sexta-feira, 20 de novembro de 2015

De capitão da base ao ostracismo, Sidney vive seus últimos dias no Bota


Há dez anos no clube, contrato do volante termina no final do ano e não será renovado. Capitão e aposta da base, jogador teve poucas chances no profissional





Das arquibancadas do Maracanã ao lado do pai para os campos foi um pulo. Aos 10 anos, Sidney começou a realizar o sonho de qualquer menino: entrou para a base do Botafogo – seu clube de infância – e lá se firmou. Do pré-mirim ao sub-20, foi titular e capitão em todas as categorias e conquistou títulos como a OPG e o Carioca sub-20. O site do clube o descreve “como volante moderno e técnico, que sempre foi uma aposta do clube”.


Tratado como grande promessa nas categorias de base, o sonho de Sidney começou a desmoronar no mundo dos adultos. Integrado por Eduardo Húngaro, no ano passado, ao elenco profissional, o volante não se firmou. Em dezembro passado, nas férias, recebeu a notícia por e-mail de que não estava mais nos planos e passaria a treinar separado. Desde então, integra o chamado “Grupo 2”.

Sidney Botafogo jogo contra o Nova Iguaçu (Foto: Luciano Belford / SSPress)

- Fiquei chateado. Estou há dez anos no clube. Trabalhei a base toda para chegar ao profissional. Quando cheguei, tive apenas oportunidades na lateral esquerda, função que eu nunca havia exercido. Depois, antes mesmo da chegada do René Simões, fui afastado. Ele não teve nem tempo de me ver treinando. Algo muito estranho. Às vezes penso que tenho um inimigo dentro do Botafogo. Alguém que tem algo contra mim - desabafou o Sidney.

A vida no “Grupo 2” não vem sendo fácil. Os jogadores afastados não usam o campo de treino e batem bola atrás dos gols, três vezes por semana, além de se exercitarem na academia.

- Isso é muito ruim para um jogador. Não dá nem para manter o ritmo. Se não fosse o empenho dos preparadores físicos, seria ainda pior. Esse foi praticamente um ano perdido.


Com a demissão de René Simões, em julho, Sidney foi reintegrado pelo interino Jair Ventura. A nova oportunidade, no entanto, durou apenas seis dias. Com a chegada de Ricardo Gomes, o volante voltou para o “Grupo 2”, dessa vez acompanhando de Cidinho, Andreazzi, Jefferson Paulista e Milton Raphael. A ideia do treinador era trabalhar com um grupo mais enxuto.

Com contrato até dezembro, Sidney não permanecerá no Botafogo. O volante não foi procurado pelo clube e vê seu futuro cada vez mais distante de General Severiano. O jogador já recebeu sondagens de clubes menores do Rio de Janeiro.

 
Por Marcelo Baltar Rio de Janeiro/GE