segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Caso Arão: Bota rejeita oferta do Flamengo para jogar no Engenhão


Segundo Globoesporte.com apurou, Rubro-Negro oferece R$ 3 milhões por aluguel de 10 jogos, além do empréstimo de Adryan. Clube da Gávea nega ter oferecido atleta




A novela que se arrasta há quase um ano parece longe de seus capítulos finais. William Arão, Botafogo e Flamengo estão cada vez mais distantes de um acerto. No dia 5 deste mês, as partes se reuniram em audiência de conciliação, no Tribunal Regional do Trabalho. Na ocasião, as três partes concordaram, e o desembargador determinou que o processo fosse suspenso por duas semanas para que os clubes tentassem um acordo.

Após a audiência, o vice de Patrimônio do Flamengo, Alexandre Wrobel, procurou o Botafogo para tentar encontrar uma forma de encerrar o assunto. E a conversa envolveria o aluguel do Engenhão. O dirigente disse que o Flamengo tinha a intenção de usar o Estádio Nilton Santos e fez uma oferta para isso. De acordo com o que o GloboEsporte.com apurou com dirigentes do Botafogo, a proposta foi de R$ 3 milhões por 10 jogos, algo que Wrobel e o clube negam. Além disso, ainda de acordo com dirigentes do Bota, numa conversa informal, surgiu o nome do meia Adryan como possibilidade de empréstimo para o Alvinegro até o fim do ano. O Botafogo, que recebeu o Engenhão do Comitê Olímpico nesta segunda-feira, achou a oferta baixíssima e não topou o acordo.

Representaram o Flamengo Alexandre Wrobel e o CEO do clube, Frederico Luz. Além de mim e do Nelson Mufarrej (vice-geral do Botafogo). Fizeram a proposta. Wrobel ofereceu o Adryan por empréstimo ao Botafogo até o fim do ano sem custos, como compensação pelo Arão
Domingos Fleury, vice-jurídico do Botafogo


O vice-presidente jurídico do Botafogo, Domingos Fleury, disse que o encontro ocorreu na terça-feira passada no escritório dele. Na conversa, segundo ele, o Flamengo fez a oferta.


- Representaram o Flamengo Alexandre Wrobel e o CEO do clube, Frederico Luz. Além de mim e do Nelson Mufarrej (vice-geral do Botafogo). Fizeram a proposta. Wrobel ofereceu o Adryan por empréstimo ao Botafogo até o fim do ano sem custos, como compensação pelo Arão - afirmou Fleury.

Em contato com o GloboEsporte.com, Alexandre Wrobel confirmou que se reuniu na semana passada com o Botafogo, por intermédio do prefeito do Rio, Eduardo Paes, para tentarem achar uma solução para o Flamengo jogar no Estádio Nilton Santos. Segundo ele, houve uma conversa para buscar uma composição, mas, como os números eram muito distintos, não foi possível um acordo. O dirigente ainda afirmou que não houve proposta colocada na mesa e não foi levantada a possibilidade de envolver atletas na negociação. Wrobel confirmou o interesse do Flamengo no Engenhão, mas acha muito difícil um acerto para o clube jogar no local.

- Na semana passada, por intermédio do prefeito do Rio, nós nos reunimos com o Botafogo, tentamos montar uma composição para discutir o uso do Engenhão. Mas os números eram tão distintos que não houve acordo. Não houve oferta colocada na mesa e nem envolvimento de atletas - afirmou Wrobel.


Em nota, o presidente do Rubro-Negro, Eduardo Bandeira de Mello, também negou a possibilidade de empréstimo de atletas e de pagamento relacionado ao caso Arão.


- Nós fizemos uma consulta à Prefeitura sobre a possibilidade de utilizar o Engenhão nos próximos meses por entendermos que o estádio seria devolvido à Prefeitura após os Jogos Olímpicos. Fomos informados que isto não aconteceria e então a Prefeitura se colocou à disposição para intermediar uma conversa com o Botafogo, o que de fato aconteceu. Porém, quero deixar muito claro que nessa conversa nunca foi levantada a possibilidade de empréstimo de qualquer jogador do Flamengo, muito menos discutido qualquer pagamento relacionado ao caso William Arão. Não cabe ao Flamengo ter qualquer conversa com o Botafogo sobre o nosso jogador uma vez que este assunto está sendo discutido na Justiça. E o Flamengo não é parte no processo sobre o William Arão - afirmou.


Willian Arão está no Flamengo desde o início do ano (Foto: GEOVANI VELASQUEZ/CÓDIGO19/ESTADÃO CONTEÚDO)

O prefeito Eduardo Paes, de fato, afirmou ter feito campanha para que o Botafogo chegasse a um entendimento com o rival.


- O Engenhão passa hoje para o Botafogo. Me parece que se o Maracanã não for possível há um pleito para que o Flamengo jogue no Engenhão. Já liguei para o presidente do Botafogo para que ele deixe - disse Paes.

Como não houve acerto entre as partes sobre o caso que envolver Willian Arão, o juiz da 27ª Vara do Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro irá marcar uma data para julgamento. A expectativa é que isso ocorra ainda neste ano. Independentemente do resultado, ainda caberá recurso em última instância no Tribunal Superior do Trabalho, em Brasília.


Sem espaço no Fla, Adryan foi
oferecido ao Botafogo
(Foto: Fred Gomes)
O Botafogo promete lutar até as últimas instâncias para ser ressarcido pela perda do jogador. O fato de os advogados do Flamengo terem sido intimados a comparecer foi visto como sinal de que o desembargador poderia propor ao rival pagar uma quantia para encerrar o caso. No lado da Gávea, o departamento jurídico está tranquilo com o caso. A cláusula de quebra de contrato com o Botafogo era de R$ 20 milhões.

Arão já obteve duas vitórias na Justiça até o momento: em dezembro do ano passado, recebeu tutela antecipada que o permitiu se desligar do Alvinegro até o julgamento e deixou o caminho livre para se transferir para o Rubro-Negro. E em março, viu a juíza da 27ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro considerar nula a cláusula de renovação automática que havia em seu contrato em General Severiano.

Em novembro do ano passado, o Botafogo chegou a fazer duas vezes o depósito de R$ 400 mil para acionar o dispositivo de renovação automática, mas ambos foram devolvidos por Arão, que já desejava se transferir para o Flamengo. A Justiça tornou sem efeito a cláusula por entender que o contrato fere a nova resolução da Fifa que proíbe investidores de ter direitos econômicos de atletas. Na visão da juíza da 27ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, o próprio volante foi considerado seu "investidor" e dono de parte do montante econômico na renovação. O Botafogo discorda da interpretação e por isso leva o caso adiante, mas o departamento jurídico acredita que o processo pode durar meses ou anos para uma definição devido ao ineditismo da matéria.


Fonte: GE/Por Fred Gomes, Marcelo Baltar e Richard Souza/Rio de Janeiro