terça-feira, 28 de março de 2017

Final da Taça RJ durante Libertadores? "Melhor do que estar fora", diz Lindoso


Botafogo marca viagem direta da Colômbia para Equador e poderá ter conflito de data com decisão do segundo turno do Carioca. Se chegar lá, Alvinegro deve ter time misto




Lindoso com jogadores em viagem pela Libertadores: time não
 volta para final da Taça Rio (Foto: Divulgação)
Disputando duas competições simultâneas, o Botafogo pode se ver obrigado a escolher entre Libertadores e Campeonato Carioca, ao menos na fase decisiva da Taça Rio. Como as próximas duas rodadas da competição sul-americana são fora de casa, contra Atlético Nacional e Barcelona de Guayaquil, e em jogos com só uma semana de diferença, o clube decidiu que irá direto da Colômbia para o Equador. A viagem já está marcada: embarcam dia 11 de abril e voltam ao Rio de Janeiro só dia 21. Porém, a final do segundo turno do estadual é dia 16.


Restando duas rodadas para o fim da fase de grupos da Taça Rio, o Botafogo está fora da zona de classificação para a semifinal do returno. O Alvinegro está em terceiro lugar com os mesmos sete pontos do Nova Iguaçu, mas atrás no número de gols pró, que é critério de desempate. Se o time de Jair Ventura avançar até a decisão, uma equipe alternativa será escalada para a partida. Questionado sobre como vai ser caso esse cenário se confirme, Lindoso preferiu ver o lado positivo e não abriu mão da taça.


– Não sei, mas a gente quer estar. Vai ser uma dor de cabeça de logística pelo lado positivo, melhor do que estar fora. É oportunidade, imagina jogarem quinta e voltar domingo para uma decisão de estadual. Se acontecer isso vai ser bom para outros jogadores aproveitarem o espaço, bom para o clube também. Isso é questão que já foi debatida bastante, não concordo muito com modo de disputa, mas está aí, não pode mudar agora. Cabe a nós jogadores entrar em campo e tentar ganhar. Estar na fase final é bom para quem não vem sendo titular na Libertadores mostrar seu trabalho. Se estiverem os times grandes lá, vai ser um bom teste – afirmou.


Outro modo de chegar à fase final do Carioca sem ser campeão da Taça Rio é pela classificação geral: os dois maiores pontuadores, tirando os vencedores de cada turno, também avançam para a semifinal. O Alvinegro atualmente é o quarto colocado no agregado, com 14 pontos.


Confira outros trechos da entrevista de Lindoso:

CHANCE DE CLASSIFICAÇÃO

Pela grandeza do Botafogo devemos sempre depender de nós, acabamos dando uma bobeada no Carioca, mas esse jogo contra o Bangu serviu para dar uma levantada na gente, com jogadores que não vinham sendo titulares, seguramos a vitória mesmo com um a menos.

PORTUGUESA
Toda equipe a gente tem que entrar com respeito, acontece muito isso no Carioca. O Madureira fez um bom primeiro turno, e agora tem só um ponto. Tem que respeitar bastante porque eles cresceram no segundo turno, já pagamos por isso outras vezes por não entrar tão concentrado.

MAL EM CLÁSSICOS

Clássico é 50% a 50%, não tem favorito. Contra o Vasco tivemos as melhores oportunidades, contra o Fluminense foi um jogo atípico... A concentração não foi a mesma dos jogos da Libertadores, nos cobramos para não acontecer isso, e demos resposta contra o Bangu. É um pouco de paciência, Jair vem cobrando isso de estar focado sempre.

AVALIAÇÃO CONTRA O BANGU

A minha avaliação foi positiva. Claro que vocês fazem a análise de vocês. Acho que fiz um bom jogo, procuro sempre atender o que o Jair pede. Às vezes passam despercebidas algumas coisas, existe o 'serviço sujo'. Eu, Airton, o Bruno... A gente não aparece muito, mas tem fator fundamental. Venho treinando, me dedicando bastante e fui coroado com esse jogo.

COM CAMILO E PIMPÃO, MELHOR 3 VOLANTES?
Quando falei em serviço sujo não é assim. (Marcar mais) Mas nem sempre acontece, é um jogo ou outro. Isso é meio chato de falar, o Jair é o nosso comandante, e a gente respeita os companheiros. Mas se eu falar que estou satisfeito no banco, não estou. Trabalho para jogar, desde que cheguei ao Botafogo tenho números positivos. Me sinto fazendo parte do grupo e procuro fazer o meu, cabe ao Jair achar que deve me utilizar ou não

JOGO CONTRA SEU COMPADRE
Sou padrinho do filho dele (Márcio, goleiro do Bangu). Foi algo inédito (enfrentá-lo). Ontem mesmo estava com ele, a gente sempre procura quando tem um tempinho ficar junto. Até quando teve o pênalti ele ficou meio assustado, achou que eu iria bater (risos). Foi legal, infelizmente pra ele não foi tão bom.

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Fonte: GE/Por Thiago Lima/Rio de Janeiro

Redução de dívida, déficit... Botafogo vota seu balanço de 2016 nesta quinta


Clube paga mais de R$ 20 milhões em débitos, lucra mais que o orçado com o futebol, mas altos gastos com Arena da Ilha impedem que setor financeiro feche o ano no azul


O Botafogo vota na noite desta quinta-feira, em reunião do Conselho Deliberativo, a aprovação de seu balanço do exercício de 2016. Cada área do clube fechou os seus respectivos relatórios, que foram enviados a todos os conselheiros na semana passada. O GloboEsporte.com teve acesso aos documentos e apresenta aos torcedores, nos próximos três dias, os principais pontos que serão apreciados pelos poderes internos do Alvinegro. Começando pelas finanças:




DÍVIDA TOTAL
Evolução da dívida do Botafogo nos últimos anos: expectativa é de igualar o débito de 2012 até 2020 (Foto: Reprodução)

Pelo segundo ano seguido, o Botafogo conseguiu reduzir sua dívida, que chegou a ser a maior do futebol brasileiro em 2014 com um débito de R$ 806.152.000,00. Em 2015, o montante já havia diminuído em cerca de R$ 100 milhões, graças aos refinanciamento junto ao Profut (Programa de modernização da gestão e de responsabilidade fiscal do futebol brasileiro). No ano passado, nova redução, agora de R$ 20.543.000,00, caindo o débito para R$ 685.486.000,00.


– Os resultados econômicos e financeiros de 2016 demonstram, portanto, uma situação econômica e financeira do Botafogo ainda extremamente grave, porém numa tendência de estabilização ou mesmo de melhoria. (...) Uma análise superficial permite projetar que em aproximadamente quatro anos, mantida a performance financeira alcançada em 2016 e sem considerar os efeitos da inflação, a dívida do Botafogo estará equacionada no mesmo patamar do ano de 2012 – escreveu o vice-presidente de finanças, Luiz Felipe Novis, em seu relatório.



FUTEBOL E DEMAIS ÁREAS


Carro-chefe do clube, o futebol foi bem em 2016 e arrecadou mais do que previa o orçamento com a campanha do vice-campeonato carioca e a trajetória de classificação à Libertadores. Foi a única área – junto com estádio, que é um capítulo à parte – a obter receitas maiores do que o esperado: R$ 18.665.049,00 acima do programado (veja no quadro abaixo). Vale lembrar que teve a venda de Ribamar para o TSV Munique 1860, da Alemanha, por R$ 9 milhões, e a segunda parcela do Olympique de Marseille, da França, por Dória, no valor de R$ 7,3 milhões.

Quadro mostra a comparação entre o orçamento em 2016 e o que foi obtido ao final da temporada (Foto: Reprodução)

Maiores receitas, porém, maiores despesas. Foram R$ 12.378.399,00 a mais de custos com o carro-chefe, somando R$ 92.432.624,00. Áreas como remo e esportes gerais também gastaram mais que o previsto, mas em números próximos, longe da diferença do futebol. O departamento teve um aumento de 51% em relação ao gasto com pessoal em 2015. Segundo relatório, o aumento foi pela necessidade de se reforçar a equipe para o Campeonato Brasileiro da Série A.


DÉFICIT X ARENA DA ILHA

Como mencionado antes, o item estádio é um capítulo à parte. Rendeu mais receitas que o esperado, só que ainda mais despesas fora do programado. Tudo isso devido ao projeto da Arena Botafogo no Luso-Brasileiro, que foi orçado em R$ 5 milhões, mas saiu muito mais caro. Com investimento em arquibancadas provisórias, gramado, reforma de vestiários e sala de imprensa, banheiros químicos, cabines de imprensa, pintura, acesso, roletas, instalação de refletores e outras obras emergenciais, a despesa total foi de R$ 12.964.000,00.

Arena Botafogo custou quase R$ 13 milhões aos cofres do clube e potencializaram o déficit (Foto: Divulgação / Botafogo)

A Arena da Ilha, que recebeu um total de 128 mil pessoas, com uma renda bruta de R$ 3.199.000,00, foi a maior responsável pelo clube não ter fechado o ano no azul. De acordo com o balanço patrimonial, o Botafogo apresentou em 2016 um déficit de R$ 9.243.000,00 causado, principalmente, pelos investimentos nas obras em diversas sedes (Luso-Brasileiro, Ginásio em General Severiano, Sede de Remo e personalização do Estádio Nilton Santos), além das atualizações monetárias dos impostos, dos parcelamentos e dos juros dos contratos de mútuos.


– No caso específico da Arena Botafogo, deve-se ressaltar a contrapartida do enorme ganho técnico do empreendimento, que permitiu ao Clube não apenas evitar o rebaixamento no Campeonato Brasileiro de 2016, como também garantir a sua participação na Copa Libertadores em 2017 – ponderou Novis em seu relatório sobre a análise de resultados.



EMPRÉSTIMOS

A maior parte da dívida do Botafogo está concentrada em débitos trabalhistas e fiscais, já equacionados pelo Ato Trabalhista e pelo Profut, respectivamente. Mas o clube ainda precisa lidar com os empréstimos via credores como por exemplo a CBF, a Ferj, o Banco BMG... No processo de renegociação, o total do endividamento teve uma redução de 1,06%.

Relação de credores e empréstimos do Botafogo: em 2016, clube assumiu dívida da Cia. Botafogo (Foto: Reprodução)

Porém, o endividamento líquido sofreu um aumento de 11,59% em relação ao valor em 31 de dezembro de 2015. Resultado decorrente, principalmente, pelo fato de o clube em 2016 ter assumido integralmente a dívida e as demais obrigações da Companhia Botafogo.



PREVISÃO PARA 2017


Dos seis tipos de dívidas, o Botafogo em 2016 diminuiu quatro: empréstimos, trabalhista, fiscal / tributária e de negociação de atletas (veja no quadro abaixo). Na contramão, os débitos da área cível e de fornecedores sofreram aumentos. O cenário ainda é considerado preocupante, mas a expectativa do departamento financeiro em 2017 – último ano da gestão de Carlos Eduardo Pereira – é manter o passivo do clube sob controle e melhorar o equacionamento da dívida total através das renegociações e operações de crédito.

Gráficos mostram a dívida total do Botafogo dividida por área: maiores quantias hoje são trabalhistas (Foto: Reprodução)

– Apesar de riscos visíveis e invisíveis, que surgem na gestão diária do clube, alguns fatores positivos, como a revitalização e o potencial de negócios do Estádio Olímpico Nilton Santos, os novos patrocínios, as novas receitas de premiação da Taça Libertadores, e a grande capacidade do futebol da base em gerar novos recursos pela venda de direitos federativos, permitem trazer o necessário otimismo e motivação em relação ao futuro do Botafogo em 2017 e adiante – analisou Novis no fim de seu relatório.


O orçamento, aprovado no último mês de dezembro, para 2017 tem previsão de receitas na ordem de R$ 191 milhões, quase R$ 40 milhões a mais do que ano passado. Carro-chefe, o futebol vai gerar cerca de R$ 166 milhões. A previsão de despesas do Botafogo para 2017 é de R$ 134 milhões. No orçamento, o futebol alvinegro vai gastar R$ 99 milhões, incluindo salários e encargos de jogadores e comissão técnica do elenco profissional e da base.

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Fonte: GE/Por Thiago LimaRio de Janeiro