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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Análise: sem criatividade, Botafogo repete erros e chega pressionado ao clássico


Ainda sem vitória no Campeonato Carioca após duas rodadas, Alvinegro saiu de campo vaiado e cobrado pela torcida no empate contra o Bangu. Rival de sábado é o Flamengo





Foram apenas dois jogos em 2019. Mas acredite se quiser: o único ponto conquistado em seis disputados faz o Botafogo chegar pressionado ao clássico contra o Flamengo, no próximo sábado, no Nilton Santos. Seja pela primeira vitória no Campeonato Carioca ou pela cobrança de sua torcida, que perdeu a paciência após os tropeços contra Cabofriense e Bangu.



Erik foi um dos poucos destaques do Botafogo contra o Bangu — Foto: Vítor Silva/SSPress/Botafogo


Esqueça o discurso de que a temporada está apenas no começo. Em um clube do tamanho do Botafogo, o torcedor vai sempre exigir resultados e boas atuações. E nada disso apareceu nas duas primeiras rodadas do estadual: derrota para a Cabofriense por 3 a 1 e empate por 0 a 0 diante do Bangu.


Após o apito final na última quarta-feira, parte da torcida vaiou o time, gritou ''Time sem vergonha'' e xingou o lateral-direito Marcinho. Pouco antes, Gilson já tinha sido o alvo dos alvinegros após ser expulso nos minutos finais do empate contra o Bangu. Para piorar o clima, ele deixou o gramado aplaudindo ironicamente os protestos.


- Sou cobrado pela imprensa, pela torcida e pela gente mesmo. A evolução será gradativa, o entrosamento vem com o tempo. Hoje apresentamos situações que me agradaram, mas ainda não foi o suficiente dentro do que desejamos - resumiu o técnico Zé Ricardo.



Erros repetidos

Diante do Bangu, o Botafogo voltou a repetir os erros apresentados contra a Cabofriense. Apesar da pequena evolução, o Alvinegro voltou a ser um time sem criatividade e com muitos erros de passe. Jogando no esquema 4-2-3-1, a melhor chance saiu após linda jogada de Erik, que Luiz Fernando desperdiçou na cara do gol.


De resto, o que se viu foi um time esforçado, mas ainda desorganizado. A ponto de o Bangu ter sido melhor no segundo tempo e até pressionado no fim. Erik, Gabriel e Wenderson foram aqueles que conseguiram se destacar em meio à atuação sem brilho. Além de Gatito, que evitou a derrota com boas defesas.


Na virada do ano, o Botafogo perdeu três jogadores importantes: Igor Rabello, Matheus Fernandes e Rodrigo Lindoso. Chegaram reforços que ainda precisam de entrosamento e adaptação. De quebra, outros nomes importantes como Carli e Valencia se recuperam de problemas médicos e ainda não estrearam na temporada.


''Temos que colocar um ponto final nas saídas. Eles saíram, foram importantes aqui, mas outros estão chegando. Demora para a engrenagem acontecer. Queremos um jogo mais elaborado e isso requer tempo''.


- O Flamengo é favorito por tudo o que aconteceu nos últimos anos. Alguns dos novos contratados devem jogar contra a gente. Mas, independentemente dos reforços, o Flamengo já tem uma equipe forte. Vai ser um jogo difícil, mas temos o fator casa ao lado e uma vontade grande de evoluir e vencer. Tomara que a gente esteja bem equilibrado e concentrado, vou cobrar isso - finalizou Zé.


Botafogo e Flamengo se enfrentam no próximo sábado, às 17h (de Brasília), no Estádio Nilton Santos. Sem Gilson, suspenso pela expulsão, a tendência é que o jovem Jonathan faça sua estreia na lateral-esquerda.


Fonte: GE/Por Edgard Maciel de Sá — Rio de Janeiro

Zé Ricardo rebate gritos de "time sem vergonha" da torcida do Botafogo: "Grupo de muito brio"


Alvinegro apenas empatou com o Bangu na segunda rodada da Taça Guanabara e deixou o campo sob protestos. Para o técnico, houve evolução, mas há o que melhorar: "Ainda não foi o suficiente"


O Botafogo segue sem vencer no Campeonato Carioca. Nesta quarta-feira, o time de Zé Ricardo ficou no 0 a 0 contra o Bangu no retorno ao Nilton Santos. Após a derrota para a Cabofriense na estreia, o reencontro com a torcida não foi dos mais harmoniosos. No fim do jogo, a torcida puxou o coro de ''Time sem vergonha'', pediu a contratação de reforços e xingou o lateral-direito Marcinho. O técnico disse que respeita, mas não concorda com as manifestações de alguns torcedores.


- Sempre vamos respeitar as manifestações do nosso torcedor. Ela que faz o clube, mas não somos obrigados a concordar. Gritar ''time sem vergonha''... Rebato isso de forma veemente. Sei do grupo que tenho, de muito brio e que vai dar a resposta. Pode demorar mais ou menos, depende de quando conseguiremos reproduzir em campo o que temos treinado.


"Sempre respeitamos a opinião da torcida. Seja a opinião de um estádio cheio ou até um pouco vazio como hoje", afirmou Zé Ricardo.


+ Erik reconhece início ruim do Botafogo e aposta fichas no clássico: "Pode mudar tudo"



Zé Ricardo orienta o time contra o Bangu — Foto: Vítor Silva/SSPress/Botafogo


Durante a entrevista coletiva após o empate, Zé Ricardo fez uma avaliação da segunda partida do Botafogo na Taça Guanabara. Para o técnico, a equipe agradou em alguns momentos, mas ainda falta acertar situações e há que se tirar lições do confronto.


''Sou cobrado pela imprensa, pela torcida e pela gente mesmo. A evolução será gradativa, o entrosamento vem com o tempo. Hoje apresentamos situações que me agradaram, mas ainda não foi o suficiente dentro do que desejamos''.


- Acho que a gente procurou tentar fazer um jogo mais elaborado. Sincronismo pelo meio com a bola já houve melhor entendimento. Com o cansaço natural e as trocas, perdemos o pouco sincronismo que tínhamos. Ficou muito aberto, não foi agradável o fim. Esse tipo de jogo aberto, solto, não é nem de perto o que a gente deseja. Temos que tirar essa lição para os próximos jogos - acrescentou o treinador.


+ Clique e veja a tabela do Campeonato Carioca


Após a partida, não teve zona mista e nenhum jogador falou com os jornalistas, a não ser na saída de campo. Na próxima rodada, o Botafogo já tem um clássico: vai receber o Flamengo no Nilton Santos, no sábado, às 17h.


Outras declarações de Zé Ricardo:

Novas caras no time nesta quarta

- Gabriel se portou bem, estava preparado. É jovem, mas tem experiência. Alex Santana sentiu a volta, teve queda de rendimento natural no segundo tempo. Alessandro, como falei, era questão de dar tempo ao tempo, sem pressão. Vamos observar a evolução deles.


Luiz Fernando no meio

- No Brasileiro, em alguns momentos, utilizamos o Luiz Fernando de meia central. Não é um organizador tradicional, mas dá dinâmica. Poderia trabalhar as infiltrações com o Aguirre. Ainda tem que evoluir. Pimpão se recuperou e o Erik jogou os 90 minutos porque fez toda a pré-temporada com o Palmeiras.


Ponto final nas mudanças

- Temos que colocar um ponto final nas saídas. Eles saíram, foram importantes aqui, têm qualidade, mas outros estão chegando. Demora para a engrenagem acontecer. Queremos um jogo mais elaborado e isso requer tempo. Atleta que está chegando às vezes não está no ritmo ideal. Wenderson tem se comportado bem, apenas o segundo jogo dele. Alex também pode agregar muito. Não posso garantir se isso vai acontecer na próxima rodada.


Renovação

- A gente só tinha feito contatos telefônicos. Foi a primeira vez que meu representante e a diretoria se encontraram. Foi algo bem natural. Acredito no Botafogo e o Botafogo acredita em mim. Tomara que isso perdure durante todo o período de extensão do contrato. Claro que depende de resultados.


Alessandro

- Pela ausência do Leo Valencia e do Marcus Vinícius, só tínhamos o Alessandro como meia no banco. Já esperávamos que ele entrasse. Não foi porque a torcida pediu. Continuo insistindo que precisamos ter calma com ele, quase não teve base. Precisa trabalhar e jogar partidas de alto nível. Entrou com espaço, fez boas jogadas, mas depois abafou pelo entusiasmo, ansiedade. Demonstra a inexperiência que ele tem em partidas de Série A. Vamos ter muita calma porque o clássico exige.


Clássico

- Flamengo é favorito por tudo o que aconteceu nos últimos anos. Alguns dos novos contratados devem jogar contra a gente. Mas, independentemente dos reforços, o Flamengo já tem uma equipe forte. Vai ser um jogo difícil, mas temos o fator casa ao lado e uma vontade grande de evoluir e vencer. Tomara que a gente esteja bem equilibrado e concentrado, vou cobrar isso. Se bobear, eles têm uma capacidade técnica de definir a partida.


Aguirre

- Estava no nosso planejamento que o Aguirre jogasse uma partida e o Kieza a outra. Os dois estão se empenhando muito nos treinamentos. Kieza viria para o banco, mas teve uma bolha no pé.


Carli e Valencia contra o Flamengo?
- Foram casos diferentes. Carli teve cansaço muscular, tem histórico de sentir isso no início do ano. Não temos previsão para sábado ou para quarta. Sobre o Valencia, ele tomou uma pancada na panturrilha, inchou bastante. Enquanto tiver o edema é difícil dele jogar. Ele está fazendo tratamento em dois períodos e tomara que se recupere para sábado.


Fonte: GE/Por Edgard Maciel de Sá — Rio de Janeiro

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

O que pesou para Zé Ricardo esticar vínculo com o Botafogo até o fim do ano? Confira motivos


Elenco nas mãos, conhecimento dos atletas mais jovens desde o início da passagem e montagem de um planejamento seguro para 2019 são algumas das razões do "fico"



Vitor Silva/SSPress/Botafogo


O desejo pela permanência era mútuo. Botafogo e Zé Ricardo nunca esconderam que a ampliação do vínculo era um processo natural. Nesta terça-feira, o contrato, antes válido até abril de 2019, foi esticado até dezembro do mesmo ano, e o GloboEsporte.com enumera motivos que pesaram na opção pela continuidade. Confira abaixo:


Aceitação do elenco desde o início

Com longo trabalho por diferentes categorias do futebol de base, Zé Ricardo sempre mostrou conhecimento sobre os atletas com os quais trabalha. Chama todos pelo nome, sabe das características de cada um e não hesita em conversar individualmente com eles.


Tal proximidade agrada sobretudo a garotos que estão subindo, principalmente pelo fato de mostrar estar por dentro do que eles precisam em termos de evolução.


A transparência é elogiada no papo entre os jogadores por Whatsapp e concentrações. Quando tem que elogiar, o faz. Se é necessária uma bronca, não deixa para depois.



Wenderson é um dos jovens que já atuaram com Zé em 2019; Helerson é outro prata-da-casa que jogou a estreia — Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo


O que faltava para acertar a renovação?


Zé e Botafogo tinham consciência das dificuldades, especialmente financeiras, que o ano de 2019 reserva ao clube. Uma mudança significativa da espinha dorsal do plantel em relação à temporada passada também esteve em pauta, mas, após muitas conversas, direção e treinador chegaram a um entendimento de que é possível desenhar um planejamento para busca de objetivos esportivos com segurança.


A opção por um elenco mais enxuto e a saída de várias peças, entre elas Jefferson, Rodrigo Lindoso, Moisés, Luís Ricardo e Dudu Cearense, pediam coragem a Zé para a condução do grupo de olho em 2019. Mas as partes concordaram que é possível administrar tal mudança de panorama.



Vice-artilheiro do Botafogo em 2018 com 10 gols, Lindoso foi um dos nomes importantes que saíram. Ele está no Inter — Foto: Ricardo Duarte / Divulgação Inter


Valorização e ruptura com 2018

Ao renovar seu vínculo, Zé Ricardo teve uma readequação salarial considerada satisfatória para as duas partes. O clube considerou essa questão uma das menos complicadas, já que o mais importante era dar segurança ao treinador para ele tocar seu planejamento.


Ao finalizar a extensão do vínculo, o Botafogo demonstra o desejo de ruptura com o que fez em 2018: a mudança constante de técnicos. Foram quatro no ano. Havia um desejo de contar com Alberto Valentim por longo período, mas se tratava de uma aposta, caso semelhante na escolha por Marcos Paquetá.


Após bons trabalhos por Flamengo e Vasco e com avaliação positiva após o início em General Severiano, Zé é um profissional valorizado dentro do mercado. Esteve na mira do Santos e do futebol árabe. Longe de ser aposta.


Reconhecimento de quem pouco jogou com Zé


Além de depoimentos favoráveis à renovação de Zé dados por remanescentes do elenco de 2018 durante a pré-temporada em entrevistas coletivas, um ex-botafoguense que atuou apenas uma vez com o treinador no ano passado é só elogios.


Utilizado em 81 minutos da vitória por 1 a 0 sobre a Chapecoense, o volante Dudu Cearense, atualmente sem clube, exaltou a franqueza de seu ex-comandante.


- Zé é um cara fenomenal, que admiro pra caramba como pessoa e profissional. Grande treinador. Trabalhei com Jair, também pessoa maravilhosa. Valentim também é. Para você ver que não joguei com esses caras 100%, mas os respeito como seres humanos. Zé é um deles. O futebol um dia vai acabar, mas a amizade fica e o respeito, também. Infelizmente no Brasil, o técnico precisa de resultados para se manter no cargo.


- E, aqui de longe, torcendo muito para o Botafogo, digo que o Zé Ricardo merece muita coisa boa no clube. Sempre teve respeito total com todos, sempre no cara a cara. Ele fala a verdade, independentemente de com quem seja - completou Dudu.



Sob o comando de Zé Ricardo, Dudu só atuou na vitória sobre a Chape em Chapecó, no returno — Foto: RICARDO LUIS ARTIFON/AGIF/ESTADÃO CONTEÚDO


Zé tem o apoio irrestrito de ex-comandados, elenco e direção. Com contrato até dezembro e com um grupo repaginado em mãos, o treinador sabe dos desafios e das dificuldades que enfrentará para fazer o Botafogo novamente campeão.


Fonte: GE/Por Fred Gomes — Rio de Janeiro