devido a um dilúvio que caiu sobre Belém, impossibilitando quaisquer tentativas de jogo no Mangueirão; a pausa durou pouco mais de 1h10. Os problemas do Botafogo permaneceram. Tanto que, aos 19, Halter falhou novamente no posicionamento e deixou Bruno Henrique marcar um golaço no Mangueirão.
No geral, o Botafogo conhecido pela transição rápida e troca de passes não foi visto. Na maioria das vezes, coube a Marlon Freitas tentar uma bola longa, mas sem muitos lances de sucesso. O volante também precisou se dividir no apoio a Ponte.
Marlon Freitas em Botafogo x Flamengo pela Supercopa Rei — Foto: Vitor Silva/Botafogo
Artur pouco contribuiu em um lado direito ineficiente e ainda sem entrosamento. Alex Telles, pelo lado oposto, acabou a etapa inicial como quem mais levou riscos, com uma tentativa de finalização de primeira e outra falta cobrada para fora.
A sucessão de problemas seguiu na etapa final. Savarino não conseguiu criar sozinho e desequilibrar pelo meio, e tampouco fez questão de esconder a irritação. A inversão entre Artur e Matheus Martins não fez subir o rendimento de nenhum dos dois. Os erros de passe na saída continuaram acontecendo, e foram raras as vezes em que a bola conseguiu chegar ao terço final.
Artur e De La Cruz em ação em Botafogo x Flamengo — Foto: Vitor Silva/Botafogo
- Sabíamos da dificuldade do jogo, tendo em vista a diferença de aproximadamente 10 dias ou mais de preparação (em relação ao Flamengo) para uma partida importante, e isso ficou evidente. O tempo de preparação é muito importante. Teremos um próximo encontro no dia 12 e certamente vai diminuir essa distância que teve a partir desse período de retorno nosso para fazer a pré-temporada em virtude das conquistas do ano passado - disse o técnico interino.
As alterações mais significativas do Botafogo - as trocas de Ponte e Savarino por Vitinho e Patrick de Paula, respectivamente - foram mais próximas ao fim do que ao início do segundo tempo. Com 3 a 0 para o Flamengo no placar, o gol marcado por Patrick de Paula aos 41 minutos pouco mudou a cara do jogo.
Perder a Supercopa é o menor dos problemas no calendário nacional, mas o desenrolar da derrota no Mangueirão salta aos olhos. John Textor, dono da SAF alvinegra, nunca deu ao torneio um peso grande o suficiente para apressar a busca por um técnico - mas tamanha dificuldade do Botafogo contra o Flamengo, time que superou duas vezes com tranquilidade em 2024, não pode ser ignorada.
Leiria teve o mérito de fazer o arroz com feijão contra o Fluminense, em um jogo em que o Botafogo expôs de forma quase automática o estilo de jogo de 2024. Ao ser desafiado na primeira decisão do ano, entretanto, o treinador mostrou dificuldades e também contou com poucas peças de reposição. Qual é a real capacidade do time de competir nesse processo de transição, busca por um técnico e reforços pontuais? A dúvida ficará na mente dos botafoguenses.
É neste cenário que os clássicos decisivos ganham ainda mais peso, mesmo em torneios não tão relevantes quanto o Campeonato Brasileiro ou a Copa do Brasil. Basta um tropeço para que o planejamento da temporada volte a ser o centro das atenções.