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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Números ruins e eliminações aumentam pressão sobre Hungaro


Técnico enfrenta insatisfação da torcida após fracassos no Carioca e Libertadores, e diz: 'Essa pergunta (possível demissão) tem que ser feita para a direção'



De olho no futuro: Eduardo Hungaro diz que não
 tem como responder sobre possível demissão
 (Foto: Matias Napoli/Agência Estado)
O Botafogo fez 23 jogos em 2014. Foram dez derrotas, seis empates e apenas sete vitórias. O pior: eliminações precoces na Libertadores e no Campeonato Carioca. Diante dos resultados ruins, a pressão em cima do trabalho do técnico Eduardo Hungaro aumentou ainda mais depois do 3 a 0 diante do San Lorenzo, quarta-feira, na Argentina.

O futuro está em jogo. A diretoria ainda não se pronunciou sobre a possibilidade ou não de mudança de comando. Ex-auxiliar de Oswaldo de Oliveira, Hungaro sempre contou com a confiança dos dirigentes e a admiração dos jogadores. O treinador, no entanto, foi alvo de desconfiança da torcida por causa da inexperiência. Agora, a paciência parece ter se esgotado. A insatisfação é grande.

De qualquer forma, a tendência é de que a direção não tome uma decisão imediata sobre o futuro. Até porque o presidente Maurício Assumpção não viajou com o time para a Argentina e o próximo jogo será apenas daqui a dez dias.

- Essa pergunta (possível demissão) tem que ser feita para a direção. Não tenho como responder isso. Fui contratado para trabalhar em 2014. O resultado não foi bom. Em função do que programamos, esperava passar de fase - disse Eduardo Hungaro após a derrota na Argentina.

O Botafogo colocou todas as suas fichas na Libertadores e, sem ter um elenco tão qualificado, acabou sofrendo no Carioca. Fez uma campanha ruim e foi eliminado antes da semifinal. A derrota para o Unión Española no Maracanã foi um balde de água fria e o preço pago acabou sendo muito caro. 

Derrota para o San Lorenzo eliminou o Botafogo precocemente da Libertadores (Foto: Juani Roncoroni/Agência Estado)
Eduardo Hungaro também teve que lidar com problemas fora do campo, como o atraso de salários dos jogadores. Apesar disso, ele acredita que o time conseguiu, na maioria das partidas, ser bastante competitivo.

- Sabíamos que, em função do elenco que temos, encontraríamos dificuldades. Em alguns momentos fomos extremamente competitivos. Foi nosso oitavo jogo, e realmente não revelamos o trabalho que estamos desenvolvendo. Temos limites, mas sempre nos mostramos competitivos.


Mas, depois da derrota para o San Lorenzo que culminou na eliminação, Hungaro foi duro com os jogadores e não poupou críticas à atuação do time, dizendo que foi inaceitável.

A sensação é de que o primeiro semestre foi frustrante e será necessário planejar bem o que ainda estar por vir para o Botafogo em 2014.

Por Fred Huber Buenos Aires, Argentina

No retorno da Argentina, Hungaro não será mais técnico do Botafogo




Antes do embarque para Buenos Aires, o técnico Eduardo Hungaro já havia avisado seus jogadores que pediria demissão em caso de eliminação na primeira fase da Copa Libertadores. A confirmação da desclassificação, com derrota por 3 a 0 para o San Lorenzo, precipitará a decisão. No clube, também é consenso que precisa haver mudança. No retorno da Argentina, Eduardo Hungaro não será mais o treinador.

A decisão no final do ano passado foi apostar em um técnico que conhecesse a estrutura do clube e tivesse relação com o sucesso das divisões de base. Desde os anos 60, o Botafogo não lançava - e confirmava - tantos jovens jogadores. Eduardo Hungaro fez parte desse trabalho da base e foi assistente de Oswaldo de Oliveira. Juntos, lançaram jogadores como Dória, Vitinho, Cidinho, Octávio e Gegê.

O próprio treinador sabia ter a chance de sua carreira, que tinha como ponto mais forte o trabalho na base e o acesso do Sertanense para a II Divisão B de Portugal.

Por http://espn.uol.com.br/blogs/pauloviniciuscoelho#/1

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Dividido, 'Lobo' Fischer guia Botafogo para se classificar sobre San Lorenzo


Atacante, que atuou pelos dois clubes nos anos 60 e 70, fica em cima do muro para escolher um classificado na Libertadores: 'Que seja o que Deus quiser'




Rodolfo José Fischer, ou simplesmente "El Lobo" Fischer, está eternizado na história do Botafogo. Afinal, foi do pé dele - e também da cabeça - que saíram dois gols na memorável goleada sobre o Flamengo por 6 a 0, em 1972. Antes de chegar ao Glorioso, porém, Fischer também marcou seu nome em um clube de seu país natal: o San Lorenzo, adversário do Alvinegro nesta quarta-feira, em jogo que vale a classificação para a próxima fase da Libertadores.

El Lobo em ação pelo Botafogo contra o Ceará, em 1975, último ano do atacante com a camisa do clube (Foto: O Globo)
O coração, garante Fischer, ficará igualmente dividido na partida decisiva. Somente um de seus mais queridos clubes poderá avançar. Ao San Lorenzo, basta vencer em casa. Já o Botafogo pode até empatar no estádio Nuevo Gasómetro - desde que o Independiente del Valle não vença o Unión Española por dois gols de diferença - para se classificar. Apesar da identificação com os times, El Lobo não irá acompanhar a partida no estádio. Confessa que não comparece aos jogos há mais de dois anos, apesar de continuar acompanhando o futebol pela TV, como fará nesta quarta-feira.

- Dizer quem vai ganhar é impossível. Sou muito agradecido ao Botafogo, à torcida do Botafogo, mas também foram muitos anos no San Lorenzo. O coração fica dividido. Ficamos no empate. Mas o empate classifica o Botafogo, né? (risos). Na verdade, gostaria que os dois pudessem passar. Que seja o que Deus quiser e vença o melhor - disse em entrevista por telefone ao GloboEsporte.com.

Conhecedor dos desafios de se jogar no caldeirão de Nuevo Gasómetro, El Lobo deu o caminho para o Glorioso alcançar seu objetivo, calcado justamente nas jogadas para um compatriota seu:

- O Botafogo tem o argentino Ferreyra, que é um centroavante, goleador, cabeceia bem. Eu sempre tive essa facilidade, de fazer gols de cabeça. E o grande segredo para isso é se ter jogadores fortes pelas pontas do campo. Na minha época, tínhamos o Dirceu pela esquerda, o Zequinha pela direita, ou mesmo o Jairzinho às vezes fazia esse lado. Gols de cabeça são importantes em partidas duras, é um bom caminho.

No jogo de ida, o Botafogo venceu o San Lorenzo por 2 a 0 no Maracanã, com gols de Ferreyra e Wallison (Foto: Reuters)

Na Libertadores de 1973, panorama parecido com desfecho infeliz

Em 1973, Fischer viveu situação semelhante à atual do Botafogo na Copa Libertadores. Na disputa do triangular semifinal, o Glorioso sofreu um revés no Maracanã para o Colo Colo, do Chile, por 2 a 1. Com isso, precisava conquistar uma vitória fora de casa contra os chilenos para avançar. Desta vez, a derrota para o Unión Española, também do Chile, complicou o Alvinegro. E o torcedor imagina um desfecho diferente daquela época.

Fischer disse que torcidas são semelhantes
(Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)
- Naquela oportunidade, com 10 jogadores, perdíamos por 2 a 1 e viramos para 3 a 2. Mas, no último minuto, fizeram o empate. São coisas que acontecem, e que é difícil prever para que não aconteça. Faltou concentração dos jogadores, talvez. Mas ficamos fora porque não podemos perder na Libertadores como mandantes. E perdemos para o Colo Colo. O jogo vai ser muito difícil para os dois. O San Lorenzo também já empatou jogando em casa - analisou.

A casa do San Lorenzo, aliás, sempre foi um trunfo para os portenhos historicamente. O Nuevo Gasómetro é considerado um caldeirão, e bater os argentinos em seus domínios é uma tarefa árdua, de jogo psicológico acima de tudo. Ainda assim, Fischer garante que o Botafogo não encontrará nenhuma novidade.

- A torcida do San Lorenzo é uma torcida muito boa, muito legal de jogar com ela. Mas é como a torcida do Botafogo. A gente gosta de jogar com uma torcida deste tipo, muito carinhosa. A torcida do Botafogo era assim. São muito parecidos, amam muito seus clubes. Acho até que são clubes muito parecidos, que sabem cuidar bem dos seus jogadores - afirmou.

Por Thiago Quintella Rio de Janeiro