quinta-feira, 8 de junho de 2017

Jair isenta Pimpão de culpa, mas admite: "Se você não faz, depois você leva"


Mesmo com time desfigurado, técnico do Botafogo admite frustração em derrota por 1 a 0 para o Santos no Pacaembu e vê placar mentiroso: "O empate seria mais justo"





Melhores momentos: Santos 1 x 0 Botafogo pela 5ª rodada do Brasileirão



Mesmo com um time desfigurado, sem cinco titulares que vinham atuando, e com nove garotos da base relacionados, o Botafogo jogou melhor que o Santos e esteve perto de vencer o duelo na noite desta quarta-feira, no Pacaembu. Porém, Pimpão perdeu a melhor chance do jogo cara a cara com Vanderlei, e o castigo veio nos acréscimos, em cobrança de falta de Victor Ferraz que Helton Leite aceitou: 1 a 0 (veja os lances no vídeo acima). Ao analisar o resultado na coletiva de imprensa, Jair Ventura viu o marcador como injusto e isentou o atacante de culpa. Mas admitiu que o futebol costuma castigar quem desperdiça chance de ganhar.


– Faz parte, futebol é assim: se você não faz, depois você leva. Nós continuamos fazendo uma boa partida, tivemos a chance de gol com o Pimpão, mas a gente não conseguiu fazer, então paciência. Não foi o motivo, a gente não perdeu o jogo porque o Pimpão não fez o gol. A gente trabalha com esporte coletivo, sendo assim ganha todo mundo e perde todo mundo junto. O culpado não é o Pimpão e nem ninguém, somos todos nós. Está todo mundo no mesmo barco, nas horas boas e nas ruins. Modéstia à parte, nós fizemos dois jogos fora: um onde o Grêmio foi muito merecedor de vencer, e hoje... Quero a opinião de vocês. Se o Santos jogou para vencer o jogo. Acho que não. Mas futebol não é merecimento. O empate seria mais justo, e você acaba tomando gol nos acréscimos. Fica aquela frustração pelo rendimento. Você vem para um jogo contra o Santos com nove meninos da base, isso tem um preço. No Brasileiro você tem que ser cirúrgico, hoje nós não fomos, o Santos foi e conseguiu a vitória.



Jair Ventura classificou o placar como injusto no Pacaembu (Foto: Antonio Cícero/Estadão Conteúdo)


Com sete pontos, o Botafogo caiu para a oitava posição do Campeonato Brasileiro e volta a campo no domingo, contra o vice-líder Coritiba, às 11h (de Brasília), no Nilton Santos. Os jogadores voltam ao Rio no fim da manhã desta quinta-feira e treina à tarde, em seu estádio.


Confira outros trechos da coletiva:

GOSTO AMARGO
Por conta da performance, fica um gosto amargo, aquela dor de cotovelo. Pelo rendimento da equipe, se alguém falar que o Santos mereceu a vitória é complicado. Sou um cara que analisa os dois lados. Fomos melhor na partida e tivemos as chances mais claras, com o próprio Matheus Fernandes também, que entrou livre na área. Chutou para fora. Temos de ser mais cirúrgicos para conseguirmos vencer fora de casa. Se a gente tiver pensando em voos maiores no Brasileirão, temos de equilibrar as vitórias dentro e fora de casa.


ADVERSÁRIO ENFRAQUECIDO
Enfrentamos o Santos com mais de 12 desfalques. Santos sem Lucas Lima, Ricardo Oliveira, que são super decisivos. A gente teve uma grande chance de conseguir um resultado melhor. Fica um peso maior ainda. Com a equipe do Santos completa esse jogo seria muito mais difícil. Não posso esconder isso. São jogadores de seleção brasileira, que fazem falta, como os nossos fizeram para a gente.


USO DA BASE
Penso o seguinte em relação às categorias de base: temos de mesclar. Temos de usar a base e os jogadores experientes. Se fosse só para usar a base, grandes clubes que têm trabalho de base maravilhoso não contratavam tantos jogadores. Não é uma fábrica de carros. Por exemplo: você quer 10 carros daquele modelo, 10 atacantes de velocidade. Hoje a gente só tem o Guilherme. Ele machucou e a gente fica sem opção. O Pachu não é da mesma função. Temos o Roger para atacante, nosso segundo atacante é o Vinícius (Tanque), que está machucado. Temos de usar os meninos. Há essa necessidade. O ideal é mesclar, mas dentro de uma necessidade e de um mercado muito difícil para o Botafogo, que vem de uma realidade financeira difícil, que em 2015 estávamos disputando uma Série B. Em 2016 a gente conseguiu a classificação para a Libertadores e hoje estamos em três competições, fica pesado. Mas não vou lamentar. Vou pedir para sair de uma das três competições? Claro que não. Vamos com jogadores da base e os que tiverem em melhor condição física. Vamos ver onde a gente chega até o final do ano. Vamos dar nosso melhor para chegar o mais longe nas três competições.


MONTILLO
Foi o grande investimento do ano para o Botafogo. Uma pena que ele sofreu com as lesões. É um jogador muito diferenciado. Quando estiver em sua melhor forma física... Hoje o departamento de fisiologia me deu 15 minutos. O usei por 25. Não tem jeito. Quando ele recuperar a boa forma vai nos ajudar muito. Tenho certeza disso.


REFORÇOS
Vou fazer uma analogia. A rede social é tão boa como também tão ruim em certos momentos. Tem uma coisa que se usa nas redes sociais que é a "expectativa versus realidade". A expectativa é que a gente contrate quatro ou cinco medalhões, mas e a nossa realidade financeira? O departamento de futebol do Botafogo está fazendo o possível e o impossível para trazer esses jogadores, mas a gente tem uma realidade coletiva que não podemos fugir. Não posso enganar a torcida e dizer que vamos trazer grandes nomes. Nossa realidade financeira não nos permite. Nosso departamento de futebol sabe da necessidade e a gente vai, dentro da nossa realidade, buscar reforços.


Fonte: GE/Por Gabriel dos Santos, São Paulo