Após a derrota por 2 a 0 para o Cuiabá, o Botafogo ganhou um problema médico. O clube informou nesta segunda que Victor Cuesta passou por exames, que confirmaram fraturas nos ossos da face. O zagueiro foi encaminhado para o hospital em Cuiabá, após a partida, mas retornou com a delegação ao Rio de Janeiro.
Victor Cuesta recebe atendimento em Cuiabá x Botafogo — Foto: Reprodução
Quem também passou por exame foi Lucas Piazon. No caso do meia, no entanto, as imagens não apontaram qualquer alteração.
Após a derrota no Brasileirão, o Botafogo retorna a campo na quinta, contra o América-MG, no Nilton Santos, pela Copa do Brasil. No jogo de ida, a equipe carioca perdeu por 3 a 0.
O pêndulo do Botafogo voltou a pender para um jogo ruim. A derrota para o Cuiabá por 2 a 0 mostrou novamente uma equipe com dificuldade de se organizar em campo, espalhado e que - mais uma vez - não consegue se impor.
Ainda que o time inteiro de desfalques que Luís Castro tenha que administrar interfira em quem ele leva a campo, o revés na Arena Pantanal desanima. Do outro lado, havia um time em que poucos jogadores seriam titulares no Bota que entrou em campo no último domingo. Além disso, António Oliveira está há menos tempo no cargo que o compatriota e conseguiu mostrar ideias de jogo com ultrapassagem e pressão no campo adversário que o Botafogo não teve com Castro.
E por que cito que os desfalques pesam mesmo se os titulares do Cuiabá não começariam jogando no Botafogo? Porque isso impacta em alteração no estilo de jogo que Castro queira implementar no time, ou em variação tática, por exemplo. Em entrevista coletiva depois do jogo, o português ressaltou que isso não são desculpas, mas que o fato de ter levado quatro zagueiros para o banco de reservas no domingo mostra que o elenco alvinegro é curto - por mais que ele goste de trabalhar com 30 jogadores.
Além de o elenco ser curto, Castro considera que não tem como usar algumas das opções porque por mais que sejam jogadores talentosos, não estão prontos para a pressão de uma Série A - segundo ele. Então, o que resta ao Botafogo? Basicamente o time que entrou em campo na Arena Pantanal, com poucas brechas para mudanças, já que do meio para frente o time tinha dois volantes, um meia e dois atacantes.
Porém, isso não explica tudo. Não explica, por exemplo, o motivo de o time não conseguir agredir o adversário e, ainda assim, ficar exposto. Na noite de domingo, o Botafogo levou novamente um gol no primeiro tempo, aos 21 minutos, o sexto gol entre os 15 e os 30 minutos da etapa inicial na competição. Dos 21 gols sofridos pelo time no Brasileirão, 14 (dois terços), foram no primeiro tempo. É difícil diagnosticar a razão para isso, mas fácil é perceber que o time precisa consertar essa deficiência que acompanha a equipe.
Pressionado pela marcação alta da equipe mato-grossense, Cuesta tentou aliviar o sufoco dando um chute até a intermediária. A força e qualidade não foram como ele queria, e o Cuiabá aproveitou. Rodriguinho pegou a bola, correu para trás sem ser perturbado pela marcação e tocou para Wendel. Ele, também sem ser pressionado, avançou na intermediária e bateu cruzado. Gatito não segurou e Cuesta e Hugo não acompanharam o rebote. O 1 a 0 no placar não era o único sinal negativo. O problema era que o Botafogo não levou perigo ao time adversário quase em momento algum.
Na Arena Pantanal, o Bota finalizou pouco e com uma qualidade bem abaixo. Erison, único centroavante relacionado já que Matheus Nascimento foi poupado por dores musculares, deu apenas um chute a gol que foi facilmente defendido por Walter. Houve outro lance também que levou perigo, mas o assistente marcou impedimento.
O centroavante, inclusive, parecia com alguma limitação nos movimentos. Da tribuna de imprensa, a sensação era de que ele evitava o esforço físico por causa da lombalgia que teve. Como não tinha jogador que pudesse substituí-lo, a impressão era que El Toro estava se poupando. Castro, porém, garantiu que ele estava 100%.
Na volta para o segundo tempo, o técnico português optou por Chay no lugar de Del Piage. O meio de campo não vinha atuando bem e cedia espaços para os jogadores do Cuiabá. Mas o problema não parecia ser esse e sim o fato de jogar com três zagueiros e apenas três homens no meio de campo, já que os alas ficavam bem abertos na tentativa de dar amplitude ao time. Apesar das dificuldades, no início da etapa final os alvinegros levaram algum perigo, mas foi pouco.
O time do Cuiabá continuava ameaçando mais o Botafogo e poderia até sair da Arena Pantanal com uma vantagem maior, não fosse o impedimento milimétrico que o VAR encontrou, para alívio de Gatito Fernández, que falhara bisonhamente. Mas o segundo gol veio mesmo assim. Quando Carli estava no campo de ataque, quase como centroavante numa última tentativa de ao menos voltar com o empate, o Bota perde a bola. Ela é lançada nas costas de Klaus, que havia acabado de entrar, e André Luís tocou na saída do goleiro paraguaio.
Há de se pesar principalmente os desfalques pelo jogo de hoje, mais até do que as expulsões de Hugo e Daniel Borges. Porém, o fato de o cobertor estar curto para o Botafogo não é o mais correto para ser a resposta. O contexto indica a importância de um elenco mais recheado, mas os jogos escancaram a necessidade de o time mostrar mais, principalmente quando se tem de reverter um placar de 3 a 0 para o adversário no próximo jogo.
No Campeonato Brasileiro, o Botafogo está no meio da tabela. Com 21 pontos e na 10ª colocação, a equipe está a quatro pontos do sexto lugar (que se classifica para a Pré-Libertadores) e a três do primeiro time da zona de rebaixamento. O time volta a campo na próxima quinta-feira, pelo jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil, quando enfrenta o América-MG. No Brasileirão, encara o Atlético-MG, domingo, às 18h (de Brasília), no Nilton Santos.
Na derrota para o Cuiabá, parte considerável da torcida e da opinião pública contestou a escalação e a formação com três zagueiros com que Luís Castro montou o Botafogo. O treinador foi direto ao responder ao questionamento: o elenco ainda não tem jogadores prontos para variar mais o time.
- Muitas vezes eu ouço vocês (jornalistas) dizerem para mudar o rumo do jogo, mas com quem se faz? Tenho que resolver, sou o treinador, mas precisamos analisar o jogo a fundo. Vamos aumentar o número de jogadores no ataque, ok. Mas vamos usar jogadores que não estão preparados? Que têm qualidade, mas ainda não estão preparados - indagou.
- Esse é o nosso problema, e mesmo assim estamos somando pontos, estamos no meio da tabela, e toda a nossa gente aqui acredita. No momento de fragilidade, estamos todos unidos. E vamos ter mais momentos difíceis pela frente - completou.
A atuação ruim na derrota por 2 a 0 deste domingo gerou bronca, mas o treinador apontou para a campanha segura que o Botafogo faz na tentativa de permanecer na primeira divisão, que é o grande objetivo da temporada.
- A verdade é que estamos debilitados e sem nossa máxima força. Vamos ter que alterar um conjunto de coisas e recorrer a processos alternativos. Agora, é natural que isso provoque desconfiança. Eu continuo a perceber que estamos em um caminho difícil. No global, vamos sobrevivendo ao campeonato. Não fazemos o campeonato que queríamos, mas o campeonato possível. Temos fragilidades e iremos resolver, assim como foi nas outras vezes.
Pelo Brasileirão, o próximo confronto será contra o Atlético-MG, no domingo, às 18h, no Nilton Santos. Antes, o Botafogo encara o América-MG, na quinta-feira, também em casa, pelo jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil. No jogo de ida, o Alvinegro perdeu por 3 a 0.
Mais declarações de Luís Castro
É possível avançar na Copa do Brasil?
Vamos continuar com muito trabalho. Vamos buscar sucesso no jogo. É difícil, porque eles têm uma vantagem de 3 a 0. Saímos daqui frágeis e esperamos ficar fortes nos próximos dias de trabalho. Acredito que podemos conseguir. No final, vamos comentar o que aconteceu.
Desfalques
Tenho menos dois jogadores, na verdade menos quatro para o Brasileirão, em um momento em que precisamos de muito mais. Não é tom de lamentação, estou só olhando os fatos. Vamos seguir em frente, colocar os jogadores que são os melhores para cada desafio que estão disponíveis. E vamos tentar superar os desafios que as outras equipes nos impõem. A situação é muito delicada.
Faltam elementos para mudar o jogo. Sim, somos uma equipe oscilante, até por isso. É natural que a equipe vá oscilar. Nós vemos grandes equipes sendo construídas em dois ou três anos. Para mim, foi uma surpresa muito grande quererem uma equipe construída em dois ou três meses. E todos estão de acordo com isso... Vamos tentar esse tempo recorde, mas acho um erro de análise querer equipes prontas nesse contexto. Vamos continuar no mesmo caminho e construir coisas nesse campeonato.
Volta de Erison
O Erison estava disponível para o jogo e estava 100% para o jogo, sem qualquer incapacidade. As opções do Botafogo pela frente são com Daniel Cruz e Jeffinho, que são grandes jogadores, mas que não estão prontos para a Série A. Podemos acabar causando impacto negativo neles. O mais importante é sabermos quem temos para jogar e, desses, quem pode nos levar a ter sucesso no jogo. Nos outros jogos do campeonato tínhamos sucesso com três zagueiros.