domingo, 23 de novembro de 2014

Jefferson lamenta dispensas: "Não me perguntaram se estava de acordo"


Goleiro critica diretoria pela saída de nomes importantes e diz que vai esperar eleição para decidir futuro: "Minha vida financeira estacionou"






Depois da derrota para o Figueirense por 1 a 0, a situação do Botafogo se complicou e o rebaixamento se aproxima cada vez mais. O time pode cair neste domingo, se perder para a Chapecoense e o Vitória vencer o Figueirense. Um dos líderes do alvinegro, Jefferson desabafou em entrevista exclusiva para o Esporte Espetacular. O goleiro da Seleção não deixou pergunta sem resposta. Revelou que o vestiário do Botafogo está cabisbaixo, falou sobre os sete meses de direito de imagem que o clube lhe deve, contou que já foi sondado para sair e disse que não concordou com as dispensas de Edílson, Emerson Sheik, Bolívar e Júlio César.

Jefferson, como é passar por duas situações opostas deste jeito, ao mesmo tempo sendo convocado e ameaçado de rebaixamento com o Botafogo?

- Olha, é uma experiência nova na minha carreira. É um momento muito especial que eu estou vivendo. E hoje aqui no Botafogo, a gente sabe que a gente vive um momento tenso, onde os jogadores já entram ansiosos na partida. Eu já aprendi a ganhar, a perder, e é nesse momento que o guerreiro se sobressai. É lamentável, viu. Eu particularmente chego triste em casa. Aprendi a amar o Botafogo e acho que o respeito é muito grande pela camisa do clube. O que eu posso dizer para os torcedores é que eu sinto muito por tudo que está acontecendo, acho que eles não mereciam o que aconteceu desde o início do ano até agora.

Quais foram as grandes falhas do Botafogo?

- Acho que o planejamento esse ano não correu bem. Tivemos muitos problemas fora de campo, muitas coisas vazaram daqui de dentro. Então, hoje, não tem como sugar muita coisa dos jogadores, porque os jogadores estão exaustos emocionalmente. Acho que o que atrapalhou mais o Botafogo não foi dentro de campo e sim o extra. Salário, perda do Engenhão, greve, discussão que saiu fora do clube, dispensa de jogador. Muita coisa que você acaba pegando tudo isso e reflete dentro de campo. 
 
Repórter Thiago Asmar e Jefferson (Foto: Reprodução TV Globo)

Você chegou a criticar publicamente a postura da diretoria, principalmente do presidente Maurício Assumpção. Continua tendo aquela opinião?

- Eu como capitão e representante dos jogadores não conseguia ver o Botafogo na situação em que estava e o nosso presidente não estando junto com a gente aqui. Eu acho que foi só essa minha cobrança. Era você perder os jogos e não ter ninguém ali para estar junto com você.

Concordou com a dispensa de Emerson Sheik, Edílson, Júlio César e Bolívar?

- Nem me perguntaram né. Nem me perguntaram se eu estava de acordo ou não...

(interrompe) Acha que por ser capitão você deveria ter sido consultado?

- Eu acho que sim. Como capitão seria bom até para eu estar passando para os jogadores e tendo outra visão. Mas como eu falei: a gente é funcionário. 
 
Jefferson concedeu entrevista ao Esporte
Espetacular (Foto: Reprodução TV Globo)
Você acha que eles seriam importantes para o grupo fugir dessa situação?

- Sem dúvida nenhuma. Com certeza, com todo o currículo que esses quatro jogadores têm, com certeza eles acrescentariam bastante para esse grupo aqui.

Junto com os quatro dispensados, você era um dos que mais cobravam os salários. A saída dos companheiros enfraqueceu o time também fora de campo?

- A partir do momento em que o Botafogo deixou de cobrar, foi aí que começou a cair. Porque o filho que você ama, você corrige, cobra, dá puxão de orelha. Então, a partir do momento em que os jogadores pararam de cobrar, é como se... Ah, então, entre aspas, ficou tudo elas por elas. A partir do momento em que a gente estava cobrando, assumindo a responsabilidade, o time estava envolvido. A partir do momento em que começou a minar um, minar outro, ameaçar um, ameaçar outro, o Botafogo começou a perder força.

Você falou que tem sete meses de atraso nos direitos de imagem e que representam a maior parte do salário. Como ficar assim?

- Nesse ano minha vida financeira parou, estacionou. Isso é uma das coisas que a gente fica triste. Eu perdi essa garra... que eu digo que é garra de leão. Quando você é um leão, você vai, cobra, peita. Diz que está junto. Cobra as promessas. Diz: “E aí? Prometeu? Vamos cumprir?” Com garra, você acaba crescendo, chamando um, chamando outro.

Como recuperar a motivação dos mais jovens diante da ameaça cada vez maior do rebaixamento?

- Você chega hoje no vestiário e vê jogadores de cabeça baixa, com a autoestima baixa. Uns acreditam, outros já estão desesperançosos. O maior adversário do Botafogo, hoje, é o fator psicológico. O maior adversário do Botafogo hoje é entrar em campo com confiança, acreditando que a gente pode vencer. 
 
Jefferson, pensativo, responde a tudo
(Foto: Reprodução TV Globo)
Como foi a derrota para o Figueirense?

- Tentamos. Claro que teve o lance do Jóbson que errou o pênalti, só que tentamos, corremos atrás. A bola não está caindo. A gente tem que ser homem de entrar em casa, levantar a cabeça, abraçar a esposa, os filhos, as filhas, e falar: “olha, o que eu pude fazer pelo Botafogo eu fiz”.

Muito se fala que o Jéfferson pode sair do Botafogo. Tem propostas?

- Tem sondagens sim. Mas estou esperando o dia 25 de novembro para conversar com a próxima diretoria e saber o planejamento, a minha importância no projeto deles para, aí sim, abrir o leque ou fechar o leque.

O goleiro titular da seleção brasileira disputaria uma série B no ano que vem?


Pela grandeza do Botafogo. Todos os goleiros gostariam de estar jogando no Botafogo, independente se é a série A ou série B. O Botafogo é grande, tem história e na série B com certeza tem mais visibilidade do que muitos times na série A. A gente sabe que é difícil, que é complicado. Mas a gente vai fazer o máximo possível pra sair dessa situação.

Por GloboEsporte. de Janeiro