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terça-feira, 30 de julho de 2019

Período de repouso é prolongado, e Biro Biro, do Botafogo, só passará por exames na próxima semana


Duas semanas após ser internado com suspeita de arritmia cardíaca, jogador se isola em casa e conta com carinho da família antes de novos exames. Consulta ainda será marcada


Fora de ação desde o último dia 16, quando sofreu síncope durante treinamento do Botafogo no Nilton Santos, o atacante Biro Biro terá seu período de repouso prolongado. A previsão inicial era de que passaria por estudo eletrofisiológico, realizado para identificar a causa da síncope, nesta semana. Mas o novo exame só será marcado a partir do dia 5 de agosto.


O cardiologista Eduardo Saad, que realizou ablação (cauterização do cateter que causa a arritmia cardíaca) no atleta em 2018, recomendou 15 dias de repouso, mas, como está fora do Brasil, esticou o descanso do atleta do Botafogo. Biro Biro tem ficado em casa nos últimos dias, sem qualquer atividade esportiva, conforme recomendações médicas.



Biro Biro e a bola, um encontro ainda sem data marcada para acontecer de novo — Foto: Vitor Silva/Botafogo


Rotina caseira

Biro Biro recebeu alguns pedidos de entrevista nos últimos dias - assim como representantes do jogador. Mas o momento é de isolamento e de muito carinho dentro de casa. Ele tem nas visitantes constantes da mãe, Nelcimar, conforto para seguir a recuperação. O jogador mantém uma rotina caseira, bastante apegado à família. Um traço da personalidade do jogador já identificado pelos médicos.


O jogador de 24 mora perto da mãe, na Zona Oeste do Rio, e não desgruda de Nelcimar e de seus xodós. Os três sobrinhos, filho de sua irmã, Dandara, e do cachorrinho Lucky.


Biro Biro, apesar de ter se tornado uma pessoa ansiosa após o primeiro problema na China, está de cabeça boa e manifesta muita vontade de voltar a jogar futebol.



Biro Biro em casa com os sobrinhos: remédio caseiro antes de passar por novos exames — Foto: Arquivo Pessoal


Exames mais recentes nada apontaram

No ano passado, o cardiologista Nabil Ghorayeb recebeu Biro Biro e seu empresário Jorge Moraes na clínica em São Paulo. Na China, o jogador levou um susto e veio se consultar no Brasil. À época, houve indicação até para o jogador fazer exames no cérebro - suspeitava-se de moyamoya (doença cérebro vascular oclusiva crônica mais comum na Ásia), algo logo descartado. Um representante do clube chinês participou de um dos encontros, preocupado com a recuperação plena do atleta.


- Fizemos algumas avaliações clínicas, exames e concluímos que era para fazer a ablação, que ele fez no Rio de Janeiro. Depois, em janeiro, antes de ir para o São Paulo, fizemos novo check-up, sem novidade. Acompanhamos mais um tempo e nenhuma alteração indicava qualquer risco. Apenas questões digestivas, refluxo e gastrite - contou o cardiologista Nabil, que examina o coração de jogadores em São Paulo.


Após reunião de uma junta médica, com pessoal do São Paulo e Nabil Ghorayeb, Biro Biro ainda usou ferramenta chamada looper durante 10 dias - um aparelho que mediu os batimentos do atleta treinando e jogando normalmente. Novamente, nada de novo.



Fonte: GE/Por Fred Gomes e Raphael Zarko — Rio de Janeiro

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Botafogo quita mês de junho com a maior parte do elenco alvinegro; imagem segue em aberto


Clube, novamente auxiliado por pessoa física, repete estratégia adotada para o pagamento da folha de maio




O Botafogo pagou nesta segunda-feira o salário de junho da maior parte do elenco. Foi quitada apenas a parte referente à CLT, na carteira de trabalho. Os direitos de imagem seguem em aberto. Nesta quarta-feira, o time faz partida decisiva contra o Atlético-MG, no Independência, pela Sul-Americana.


O departamento de futebol lança mão da mesma estratégia adotada para o pagamento da folha de maio. Sem recursos para realizar a quitação de maneira integral com o elenco, o clube resolve de forma escalonada os débitos com os jogadores.



Botafogo quitou o mês de junho que estava atrasado — Foto: Vítor Silva/Botafogo


A exemplo de maio, quando ilustres botafoguenses levantaram dinheiro para pagar os jogadores, a questão foi solucionada novamente por pessoa física e não com recursos do Botafogo.


Em suma, ainda há débitos com alguns jogadores referentes aos meses de maio e junho. Uns não receberam imagem, outros estão com salários na carteira de trabalho em atraso. No próprio Portal da Transparência (veja abaixo), ainda não há confirmação da quitação justamente pelo fato de o acerto não ter sido de maneira integral com o grupo.


Os funcionários ainda não receberem o mês de junho.

No Portal da Transparência do clube, pagamentos de maio - exceto salário - e junho estão em aberto — Foto: Reprodução/Site oficial do Botafogo



Fonte: GE/Por Edgard Maciel de Sá e Fred Gomes — Rio de Janeiro

Análise: sem porrete, Botafogo bate, mas vai à lona com menor troca de passes da era Barroca


Alvinegro volta a marcar em bolas paradas, finaliza 12 vezes, mas troca apenas 292 passes e não consegue evitar pressão do Rubro-Negro na segunda derrota consecutiva no Brasileiro







Melhores momentos de Flamengo 3 x 2 Botafogo pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro



Foi no fim de maio que Eduardo Barroca definiu seu pensamento de futebol com analogia simples: “A bola é um porrete”, disse ao jornal “O Globo”. Quis dizer que se alguém vai para uma briga sem porrete na mão, pode acertar um golpe e vencer a luta, mas é muito mais fácil levar o adversário à lona com a bola. Ou seja, com o porrete.


A comparação de Barroca serve bem para o clássico vencido pelo Flamengo por 3 a 2, na tarde desse domingo no Maracanã – o Alvinegro ficou em 10º lugar, com 16 pontos. Reclamações de arbitragem à parte – na conta oficial do clube no Twitter, o clube questiona decisões do árbitro de não expulsar Cuéllar e Rafinha, além de toque de mão na área de Trauco -, a segunda derrota consecutiva do time no Brasileiro tem marca singular na era Barroca: a menor troca de passes em 15 partidas sob comando do jovem treinador até aqui.



Com Pimpão na cola, Trauco toca para Arão com o Alvinegro cercando a intermediária defensiva. Time foi vazado em rápidas jogadas pelo lado direito de defesa — Foto: Raphael Zarko



Foram apenas 292 passes trocados – o Flamengo tocou 489 vezes. Fora outro clássico, contra o Fluminense, que o Botafogo venceu mesmo sem ter porrete (e tocou 305 vezes – dados colhidos do site Sofascore. Veja a lista completa abaixo), o Alvinegro também nunca ficou tanto tempo sem a bola – 38% de posse, contra 37% contra o Flu, no jogo que terminou 1 a 0 para o Botafogo.


É claro que a maior qualidade técnica do adversário – mesmo cheio de desfalques, o Flamengo tem Rafinha, Gabigol, Bruno Henrique e Gerson – pesa na briga e na disputa do porrete. A saída para não ser pressionado, levar empate, virada e desempate seria boa troca de passes. Em outras palavras, controlar o jogo. Coisa que o Botafogo não conseguiu. Porque foi pressionado e não foi capaz de ficar com a bola.



O que funcionou e o que não deu certo

O Alvinegro ficou sem saída de bola algumas vezes, com os comandados de Jorge Jesus marcando próximo ao gol de Gatito. Algumas vezes o Alvinegro tentou lançamentos, ligações diretas ou chutões mesmo para escapar dessa pressão. Quando conseguiu sair pelo chão, articulou boas jogadas. Com a dobradinha Diego Souza e Alex Santana, e pelo lado com Luiz Fernando, principalmente no segundo tempo.



Diego Souza disputa a bola com Lucas Silva: camisa 7 marcou seu quarto gol pelo Botafogo, o primeiro em cobrança de falta — Foto: André Durão



Foram 12 finalizações contra 15 do adversário. Os dois gols saíram de bola parada – primeiro na cobrança de escanteio de Jonathan, depois na patada de Diego Souza do meio da rua – e o Alvinegro até conseguia cercar bem a entrada da área. Antes do empate de Gerson, que abriu para o meio da área, tirou de Jonathan e chutou forte de longe, Arão fez jogada semelhante do lado de Marcinho - e a bola passou perto.


Jonathan mostrou categoria e técnica, mas sofreu com Rafinha, Gerson e Gabigol caindo pelo seu lado. A ajuda de Alex Santana e Luiz Fernando não foi suficiente. Foi precipitado ao tentar rachar a bola com o ex-lateral do Bayern de Munique e ficar a ver navios. No terceiro, foi envolvido junto com todo sistema defensivo alvinegro. Logo em seguida, Barroca colocou Lucas Barros na lateral.



Diego, além do gol, ótimo passe para Pimpão


Com o time mais recuado do que de hábito, Diego Souza se posicionou muitas vezes ao lado de Alex Santana, como um meia, posição na qual teve maior destaque na carreira, e foi bem como armador (repare na movimentação dele no mapa abaixo, do site WhoScored.com). Ele voltou a bater falta de longe e se deu bem com um chute potente. Também apareceu com um jogo de pernas que deixou Pimpão na cara do gol. O camisa 7 errou apenas dois dos 16 passes tentados e foi a principal figura alvinegra.



O posicionamento de Diego Souza no clássico com o Flamengo: mais recuado e armador — Foto: Footstats



Troca de passes do Botafogo na era Barroca

São Paulo 2 x 0 Botafogo: 702 passes (maior índice na estreia)
Botafogo 3 x 2 Bahia: 482 passes
Botafogo 1 x 0 Fortaleza: 539 passes
Fluminense 0 x 1 Botafogo: 305 passes (menor índice até jogo com o Fla)
Goiás 0 x 1 Botafogo: 571 passes
Sol de América 0 x 1 Botafogo: 609 passes
Botafogo 0 x 1 Palmeiras: 444 passes
Botafogo 4 x 0 Sol de América: 512 passes
Botafogo 1 x 0 Vasco: 469 passes
CSA 1 x 2 Botafogo: 520 passes
Botafogo 0 x 1 Grêmio: 463 passes
Cruzeiro 0 x 0 Botafogo: 640 passes
Botafogo 0 x 1 Santos: 441 passes
Botafogo 0 x 1 Atlético-MG: 457 passes
Flamengo 3 x 2 Botafogo: 292 passes (menor índice na era Barroca)


Fonte: GE/Por Fred Gomes e Raphael Zarko — Rio de Janeiro