segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

CT, conforto e isolamento: conheça o reduto do Botafogo no Espírito Santo


Local da pré-temporada alvinegra fica 30 km afastado de Domingos Martins e possui campo oficial, academia moderna, parque aquático e centro de convivência exclusivo








Suderj informa: substituição no Botafogo, sai a agitação do Rio de Janeiro e entra a calmaria de Domingos Martins. É perto da pequena cidade de aproximadamente 30 mil habitantes, localizada na região serrana do Espírito Santo e a 70 km da capital Vitória, que o clube escolheu se preparar para 2016. Um lugar isolado de tudo, 30 km longe da civilização mais próxima e outros 5 km afastado da estrada principal. Mas com o conforto de um resort. Será a primeira vez que o Centro de Treinamento do estabelecimento, construído para a Copa do Mundo de 2014, receberá um time da Primeira Divisão. Apesar da pouca divulgação para preservar a tranquilidade do ambiente, a chegada dos jogadores já vem nos últimos dias mexendo com a rotina no Hotel Fazenda China Park.

Camisas alvinegras circulando aqui, bandeiras estendidas por hóspedes nos chalés acolá... Orlando Castells, contador e carioca de 53 anos, foi um dos torcedores a desfilar com as cores preta e branca pelo hotel no domingo, levando seu nomes às costas. Porém, ele não vai poder ter contato com os jogadores. Hospedado pela primeira vez no hotel desde quinta-feira junto com a esposa, ele não conseguiu conciliar a agenda pessoal com a do clube e precisará voltar a Brasília, onde mora há mais de 20 anos, nesta segunda-feira pela manhã. Alvinegro fanático de ir a quase todos os jogos no Distrito Federal e adjacências, admitiu não ter muitas expectativas com o time em 2016, ano em que voltará a jogar a Série A. Mas nem por isso perde as esperanças.

- O trabalho é para se manter na Primeira Divisão. As contratações, assim como o ano passado, são de jogadores desconhecidos. Espero ser surpreendido. O Renan Fonseca foi uma surpresa, por exemplo, foi um dos melhores - ponderou o torcedor.

A delegação alvinegra chegará ao local na noite desta segunda e encontrará um campo com as medidas oficiais da Fifa (105x68m), um gramado projetado pelo mesmo engenheiro da Arena Corinthians e uma academia ao lado equipada sob orientação do clube. Além disso, jogadores e comissão técnica terão dois prédios reservados apenas para eles e um centro de convivência exclusivo e personalizado com escudos do Botafogo, contendo: auditório, sala de jantar com meses para 20 e 35 pessoas, banheiros coletivos, sala de massagem e ainda salão de jogos com mesa de pingue-pongue, sinuca, totó, televisão e videogame. Se o elenco não quiser ser incomodado, basta ficar no local, que terá acesso proibido ao público.


Mas se os jogadores quiserem interagir com os hóspedes, o número de opções de lazer aumenta ainda mais. Há um parque aquático bem na frente do centro de convivência, piscinas normais e aquecidas, saunas, banheiras de hidromassagem, cinema, lago para pescaria e um teleférico com ampla visão do espaço de 1.200.000 m² do hotel, que atualmente tem capacidade para 360 pessoas. O local por muito pouco não foi sede de uma das seleções na Copa do Mundo, intuito pelo qual o CT foi construído dentro do hotel. Mas Austrália e Camarões acabaram optando por se instalarem em vitória, por questões de logística.

Orlando com a camisa do Botafogo no hotel: contador terá que ir embora antes de o time chegar (Foto: Thiago Lima)


O hotel foi criado por Valdeir Nunes, o China, ex-cobrador de ônibus e empresário do ramo de ferramentas que comprou o terreno em 1994 e fez um "negócio do China". Desde então, não para de expandir seu empreendimento - já tem previsão de ampliar a capacidade do local para 450 pessoas ao final do ano, e abrir as portas para o Botafogo faz parte de uma estratégia de crescimento a nível nacional. Com a experiência de apenas ter abrigado o Paraná Clube durante a Copa de 2014, agora o empreendedor de 64 anos investiu R$ 300 mil no CT, sendo R$ 260 só na construção da academia, e espera receber mais clubes de futebol em pré ou intertemporadas daqui para a frente.


- Temos um aumento de 30% ao ano, está aumentando mais do que a China. Aqui não tem crise nada (risos). A minha meta é ter pelo menos dois times grandes aqui por ano e aumentar 10% os clientes a nível nacional, que hoje são 5% - explicou o empresário, que, apesar de ter pintado a barreira móvel do campo com o uniforme do Botafogo e a marca "China Park" estampada no peito, descartou oferecer patrocínio ao clube.

Traços germânicos, placas em alemão e sem futebol na cidade
 da pré-temporada do Botafogo (Foto: Editoria de Arte)


Fora do hotel, a chegada do Botafogo nas redondezas não afetou a rotina de Domingos Martins, cidade mais próxima do China Park com aproximadamente 30 mil habitantes. Colonizado por alemães, o município preserva os traços germânicos em suas edificações. As placas de rua e de boas-vindas na entrada também são escritas em alemão, mas com tradução para o português - segundo comerciantes, a ideia foi um projeto de um antigo professor da região, sem ter relação com a prefeitura. Por ali, o futebol passou despercebido.


Por Thiago Lima/Rio de Janeiro/GE