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quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Pressão da torcida, busca por técnico, aperto financeiro: crise no Botafogo cresce após eliminação


Perda de premiação, busca por treinador, pressão da torcida, indefinição sobre futuro e eleição próxima são elementos que acentuam o clima instável nos bastidores alvinegros



Melhores momentos: Cuiabá 0 x 0 Botafogo pelas oitavas de final da Copa do Brasil 2020

A eliminação da Copa do Brasil após o empate em 0 a 0 com o Cuiabá na noite da última terça-feira aumentou ainda mais a temperatura em um Botafogo em crise. Com problemas dentro de campo, mas também na política e na administração, o clube vê a pressão crescer com os resultados ruins e a revolta da torcida.


Dinheiro que pode fazer falta


Um dos elementos que intensificam a crise no Botafogo pós-eliminação é a perda da premiação. Passar às quartas de final significaria mais R$ 3,3 milhões na conta do clube, dinheiro que aumentaria o bolo destinado ao pagamento de salários. A folha do elenco profissional atualmente está em R$ 3 milhões. Ou seja, o Botafogo teria pelo menos um mês de pagamento de CLT garantido.


Isso porque a Justiça do Trabalho fez um acordo para que todo dinheiro vindo de premiações e direitos de transmissão em 2020 fosse destinado a esse propósito. Em entrevista recente, Carlos Augusto Montenegro disse que o Botafogo está falido e não consegue quitar compromissos básicos, como contas de água e luz e até compra de bolas para os jogadores treinarem.



Empate com Cuiabá rende prejuízo milionário — Foto: Vitor Silva/Botafogo


Busca por técnico


O principal problema no momento é a falta de comando no futebol. O clube ainda não fechou com um novo técnico e tem o time treinado pelo preparador de goleiros, Flávio Tenius, e pelo auxiliar recém-chegado, Lúcio Flávio. Há preocupação com a sequência no Brasileirão e a proximidade da zona de rebaixamento. Além da exposição desses profissionais.


Enquanto isso, a busca no mercado segue. A bola da vez é César Farías, técnico da seleção boliviana, mas a negociação se tornou difícil porque a federação local não quer liberar o treinador. A diretoria alvinegra esperava uma resposta final até a noite dessa terça, mas as conversas devem se estender um pouco mais.


Agora, o Bota precisa decidir se pode ter paciência na negociação por Farías ou se precisa partir para uma alternativa. A Bolívia joga pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2022 nos próximos dias 12 e 17.



Treinador comanda a Bolívia desde 2018 — Foto: Kyle Ross/Getty Images


Recentemente, o clube recebeu algumas negativas de técnicos brasileiros, como Roger Machado, Lisca e Marcelo Guimarães. O que, junto do orçamento apertado, leva a procura ao mercado internacional. Antes de Farías, o Botafogo tentou o argentino Daniel Garnero.


As negativas acendem o alerta e mostram o receio dos treinadores de assumirem um clube com tantos elementos negativos fora das quatro linhas. Quem aceitar o chamado, terá não só o desafio de dar competitividade e mostrar resultados em campo, mas também ajudar a blindar o elenco do incêndio nos bastidores.


As demissões recentes e as tentativas no mercado, como a reunião com Alexandre Gallo, dificultam a busca pelo novo nome.


Torcida aumenta cobranças

O clima ainda piora com as manifestações da torcida. Nos últimos dias, aumentaram as cobranças e os protestos, inclusive com invasão da sede de General Severiano. Com a eliminação da Copa do Brasil, torcedores voltaram a pressionar nas redes sociais, com críticas duras a dirigentes e jogadores e até mesmo ameaças.


A diretoria pisa em ovos, e as ações levam em consideração a aprovação da torcida. Foi assim nos últimos dias, tanto na saída de Bruno Lazaroni quando na busca pelo novo treinador.


Futuro indefinido

Toda essa confusão interfere no elemento principal: a indefinição do futuro do Botafogo. Sem dinheiro para fazer o dia a dia funcionar, o clube busca mudanças internas e vê a transformação em empresa ficar mais longe do que era esperado.


Depois de colocar de lado o principal projeto da S/A, liderado por Laércio Paiva, o Botafogo partiu recentemente para um plano B, tocado por Gustavo Magalhães. Ainda não há perspectiva de concretização, e a temida recuperação judicial segue no horizonte.


Tudo isso sob um clima político ainda mais aflorado, já que o clube entrou de vez no período eleitoral. No fim do mês, dia 24, os sócios irão escolher presidente e conselheiros para os próximos quatro anos. A missão será recuperar um clube que já está falido, nas palavras do ex-presidente Carlos Augusto Montenegro.



Fonte: GE/Por Emanuelle Ribeiro e Thayuan Leiras — Rio de Janeiro

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Tenius resume eliminação do Botafogo: "Não tivemos postura para jogar mata-mata"


Técnico interino analisa empate que tirou o clube carioca da Copa do Brasil. Preparador de goleiros afirma que demissão de Lazaroni atrapalhou e não sabe se comanda o time no domingo



Melhores momentos: Cuiabá 0 x 0 Botafogo pelas oitavas de final da Copa do Brasil 2020


O técnico interino Flávio Tenius resumiu a causa da eliminação do Botafogo na Copa do Brasil: faltaram estratégia e postura para o time encarar uma disputa de mata-mata. Após o 0 a 0 com o Cuiabá, no Mato Grosso, nesta terça-feira, Tenius disse que a má atuação na partida de ida, no Rio de Janeiro, foi decisiva.


- A gente teve dificuldades porque encaramos 10 jogadores no campo de defesa. Tentamos, tivemos oportunidades. A questão não foi esse jogo, foi o primeiro. Não tivemos postura para jogar mata-mata, a importância que seria ganhar um jogo em casa. Tivemos até mais oportunidades do que hoje - disse à Botafogo TV.


- Para o botafoguense em geral, é um resultado que ninguém esperava. É muito doído ser eliminado da Copa do Brasil. Víamos uma oportunidade muito boa de título, mas não conseguimos. Está todo mundo muito triste, mas a vida segue. Já tem jogo no fim de semana - completou.



— Foto: Vitor Silva/Botafogo


No comando do time nas duas últimas partidas, com dois empates, o preparador de goleiros ainda não sabe se continua como técnico interino até o fim de semana. O clube está na busca por um novo treinador e negocia com César Farías, da seleção boliviana. O Bota se acertou com o profissional, mas a negociação com a federação não é simples.


- Não sei se vou continuar a frente da equipe. Pediram para ajudar nessas duas partidas, não sei se o treinador novo já vai chegar - afirmou.


Enquanto segue em um busca de um técnico e tenta administrar a crise interna, o Botafogo também se prepara para a próxima rodada do Brasileirão. No domingo, às 18h15, o time alvinegro enfrenta o Bahia, fora de casa, pela 20ª rodada.


Mais respostas de Tenius

Troca de técnico atrapalhou?


- Nenhuma troca de treinador é benéfica. Você segue de uma maneira e, depois, precisa buscar outra maneira de jogar. Tentamos, mas não tem tempo de adaptação. Foi muito mais no papo do que no treino. Faltou, principalmente, postura. A gente não entendeu a competição. Falhamos no primeiro jogo e deixamos para reverter na casa do adversário. E a bola não entrou.


Eliminação doída

- A tristeza é geral. Não tenho que falar nada dos jogadores, eles fizeram o máximo. A bola não entrou. Vamos pensar no que aconteceu, descansar, e não dá para lamentar muito porque já temos jogo no fim de semana. Precisamos vencer. Temos que assimilar essa derrota, que foi muito doída. A partir de amanhã vamos ver. Não sei se já vai chegar o treinador. Vamos voltar a campo, vamos trabalhar. Não temos outra escolha.



Fonte: GE/Por Redação do ge — Rio de Janeiro

Botafogo muda estratégia e aposta em velocidade no ataque para passar pelo Cuiabá


Com pontas rápidos, clube faz escolha diferente do jogo de ida para virar o confronto e se manter vivo na Copa do Brasil. Warley comemora chance: "Botafogo precisa impor seu jogo"



Desde a derrota por 1 a 0 para o Cuiabá, na última terça-feira, o Botafogo mudou de estratégia para tentar chegar ao gol adversário. Colocou menos meias e mais atacantes rápidos em campo. Foi assim no empate em 2 a 2 com o Ceará, no sábado, e será assim nesta terça, às 19h (de Brasília), quando a equipe reencontra o rival mato-grossense.


No jogo do fim de semana, o primeiro desde a saída do ex-técnico Bruno Lazaroni, o Bota mudou todo o setor ofensivo. Saíram Rhuan e Pedro Raul e Bruno Nazário, que voltou para o meio, e entraram Lecaros, Warley e Matheus Babi. A escalação seria repetida nesta noite, não fosse a lesão do peruano. Sem ele, o escolhido deve ser Kelvin.



Warley em Botafogo x Ceará — Foto: Vitor Silva/Botafogo


A leitura diferente da comissão técnica deu espaço a nomes que estavam praticamente esquecidos. Como Warley, que vai emplacar a segunda partida seguida como titular.


- Se eu disser que fui surpreendido pela escalação desde o início, estaria mentindo. Venho trabalhando forte para jogar e entrei preparado. Não tem essa de ritmo jogo. Claro que influencia, mas jogador de futebol precisa estar preparado sempre para jogar. Acho que fui bem e participei das jogadas de ataque. Fiz uma boa parceria com o Babi na frente. Um ataque rápido. Tem tudo para dar certo - disse.


Até agora, o atacante iniciou apenas dois jogos. No restante, entrou nos minutos finais e pouco apresentou. Tanto que soma menos de 200 minutos na temporada. Agora, a chance apareceu não só para ele, mas também para Lecaros, Kelvin e o recém-chegado Iván Angulo.


As novas opções fazem parte da tentativa alvinegra de sair da crise na temporada. Perto da zona de rebaixamento no Brasileirão, o clube luta, também, pela permanência na Copa do Brasil. Pelo lado esportivo e também financeiro, já que a classificação vale mais de R$ 3 milhões. Além de esfriar os ânimos após os protestos da torcida.


- Eu entendo o torcedor, é apaixonado. Cheguei no Botafogo e aprendi a gostar do clube. Pela história, pelo clube e pela torcida. O que acho que não pode é ter violência. Desde que, se ao protestar, não tenha nenhum tipo de violência, a gente entende. Por isso que nós jogadores, vamos entrar em campo com atenção redobrada e responsabilidade triplicada amanhã - finalizou Warley.



Fonte: GE/Por Redação do ge — Rio de Janeiro