Com partida heróica de Herrera, que substituiu Loco Abreu no intervalo, o Botafogo vence de virada o São Paulo e faz um placar histórico no confronto entre equipes.
Botafogo vira para cima do São Paulo no Engenhão
Jefferson faz grande defesa e para Luis Fabiano
Oswaldo explica o seu desentendimento com a arbitragem
Atacante havia apostado com alvinegro Renato em brincadeira que acabou virando propaganda
Luis Fabiano levou a pior na aposta com Renato (Foto: Cléber Mendes)
Quem perder terá que lavar os uniformes do time adversário inteiro. A aposta entre Luis Fabiano, do São Paulo, e Renato, do Botafogo, começou através de uma brincadeira entre os dois no Twitter e ganhou dimensão após uma empresa de máquina de lavar roupas aderir à ideia e promover uma propaganda. Firmado o acordo, o atacante levou a pior, pois perdeu por 4 a 2 para o Glorioso, neste domingo, no Engenhão, na estreia do Campeonato Brasileiro, e agora terá que se virar com os uniformes alvinegros.
O jogo começou aberto, com as duas equipes buscando o ataque. O Glorioso com sua tradicional jogada aérea em cima de Loco Abreu, já o Tricolor paulista apostando na velocidade de Jadson e Lucas. Com um time mais bem distribuído em campo e com uma marcação forte, o time de Leão, aos poucos, foi comandando as ações.
Botafogo vira para cima do São Paulo no Engenhão
A principal jogada era pela esquerda, com o rápido Cortez, que jogava pela primeira vez contra o seu ex-clube. Luis Fabiano, pelo alto, também levava a melhor sobre a dupla de zaga alvinegra.
Pelo lado do Botafogo, quem mais incomodava era o ligeirinho Vitor Júnior, mas o Alvinegro esbarrava no sistema defensivo do São Paulo. Coube então a Jadson, num contra-ataque rápido aos 11 da primeira etapa, abrir o placar para o Tricolor, após bela jogada individual de Lucas.
Após o 1 a 0, o São Paulo cresceu na partida mas poucas foram as oportunidades de gol até o fim do primeiro intervalo.
HERRERA MUDA O JOGO
Com Louco Abreu pouco inspirado, o técnico Oswaldo de Oliveira optou por sacá-lo colocando em seu lugar Herrera. O argentino entrou com a corda toda e logo de cara empatou o jogo, aos quatro minutos.
Quando parecia que o Botafogo cresceria na partida, eis que, aos 16 minutos, Luis Fabiano, no melhor estilo oportunista, voltou a deixar o São Paulo em vantagem logo em seguida.
Botafogo vira para cima do São Paulo no Engenhão
O jogo, então, passou a ficar equilibrado e ambas as equipes tinham oportunidades. Herrera, porém, estava inspirado, e em jogada individual foi calçado por trás e sofreu pênalti, aos 23 minutos. O mesmo foi para a cobrança e empatou novamente o placar.
A partir daí, o Glorioso dominou a partida. O São Paulo, porém, ainda chegava com perigo e, se não fosse Jefferson, que fez duas defesas milagrosas, o jogo poderia se complicar para o Botafogo.
Contando também com a sorte, o Alvinegro começou a construir sua vitória. Vitor Junior, aos 27, bateu falta de longe, a bola bateu na barreira e enganou o goleiro Denis. 3 a 2 para o Botafogo.
Desestabilizado, o técnico Emerson Leão sacou Casemiro e Jadson colocando Maicon e Fernandinho. O primeiro, no entanto, proporcionaria um lance patético poucos minutos depois, ao perder a bola na intermediária para Fellype Gabriel, que rolou para Herrera, de primeira, fazer o terceiro dele na partida e o quarto do Botafogo, aos 32 do segundo tempo.
Com o placar garantido, restou ao Glorioso deixar o tempo passar e assegurar a vitória na estreia no Campeonato Brasileiro.
FICHA TÉCNICA:
BOTAFOGO 4 X 2 SÃO PAULO
Estádio: Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)
Data/hora: 20/6/2012 - 18h30 (de Brasília)
Árbitro: Sandro Meira Ricci (Fifa-PE)
Auxiliares: Roberto Braatz (Fifa-PR) e Jossemar Diniz Moutinho (PE)
Renda/público: R$ 215.010,00 / 4.836 pagantes e 7.008 presentes
Botafogo: Jefferson, Lucas, Brinner, Fabio Ferreira e Marcio Azevedo; Jadson, Renato, Fellype Gabriel (Lucas Zen, 33'/2ºT), Vitor Junior (Gabriel, 43'/2ºT) e Maicosuel; Loco Abreu (Herrera, intervalo). Técnico: Oswaldo de Oliveira.
São Paulo: Denis, Douglas, Paulo Miranda, Rhodolfo e Cortez; Denilson, Casemiro (Maicon, 30'/2ºT), Cícero e Jadson (Fernandinho, 30'/2º); Lucas e Luis Fabiano. Técnico: Émerson Leão.
Bruno Braz
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Time carioca faz 4 a 2 no Engenhão após argentino mudar a partida.
A CRÔNICA
por André Casado/GE
Após duas eliminações traumáticas no Carioca e na Copa do Brasil, o Botafogo superou o São Paulo por 4 a 2, neste domingo, no Engenhão, largando na frente no Campeonato Brasileiro. O argentino Herrera brilhou, com três gols no segundo tempo. Vitor Júnior ainda marcou seu primeiro gol pelo clube. Jadson e Luis Fabiano chegaram a deixar o Tricolor Paulista em vantagem no placar por duas vezes.
E por falar no Fabuloso, o duelo valia uma aposta entre ele e o volante alvinegro Renato, ex-companheiros de Sevilla no futebol espanhol. O acordo era que quem perdesse teria que lavar as camisas do adversário. Se o combinado for cumprido, camisa 9 são-paulino vai ter trabalho...
Nome do jogo, Herrera, no entanto, não mostrou muita animação na saída de campo, ao ser questionado sobre a música que pediria no "Fantástico":
- Música? Para quê? Não vou pedir música não. Fica sem música mesmo - disse.
As duas equipes voltam a campo pelo Brasileirão no próximo fim de semana. O Glorioso vai a Curitiba enfrentar o Coritiba, no domingo. O São Paulo, que antes encara o Goiás pelo segundo jogo das quartas de final da Copa do Brasil, quarta-feira, no Serra Dourada, tem pela frente o Bahia, domingo, no Morumbi.
Luis Fabiano tenta o domínio, cercado por Brinner (3) e Vitor Júnior (Foto: Maurício Val / Vipcomm)
Bota ameaça no início, mas São Paulo sai na frente
A julgar pelo início da partida, a impressão era que o Botafogo havia apagado as frustrações no Carioca e na Copa do Brasil. Ligado, o time carioca por pouco não se aproveitou de cochilos da defesa são-paulina e quase abriu o marcador em duas oportunidades. Na armação, pelo centro, Vitor Júnior buscava jogo e deu chute perigoso, em um contragolpe, aos oito minutos.
Não demorou, no entanto, para que o Tricolor tomasse as rédeas. Com espaço, os habilidosos meias trocavam passes e, aos 11, Lucas achou Jadson na área. O camisa 10 concluiu de primeira, acertando o ângulo direito de Jefferson, que nem saltou. A vantagem era tudo o que a equipe de Emerson Leão queria para desestabilizar o Botafogo, que sentiu o golpe e mostrou dificuldades para reagir.
Isolado, Loco Abreu não recebia as bolas. E, quando ela chegava, o uruguaio desperdiçava. A torcida se irritou com a lentidão de algumas jogadas, especialmente com Maicosuel. Os erros se acumularam, mas o São Paulo não soube explorá-los, à exceção de um arremate de Cortez, livre na área, e de uma cabeçada de Lucas defendida por Jefferson.
As estatísticas no intervalo comprovavam o domínio territorial do Glorioso, que teve 68% de posse de bola contra 32% do visitante. Mas o hexacampeão do Brasileirão finalizou mais (7 a 6) e teve 16 desarmes a mais. Em um dos últimos lances da etapa, Loco entregou uma cabeçada nas mãos de Denis e fez Oswaldo de Oliveira chamar Herrera para aquecer. Mal sabiam os alvinegros que isso mudaria inteiramente a história da então monótona partida.
Herrera incendeia o jogo
Com outra postura, o Botafogo melhorou com a entrada do argentino no lugar de Abreu. O ganho em movimentação abriu o caminho para Fellype Gabriel, discreto até aquele momento, crescer, e Márcio Azevedo passar a ser mais acionado nas costas de Douglas. Logo aos quatro, em cruzamento preciso de Lucas, que foi a surpresa na escalação, Herrera cabeceou com estilo e igualou. Na comemoração, o lateral foi tão celebrado quanto o camisa 17, após o pesadelo que viveu com as duas expulsões em jogos decisivos, no início do mês.
Embalado, o time da casa partiu com tudo. Aos sete, Herrera arriscou de longe, e Dênis espalmou para a frente. Márcio Azevedo pegou o rebote e também parou no goleiro. A resposta do São Paulo foi rápida. Luis Fabiano apareceu sozinho na área e testou uma bola à queima-roupa, mas Jefferson operou um milagre, sem dar rebote. Mas a insistência no jogo aéreo deu resultado aos 15 minutos. Em jogada de Jadson pela esquerda, Fabuloso cabeceou nas costas de Brinner, e Jefferson não conseguiu evitar - a bola ainda resvalou no defensor alvinegro: 2 a 1 para o Tricolor. O goleiro deu uma dura bronca na zaga após o novo vacilo.
Confiando na reação, Oswaldo não mexeu. O Alvinegro se manteve no ataque e, desta vez, não baixou a guarda. Endiabrado, Herrera brigou entre os defensores e sofreu pênalti de Paulo Miranda. Ele mesmo bateu, com força, no canto direito do goleiro Dênis, que pulou para o esquerdo: 2 a 2, aos 22. E, antes mesmo de o Tricolor respirar, um lance sorte virou o jogo para o Botafogo, pouco depois: Vitor Júnior bateu falta, a bola desviou, enganou Dênis e morreu no fundo da rede. Alegria no Engenhão.
Atordoado, o São Paulo passou a hesitar. Leão tentou acabar com a apatia momentânea da equipe fazendo duas substituições. Entraram Maicon e Fernandinho. O problema, porém, era defensivo. Maicon foi desarmado por Fellype Gabriel na saída de bola, e Herrera fuzilou a rede para fazer 4 a 2. Um gol que, além de selar o triunfo, pode renovar os ânimos de uma equipe ferida por três derrotas seguidas em jogos decisivos do primeiro semestre.
No entanto, mesmo com o alívio no placar, Oswaldo de Oliveira, que reclamava muito do árbitro Sandro Meira Ricci, acabou expulso. Nervoso, disse que não sairia de campo e atrasou o reinício do duelo.
Sem forças, nem o brilho que apareceu em fugazes momentos, o São Paulo não ameaçou mais o Botafogo, que fez duas alterações, com Lucas Zen e Gabriel, apenas para passar o tempo e largou na frente na disputa do Brasileirão.