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domingo, 28 de maio de 2017

Jair valoriza vitória e cita necessidade de reforços: ''Uma hora vamos pagar o preço''


Técnico ressalta equilíbrio do Campeonato Brasileiro e diz que Botafogo aprendeu a encarar cada rodada como se fosse uma final. Joel Carli e Roger foram poupados por desgaste




Foi difícil, mas o Botafogo saiu do Estádio Nilton Santos com mais uma importante vitória no Campeonato Brasileiro. Após o triunfo por 1 a 0 sobre o Bahia na noite deste domingo (reveja os melhores momentos no vídeo abaixo), o técnico Jair Ventura ressaltou o equilíbrio da competição e a importância de jogar cada rodada como se fosse uma final. Sem deixar de lembrar que a equipe precisa de reforços. Roger e Carli, por exemplo, foram poupados por causa de desgaste.



Melhores momentos de Botafogo 1 x 0 Bahia pela 3ª rodada do Brasileirão 2017


- Na terceira rodada, eu acabo um jogo como se fosse de pré-libertadores. Com o João e o Marcelo caídos, eu sem voz... É muito difícil esse campeonato, cada jogo é uma final. Vale o mesmo da última rodada. Estamos entendendo a importância de jogar cada jogo como se fosse uma decisão. É isso que o Botafogo vem fazendo. Estamos em três competições importantes. Uma hora vamos pagar o preço. Nosso elenco é bem curto. Quando falo em fortalecer, não quer dizer que o nosso elenco não serve. Mas todo treinador precisa de reforços. Estamos buscando no mercado - avisou.


O treinador classificou o jogo como equilibrado, mas disse que o Botafogo teve as chances mais claras. O Bahia, no entanto, também fez Gatito trabalhar. Tanto que o goleiro alvinegro saiu de campo com cinco defesas difíceis.


- Foi um jogo equilibrado, principalmente no primeiro tempo. O Bahia até gelando o jogo, o que é normal para quem joga fora de casa. Fizemos o gol e ficou aberto. Lá e cá, oportunidades para os dois lados. Mas acho que tivemos as mais claras com Joel, Guilherme e Camilo praticamente dentro da pequena área - analisou Jair.


Com a vitória, o Botafogo chegou aos seis pontos e subiu para a sétima posição do Campeonato Brasileiro. O Alvinegro volta a campo na quarta-feira para enfrentar o Sport, pelo jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil. Na primeira partida, vitória por 2 a 1 no Nilton Santos.



Jair aplaude seus jogadores na vitória por 1 a 0 sobre o Bahia (Foto: André Durão / GloboEsporte.com)


Outras respostas de Jair:


Presença de Jairzinho no jogo

Ele (pai) não vem em todos os jogos, Tem muito tempo que não o vejo. Nem minha mulher estou vendo direito. Vou aproveitar hoje para jantar com a minha família. Fora daqui é proibido falar de futebol. Nasci filho de um ídolo. Para mim isso é um orgulho, mas não falamos de futebol. Ele entende muito, mas falamos só de família e deixamos o futebol só para trabalho.


Ausências de Carli e Roger

Dois jogadores seriam poupados Carli e Joel, sendo que o Carli eu tenho mais dois zagueiros. Ele (Joel) vem dois meses sem jogar e tinha que jogar. O Roger corria um risco de lesão e seguramos. É normal, teve chance de fazer gol... Nós usamos o que nós temos e ele não foi mal. Segurou a bola, fez o jogo de pivô. Vamos com calma, que ele é o nosso atacante junto com o Roger.


Bruno Silva

O Bruno Silva é uma arma importante, sabemos da competitividade dele dentro de campo e isso tem um preço com esses cartões. Importante que nosso advogado trabalhou bem e conseguiu o efeito suspensivo.


Montillo
Queremos contar com o Montillo o quanto antes. Ele paga um preço por ter vindo de um campeonato como o Chinês, que é diferente. Todos os times estão perdendo jogadores por lesão. Qual a justificativa disso? Hoje o João Paulo pediu para sair. O Camilo vinha de lesão... Foram duas substituições por condições físicas. Precisamos rever esse calendário.


Victor Luis
É um cara fantástico e tem uma qualidade técnica ótima. Por isso, acaba jogando todos os jogos. Penso em segurar, mas ele quer estar sempre jogando. Chamamos de uma individualidade biológica.


Copa do Brasil
Vamos com força máxima em todos os jogos na Copa do Brasil. Não posso chegar nas oitavas de final e poupar jogadores. Com todo respeito ao Carioca, mas não dá para colocar os meninos na Copa do Brasil e no Brasileiro. Aqui no Brasil nunca sabemos que serão os seis da Libertadores. Importante que o grupo sabe disso. Cada jogo é uma final.


Fonte: GE/Por Felippe Costa, Rio de Janeiro

Chute forte, velocidade e lesões: conheça Marcos Vinícius, possível reforço do Bota


Atacante, de 22 anos, está próximo de ser incluído pelo Cruzeiro na troca por Sassá. Contratado com grande expectativa, ele acabou se prejudicando por problemas musculares





Marcos Vinícius e o técnico Mano Menezes durante um treinamento do Cruzeiro (Foto: Light Press)

Sem interesse na permanência de Sassá para o restante da temporada, o Botafogo se encaminha para uma troca com o Cruzeiro. A negociação, que começou na semana passada, envolve a vinda do atacante Marcos Vinícius, de 22 anos. Se concretizada, ela deixará dos clubes com 50% dos direitos federativos de cada jogador. Mas quem ganha com isso?


O Botafogo, por exemplo, receberá um jogador com um grande potencial. Criado no Náutico, Marcos Vinícius desertou o interesse do Cruzeiro, que o contratou ainda para a equipe de juniores, em 2014. Muito elogiado pelo técnico Mano Menezes, foi promovido aos profissionais e acabou sendo um dos principais destaques do time no ano, terminando como titular.


Números de Marcos Vinícius

Náutico (Jogos - 66 / gols - 7 / assistências - 7)

Cruzeiro (jogos - 40 / gols - 4 / assistências - 5)

- É um meia-atacante que conduz bem a bola, forte, gosta de partir para cima dos adversários e tem um chute muito forte. Pode atuar tanto pelas beiradas, quanto como um armador, jogando centralizado. Ele fez ambas as funções no Cruzeiro. Ainda em 2015, por exemplo, fez um gol contra o Sport, pela 35ª rodada do Brasileiro, que mostra bem essa característica. Arrancou do meio-campo, driblou dois jogadores e marcou. Foi o ápice dele no Cruzeiro.




Movido a feijão: meia Marcos Vinícius usa receita caseira para se destacar no Cruzeiro


A partir de 2016, porém, o Marcos Vinícius começou a conviver com as lesões. E isso o atrapalhou. Neste ano, Mano Menezes estava na expectativa de utilizá-lo com mais frequência. Porém, novamente, teve que se ausentar por problemas físicos (ainda na pré-temporada torceu o pé e ficou afastado por um mês). Voltou a ser relacionado, mas, em maio, teve constatada uma lesão na coxa esquerda e, desde então, não joga. Vem se recuperando e está próximo de voltar aos gramados.


A negociação entre Botafogo e Cruzeiro segue avançada, mas algumas pendências fazem com que o anúncio ainda não tenha sido feito. Uma das causas, por exemplo, é o exame médico que Marcos Vinícius será submetido pelos médicos do Botafogo.



Marcos Vinícius durante um treinamento do Cruzeiro (Foto: Washington Alves/ Cruzeiro)


Fonte: GE/Por Felippe Costa e Thaynara Amaral, GloboEsporte.com, Rio de Janeiro

sábado, 27 de maio de 2017

Premiado por gestão, Lopes aponta êxito: "Os jogadores querem vir para o Botafogo"


Gerente de futebol alvinegro enaltece reconstrução do clube e vê vantagem sobre concorrentes: "Acho que meu trabalho é diferente dos gestores que vejo por aí, até pelo fato de ter sido treinador"




Antonio Lopes vê motivos para sorrir: "Meu trabalho é diferente dos gestores que vejo por aí" (Foto: Vitor Silva / SSpress / Botafogo)


Prestes a completar 76 anos, Antônio Lopes tem o pique de um iniciante no Botafogo. Afinal, ele que já parecia ter feito de tudo no futebol, ainda dá os primeiros passos como dirigente.


Lopes teve uma curta carreira como atacante do Olaria, foi preparador físico, treinador vitorioso e coordenador técnico da seleção brasileira pentacampeã em 2002. Em 2013, tornou-se dirigente no Atlético-PR, e em dezembro de 2014 assumiu a gerência de futebol do Botafogo.


Encontrou um clube aos destroços, rebaixado para a Série B, em gravíssima crise financeira. No elenco, apenas oito jogadores. Hoje, ele não é unanimidade. Há quem goste, mas também há críticas por parte de torcedores. Fato é, que dois anos e meio depois de topar o desafio, Antônio Lopes ajudou a recolocar o Botafogo entre os grandes do futebol brasileiro.


Trabalho reconhecido no meio do futebol. Na semana passada, Antônio Lopes foi eleito o segundo melhor executivo do futebol brasileiro em 2016 pela Conferência Nacional do Futebol – CONAFUT. Ele ficou atrás apenas de Alexandre Mattos, um dos responsáveis a levar o Palmeiras ao título brasileiro.


– Hoje o Botafogo paga em dia, não atrasa mesmo. Hoje os jogadores querem vir para o Botafogo pois sabem que o Botafogo paga direitinho. Quando cheguei, em dezembro de 2014, ninguém queria vir. Eu convidava, mas diziam que o Botafogo não pagava ninguém. (...) Estamos fazendo a minha maneira de gerir o futebol do Botafogo. Acho que meu trabalho é um pouco diferente do dos gestores que vejo por aí, até pelo fato de ter sido treinador – argumentou.


Confira outros trechos da entrevista:



GloboEsporte.com: Como é estar entre os três melhores gestores de futebol do país?

Antônio Lopes: Foi ótimo, muito bom para mim. Estou praticamente iniciando nessa nova carreira. É uma carreira que me prepararei. Tenho experiência, estudei, fiz curso de gestão de futebol. Eu já tinha trabalhado como coordenador técnico da seleção brasileira (entre 2000 e 2002), em parte com as mesmas atribuições. Passei também pelo Atlético-PR como gestor por um ano e meio, que foi importante para adquirir mais confiança no exercício da profissão. Eu continuo aprendendo.



O que diferencia o seu trabalho de outros gestores?


Estamos fazendo a minha maneira de gerir o futebol do Botafogo. Acho que meu trabalho é um pouco diferente dos gestores que vejo por aí, até pelo fato de ter sido treinador de futebol. Então também faço o trabalho de coordenação da comissão técnica, coisa que outros gestores não fazem porque nunca foram treinadores de futebol. Alguns até foram jogadores de futebol, mas é totalmente do cargo de técnico, que traz mais conhecimentos compatíveis com a função que agora estou exercendo.


O Luxemburgo disse recentemente que acha que esse cargo tem que ser exercido por treinadores...

Concordo plenamente. Tem muito a ver. Acho que o gerente de futebol que não foi treinador deixa de fazer determinadas coisas. É importante. Vejo que o trabalho de determinados colegas fica muito restrito. Só fica com aquela de ouvir empresários, trabalhar na captação de jogadores, contratar... Essa função tem que ser muito mais ampla. Quem foi treinador leva uma vantagem tremenda para fazer com mais qualidade esse serviço.


Dá para acumular os cargos de diretor e treinador?

Acho isso muito bom. Veja o Paulo Autuori, no Atlético-PR... Ele tem experiência. Não sei se ele tem experiência em gestão. O gestor tem que ter essa competência de administrar futebol. Eu tenho, por exemplo. Quando me formei em direito, cursei por dois anos Administração, mas não cheguei a terminar. Foi na década de 70, quando entrei no futebol. Tenho também muito conhecimento porque administrei delegacia. Fui delegado titular, que tem que ter noção de administração. O gestor precisa disso. Acho que levo uma vantagem sobre os demais por conta disso. Também sou formado em Direito. Isso me ajuda bastante. Modéstia à parte, levo essa vantagem.



Gerente do Botafogo em encontro recente com Paulo Autuori - ao lado também de Flávio Tenius e Jair Ventura (Foto: Marcelo Baltar)


E como funciona a gestão do Botafogo?

O futebol do Botafogo é administrado dessa forma. O Anibal e o André são do Jurídico, temos o Adriano, que é o coordenador de futebol. Está funcionando muito bem. Temos o setor de inteligência, que fica sob o meu comando. Nos oferecem muitos jogadores, e encaminho para eles. Eles analisam, e são cobrados por mim e pela comissão técnica. Também exijo da comissão técnica. Tenho conhecimento. Quando acho que tenho que falar alguma coisa, eu exerço essa função. Assim como a preparação física. Sou formado eu Educação Física. Eu tenho conhecimento e posso cobrar. São coisas que quem não é formado não pode cobrar.


Como treinador, você não devia se envolver tanto nas negociações. Como é o Antônio Lopes negociador?


Temos que ver a situação financeira do Botafogo. O presidente, acertadamente, administra o clube com os pés no chão. Ele o pegou totalmente arrebentado, com uma dívida violenta. Recebemos o clube com os salários de jogadores e funcionários atrasados há oito meses. Tínhamos oito jogadores. O Carlos Eduardo (Pereira) faz uma belíssima gestão, e o Botafogo deu um salto muito grande. Eu vejo orçamento, mas não sou só eu que negocio. O presidente e o Cacá Azeredo (vice de futebol) também participam. Sempre consulto o presidente. Mas hoje há o interesse dos atletas em vir. O clube paga direitinho e está na Libertadores, todo mundo quer, isso facilita.


O Jair Ventura foi uma aposta sua?

Eu dei a minha opinião. Mas quem assumiu tudo foi o próprio presidente. Naquele momento não adiantava nada trazer um treinador de fora. O Ricardo Gomes já tinha começado um trabalho. O Jair, pelo fato de estar presente, conhecia o trabalho e poderia dar sequência. Se vem um outro, começaria do zero. Ia demorar a acertar a equipe. Mas quem é o principal responsável pelo Jair foi o presidente.


Você se sente responsável pela reconstrução do clube?

Credito isso tudo ao presidente. Um cara correto, inteligente e trabalhador. Eu nunca vi um presidente trabalhar tanto. Ele tem antena ligada para tudo e cobra muito de todo mundo, como tem que ser no futebol. Lógico que todo mundo ajudou, mas o principal responsável é ele. Recuperamos o Botafogo no aspecto técnico. Vinha de um oitavo lugar no Carioca e estava na Série B. O presidente conseguiu recuperar o clube. Hoje paga em dia, não atrasa mesmo, os jogadores querem vir para o Botafogo pois sabem que paga direitinho. Quando cheguei, em dezembro de 2014, ninguém queria vir. Eu convidava, mas diziam que o Botafogo não pagava ninguém. A torcida às vezes reclama, mas tem que acender muita vela para o presidente viver muito tempo.


Fonte: Por Cauê Rademaker, Marcelo Baltar e Raphael Zarko, Rio de Janeiro