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sábado, 7 de novembro de 2020

Carlos Eduardo cita experiência com Ramón Díaz, novo técnico do Botafogo, no Al-Hilal: "Paizão"


Meia brasileiro foi campeão árabe com o argentino no comando e exalta as qualidades do treinador principalmente na relação com os atletas: "Blinda os jogadores e forma uma família"



Uma família começa a se formar no Botafogo. É o que diz o meia Carlos Eduardo, do Al Ahli. O brasileiro foi jogador de Ramón Díaz no período em que os dois estiveram no Al Hilal, da Arábia Saudita.


O ge entrevistou o meia que foi comandado pelo novo técnico do Bota por duas temporadas quando esteve na Arábia. Segundo ele, Ramón Díaz tem um jeito de cativar os jogadores que ele não tinha visto igual.


- Ele é mais um paizão, mas na hora que precisa cobrar ele cobra. Como já foi jogador, ele sabe lidar com os jogadores, o que acho muito importante. A gente tinha no elenco uma coisa diferenciada, porque todos os jogadores gostavam dele, e isso é difícil. Ele blinda os jogadores e forma uma família.


>>> Experiência e promessa de jogo ofensivo: o perfil de Ramón Díaz, novo técnico do Botafogo <<<




Carlos Eduardo no Al Hilal quando foi treinado por Ramón Díaz — Foto: Reprodução/Al Hilal


Bicampeão da Liga da Arábia Saudita com o treinador argentino, Carlos Eduardo mantém contato com o técnico até hoje. Amigo da família do argentino, o meia já falou com o filho do treinador (e agora auxiliar do Botafogo) e considera que os jogadores estarão mais confiantes para o returno do Campeonato Brasileiro.


- É um treinador que abraça os jogadores. Os jogadores vão se sentir protegidos, vão ter confiança. Não é só papo, ele vai blindar os jogadores. Tenho acompanhado o futebol brasileiro, não acho o Botafogo um time ruim, só que ainda não encaixou. Acredito que ele vai chegar com o estilo dele, que tem tudo pra dar certo.


A boa relação com os jogadores não se dá somente no dia a dia no vestiário, mas sim na maneira que defende os comandados com relação à diretoria. Para o brasileiro, é justamente essa convivência que torna o treinador unanimidade entre os atletas.


- Ele é de comprar briga mesmo. Lembro que quando ele chegou ao Al-Hilal tinham quatro estrangeiros, e o presidente deu abertura para ele contratar mais três estrangeiros, mas ele não quis. Preferiu ir com os jogadores que tinha e ganhou a confiança de todos, que jogaram por eles. Isso mostra o estilo de proteger, de estar com os jogadores. Acho que o Botafogo precisa disso nesse momento, os jogadores estarem focados no campo. Ele é paizão. Ele vai valorizar muito o que o clube já tem, isso é legal para o grupo também.


Ramón Díaz ainda não comandará o time do Botafogo neste domingo. Como chega na madrugada de sábado para domingo e ainda não está regularizado, o time será comandado por Flávio Tênius contra o Bahia, às 18h15 (de Brasília), na Itaipava Arena Fonte Nova, pela 20ª rodada do Campeonato Brasileiro.


Confira outros tópicos da entrevista com o meia do Al Ahli

Trabalho no Al-Hilal

- Foi um trabalho muito legal, ficamos juntos mais de dois anos, conquistamos títulos, fizemos história ficando muitos anos invictos. Um treinador muito bom, trata os jogadores como família. Hoje tenho amizade bonita com ele, a família, toda a comissão. A gente se fala sempre.


Parte técnica


- Ele é um cara que gosta de jogo ofensivo, ele tem esse estilo. Mas também, claro, trabalha na defesa, porque futebol é defesa, meio e ataque. Ele pensa muito bem, estuda muito futebol, tanto ele quanto o filho (Emiliano), que é auxiliar. Mas o estilo dele é bem ofensivo, tinha jogos que a gente só jogava na metade do campo, na parte do ataque.


Chegada ao Brasil

- Ele falava que tinha o sonho de treinar no Brasil e agora teve a oportunidade, está super contente. Falei com o filho dele, eles estão contentes de estar no projeto do Botafogo. Torço para dar certo.


Comissão


- Já tem um tempo que ele mantém essa equipe, e o Emiliano é uma peça fundamental na comissão. Uma pessoa que está sempre estudando e acaba tendo mais contato com os jogadores por ter mais tempo. Treinador tem mais atribuições, e o auxiliar sempre tem esse relacionamento com os jogadores. Vai ajudar muito, é uma pessoa fantástica, entende muito de futebol, acho que é uma junção das coisas.


Imagem que deixou no Al-Hilal

- Pessoal adora ele lá, falam como um dos maiores treinadores que passou por lá. É o maior clube da Ásia, ele é um ídolo, tem um nome muito forte. Não só as conquistas, mas o trabalho, deixou o nome dele marcado.


Treinadores estrangeiros (Jorge Jesus passou pelo Al-Hilal)

- São grandes treinadores que passam pelo Al-Hilal, sempre querem o melhor. Espero que o Ramón tenha o mesmo sucesso no Botafogo que o Jorge Jesus teve no Flamengo.



Fonte: GE/Por Ana Helena Goebel, Emanuelle Ribeiro e Rodrigo Cerqueira — Rio de Janeiro

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Escalação do Botafogo: ainda com Flávio Tênius, time tem dúvidas no ataque


Pedro Raul e Matheus Babi podem formar dupla contra o Bahia; Kalou deve voltar aos relacionados e tem chances de começar entre os titulares no próximo domingo


A eliminação para o Cuiabá na última terça-feira ainda ecoa na cabeça do torcedor e também deve ser assim para Flávio Tênius. O técnico interino, que viu o time falhar em marcar um gol na defesa adversária e estará à frente da equipe novamente, deve mudar o ataque do Botafogo para a partida contra o Bahia.


O fraco desempenho, que melhorou apenas com a entrada de Pedro Raul no segundo tempo, pode fazer com que o camisa 9 volte a ser titular às 18h15 (de Brasília) neste domingo, na Itaipava Arena Fonte Nova. Outra possível novidade é a volta de Kalou, que está liberado pelo departamento médico, mas por estar há mais de 20 dias sem atuar é capaz de começar no banco. Com isso, o Botafogo deve começar com:


Diego Cavalieri; Kevin, Marcelo Benevenuto, Kanu e Victor Luis; Caio Alexandre, Honda e Bruno Nazário; Warley (Kalou), Matheus Babi e Pedro Raul.



Pedro Raul foi o jogador que mais levou perigo ao gol do Cuiabá na partida de volta pela Copa do Brasil — Foto: Vitor Silva/Botafogo


A um ponto da zona de rebaixamento, o Botafogo ocupa a 14ª colocação, com 20 pontos conquistados em 18 rodadas. O Bahia, adversário deste domingo, está uma posição abaixo, com os mesmos 19 pontos do Coritiba, primeiro time na zona de rebaixamento.



Fonte: Por Redação do ge — Rio de Janeiro

Honda publica carta para torcida do Botafogo e pede união: "Precisamos fazer o clube ficar mais forte"


Meia japonês afirma necessidade de deixar a gestão da forma mais transparente possível, e diz que o momento é de torcedores, jogadores e dirigentes repensem a forma de dirigir o Botafogo



Na noite desta sexta-feira, Keisuke Honda divulgou uma carta "Para todos que amam o Botafogo". O japonês pediu união da torcida com dirigentes e jogadores para repensar a forma que o clube é gerido. Com uma mentalidade de redução nos gastos do Botafogo como um todo, Honda diz que é melhor pensar nisso do que em conseguir uma renda a curto prazo.


Isso porque, segundo ele, quando o investimento que vier de fora não der resultados dentro de campo, os investidores pulariam do barco e deixariam o clube. De acordo com o japonês, é o esforço de quem ama o Botafogo que vai fazer com que a delicada situação financeira seja resolvida.


- Antes de tudo, o Botafogo é um clube de quem? É um clube de ricos investidores ou patrocinadores? Não. Não é o clube de empresários que vão embora quando as coisas dão errado, nem de algum estrangeiro como eu que vai sair depois de certo período. É um clube de todos que amam e apoiam o Botafogo desde que nasceram, e que mantém vivo esse amor mesmo em situações desfavoráveis como a que vivemos agora. É o clube de todos. Então todos juntos precisamos fazer o clube ficar mais forte.



Honda dá dicas de como o clube pode melhorar a gestão e pede união da torcida — Foto: Vitor Silva/Botafogo


Com uma visão mais empresarial sobre a forma de administrar, o camisa 4 do Botafogo sugere uma forma de os torcedores colocarem dinheiro no clube de maneira que não impacte a vida da pessoa. Além disso, Honda lembra da necessidade de uma gestão transparente com as finanças.


- Então, como o clube aumenta a receita? E quem pensa e decide sobre um plano de médio e longo prazo? O mais importante é isso. O clube não pertence a uma ou a um grupo de pessoas, o Botafogo é de todos os torcedores, então todos juntos devem pensar e decidir. Dessa forma, as pessoas vão ficar entusiasmadas em pensar sobre visão e planos de médio a longo prazo. Consequentemente, bons jogadores e profissionais vão se reunir, e os jovens jogadores também crescerão.


- É um clube onde todos vão caminhar na mesma direção e os torcedores vão ser a força principal. Dessa forma, esse clube vai atrair, de forma saudável, bons patrocinadores e investidores. Acho que agora é a hora de todos os dirigentes, profissionais, jogadores e torcedores repensar a forma de dirigir e administrar o clube mais tradicional, Botafogo.


Por fim, Honda se declarou ao clube. O meia se despediu dizendo amar o Botafogo mesmo com apenas nove meses de Brasil.



Confira a carta completa abaixo

Para todos que amam o Botafogo


Já se passaram nove meses desde que eu cheguei no Brasil. Após a eliminação na Copa do Brasil, ainda lamento por não ter conseguido corresponder às expectativas dos torcedores, mas o que aconteceu é irreversível e, por isso, pretendo analisar bem a situação, e voltar minha mente para o restante do Campeonato Brasileiro. Nesse momento, escrevo esse texto pensando no que eu posso contribuir para o Botafogo, além de jogar com todas as minhas forças em campo.



O que eu vou falar aqui pode provocar a raiva de alguns, mas, por favor, entenda que não estou intencionalmente tentando ofender ou machucar ninguém. Eu acredito que algumas coisas são necessárias para o Botafogo mudar, e entendo que se eu não compartilhar minha visão, a insatisfação e a preocupação dos torcedores não serão resolvidas, por isso eu falo aqui hoje.


- O problema financeiro.


Não só nesta temporada, mas já há algum tempo, o Botafogo apresenta problemas financeiros, e esses problemas existem não apenas aqui, mas também em diversos clubes de futebol e de outros esportes profissionais no mundo inteiro.


Em contrapartida, acredito que existe uma maneira de lidar com esse problema, e para resolver isso primeiramente temos que mudar nossa mentalidade, focando na redução de gastos.


A coisa mais importante a se ter em mente. é que não se pode estar obcecado em aumentar a renda no curto prazo. Por quê? Para fazer isso é preciso contar com investimento externo de pessoas ou empresas.


Se o dinheiro externo vier ao clube, os torcedores vão criar muitas expectativas e para corresponder às expectativas, os investidores tentam trazer bons jogadores por um valor alto. Se o clube consegue bons resultados, os torcedores terão ainda mais expectativas e então os investidores gastarão ainda mais dinheiro para fortalecer a equipe.


Nesse cenário, seria muito bom se esse ciclo pudesse continuar, mas infelizmente não é possível. Chegará uma temporada que, mesmo com investimento externo, os objetivos não serão atingidos e os torcedores ficarão insatisfeitos. E isso é normal, as pessoas ficam desapontadas quando algo planejado não dá certo, ainda mais quando as expectativas são altas.


Dessa forma aos poucos, os investidores se tornam incapazes de corresponder aos anseios dos torcedores e começam a pressionar e serem pressionados.


No final, eles sairão de cena, e se isso acontecer, o clube voltará à mesma situação que está́ agora, e repetirá o mesmo erro de buscar capital externo para aumentar as rendas no curto prazo.



Como eu disse antes, o ponto de partida para resolver esse problema financeiro não é focar em aumentar a renda no curto prazo, é entender que se deve manter os gastos baixos e juntos pensar em como o clube pode competir nessa liga difícil como o Campeonato Brasileiro, com um orçamento limitado.


- O Botafogo é um clube de todos os torcedores.


Antes de tudo, o Botafogo é um clube de quem? É um clube de ricos investidores ou patrocinadores? Não. Não é o clube de empresários que vão embora quando as coisas dão errado, nem de algum estrangeiro como eu que vai sair depois de certo período.


É um clube de todos que amam e apoiam o Botafogo desde que nasceram, e que mantém vivo esse amor mesmo em situações desfavoráveis como a que vivemos agora.


É o clube de todos. Então todos juntos precisamos fazer o clube ficar mais forte.


Para não ficar dependente de capital externo, o importante é começar com um projeto que permita a todos os torcedores injetarem dinheiro no clube, sem é claro, impactar na vida pessoal de cada um.


E os envolvidos na gestão precisam manter com transparência a balança de finanças do clube, para que todos entendam como o dinheiro é utilizado.


- Se existe um objetivo e um plano, pessoas e dinheiro vão se reunir.


Primeiramente, como eu disse, não devemos focar em aumentar a renda no curto prazo, precisamos começar reduzindo os gastos. Porém, sem aumentar a renda no médio e longo prazo, não podemos vencer neste difícil Campeonato Brasileiro.


Então, como o clube aumenta a receita? E quem pensa e decide sobre um plano de médio e longo prazo? O mais importante é isso.O clube não pertence a uma ou a um grupo de pessoas, o Botafogo é de todos os torcedores, então todos juntos devem pensar e decidir.


Qual é o objetivo do clube? Como vamos tentar realizar?


Dessa forma, as pessoas vão ficar entusiasmadas em pensar sobre visão e planos de médio a longo prazo. Consequentemente, bons jogadores e profissionais vão se reunir, e os jovens jogadores também crescerão. É um clube onde todos vão caminhar na mesma direção e os torcedores vão ser a força principal. Dessa forma, esse clube vai atrair, de forma saudável, bons patrocinadores e investidores.


Acho que agora é a hora de todos os dirigentes, profissionais, jogadores e torcedores repensar a forma de dirigir e administrar o clube mais tradicional, Botafogo.


Espero que todos participem da discussão, respeitando-se mutuamente, sem culpar ou machucar ninguém, e que o clube siga na direção certa.


De Keisuke Honda, que se apaixonou pelo Botafogo em apenas nove meses de convivência.



Fonte: Por Redação do ge — Rio de Janeiro