terça-feira, 29 de novembro de 2016

Ex-Chape, Camilo se emociona com morte de amigos: "Pior dor do mundo"


Meia do Botafogo foi um dos destaques da Chapecoense na época em que atuou no clube, entre 2014 e 2015. Jogador tinha amigos no elenco que estava no voo



Camilo em entrevista coletiva nesta terça-feira
(Foto: Davi Barros)
Camilo jogou na Chapecoense entre o meio de 2014 e o fim 2015 e ainda tinha amigos da delegação que sofreu o acidente aéreo na madrugada desta terça-feira, nos arredores de Medellín, Colômbia. Visivelmente emocionado, o camisa 10 do Botafogo contou, em entrevista coletiva no Rio de Janeiro, que recebeu a notícia enquanto se dirigia ao treino do Alvinegro e que voltou logo para casa para ficar com a mulher grávida.


- Eu estava indo para o treino e meu irmão me informou, fiquei em choque, em pânico. Estava totalmente abalado. Cheguei em casa para ficar com minha esposa, que é amiga de várias esposas. Foi uma tragédia, uma tragédia.


Camilo atuou com nove jogadores que estavam no acidente: o goleiro Danilo, os defensores Denner, Neto, Thiego e Caramelo, os meias Cleber Santana e Gil, e os atacantes Bruno Rangel e Ananias. Além deles, o meia também fez questão de destacar parte dos funcionários do clube.


- Joguei com o Neto, é meu amigo. Desde que eu saí, nós tem dois grupos no celular em que a agente se comunicava. Mantivemos o contato. Denner, Danilo, Ananias, Gil, Cleber Santana, Thiego, Caramelo... realmente é muito triste. Além dos outros profissionais, Cocada, o massagista Serginho, Maurinho... São pessoas que vão ficar na minha memória.


Ao fim da entrevista coletiva, Camilo deixou um recado para os habitantes de Chapecó, dizendo que espera poder ajudar os amigos e familiares das vítimas.


- Família Chapecó, vai todo o meu sentimento e de toda minha família. Por todos aqueles que estiveram juntos de mim, que eu possa levar um abraço para vocês e que Deus possa acalmá-los nesse momento.


O meia do Botafogo atuou em 66 partidas com a camisa da Chapecoense e marcou 10 gols. Camilo foi o primeiro jogador da equipe a marcar um gol em uma partida contra um time de fora do Brasil, no empate em 1 a 1 contra o Libertad, do Paraguai, pela Copa Sul-Americana de 2015.


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Camilo nos tempos de Chapecoense: desejo de
visitar Chapecó (Foto: Friedemann Vogel/Getty Images)
Sentimento

Muito triste. O que nos resta é dar os pêsames aos familiares. Convivemos juntos por muito tempo. É a pior dor do mundo. A gente fica sem imaginar como vai ser daqui para frente. Só vamos esperar para ver o que vai acontecer.


O que passou pela cabeça


Passou muita coisa na minha cabeça. Antes de eu acertar com o Botafogo eu estava com um pé de volta na Chapecoense. Agora, o que nos resta é orar pelas famílias.


Última vez que falou com os jogadores

Falei com eles depois do jogo contra o San Lorenzo. Nesse grupo a gente sempre brinca. Falei que todos eles eram merecedores pelo o que estavam fazendo.


Carinho pela Chapecoense


Eu devo muito à Chapecoense. Eu cheguei com uma lesão no clube e simplesmente deixei em aberto, disse que eu estava com a lesão. Eles me abraçaram, me trataram e assinaram um contrato comigo em 2014. Eles me deram toda a oportunidade de mostrar meu futebol. Se eu estou no Botafogo é por causa daquele clube. Eles têm influência nisso também.


Mário Sérgio

Mário era bastante direto. Ele me abraçou no Ceará em 2010 (quando o treinou). É um cara que sempre falava a verdade. Fica meu sentimento à família.


Vontade de ir a Chapecó

Minha vontade é essa. Minha esposa está grávida, estamos esperando para saber se Bruno Rangel será enterrado em Campos, como era a vontade dele. Quero dar um abraço na família.


Bruno Silva
Eu não tive contato com o Bruno Silva (que também jogou na Chapecoense). Só voltei para casa porque estava muito preocupado com a minha esposa, que está grávida. Não tive contato o Bruno Silva.


Fonte: GE/Por Davi Barros*Rio de Janeiro*estagiário sob supervisão de Gustavo Rotstein