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sábado, 5 de março de 2022

Botafogo aceita pedido, e Al-Duhail deve liberar Luís Castro em até duas semanas



Novo técnico alvinegro é esperado no Rio de Janeiro após o fim da Copa do Emir, cuja final está marcada para 18 de março



O Botafogo terá Luís Castro no Nilton Santos em até duas semanas, segundo o que planeja a diretoria alvinegra. Após pedido do treinador e do Al-Duhail, o clube carioca aceitou esperar até o fim da Copa do Emir, cuja decisão está marcada para o dia 18 de março.


O acordo deixa em segundo plano a negociação para baixar a multa de R$ 7 milhões para tirar o treinador do Catar antes de 30 de junho, conforme apurou ge. O modo como o compromisso foi firmado é visto com bons olhos nos bastidores alvinegros.



+ Das reuniões na "sala 03" até John Textor, porta-voz faz balanço da Botafogo SAF



A avaliação das conversa entre as partes é que o Botafogo "retribui, com paciência, a honestidade do treinador". O desejo de Luís Castro de cumprir as etapas decisivas da Copa do Emir pelo Al-Duhail foi valorizada pela diretoria alvinegra, pois demonstraria que o treinador "faz as coisas da maneira correta".





Luís Castro em entrevista coletiva no Al-Duhail — Foto: Divulgação/Al-Duhail


Luís Castro comandou, neste sábado (5), o treino preparatório para o jogo único das quartas de final da Copa do Emir. No domingo, o Al-Duhail enfrenta o Al-Saiylia fora de casa.


Caso o Al-Duhail seja eliminado antes da final, a chegada de Castro ao Rio de Janeiro pode ser antecipada. A possibilidade, porém, só será debatida depois do fim da temporada do clube. Por isso, as duas próximas semanas são consideradas decisivas para os ajustes finais da vinda do treinador.



+ Investimento, estrutura e contratações: os próximos passos do Botafogo de John Textor


Pela liga do Catar, resta apenas a partida da última rodada a ser disputada, na quinta (10), contra o Al Ahli. O Al-Duhail já garantiu o segundo lugar e não tem mais chances de título. Após o encerramento da Copa do Emir, o clube só entra em campo em abril, pela Champions asiática - o que já deve acontecer sob comando de um novo técnico.


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Fonte: GE/Por Renata de Medeiros — Rio de Janeiro

Das reuniões na "sala 03" até John Textor, porta-voz faz balanço da Botafogo SAF


Projeto passou por altos e baixos desde 2019, superou o momento crítico da pandemia e chega a 2022 no processo final. André Chame: "A gente acredita em um time competitivo já para o Brasileirão"


O assunto clube-empresa pautou o dia a dia do Botafogo muito antes da chegada de John Textor e da aprovação da lei da Sociedade Anônima do Futebol. Enquanto o congresso ainda discutia o projeto e o novo dono vislumbrava a oportunidade de investir no Brasil, os alvinegros já apostaram tudo na chance de se agarrar ao salva-vidas para o mar de dívidas. Porta-voz da SAF do Bota, o advogado André Chame, lembrou ao ge a caminhada que começou em 2019.


+ Investimento, estrutura e reforços: os próximos passos do Bota


De lá para cá, foram diferentes nomes envolvidos, projetos apresentados e consultorias contratadas. Duas iniciativas para transformar o clube em empresa fracassaram até o final de 2021, quando o empresário americano apareceu. Tempo em que o clube mudou de diretoria, contratou novos profissionais e tomou decisões de impacto fora de campo, com algumas vitórias e muitos sacrifícios.





André Chame, advogado e porta-voz do Botafogo SAF — Foto: Divulgação/BFR


Na conversa com a reportagem, Chame refez os passos dos últimos três anos e contou os detalhes da passagem de bastão para o novo dono do futebol alvinegro. O advogado citou as cláusulas de desempenho no contrato para afirmar: o torcedor deve esperar um time competitivo para o início do Campeonato Brasileiro.


+ Preferência de Luís Castro por grupo enxuto faz Botafogo estudar alternativas para diminuir elenco


ge: Essa iniciativa começou em 2019, e muita gente não lembra. Como foi todo o processo?

André Chame: Em 2019, recebemos o estudo da Enerst Young por botafoguenses ilustres. Nessa época, eu fazia parte do conselho deliberativo do clube e fui chamado para ajudar no projeto de formatação do primeiro projeto da S/A. Começamos as reuniões e chamamos o grupo de Sala 03, que era o número lá no meu escritório. Eram reuniões sempre às terças-feiras, com presenças do Laércio, que liderava, além de presidente, ex-presidentes e outras pessoas envolvidas com o clube. Ainda não tinha lei da SAF.



Depois, ainda veio o projeto do Gustavo Magalhães, que eu não participei mas sabia o que estava acontecendo. Finalmente, tivemos a transição da presidência para o Durcesio Mello, a chegada do CEO Jorge Braga, e o Durcesio me deu a honra de continuar no projeto. O Jorge fez todo o trabalho interno para a chegada do investidor. Eu gostava de dizer que mais importante do que achar o investidor, era estar com a casa pronta. É a mesma coisa que colocar um apartamento para vender. Ele tem que estar certinho antes de aparecer um comprador.


Com a lei da SAF, e eu participei de algumas reuniões para ajudar na redação, tudo ficou mais fácil. Veio a chance de organizar a dívida do clube, que foi um passo muito importante. Com a chegada da XP Investimentos, que nos apresentou o investidor, tudo se resolveu. Recebemos o contato quase na véspera de Natal, assinamos o primeiro documento no dia 24, e começamos essa operação.



Assinatura do contrato com John Textor é oficializada no Botafogo (https://ge.globo.com/video/assinatura-do-contrato-com-john-textor-e-oficializada-no-botafogo-10357642.ghtml)



Houve momentos delicados, principalmente no início da pandemia...


O primeiro projeto foi um grande esforço para montar, com seis ou sete consultorias auxiliando. E aí, veio a pandemia, com uma retração muito forte de capital naquele momento. Não conseguimos ir a mercado e levar adiante o primeiro projeto. Na época, comentei que era a derrota mais dolorosa que tinha sentido como botafoguense. Até aquele dia, era o jogo contra o Juventude, em 1999. Aquela conseguiu superar.


+ Contratações do Botafogo para 2022: veja quem chega, quem fica e quem vai embora do clube


Sabemos que o investimento do Textor será de R$ 400 milhões. Mas não necessariamente será só isso, certo?


O John tem uma obrigação de aporte mínimo, que é de R$ 400 milhões e mais o investimento necessário para as metas de folha e orçamento anuais. Mas, nada impede que faça aportes adicionais, se for do interesse. Se o clube não conseguir aportar o seu percentual nesse investimento a mais, se dilui a sociedade, como em qualquer empresa. Só que há uma trava nos 5%, para que o clube nunca perca esse percentual mínimo.


Um exemplo: se em um capital de R$ 500 milhões o investidor aportar mais R$ 100 milhões, são 20%. Se o Botafogo não acompanhar, o capital será diluído. Mas, nunca a menos de 5% para o clube.


Por que esse percentual é importante?

Enquanto o clube tem ao menos uma cota da SAF, a empresa é obrigada a respeitar todas as marcas, distintivos, bandeiras, hinos, toda a identidade do clube, se manter no Rio de Janeiro. Mesmo se o investidor pensasse em fazer isso, dependeria obrigatoriamente do voto afirmativo do Botafogo. A não ser que algum presidente no futuro aceita uma mudança dessas, o que eu não imagino. É isso que dá garantias para mantermos sempre toda a identidade alvinegra, além da presença nos conselhos Fiscal e de Administração.



O que o Botafogo deve fazer de imediato com os R$ 100 milhões do Textor? Setorista Davi Barros explica (https://ge.globo.com/video/o-que-o-botafogo-deve-fazer-de-imediato-com-os-r-100-milhoes-do-textor-setorista-davi-barros-explica-10354830.ghtml)



A partir de agora, o que falta para o contrato estar 100%?


Ainda temos alguns ajustes burocráticos para serem feitos nos próximos dias, mas a presença do John já é uma realidade. Por razão de confidencialidade, não posso contar quais são, mas são pontos meramente burocráticos.


Ou seja, não existe mais possibilidade de o negócio não acontecer.


A gente pode dizer que está 100% certo. Os detalhes não são de maneira nenhuma impeditivos para a chegada do John. Não parece factível uma reversão disso. O investidor já está no Botafogo.


Como foram as últimas semanas, com a ansiedade para finalizar o contrato?


Esses últimos 40 dias foram de trabalho hercúleo. Uma transação desse porte não acontece em menos de seis meses. E nós fizemos tudo isso em 60 dias. Havia a necessidade de fazer nesse tempo porque precisávamos virar a chave no clube. O Campeonato Brasileiro está chegando.


+ Torcedor cria vídeos para contar a história do Botafogo em inglês e é citado por John Textor


Na minha carreira, foi inédito, porque as outras pessoas da equipe de trabalho, formada por muitos botafoguenses ilustres, também tinham as próprias atividades profissionais. Conseguimos juntar isso à dedicação para acelerar esse processo. Envolveu até sacrifício nesse lado profissional de alguns. Mas, no final, tudo deu certo.


Você fez parte do Comitê de Transição. Qual foi o trabalho nesse período?


A ideia era preparar o terreno para a chegada do investidor, porque sabíamos que não seria um período longo. Até por isso, decidimos que as contratações fossem feitas com mais calma, com decisões por parte do John. Foi até um pedido dele, que tivéssemos um pouco de calma. Foi interessante até para debater isso com o novo treinador que ele deve trazer, junto dos novos dirigentes que eles trouxeram para auxiliar na gestão do clube.


Você segue com algum vínculo com o clube ou a SAF a partir de agora? Ou a sua contribuição fica por aqui?

Eu disse ao presidente Nelson e ao presidente Durcesio: sou um soldado do clube, sempre quero ajudar. Se o John precisar, estarei a postos, assim como se o clube precisar. Mas, não há nada concreto pensando no dia seguinte. O Botafogo é uma parte importante da minha vida e sempre ajudarei quando for preciso.


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Fonte: GE/Por Thayuan Leiras — Rio de Janeiro

sexta-feira, 4 de março de 2022

Começo meteórico, Chelsea e herói de título do Braga: quem é Lucas Piazon, novo jogador do Botafogo


Meio-campista foi vendido aos Blues antes mesmo de estrear como profissional pelo São Paulo, mas pouco jogou na Inglaterra; especialista em faltas, jogador chega ao Botafogo





Lucas Piazon foi campeão da Taça de Portugal pelo Braga (Divulgação/Braga)


O primeiro reforço da "Era John Textor" no Botafogo já está em solos brasileiros: Lucas Piazon desembarcou no Rio de Janeiro nesta sexta-feira e, inclusive, já iniciou os exames médicos no Estádio Nilton Santos. Após a bateria, assinará contrato de empréstimo até o final do ano com o Alvinegro, que terá opção de compra com valor fixado.


+ Contratações, R$ 100 milhões e Luís Castro: os próximos passos do Botafogo com John Textor


Será a primeira experiência do meio-campista como profissional no futebol brasileiro. Fenômeno nas categorias de base e titular da Seleção Brasileira sub-17 no começo da década passada, Piazon foi vendido ao Chelsea antes mesmo de estrear pelo time principal do Tricolor, em 2011.

Os primeiros meses na Terra da Rainha foram promissores. Contratado com um plano de longo prazo pelo Chelsea, ele foi campeão da Copa da Inglaterra de Juniores e venceu um prêmio individual pelos Blues. Quem explica é Liam Twomey, jornalista que acompanha o atual campeão da Liga dos Campeões no "The Athletic", em entrevista ao LANCE!.

- Ele chegou muito bem avaliado, falado até mesmo como um potencial novo Kaká. Jogou muito bem pelo time B, ganhando o prêmio de melhor jogador jovem do Chelsea em 2012. O único jogo dele pela Premier League foi uma vitória por 8 a 0 sobre o Aston Villa, ele jogou bem mas perdeu um pênalti. A partir disso ele ficou preso no sistema de empréstimos do Chelsea - afirmou.




Piazon foi o jogador jovem do Chelsea em 2012 (Foto: Divulgação)


Foram nove empréstimos para sete equipes - Málaga-ESP, Vitesse-HOL, Eintracht Frankfurt-ALE, Fulham-ING, Reading-ING, Chievo-ITA e Rio Ave-POR - durante o tempo no Chelsea, clube que jogou pelo time principal apenas três vezes - contando jogos de pré-temporada. Piazon ficou preso no ciclo de cessões dos Blues e nunca conseguiu desenvolver o futebol.

- Depois de jogar bem no Málaga e Vitesse, foi mal no (Eintracht) Frankfurt, disse que havia muita correria na Alemanha e a carreira dele perdeu um pouco do impulso. Ele reclamou da política de empréstimos do Chelsea em uma entrevista afirmando que queria continuar em um clube, mas continuava renovando o contrato ao invés de deixar o vínculo (com o Chelsea) terminar. Ele ficou no Chelsea por muito mais tempo que ele precisava ter ficado e isso gerou consequências na carreira dele. Ele nunca conseguiu desenvolver todo o seu potencial infelizmente, mas torço para que as coisas deem certo no Brasil - completou Liam.

Piazon criticou a política de empréstimos do Chelsea em uma entrevista ao perfil "Oh My Goal" no ano passado.

- Nós voltávamos para a pré-temporada com o novo treinador e os jogadores e era sempre "se você for bem o treinador talvez te mantenha (no Chelsea". Mas lá dentro você sabia que não tinha chance porque estavam pagando muito dinheiro para os atletas e definitivamente os usariam. Estaríamos lá por quatro, cinco semanas e então sairíamos por empréstimo de novo. É só negócio - afirmou o jogador.



RENASCIMENTO EM PORTUGAL

Piazon "se libertou" do Chelsea no começo do ano passado, ao assinar com o Braga até 2025 após rescindir com o clube inglês. A indicação veio de Carlos Carvalhal, com quem havia trabalhado no Rio Ave na temporada anterior.


O brasileiro teve impacto praticamente imediato na equipe: o camisa 11 foi decisivo no 'Final Four' da Taça de Portugal para trazer o título ao Braga. Fez gols na semifinal, contra o Porto, e na decisão, diante do Benfica. O time voltou a conquistar a Taça de Portugal após cinco anos.

- Ele demorou a conquistar a titularidade, teve Covid em dezembro de 2020. O ciclo ente fevereiro e março (de 2021) foi muito bom, ele foi fundamental numa sequência de muitos jogos com pouco tempo de intervalo, fez alguns gols e assistências. Foi um dos heróis do Braga na conquista da Taça de Portugal, com gols sobre Porto e Benfica - explicou André Gonçalves, setorista do Braga no Jornal "Record", ao LANCE!.



Piazon pelo Braga (Foto: Divulgação / SC Braga)


Se a chegada foi marcada por um título com a marca de Piazon, a temporada atual levou tudo por água abaixo. O brasileiro começou como titular, mas logo perdeu espaço com Carlos Carvalhal. Com atuações irregulares, foi para o banco de reservas e sequer entrou em algumas partidas da Liga Portugal.

- Na nova temporada, não me recordo de um grande jogo de Piazon. Esteve bem abaixo do rendimento que chegou a exibir em vários jogos da temporada passada e, por isso, foi alternando jogos em que era titular (8) com outros em que foi suplente utilizado (7) e outros em que nem saía do banco, mas não fez gols nem assistências. O treinador Carvalhal chegou a explicar, no início de janeiro deste ano, que ele ia perder espaço na segunda metade da temporada mas garantiu que não tinha nada a ver com o seu profissionalismo ou atitude e, então, os responsáveis entenderam que mais valia ele procurar outro caminho. Desde então foi treinando à parte da equipe, trabalhando noutros campos da Cidade Desportiva do Braga até ser encontrada uma solução para o futuro dele - completou.


ESTILO DE JOGO

Lucas Piazon é um meia avançado, o "camisa 10", mas também pode atuar saindo do lado direito do campo - sempre partindo em movimentos diagonais. Tem como principais características o chute de média/longa distância e a capacidade de cobrar faltas - foi assim, inclusive, que marcou contra o Porto na semifinal da Taça de Portugal.

Na última temporada, teve, em média, 17.2 passes certos (85%) - 11.3 no campo adversário -, 1 desarme, 2.7 disputas de bola vencidas (49% de sucesso) e 52% de aproveitamento nas bolas longas tentadas por partida na Liga Portugal. Os dados são do "SofaScore".

A contratação foi um pedido de Luís Castro, treinador que está em vias de ser oficializado pelo Botafogo e já teve reuniões com o departamento de futebol do Alvinegro para avaliar possíveis reforços.


Fonte: LANCE/Sergio Santana/Rio de Janeiro (RJ)