Páginas

sábado, 22 de dezembro de 2018

Penhora e recesso afetam planos, e Botafogo corre para evitar risco de debandada por atraso salarial


Em crise financeira, clube pode pular de um para três meses de débito com elenco em janeiro devido ao 13º. Presidente monta operação para pagar funcionários e conter insatisfação interna






CEP voltou a participar ativamente do clube após divergências internas — Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo



A crise financeira do segundo semestre de 2018 no Botafogo parecia até certo ponto controlada com a venda de Matheus Fernandes para o Palmeiras, por € 3,5 milhões (cerca de R$ 15,2 milhões). Porém, os últimos acontecimentos tiram o sono alvinegro neste fim do ano: a penhora da primeira parcela, de aproximadamente R$ 6,5 milhões; o recesso da Justiça até o dia 6 de janeiro; e a decisão de não aceitar a proposta de R$ 12 milhões do Atletico-MG por Igor Rabello, mesmo com os cofres vazios em General Severiano, fazem o clube correr risco de debandada no início de 2019.


+ Veja mais notícias do Botafogo



Explica-se: os jogadores estão com os salários de novembro pendentes – de FGTS e direitos de imagem – desde o quinto dia útil de dezembro. No início de janeiro, completariam-se dois meses, só que com o 13º passarão a ser três caso o clube não consiga quitar nada nas próximas semanas. E a partir de três vencimentos em atraso, qualquer atleta pode buscar rescisão unilateral na Justiça – experiência que o Botafogo já viveu no final de 2014 e início de 2015 com Daniel, Gabriel, Andrey...


Ou seja, o clube poderia perder o vínculo com jogadores sob contrato – inclusive Igor Rabello – sem ganhar nada. No grupo do "Mais Botafogo" no WhatsApp, a preocupação com a situação financeira – e como o clube fará para pagar os salários sem previsão de novos recursos no curto prazo – gerou o questionamento se a transação com o Atlético-MG ainda estava em aberto. Vice geral, Carlos Eduardo Pereira respondeu que o presidente Nelson Mufarrej havia encerrado as negociações.



Diretoria quer esperar ofertas melhores por Igor Rabello, maior ativo do clube — Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo



CEP, como é conhecido o ex-presidente, foi junto do vice jurídico, Domingos Fleury, as principais vozes contra a venda de Igor Rabello na reunião que decidiu não aceitar a proposta do Atletico-MG. Empresário do zagueiro, Anselmo Paiva já disse que o ciclo dele no Botafogo está próximo do fim. Até porque a recusa frustrou também o atleta, que teria aumento salarial e ainda disputaria a Libertadores. A expectativa agora é pela chegada de ofertas na janela europeia de janeiro.


Enquanto isso, para evitar o risco de baixas na Justiça, o clube precisará pagar ao menos R$ 500 mil de FGTS até 7 de janeiro, mas o caixa no momento não tem esse valor. O dinheiro da venda de Matheus Fernandes seria usado para esse fim, mas foi integralmente penhorado por uma ação trabalhista movida pelo técnico Oswaldo de Oliveira, que cobra pagamentos não realizados entre 2011 e 2013. O Botafogo entrou com recurso, mas como o recesso do judiciário começou quinta-feira, a diretoria terá que recorrer a um juiz de plantão, mas dificilmente conseguirá o desbloqueio antes do dia 6.


Mesmo desbloqueando a primeira parcela do Palmeiras, o clube precisará negociar para evitar novas penhoras. Em entrevista publicada pelo GloboEsporte.com na última sexta-feira, o novo vice comercial e de marketing, Ricardo Rotenberg, revelou um "rombo" de aproximadamente R$ 100 milhões deixado no último ano da gestão de Maurício Assumpção, que não entrou no Ato Trabalhista e começou a aparecer agora – como por exemplo os processos do Oswaldo de Oliveira e André Bahia, que pode reter a premiação do Brasileiro.



Operação paga funcionários



Mufarrej se emocionou ao anunciar pagamento de novembro a funcionários — Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo



Com os salários atrasados de novembro e perto de vencer dezembro e metade do 13º, a insatisfação entre funcionários do clube era grande. Reclamações sobre contas atrasadas e Natal sem dinheiro eram frequentes nos corredores de General Severiano. Mas com ajuda do benemérito Cláudio Good, que emprestou dinheiro do próprio bolso, a diretoria montou uma operação com garantias e pagou na última sexta-feira os vencimentos em aberto do seu quadro de empregados.


Antes, o clima pesado era tão grande internamente que vários funcionários cogitaram sequer ir à confraternização de fim de ano do Botafogo, realizada na tarde última sexta-feira, no Setor Norte do Nilton Santos. Mas a maioria foi até lá e ouviu a notícia do pagamento da boca do próprio presidente. Em discurso, Mufarrej chegou a se emocionar ao imaginar como seria triste o Natal das pessoas mais humildes. O clube também devia a prestadores de serviço e fornecedores do estádio.


Fonte: GE/Por Thiago Lima — Rio de Janeiro

Mufarrej assume negociação do Botafogo com o Atlético-MG e faz jogo duro para liberar Igor Rabello


Após Galo oferecer R$ 12 milhões e disponibilizar jogadores para Glorioso escolher, presidente faz contraproposta não respondida, e conversas esfriam. Clube acredita em oferta do exterior


Vitor Silva/SSPress/Botafogo




A negociação entre Atlético-MG e Botafogo por Igor Rabello ganhou ares de novela. Depois de uma aproximação inicial entre as diretorias, as conversas esfriaram. O Galo , mas segue insistindo na contratação do jovem zagueiro, de 23 anos, que tem contrato até o fim de 2021. No Glorioso, o presidente Nelson Mufarrej tomou a frente das tratativas e tem feito jogo duro para vender sua joia, mesmo diante da crise financeira que o clube atravessa.


+ Veja quem chega e quem sai do Atlético-MG em 2019
+ Veja quem chega e quem sai do Botafogo em 2019


O Atlético-MG primeiro oferecereu R$ 12 milhões por 70% dos direitos econômicos de Rabello, maso Botafogo recusou. Em um segundo momento, o Galo manteve o valor, mas disponibilizou uma lista de jogadores para compor uma nova proposta. Por sua vez, o Glorioso fez uma contra-proposta pedindo R$ 15 milhões e dois jogadores em definitivo: o zagueiro Gabriel e o lateral-esquerdo Danilo Barcelos, que já tem um acerto com o Vasco.


O GloboEsporte.com apurou que a contraproposta não teve resposta ainda, e no grupo de WhatsApp da diretoria do Botafogo o vice-presidente geral, Carlos Eduardo Pereira, avisou que as negociações foram encerradas. É possível que elas sejam reabertas caso o Atlético-MG retorne com mais dinheiro, porém, o Glorioso trabalha com a ideia de esperar por propostas do exterior na janela de transferências internacionais da Europa que abre em janeiro.



Aos 23 anos, Igor Rabello tem 11 jogos e seis gols pelo Botafogo — Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo


A confiança do Botafogo em nova investida internacional vem do histórico sobre Igr Rabello em 2018. Em junho, o clube recebeu e aceitou uma oferta de R$ 25 milhões do Akhmat Grozny, da Chechênia, mas a proposta foi recusada pelo próprio zagueiro por causa do projeto esportivo e da pouca visibilidade do país. O General também foi observado ao longo da temporada por Udinese (Itália), Anderlecht (Bélgica), Basel (Suíça) e Werder Bremen (Alemanha).



O Atlético-MG conta com um parceiro financeiro para poder chegar a um valor que agrade ao Botafogo para liberar Igor Rabello, que hoje é o principal ativo dos cariocas. O defensor chegaria para ser titular da defesa atleticana, e o Galo usa o fato de jogar a Libertadores e uma valorização salarial como atrativos. O clube mineiro já contratou Réver, que estava no Flamengo, e mira o zagueiro alvinegro para fechar a meta de dois reforços para a zaga em 2019.


Igor Rabello tem 111 jogos e seis gols com a camisa do Botafogo, com multa rescisória de € 10 milhões (cerca de R$ 44 milhões). Em 2018, ele jogou 61 das 62 partidas do time na temporada, perdendo só uma por suspensão. Teve a maior minutagem entre jogadores da posição no Campeonato Brasileiro e fez parte de uma lista de monitoramento do técnico Tite. Convocado para as seleções de base, o zagueiro nunca foi chamado para a seleção principal.


Fonte: GE/Por Thiago Lima — Rio de Janeiro