sexta-feira, 19 de maio de 2017

Rouco de tanto torcer, pé-quente Arnaldo se anima no Bota: "Chegou minha hora"


Lateral-direito é apresentado oficialmente, foge do rótulo de "solução" para os problemas de Jair Ventura e vê chance da vida no Alvinegro: "Cheguei aqui e não quero sair mais"




Arnaldo vestiu a camisa do Botafogo e já deve estrear no domingo (Foto: Divulgação)

Arquibancada na quinta-feira, sala de imprensa na sexta. Arnaldo viveu a experiência de ser torcedor em um jogo do Botafogo antes de ser apresentado oficialmente como o reforço para a lateral direito do clube. E está empolgado. Depois de ver o seu novo time bater o atual campeão da Libertadores, o Atlético Nacional da Colômbia, e garantir vaga nas oitavas de final do torneio, o ala de 25 anos brincou que foi pé-quente, exaltou a torcida, admitiu "frio na barriga" para começar logo a jogar e viu a oportunidade no Alvinegro como chance da vida.


– Cheguei em momento bom, até brinquei que fui pé quente. Cabeça está tranquila, todo jogador sonha viver esse momento, acho que chegou minha hora. Todo jogador sonha em vestir uma camisa pesada, trabalhei muito tempo para isso. Ansioso a gente fica um pouco, friozinho na barriga... É importante sentir isso – afirmou o lateral, que assinou contrato até dezembro e está com brilho nos olhos.


Arnaldo foi apresentado por Antônio Lopes e já deve fazer sua estreia neste domingo, quando o Botafogo recebe a Ponte Preta às 18h (de Brasília), no Nilton Santos, pela segunda rodada do Campeonato Brasileiro. O gerente de futebol alvinegro elogiou a contratação e disse que o setor de inteligência do clube já vinha o monitorando desde o Paulista, quando ele atuava pelo Ituano.


Arnaldo postou foto em dia de torcedor do Botafogo na
 arquibancada (Foto: Reprodução)
– Vamos fazer a apresentação do nosso lateral-direito. O nosso serviço de inteligência monitorou esse jogador durante o Paulista todo, se destacou bem, uma das grandes surpresas, foi revelação em São Paulo. Estávamos precisando contratar e o fizemos. Com certeza ele vai ser bastante útil ao nosso plantel. Certeza de que vai se apresentar bem.


Confira outros trechos da coletiva de Arnaldo:

SOLUÇÃO
Não vejo como a solução, vim para ajudar o Botafogo. Estão jogando o Marcelo e o Emerson improvisados, eu vim para ajudar da melhor maneira possível.


TITULARIDADEIsso aí não me passou nada, falou para vocês? (risos)


CHANCE DE JOGAR LIBERTADORESFalei hoje para o meu irmão, acho que a ficha vai cair quando o juiz apitar e eu estiver em campo (risos). Cheguei aqui e não quero sair mais.


DIA DE TORCEDORComentei ontem, ficar fora é bem pior que estar jogando. Fiquei até rouco. A emoção é bacana, mesmo fora me senti lá dentro. A torcida é fora de série, coisa de outro mundo.


VESTIÁRIO PÓS-JOGO
Festa né? Alívio também um pouco. Time vinha recebendo muitas críticas, mais uma vez eles provaram que são capazes, que têm muita qualidade. Quando faz isso é o que aconteceu ontem: vitória.






Fonte: GE/Por Thiago Lima, Rio de Janeiro

"Aqui nã🔥"! 5 razões que fizeram do Bota o exterminador de campeões na Liberta


Em busca do título inédito, Alvinegro já superou ganhadores de 10 conquistas só nesta edição do torneio e garantiu vaga nas oitavas de final com uma rodada de antecedência no grupo da morte



"Aqui não"! Seja na brincadeira ou falando grosso, a expressão usada pelos jogadores simbolizam o Botafogo nesta Libertadores. Um verdadeiro exterminador de campeões. Só nesta edição do torneio, o Alvinegro venceu todos os conquistadores da América do Sul que apareceram em sua reta: o chileno Colo-Colo, o paraguaio Olimpia, o argentino Estudiantes e o colombiano Atlético Nacional, atual detentor do título, que juntos somam 10 taças. Curiosamente, o único adversário que o time de Jair Ventura não conseguiu superar foi o equatoriano Barcelona de Guayaquil, que bateu na trave em duas finais.



Jogadores comemoram a classificação para as oitavas de final (Foto: André Durão)


De desacreditado a classificado para as oitavas de final com uma rodada de antecedência no grupo da morte, tendo ainda passado pela Pré-Libertadores. O Botafogo mantém vivo o sonho do título inédito com uma receita de cinco ingredientes que vem dando muito certo:


TIME COPEIRO
Jair Ventura costuma classificar o Botafogo como time de operários. O que é verdade, não há um medalhão como tem em outros clubes que disputaram a fase de grupos: Guerrero e Diego (Flamengo); Fred e Robinho (Atlético-MG); Felipe Melo e Borja (Palmeiras); Renato e Lucas Lima (Santos); Lucho González e Carlos Alberto (Atlético-PR)... Mas na base da intensidade, o Alvinegro aprendeu a ser copeiro, com marcação compacta, povoando o meio de campo, explorando os contra-ataques e respondendo catimba sem cair em provocação.

RESERVAS DE LUXO
O elenco do Botafogo é deficitário, faltam peças de reposição, mas o banco teve grande parcela de êxito nesta trajetória até aqui na Libertadores. Por causa das muitas lesões que o plantel vem sofrendo desde a temporada passada, até pelo nível de intensidade das atuações (110%, segundo Jair), o técnico só conseguiu uma vez repetir a escalação no torneio: nos dois jogos fora de casa contra Atlético Nacional e Barcelona de Guayaquil. Mas quem entrou deu conta do recado: Guilherme marcou sobre o Atlético Nacional; Igor Rabello tirou tudo; Sassá construiu a jogada da vitória em cima do Estudiantes; Gatito (na época reserva) entrou para defender três pênaltis diante do Olimpia; Lindoso deu assistência para Pimpão...

ESTRELA DE PIMPÃO
E por falar no atacante... Não é que a estrela dele está brilhando logo na primeira vez que ele participa da Libertadores? Contando só jogos oficiais, o atacante marcou todos os seus gols no torneio, todos decisivos: o gol do empate por 1 a 1 com o Colo-Colo no Chile; o de bicicleta no 1 a 0 sobre o Olimpia no Nilton Santos; o da vitória por 2 a 1 sobre o Estudiantes, novamente em casa; e o do triunfo por 1 a 0 sobre o Atlético Nacional na última quinta-feira. Além disso, ele teve participação crucial no gol-contra de Pavez no 2 a 1 sobre o Colo-Colo.

FATOR TORCIDA
Os alvinegros têm feito a sua parte. Na Libertadores, o Botafogo não jogou para menos de 29 mil pessoas no Nilton Santos: foram 38.357 na estreia contra o Colo-Colo; 29.514 diante do Olimpia; 30.107 no duelo com o Estudiantes; 34.034 contra o Barcelona de Guayaquil; e 33.317 diante do Atlético Nacional. A postura da torcida de apoio irrestrito arrepia os jogadores, intimida os adversários e empurra o time em campo. Sem contar na festa com mosaico que vem se transformando em tradição no torneio: só nesta edição foram três.

RECOMPENSA
Um dos segredos motivacionais da equipe passa pelo fator financeiro. A receita é a mesma do ano passado: a aposta no tradicional "bicho", recompensa dada em dinheiro por vitórias no futebol, que já havia voltado com toda força a General Severiano na reta final do último Campeonato Brasileiro. Na época, as premiações chegavam na casa dos R$ 200 mil para dividir entre jogadores relacionados e comissão técnica. Na Libertadores, os valores são ainda maiores. Em acordo com o elenco, a diretoria separa metade do que recebe da Conmebol e usa como bonificações por metas, como agora com a classificação às oitavas.


Fonte: GE/Por Felippe Costa, Marcelo Baltar e Thiago Lima, Rio de Janeiro