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quarta-feira, 6 de maio de 2020

Presidente do Botafogo explica demissões e diz que volta de treinos em maio é "desumana"


Ao GloboEsporte.com, Nelson Mufarrej detalha medidas para diminuir prejuízo financeiro, prevê suspensão de contratos de trabalho e cogita reduzir salários de jogadores a partir de junho




Para o presidente do Botafogo, Nelson Mufarrej, as demissões de mais de 40 funcionários que aconteceram nesta semana, apesar de medida impopular, já eram necessárias antes da crise causada pela pandemia do novo coronavírus. Foi o que afirmou o dirigente em entrevista ao GloboEsporte.com.


Mufarrej recebeu e respondeu as dúvidas da reportagem sobre a gestão e as dificuldades financeiras que se agravaram com a pausa forçada no calendário, momento em que campo e bola ficam em segundo plano. A começar pelo corte severo no quadro de funcionários.


- Seria muito conveniente da minha parte empurrar para o clube-empresa ou para o sucessor, já que estou na reta final do mandato. Por responsabilidade como gestor do clube, infelizmente certas medidas precisam ser enfrentadas. A folha salarial dos funcionários já era elevada por acúmulo de diversas gestões. Estava em um patamar de valores de incompatibilidade financeira. A otimização desse quadro era um projeto em desenvolvimento pelo RH há meses e se tornou inadiável com os efeitos perversos da pandemia. Reunimos os gestores das áreas, vice-presidentes e cargos de gerência, que realizaram um estudo técnico criterioso que culminou na saída de profissionais de diversas faixas salariais - disse.



Nelson Mufarrej, presidente do Botafogo — Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo


O presidente confirmou, ainda, que o clube fará uso da Medida Provisória 936, que traz novas regras sobre redução de jornadas e salários e suspensão de contratos de trabalho no período de calamidade pública.


- Temos muitos profissionais cuja continuidade é de nosso pleno interesse, mas que por diversas razões a produtividade está comprometida em razão dos efeitos da pandemia, com fechamentos das sedes e interrupção de diversas atividades. Por isso a MP é importante e vamos utilizar o mecanismo da suspensão de contratos, mantendo empregos - completou.


Sobre a redução dos salários dos jogadores, a medida pode ser necessária se o cenário de crise persistir para além deste mês. Nelson Mufarrej também respondeu sobre condições para volta aos treinos, andamento do projeto clube-empresa, revisão do orçamento de 2020 e fez elogio à torcida: "É um alento nesses tempos difíceis".



Leia as respostas


Por que o Botafogo ainda não optou pela redução de salários dos jogadores?

O Comitê Executivo de Futebol tem se reunido frequentemente e esse é um assunto de especial atenção. Temos uma relação muito franca com os atletas e eles têm a noção do descomunal esforço que estamos fazendo ao não reduzir os salários pelo menos até maio. Esse assunto foi abordado pelo Vice-Presidente de Futebol Marco Agostini na reapresentação virtual de segunda-feira (04/05). Não temos como precisar até quando vai perdurar essa paralisação, portanto a nossa linha de trabalho é de constante reavaliação sobre essa questão de redução. É um gesto de enorme confiança e eles sabem disso. Pelo menos até maio, sem alterações.



Elenco não se reúne desde o dia 15 de março — Foto: Vitor Silva/Botafogo


Com quais recursos o clube sobrevive nesse momento?

Essencialmente, com os recursos oriundos dos direitos de transmissão. Mas há recebíveis muito importantes, oriundos dos associados, sócio-torcedores, patrocinadores e de contratos de marketing, da área de licenciamento.


Com quais condições o clube se sentiria confortável para voltar a campo?

Não existe hipótese de colocar nossos atletas em campo, seja para treino ou jogo, sem garantia de saúde. Passamos tanto tempo parados para voltar a ter contato presencial nos treinos justamente no pico, no auge das mortes, no momento que o sistema de saúde está ficando asfixiado? Do que adiantou todo esse período parado? Vamos jogar fora? Além de ilógico e de total desconexão com a realidade, é desumano. Estamos há quase dois meses parados. Retornar agora é insano. Aguentamos dois meses. Aguentaremos mais tempo.


Não consigo nem prever para você quando vai retornar, tudo depende da evolução. Vai depender do que autoridades sanitárias vão nos relatar e, principalmente, do que o próprio Botafogo vai decidir. Se nós do Clube acharmos que não há condições, por mais que todos digam o contrário, não forçaremos nada. No momento eu te afirmo: sem chances.


Como essa pandemia está afetando o projeto do clube-empresa? Há conversas com quantos potenciais investidores?

Mesmo com toda essa paralisação, semanalmente as reuniões com a equipe de trabalho que coordena o projeto Botafogo S/A têm sido realizadas. Não temos tempo a perder. Penso que a crise sempre abre janelas de oportunidade, então é importante acompanhar a dinâmica do mercado e direcionar o trabalho considerando esse novo contexto.


Já sabem o tamanho do prejuízo com a pandemia? O orçamento será revisto?


O vice-presidente de finanças Luiz Felipe Novis está em processo de replanejamento do orçamento de 2020 em função desse novo cenário. As áreas impactadas estão municiando com as informações que dispõem. Certamente, ao final do estudo, expectativas de receitas serão reavaliadas.


O balanço de 2019 publicado nos últimos dias aponta déficit de R$ 20 milhões e menos R$ 60 milhões de arrecadação. Como avaliar a última temporada partindo desses números?


Por uma série de fatores, os números não foram alcançados. O momento atual pede especial dedicação de todos para que o Botafogo consiga ter a melhor performance esportiva e, ao mesmo tempo, lidar com seus problemas econômico-financeiros.


Se o cenário é difícil, o engajamento do torcedor é um alento? Os alvinegros não deixaram cair muito o número de sócios-torcedores, por exemplo.


A torcida do Botafogo tem um poder de engajamento incrível e esse apoio com o sócio-torcedor tem sido de fundamental importância. A compreensão com o momento mundial e a mentalidade de cada um de buscar preservar o Clube têm prevalecido. Aproveito para reforçar esse pedido também aos sócios-proprietários, que são outra importante fonte de receita. São entradas que fazem o clube girar, e mais que um alento, como você disse, nesses tempos difíceis.


Fonte: GE/Por Emanuelle Ribeiro e Thayuan Leiras — Rio de Janeiro

terça-feira, 5 de maio de 2020

Dirigente do Botafogo revela sondagem por Robben e ligação para gêmeos Fábio e Rafael


Vice-presidente comercial e de marketing, Ricardo Rotenberg garante que tenta convencer holandês a voltar ao futebol. Torcedores do clube, laterais podem ser reforços em 2021




O vice-presidente Ricardo Rotenberg colocou mais uma estrela internacional na mira do Botafogo: o atacante holandês Arjen Robben, de 36 anos. O dirigente, membro do comitê de futebol, garante que fez contato diretamente com o jogador para tentar convencê-lo a voltar ao futebol em entrevista ao "Canal do TF".


- Para mim, foi o melhor jogador da Copa de 2014. O Messi ganhou porque é o Messi e foi vice-campeão. Mas ele é meu ídolo, acho um grande jogador. Tem o risco porque está muito tempo parado. Sondei, ele soube e me respondeu. Ficou feliz com a procura do Botafogo - disse.



Holandês anunciou aposentadoria há quase um ano — Foto: REUTERS/Jon Nazca


Robben se aposentou em julho de 2019, quando se despediu do Bayern de Munique-ALE, onde é ídolo. O dirigente afirmou, ainda, que tem a ajuda do empresário Marcos Leite na tentativa, que não passou de sondagem até o momento. O agente ficou conhecido entre os alvinegros por ser intermediário do acerto com o japonês Honda. Ele também representa o marfinense Yaya Touré.


- Pedi ao Marcos Leite para ajudar a entrar contato com o Robben. Ele conseguiu o contato, falou com o empresário do Robben. Me ajudou nessa. Com o Obi Mikel, tratamos com outro cara. Mas o Robben foi com ele também. É muito difícil, está há muito tempo sem jogar e, se quiser, pode ganhar quatro vezes mais lá fora. Mas, ele sabe do Botafogo - completou.



Contato com os gêmeos


Outros dois possíveis reforços mencionados pelo cartola são os laterais gêmeos Fábio e Rafael. Apesar de formados no rival Fluminense, os dois se declararam botafoguenses e revelaram o desejo de jogar no clube de coração. O que, segundo Rotenberg, pode acontecer em 2021.


- O Fábio ficou muito emocionado por receber uma ligação de um dirigente do Botafogo. O Rafael também, disseram que são alvinegros até a alma. Liguei para eles e falei: "o Botafogo quer vocês". Mas, sabemos que os contratos deles vão até junho de 2021. Um pré-contrato só seria possível a partir de janeiro. Então, não podemos fazer nada até lá. Mas, as portas estão abertas. Eles deram entrevistas, falaram que gostariam de jogar no Botafogo. E respondi de volta: "o Botafogo também quer vocês" - afirmou.


Na mesma entrevista, VP garantiu que outros nomes foram oferecidos, como o português Ricardo Quaresma, o marfinense Salomon Kalou e o brasileiro Joãozinho. Rotenberg disse, também, que as conversas com Yaya Touré e Obi Mikel continuarão após a crise do coronavírus.


Fonte: GE/Por GloboEsporte.com — Rio de Janeiro

Sem registro no Bira, Carli aguarda novo contrato, mas Botafogo quer acordo para saída do zagueiro


Por ser estrangeiro, argentino tem vinculo vencido e não está cadastrado na Ferj, mas possui acordo até janeiro de 2021 com cláusula de renovação por mais uma temporada



O nome de Joel Carli saiu do Bira nos últimos dias. Apesar de ter acerto com o Botafogo até janeiro de 2021, a situação do argentino precisa ser regularizada a cada dois anos e ele está sem registro na Ferj. Com renovação automática até janeiro de 2022, o zagueiro ainda não teve o novo contrato executado, e o clube tenta um acordo para sua saída.


Carli chegou ao Botafogo no início de 2016 e assinou contrato até o fim de 2018. Há dois anos, o argentino prolongou o vínculo até dezembro, mas com cláusula que possibilitava a ampliação por mais um ano caso batesse a meta estipulada para 2019. Foi o que aconteceu quando o defensor participou de 31 jogos com a camisa alvinegra.


O salário do jogador é um fator que dificulta a permanência. Para a diretoria do Botafogo, os vencimentos atuais de Carli estão fora da realidade financeira do clube, mas ainda não houve proposta ao jogador. O Alvinegro tenta uma maneira amigável de se entender com o atleta, já que o não cumprimento do contrato pode gerar mais uma ação judicial. A reportagem procurou o estafe do atleta, que não quis se manifestar sobre o assunto.



Botafogo tenta acordo para saída de Joel Carli — Foto: André Durão/GloboEsporte.com


Se financeiramente o Bota avalia de maneira negativa, Carli tem apoio interno no departamento de futebol. O técnico Paulo Autuori conta com o argentino no elenco, apesar de não avaliá-lo como titular absoluto. Assim como os demais jogadores, que têm no zagueiro uma das principais lideranças do grupo.


Em 2018, Carli foi o herói do título carioca ao marcar um gol aos 49 minutos do segundo tempo e levar a decisão contra o Vasco para os pênaltis no Maracanã. Nesta temporada, o zagueiro atuou em cinco dos 12 jogos do Botafogo e foi para a quarentena como reserva. Marcelo Benevenuto e Kanu eram os titulares antes da paralisação por conta da pandemia do novo coronavírus.


A perda de espaço do zagueiro, além de ser uma decisão da comissão técnica, também passa pela vontade do Botafogo de negociá-lo. Por duas vezes este ano, Carli esteve próximo do Sport, mas o Alvinegro acabou recuando, e a rescisão passou a ser prioridade do clube de General Severiano.


Fonte: GE/Por Emanuelle Ribeiro e Thayuan Leiras — Rio de Janeiro