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quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Em 20 jogos, Barroca vê aproveitamento de 70% no Botafogo despencar para 26,6%


Time venceu sete das dez primeiras partidas; nas seguintes, perdeu seis e não fez gols em sete


Vitor Silva/Botafogo


Eduardo Barroca chegou ao seu 20º jogo à frente do Botafogo contra a Chapecoense. Se o aproveitamento foi muito positivo na primeira metade, o mesmo não se repetiu nas últimas dez partidas.


Na primeira parte do trabalho, Barroca e seus comandados conseguiram resultados expressivos. Sete vitórias e três derrotas, com aproveitamento de 70%. O ataque não foi brilhante, mas teve média superior a um gol por jogo (13 em 10), e a defesa foi vazada apenas sete vezes.


Jogos sem sofrer gols com Barroca: oito, cinco deles nos 10 primeiros.

Nos 10 jogos posteriores, o aproveitamento despenca para 26,6%. Apenas duas vitórias, dois empates e seis derrotas, três delas no Nilton Santos, onde o time ainda não tinha sido derrotado sob seu comando. O ataque marcou menos do que a metade, apenas seis vezes. E a defesa, antes com média inferior a um gol por partida, caiu: 11 gols sofridos.


Jogos sem marcar gols com Barroca: 10, sete deles nos 10 últimos.

Pode-se ligar a queda do setor defensivo ao fato de que Barroca conseguiu usar a mesma dupla de zaga em apenas cinco oportunidades na segunda metade de seu trabalho: Carli e Gabriel desfalcaram o time em três jogos cada.


Duplas de zaga nos últimos 10 jogos

Grêmio Carli e Gabriel
Cruzeiro Carli e Gabriel
Santos Carli e Gabriel
Atlético-MG Carli e Marcelo
Flamengo Carli e Gabriel
Atlético-MG Marcelo e Cícero
Avaí Marcelo e Gabriel
Athletico-PR Carli e Marcelo
Corinthians Marcelo e Gabriel
Chapecoense Carli e Gabriel


Barroca também conviveu com diversos problemas no período em que o aproveitamento caiu drasticamente. Asfixiado financeiramente, o Botafogo por pouco não completou três meses de salários atrasados, o que dá direito aos jogadores buscarem a rescisão contratual unilateralmente.


Erik, principal jogador do time desde o segundo semestre do ano passado, caiu muito de produção e foi negociado pelo Palmeiras às vésperas do clássico com o Flamengo.


Se era um dos poucos que fugia à característica de time lento do Botafogo, a outra opção de estilo semelhante nem entrou em campo. Biro Biro, contratado em julho, teve uma síncope durante treinamento em seu 16º dia de trabalho e precisou se afastar das atividades.


Gols com Eduardo Barroca

Diego Souza 4
Alex Santana 4
Cícero 4
Erik 2
Luiz Fernando 2
Bochecha 1
João Paulo 1
Benevenuto 1



Em coletiva após o empate com a Chapecoense, Barroca citou as baixas, afirmou que todos estão cientes das sérias dificuldades do Botafogo e resumiu que só dispõe de soluções caseiras por ora.


- Desde que cheguei, perdemos Kieza, Ferrareis, Erik, Biro Biro e agora o Jonathan. Diante desse cenário, é preciso ser realista. A gente tenta buscar as soluções da maneira que estamos tentando, que é tentar em casa. Diante do cenário do clube, é difícil buscar fora do Botafogo.


- Não cabe fazer reclamação. Tanto direção quanto jogadores encaram a situação de frente.



Barroca tem desafios a superar nos próximos jogos — Foto: Vitor Silva/Botafogo


Sem opções factíveis no mercado para mudar a cara do time, Barroca terá de dar prosseguimento ao que vem fazendo: trabalhar finalizações à exaustão durante os treinamentos. Além disso, dar atenção especial à criação de jogadas.


O Botafogo segue como time que menos finaliza no Brasileiro, com 137 (9,13 por jogo), e tem o terceiro pior ataque da competição (ao lado do Cruzeiro), com apenas 14 gols.


A defesa caiu, mas segue com média aceitável de gols sofridos (0,93 - 15 em 16 jogos). Atacar mais, criar e chegar à meta adversária com maior frequência é a urgência do momento.


Fonte: GE/Por Emanuelle Ribeiro e Fred Gomes — Rio de Janeiro

Carli fala em "raiva" por tropeço, mas vê Botafogo empenhado em recuperar pontos em Porto Alegre


Zagueiro afirma que equipe precisa caprichar mais para voltar a finalizar com maior frequência e, consequentemente, conseguir os gols



Fred Gomes


Capitão alvinegro, Carli resumiu em entrevista coletiva o sentimento do Botafogo após o empate por 0 a 0 com a Chapecoense em casa, na segunda-feira: "muita raiva". Lamentou que o time seria alçado à sétima colocação em caso de vitória, mas prometeu empenho para recuperar os pontos perdidos em Porto Alegre, no sábado, às 21h, contra o Internacional.


- Lógico que a gente ficou com muita raiva, porque deixamos passar uma oportunidade. Se a gente ganha a Chapecoense, estaria muito bem posicionado. Temos que recuperar os pontos que perdemos em casa em Porto Alegre e estamos confiantes nisso.



Confira outros tópicos:


Desequilíbrio do time entre os 10 primeiros jogos e os 10 seguintes de Barroca em aproveitamento (clique aqui e leia)


- O que você fala a gente já tem conhecimento, porque aqui se conversa muito sobre estatísticas. Os números são claros, mas também acho que evoluímos muito no nosso trabalho, claro que falta caprichar em alguns detalhes para não ter estatísticas que mostram que nosso presente não é tão bom quanto no início. Hoje o futebol se define muito nos detalhes. E no jogo com o Chapecoense aconteceu isso. Por detalhes, não conseguimos vencer o jogo. Assim perdemos pontos por certas estatísticas.


Sobre o Botafogo ser o time que menos finaliza na Série A

- Acho que foi bem marcante no início do trabalho a nossa ideia de posse de bola. No princípio foi até demais. Tínhamos muita posse e poucas finalizações. Depois passamos a caprichar mais. Estamos tentando ter mais equilíbrio. Há momentos que é preciso ter a posse para controlar e precisamos caprichar mais na parte ofensiva para chegar com perigo.


Fato de o Botafogo ser o time que mais utiliza a base no Brasileiro

- O momento que o time começa a se reforçar, a gente perdeu dois jogadores. Claro que conhecemos as dificuldades pelas quais passa o Botafogo. Os jogadores da base têm muitas oportunidades por necessidade também. Eles estão se adaptando, e nós, que temos mais experiência, temos que ajudá-los.



Conversam sobre a entrada de investidores no futebol a partir de 2020?


- Lógico que se eu falar que não conversamos é mentira. Tenho quatro anos aqui e leio tudo que sai na imprensa. Estamos um pouco longe do que pode acontecer. Nosso presente é tentar fazer o melhor em campo para deixar o Botafogo no melhor possível.


Ciclos de Barroca. É possível chegar aos 15 pontos que ele estipulou para o segundo ciclo (do pós-parada da Copa ao final do turno)?

- Dá para chegar, nossos objetivos por prazos são para motivar o grupo.


Necessidade de a bola chegar mais limpa ao ataque

- Acho que para chegar bem no ataque tem que começar a caprichar desde o início, com zagueiros, laterais e volantes. Para chegar a um bom ataque, precisamos desenvolver bem. Estamos trabalhando para que a bola chegue melhor aos atacantes.


Mudanças constantes na zaga por cartões e lesões têm prejudicado o time?


- Acho que as mudanças não atrapalham. quando a sequência é grande, acontece. Quando sofre gol, todo mundo é culpado. Quando não converte, todos são culpados.


Fonte: GE/Por Bernardo Serrado e Fred Gomes — Rio de Janeiro

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Análise: ainda sem brilho, Botafogo cria mais e bate na trave contra a Chapecoense


Depois de um primeiro tempo sonolento, Alvinegro melhora na segunda etapa, mas não tem êxito no Nilton Santos; meta para os próximos jogos é audaciosa



André Durão



Melhores momentos de Botafogo 0x0 Chapecoense pela 16ª rodada do Brasileirão


Um primeiro tempo abaixo da média e produtividade maior na segunda etapa. O Botafogo seguiu a linha de seus últimos jogos no empate com a Chapecoense e, apesar de ter criado mais, manteve a postura sonolenta durante boa parte dos 90 minutos. A atuação ruim foi percebida pelos torcedores, que saíram decepcionados do Nilton Santos na noite de segunda-feira.


Para enfrentar a pior defesa do Campeonato Brasileiro, o Botafogo focou no aperfeiçoamento das finalizações na última semana, mas não teve êxito na primeira parte do jogo. Com o primeiro chute a gol depois dos 25 minutos, a apatia do Alvinegro incomodava.


A Chape iniciou a partida com marcação alta, pressionando a defesa e impedindo o Botafogo de avançar. Quando a bola alcançava os atacantes, dois marcadores logo chegavam para fechar os espaços.


>>> Barroca vê resultado insuficiente em casa, mas afirma que Botafogo criou várias chances de gol <<<


Em busca de dar mais velocidade ao time, Eduardo Barroca optou por começar com Lucas Campos, que teve problemas com a defesa adversária e não se saiu bem no um contra um, uma de suas principais características. Normal para uma estreia como titular. O garoto já mostrou potencial e, em um jogo com mais espaços, pode desenvolver melhor seu estilo.


Mas a velocidade pretendida pelo técnico não foi alcançada nos primeiros minutos. Alex Santana e João Paulo jogaram mais afastados da defesa e não conseguiram receber bolas em boas condições para dar dinamismo ao setor ofensivo. Prevendo o jogo do Botafogo, a Chape se antecipava e aproveitava da lentidão do mandante.


Primeiro tempo - Botafogo 0 x 0 Chapecoense

Finalizações: 5 x 7
Chances reais de gol: 1 x 1
Bolas levantadas: 6 x 9



Botafogo melhora na criação, mas mantém problemas diante da Chapecoense — Foto: André Durão/GloboEsporte.com


Na segunda etapa, Barroca conseguiu com que os jogadores transformassem a posse em pressão. O jogo ficou mais rápido e o Botafogo dobrou o número de finalizações, levando perigo ao gol de Tiepo. Alex Santana acertou a trave logo aos três minutos em jogada de bola parada.


O time alvinegro conseguiu verticalizar mais o seu jogo, e Bochecha e Alex Santana participaram bem em algumas situações. Em seu melhor momento na partida, o Glorioso criou outra chance clara, com Diego Souza tocando na saída de Tiepo aos 17 minutos. A torcida se levantou para comemorar, mas Gum tirou em cima da linha.


Com as dificuldades e o cansaço aparecendo, Barroca alterou o ataque mandando Rhuan, Marcos Vinícius e Victor Rangel a campo. As substituições não mudaram a cara do Botafogo, e quem voltou a assustar já nos acréscimos foi Alex Santana, que teve quatro chutes na partida. Apenas Diego Souza finalizou mais que o volante: cinco vezes.


Segundo tempo - Botafogo x ChapecoenseFinalizações: 10 x 8
Chances reais de gol: 4 x 3
Bolas levantadas: 11 x 8



Alex Santana carimbou a trave — Foto: André Durão/GloboEsporte.com


O que fica de bom neste empate em casa é o aumento da criatividade da equipe, especialmente no segundo tempo. Mas os problemas permanecem, e as soluções estão se esgotando. Com as perdas recentes no elenco, citadas por Barroca na coletiva, o técnico também terá que ser criativo para que o Botafogo faça melhores apresentações.


A meta é audaciosa: sete pontos nos próximos três jogos contra Internacional (fora), Atlético-MG (casa) e Ceará (fora). Eduardo Barroca e elenco terão muito trabalho para alcançar o desejo do treinador, que é chegar ao fim da competição com chances de se classificar para a Libertadores de 2020. Pelo que apresentou diante da Chapecoense, é difícil acreditar que o objetivo será alcançado.



Fonte: GE/Por Emanuelle Ribeiro — Rio de Janeiro