sexta-feira, 30 de junho de 2017

"Você foi brilhante, gringo!": o que os colegas falaram sobre o adeus de Montillo


Após anúncio de aposentadoria do argentino, companheiros de Botafogo admitem que ausência do meia será muito sentida no grupo




anúncio da aposentadoria de Montillo, nesta quinta-feira, não surpreendeu os jogadores botafoguenses. Eles já sabiam da intenção do argentino em parar de atuar. "Amigo", "brilhante" e "tristeza". Adjetivos deixados pelos ex-companheiros de Botafogo ao argentino, que agora inicia uma nova fase na vida.


Segundo o atacante Roger, a saída do jogador já era algo previsto pelos atletas. Uma tentativa de convencê-lo de mudar de ideia até foi feita, mas não adiantou.



Montillo deixou o Botafogo pouco mais de seis meses após a sua contratação (Foto: André Durão/GloboEsporte.com)


- Não nos pegou de surpresa (decisão de aposentadoria). Tentamos da outra vez, nos reunimos, conversamos. Sabemos o tamanho da importância dele pra nós. Mas o atleta tem o seu limite. Fico muito triste hoje, me emocionei à tarde quando vi o filho dele chorando, a esposa chorando. Me vi daqui a alguns anos, me despedindo e passando por isso. Fiquei muito triste, mas vai um recado para ele: "Você foi brilhante, gringo. Você foi um cara brilhante, não só como atleta, mas como pessoa. Estamos sempre na torcida pelo seu sucesso. Agora aproveita, passeia com a família, depois você volta, vem estar no campo". Um cara como o Montillo não pode ficar de fora. Desejo pra ele muita sorte, é um cara especial. Não estou falando do jogador, estou falando do pai, do cara que foi na coletiva com os filhos. Ele é muito especial. Que ele possa dar um tempo para a cabeça, para o corpo, e voltar. É um cara especial - disso o atacante.


Você foi brilhante, gringo. Você foi um cara brilhante, não só como atleta, mas como pessoa. Estamos sempre na torcida pelo seu sucesso - Roger, atacante do Botafogo.


O técnico Jair Ventura contou que, em uma outra ocasião na temporada, conseguiu evitar a aposentadoria do meia. Mas, desta vez, não teve jeito.


- O Montillo virou um amigo. Consegui reverter essa situação uma vez. Ele foi na minha sala, disse que não ia mais jogar, consegui reverter. Insisti bastante pela importância dele no grupo. É o nosso maior investimento, é o jogador mais técnico que eu tenho. Na segunda vez, ele falou que já estava decidido, que nem adiantava tentar. Depois disso, falei: "Estou com você". Estou sempre com os meus jogadores nas atitudes deles. Eu dou o conselho, mas quem sabe onde o calo aperta são os próprios jogadores. Ele tem a família dele, que estava sofrendo junto com ele. Momento triste não só para o Botafogo, mas para o futebol mundial, que perde um cara que é um excelente pai de família, um atleta super dedicado, a gente não tem nada (de negativo) para falar do Montillo. Um caráter fantástico, um cara super de grupo. Não por ele, mas pelo corpo dele que não aguenta mais o ritmo do nosso calendário, a gente perde um grande atleta e um grande homem. Mais uma perda importante, em um momento tão importante do nosso ano. Mas vamos lá. A vida do treinador é isso, sou pago pra isso - lamentou o treinador botafoguense.


O meia Camilo também lamentou a saída do companheiro do grupo e disse que a tristeza acometeu todo o grupo botafoguense.



Camilo lamentou a saída de Montillo do Botafogo (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)


- Triste pelo profissional que é, pela pessoa. Estava tentando dar o seu melhor pelo Botafogo, pelo grupo. Decisão pessoal, a gente sabia o quanto é difícil pra ele. Ele estava tentando, a gente via nos olhos dele a gana, a garra. Foi um momento triste, mas que a gente tem que continuar o trabalho. Tenho certeza que ele está torcendo por nós. Vamos fazer nosso melhor hoje para sair com um bom resultado. Todo mundo do grupo mandou mensagem pra ele. Ele retribuiu dizendo que vai torcer pra nós.


Já o zagueiro Emerson Silva citou que acompanhava a tristeza de Montillo desde que começaram as lesões no Botafogo.


- Sentimos bastante essa aposentadoria do Montillo. Um cara que estava no nosso dia a dia, um cara aguerrido, que a gente via que, quando lesionava, queria estar em campo, nos ajudando. A gente fica triste. Mas é aquilo: ele se sentiu bem, lógico que ele pensou muito na família dele. A gente fica feliz por esse lado. Agora ele vai ficar com a família e vai torcer por nós com certeza. É um cara que vamos levar no coração.


Fonte: GE/Por Gabriel Duarte e Guilherme Frossard, de Belo Horizonte

Obras, Bolt e muito futebol... de Engenhão a Nilton Santos, uma década de história


No aniversário de 10 anos, relembre a trajetória do estádio. Golaços, shows de rock, Olimpíadas, recordes, estatísticas, polêmicas...







Dez anos passam rápido, parece que foi ontem, mas o Nilton Santos tem muita história para contar. De Estádio Olímpico João Havelange a Engenhão, agora com o novo batismo de Nilton Santos, o local já viveu de tudo um pouco.


Obras e mais obras, mudanças de nomes e cores, títulos, Paul McCartney, escândalo da cobertura, Bolt, festa olímpica, o adeus de Montillo, futebol e Botafogo... muito Botafogo.


No dia em que completa uma década de sua inauguração, o GloboEsporte.com resumiu abaixou uma ainda curta, porém recheada, história do estádio. Confira.


QUASE 4 ANOS DE OBRAS; SEIS VEZES MAIS CARO


De olho no Pan, os trabalhos começaram em setembro de 2003. Na correira, o estádio foi entregue em junho de 2007, um mês antes da competição. O estádio foi erguido pela Prefeitura do Rio de Janeiro, no bairro do Engenho de Dentro, Zona Norte da cidade. Inicialmente orçado em R$ 60 milhões, o preço final ficou salgado. O complexo teve custo seis vezes maior do que o esperado: R$ 380 milhões.

Obras de construção do Estádio Nilton Santos, antigo Estádio Olímpico João Halelange (Foto: Marcio Cassol)


CLÁSSICO NA INAUGURAÇÃO

A bola rolou pela primeira vez em 30 de junho de 2007 para o clássico entre Botafogo e Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro. O placar foi 2 a 1 para o Alvinegro, mas o primeiro gol foi feito por Alex Dias, que jogava no Tricolor. Após o apito final, o Botafogo recebeu o troféu João Havelange, dedicado ao vencedor da partida de inauguração do estádio. O capitão Juninho recebeu a taça das mãos do prefeito César Maia. Já Alex Dias ficou com o troféu Valdir Pereira, em honra ao eterno craque Didi, autor do primeiro gol do Maracanã.


Carlos Alberto, Fluminense x Botafogo 2007 (Foto: Alexandre Durão / Globoesporte.com)


A CASA DO PAN

Nos Jogos Pan-americanos de 2007, realizados no Rio de Janeiro, o Estádio Nilton Santos sediou as competições de futebol e atletismo. Foi a oportunidades para cariocas e brasileiros conhecerem de perto o Engenhão.


Destaque para a brasileira Fabiana Murer, que confirmou o favoritismo e levou o ouro no salto com vara anotando a marca de 4,40 metros. Jadel Gregório e Maurren Maggin também brilharam no em distância e subiram no lugar mais alto do pódio. O atletismo dos Jogos Parapan também foi disputado no local.


Fabiana Murer durante o Pan-Americano de 2007 (Foto: Getty Images)


E O VENCEDOR É...

No dia 29 de junho de 2007, foi publicado no Diário Oficial do Rio de Janeiro o aviso de que o Estádio Olímpico João Havelange seria licitado pelo prazo de 20 anos e a abertura dos envelopes com as propostas acontecia no dia 1º de agosto. O valor mínimo de remuneração para o município seria de R$1.680,00.


Em 1º de agosto, na abertura dos envelopes, embora tenha sido noticiado que o Fluminense e o Flamengo estariam interessados, somente o Botafogo reunia as condições necessárias para concorrer por causa da Cia Botafogo - criada no início da gestão Bebeto de Freitas para atender à Lei Pelé. Com isso, o Botafogo foi declarado vencedor com a oferta de R$36 mil reais mensais. E realizou a assinatura do Termo de Concessão.


ARTILHEIROS



Cavadinha de Loco contra o Fluminense. No total, foram 41 gols do uruguaio no estádio (Foto: reprodução)


É claro que o artilheiro do Nilton Santos tinha que ser jogador do Botafogo. Ídolo do clube entre 2010 e 2012, o uruguaio Loco Abreu marcou 41 gols no estádio. Ele é seguido de perto, no entanto, pelo ex-tricolor Fred, hoje no Atlético-MG. Bicampeão brasileiro no estádio com o Fluminense, o centroavante converteu 36 vezes. O terceiro da lista é outro estrangeiro. Com passagem pelo Glorioso no mesmo período de Loco, Herrera foi às redes 26 vezes no Engenhão.


PRINCIPAIS ARTILHEIROS DO NILTON SANTOS

Loco Abreu 41
Fred 39
Herrera 36
Lúcio Flávio 23
Thiago Neves 18
Rafael Moura 17
Wellington Paulista 14
David 14

GOLAÇOS

Não podemos esquecer dos gols. Teve de tudo quanto é jeito: cabeça, falta, cobertura, pênalti, bicicleta... Muitos chamaram atenção pela beleza. E para homenagear o Botafogo, recordamos uma goleada por 4 a 1 diante do Cruzeiro ainda em 2007, pelo Campeonato Brasileiro. Dos quatro gols alvinegros, três foram verdadeiras pinturas. (Veja, abaixo).



Em 2007, Botafogo faz 4 a 1 sobre Cruzeiro pelo Campeonato Brasileiro


A POLÊMICA COBERTURA

Em março de 2013, uma notícia surpreendeu a todos. O então prefeito Eduardo Paes convocou coletiva de emergência para anunciar que o estádio seria interditado por 18 meses. O motivo? Relatórios apontaram que a cobertura gerava risco para os espectadores em caso de ventos fortes.


Depois de muito jogo de empurra, as obras começaram sob a responsabilidade do consórcio, que reuniu as construtoras OAS e Odebrecht. A obra original foi da Delta.



Prefeitura do Rio interdita Engenhão por causa de problemas na cobertura

A decisão aconteceu no momento em que o Maracanã era entregue para a Copa das Confederações, e o consórcio negociava com os clubes. Alguns relatórios posteriores apontaram que a reforma não era necessária. No ano passado, estudo conduzido pelas empresas DFA Engenharia e pela Controlatto apontaram que a reforma não era necessária.


SR. PAUL McCARTNEY E A VOLTA DO GUNS



Axl Rose e Slash Guns n roses (Foto: Divulgação / GNR)


Nesses 10 anos, o estádio não recebeu apenas eventos esportivos. Em diversas oportunidades, a música foi a principal atração da noite. No dia 23 de maio de 2011, por exemplo, o ex-beatle Paul McCartney agitou os cariocas durante 2h30 de muitos sucessos. Cinco anos depois foi a vez da banda americana Guns N' Roses se apresentar no estádio. O show contou com três integrantes originais: Axl Rose, o baixista Duff McKagan e o guitarrista Slash.



Esquema especial de transporte é montado para o show da Banda Guns N' Roses, no Rio


E MAIS OBRAS (RIO-2016)

No fim de 2015, o estádio foi novamente fechado para reformas. Por sua vez, ao longo de 2016, recebeu apenas os Jogos Olímpicos. Não houve futebol no local. Até por isso o Botafogo alugou o Estádio Luso-Brasileiro, na Ilha do Governador.


Com investimento de R$ 52 milhões, obras alteraram a capacidade de público, trocaram pistas e adequaram a infraestrutura. Outras importantes intervenções foram feitas na parte elétrica, adequada para atender aos requisitos de novas tecnologias de transmissão e exigências dos Jogos.



Obra no estádio Nilton Santos para a Rio 2016 (Foto: André Durão)


SHOW DE BOLT E OURO DE THIAGO

Assim como no Pan de 2007, o Estádio Olímpico foi sede do atletismo na Olimpíada de 2016. O grande destaque, é claro, foi Usan Bolt. O jamaicano disputou os 100 m rasos, os 200 m rasos e o revezamento 4x100 m e venceu em todas as três modalidades como nos dois Jogos anteriores. Fez história ao se tornar o primeiro tricampeão olímpico consecutivo nas três modalidades. Outro momento marcante foi a surpreendente medalha de outro do brasileiro Thiago Braz, no salto com vara.



Usain Bolt ouro final 200m Olimpíada Rio 2016 (Foto: Getty Images)



A CARA DO BOTAFOGO

Em 15 de dezembro de 2016, o Botafogo divulgou o projeto de customatização do estádio no valor de R$ 800 mil. A principal mudança foi na pintura das arquibancadas, que passou a levar as cores e os escudos do clube. Desde então, o clube se orgulha da tranformação que virou, de fato, a casa do Botafogo.



Estádio Nilton Santos, Engenhão (Foto: Divulgação / Botafogo)


NUMERALHA*

Arquibancadas: 45.217 lugares, sendo 21.549 no anel superior - leste e oeste - e 23.668 no anel inferior; Tribunas, camarotes e área central leste: 1.364 lugares; Acomodações para cadeirantes: 250 lugares; Total de lugares no Estádio Nilton Santos - 46.831 espectadores:

Estacionamentos: 1.660 vagas cobertas

Início das Obras - Setembro de 2003 / Término das Obras - Junho de 2007


* Fonte: site oficial do Botafogo.


Fonte: GE/Por Felippe Costa, Marcelo Baltar e Thiago Lima, Rio de Janeiro