segunda-feira, 17 de abril de 2017

Análise: mistão faz frente a rivais, mas dá para dizer que Botafogo tem elenco?


Em três clássicos com times alternativos, Alvinegro faz quatro gols em 11 chances e leva cinco em 13. Com padrão definido, média de produção se equipara a oponentes, mas...







Dividido entre Campeonato Carioca e Libertadores, o Botafogo jogou três clássicos na temporada com times alternativos, e a pergunta que fica após a perda do título da Taça Rio é: o clube tem elenco para disputar duas competições simultâneas? Os resultados de campo dizem que não, uma vez que o Alvinegro venceu apenas os reservas do Fluminense e perdeu para Flamengo e Vasco. Mas a análise além dos placares ajuda a entender o tom orgulhoso de Jair Ventura em meio à tristeza pelo troféu que escapou por entre os dedos no último domingo, no Estádio Nilton Santos.


Gols e bolas na trave dos reservas do Botafogo nos clássicos

Com média de dois titulares por jogo, o Botafogo fez frente aos rivais. Ponto. Contra o Flamengo, em 12 de fevereiro, só Roger começou jogando, mas Bruno Silva entrou no intervalo. O time fez um gol, sofreu dois e colocou duas bolas no travessão. Já no duelo com os reservas do Fluminense, no último dia 9, o mistão alvinegro com Gatito Fernández e Camilo teve seu melhor rendimento, estufando a rede três vezes e sendo vazado em uma, de pênalti. E diante do Vasco, no domingo, com Bruno Silva e Marcelo, a equipe teve sua pior produção ofensiva. Ainda assim, foi melhor enquanto esteve 11 contra 11 e segurou o empate com um a menos até 41 do segundo tempo.


Compare os principais números nos três clássicos:

BOTAFOGO X VASCO
Titulares: 2 (Bruno Silva e Marcelo)
Posse de bola: 45%
Finalizações pró: 10
Finalizações contra: 20
Chances claras pró: 3
Chances claras contra: 6
Gols marcados: 0
Gols sofridos: 2

BOTAFOGO X FLUMINENSE
Titulares: 2 (Gatito Fernández e Camilo)
Posse de bola: 38%
Finalizações pró: 9
Finalizações contra: 12
Chances claras pró: 5
Chances claras contra: 3
Gols marcados: 3
Gols sofridos: 1

BOTAFOGO X FLAMENGO
Titulares: 2 (Roger e Bruno Silva)
Posse de bola: 54%
Finalizações pró: 8
Finalizações contra: 13
Chances claras pró: 3
Chances claras contra: 4
Gols marcados: 1
Gols sofridos: 2

A média dos números mostra um equilíbrio comparado aos rivais, embora com uma leve desvantagem para o Alvinegro: 45,6% de posse de bola; 9 finalizações por jogo contra 15 do adversário (maior diferença devido aos minutos finais com um a menos diante do Vasco); 3,6 chances claras por partida contra 4,3 dos oponentes (menos de uma de diferença); e 1,3 gol marcado contra 1,6 sofrido (praticamente a mesma coisa). Outro detalhe é que, com menos entrosamento, o Botafogo não só explorou mais a bola aérea (3 dos 4 gols pró), como também foi mais vazado no chuveirinho (3 dos 5 gols sofridos). Novamente resultados parelhos.

Gols sofridos pelos reservas do Botafogo nos clássicos

Porém, por mais frente que possa fazer, os times alternativos não se apresentaram capazes de desequilibrar os jogos. O Alvinegro compensava a deficiência técnica e a falta de entrosamento na base da vontade, no esquema/estilo de jogo de Jair (três volantes, priorizando a marcação e contra-ataques) e explorando a bola parada. O coletivo se mostrou competitivo, mas individualmente poucos se destacaram, casos de Gilson e Sassá. A safra de garotos da base é promissora, só que ainda muito verde. E em que pese os vários desfalques, o Botafogo não tem duas equipes fortes o suficiente dentro do elenco. Em compensação, tem peças azeitadas para suprir eventuais carências.


Por enquanto a prioridade continua sendo a Libertadores, mas daqui a pouco começam as semifinal do Carioca e o Campeonato Brasileiro. O grupo do Botafogo no Rio de Janeiro se reapresenta na tarde desta segunda-feira no Nilton Santos, enquanto o que está no Equador treina pela manhã no Complexo do Colégio Torremar. As duas delegações se unem na terça-feira, e na quinta o Alvinegro trava o duelo dos líderes com o Barcelona de Guayaquil às 21h45 (de Brasília), pela terceira rodada do Grupo 1 da principal competição da América do Sul.



Fonte: GE/Por Thiago Lima, Rio de Janeiro