quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Análise: Botafogo tem uma das piores atuações com Jair. O que deu errado?



No retorno do 4-2-2-2, Diogo Barbosa não dá liga no meio, defesa volta a falhar na bola aérea, e ataque adota estratégia ineficaz contra torres gêmeas da Chapecoense




O 4-2-2-2 voltou, mas não mais com a eficácia de antes. A formação com Diogo Barbosa improvisado no meio de campo, que já surpreendeu Cruzeiro, Vitória e Corinthians, foi revivida diante da Chapecoense. Só que desta vez foi com derrota, 2 a 0 (veja os lances no vídeo acima), e uma das piores atuações da equipe sob o comando de Jair Ventura – talvez só à frente do revés para o lanterna América-MG e da goleada sofrida para o Cruzeiro na Copa do Brasil.


Segundo o técnico, a volta da formação foi mais por necessidade do que opção técnica, uma vez que Bruno Silva foi vetado por causa de uma virose – mesmo com Dudu Cearense no banco, Jair admitiu no fim do jogo que queria ter continuado com o esquema de três volantes. Na saída de campo, foi consenso entre jogadores que o Botafogo esteve muito abaixo e precisará encontrar os erros para corrigi-los. O que teria dado errado? O GloboEsporte.com levantou alguns fatores:


A DEFESA E O FANTASMA DA BOLA AÉREA

Carli sobe com Kempes em disputa aérea: dupla de zaga alvinegra vacilou pelo alto (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Quem diria, mas a melhor defesa do returno do Campeonato Brasileiro também falha. Carli e Emerson estiveram irreconhecíveis e tiveram pesadelos com o veloz Kempes, que procurou sempre se posicionar entre os dois zagueiros para fazê-los baterem cabeça. Foi justamente no meio de ambos que o atacante subiu para marcar o primeiro, revivendo o fantasma das bolas aéreas do Botafogo – e olha que Jair treinou bastante o quesito na véspera. Só nesta temporada, o Alvinegro já sofreu 19 gols desta maneira. Veja na relação abaixo:


- Rafael Paty (Botafogo 2 x 1 Portuguesa-RJ)
- Gum (Fluminense 1 x 1 Botafogo)
- Cirino (Botafogo 2 x 2 Flamengo)
- Jorge Henrique (Botafogo 0 x 1 Vasco)
- Rafael Vaz (Vasco 1 x 1 Botafogo)
- Diego Souza (Sport 1 x 1 Botafogo)
- Bruno Silva (Santos 3 x 0 Botafogo) - contra
- Victor Ramos (Botafogo 1 x 1 Vitória)
- Sávio (Botafogo 3 x 1 América-MG)
- Bruno Henrique (Corinthians 3 x 1 Botafogo)
- Ernando (Internacional 2 x 3 Botafogo)
- Everton (Botafogo 3 x 3 Flamengo)
- Hernani (Atlético-PR 1 x 0 Botafogo)
- Emerson (Botafogo 2 x 5 Cruzeiro) - contra
- Ábila (Botafogo 2 x 5 Cruzeiro)
- Henrique (Botafogo 2 x 5 Cruzeiro)
- Bruno Rodrigo (Cruzeiro 1 x 0 Botafogo)
- Leonardo Silva (Botafogo 3 x 2 Atlético-MG)
- Kempes (Botafogo 0 x 2 Chapecoense)


Carli, que costuma ter liberdade na área para atacar a bola e afastar o perigo em vez de marcar alguém específico nas jogadas pelo alto, desta vez não repetiu direito a dose. Emerson também esteve mal e falhou ao não subir com Kempes no primeiro gol. O segundo saiu no buraco que deixou o setor no contra-ataque, principalmente o lado esquerdo da defesa.


O MEIO DE CAMPO E A VOLTA APAGADA DE DIOGO


Diogo Barbosa não conseguiu criar nenhum lance de perigo jogando no meio (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Recuperado há pouco tempo de uma lesão no tornozelo direito, Diogo Barbosa voltou a jogar no clássico contra o Flamengo, quando entrou no segundo tempo no lugar de Airton. O seu retorno ao time titular foi uma forma de Jair tentar ser mais ofensivo, porém, evidenciou a falta de ritmo do lateral-esquerdo. Improvisado no meio de campo, ele não conseguiu ajudar Camilo na criação e participou muito pouco do jogo. Confira os números do ala na partida abaixo:


- finalizações: 0
- passes certos: 14 (só mais que Sidão (5) e Pimpão (10))
- bolas levantadas: 1
- faltas cometidas: 0
- faltas recebidas: 1
- roubadas de bola: 0
- desarmes: 2


A presença do ala não foi suficiente para fazer Camilo voltar a criar jogadas e a servir os companheiros, mas bastou para fazer o camisa 10 aparecer mais. Com maior liberdade – já que Diogo fechava a marcação pela esquerda e Pimpão fazia o mesmo pela direita –, o meia jogou mais avançado e foi o maior finalizador do jogo com seis conclusões, sendo duas no travessão.


O ATAQUE E A ESTRATÉGIA EQUIVOCADA

Baixinho, Neilton foi presa fácil para a alta defesa da Chapecoense na Arena (Foto: Alexandre Brum / Agência Estado)

Sem Sassá, artilheiro do time no Brasileiro e na temporada, Jair manteve a dupla de ataque com Neilton e Pimpão. Ou seja, abriu mão de um centroavante para ter, ora Neilton, ora Pimpão e ora Camilo como um falso 9. O problema é que nenhum deles se criou para cima das duas torres gêmeas da Chapecoense: os zagueiros Neto, de 1.95m, e Thiego, de 1.88m. Mesmo assim o Botafogo levantou 31 bolas na área adversária, todas em vão.


Dos três, o baixinho Neilton, de 1.66m, foi quem mais apareceu como "referência" na área, em meio aos defensores rivais, esperando um cruzamento que nunca chegava porque a zaga cortava. Pimpão, por sua vez, teve boa atuação caindo pelos lados, mas sua única chance de perigo foi em um chute cruzado e desviado por Thiego que quase enganou o goleiro Danilo.


Para o setor ofensivo, Jair tinha no banco Gegê, Leandrinho, "Yaca", Vinícius Tanque e Luís Henrique. Preferiu mexer duas vezes colocando dois meias – "Yaca" e Leandrinho nos lugares de Diogo Barbosa e Lindoso – e só apostou em um centroavante aos 37 minutos do segundo tempo. Tanque, de 1.84m, ficou em campo só cerca de 10 minutos e mal deu tempo de tentar algo


Fonte: GE/Por Thiago Lima/Rio de Janeiro