domingo, 11 de dezembro de 2016

Jair Ventura, do Bota: "Não gosto de vender sonhos. Gosto de concretizar"


Técnico que levou o Botafogo à Libertadores de 2017 comemora vaga e evita prolongar comentários sobre a briga entre Sassá e Aírton no primeiro tempo




O técnico Jair Ventura levou o Botafogo, mesmo com um orçamento modesto, à Libertadores de 2017. E, agora, com a vaga garantida, diz que prefere "fazer do que falar". Na sua coletiva após a partida, o treinador comemorou a classificação e afirmou que não gostar de "vender sonhos". Ele reconheceu ter ficado nervoso com a confusão entre Sassá e Aírton que terminou com a expulsão do volante no fim do primeiro tempo, e se limitou a dizer que foi uma "situação de jogo".

- Algumas pessoas me criticavam porque eu não tinha ambição. O que eu mais tenho na vida é ambição. Não gosto de vender sonhos. Gosto de concretizar. O objetivo interno sempre foi esse, por isso eu não falava a palavra. Mas como é bom falar Libertadores. Melhor estar do que falar. Prefiro fazer do que falar.

Após classificar o Bota, Jair Ventura pretende estudar (Foto: MARCOS CUNHA/FATOPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)

Ao comentar a briga entre atletas da própria equipe, Ventura, que foi contido por Camilo no intervalo quando se dirigia a Sassá, disse buscar o equilíbrio:

- A função do treinador é buscar o equilíbrio. Na hora fiquei nervoso, lógico, mas foi uma situação de jogo. Vamos falar de coisa boa. Já foi resolvido. Lógico que não foi certo, mas é coisa de vestiário. Nunca expus nenhum atleta. Vou estar sempre por eles. Eles são os grandes responsáveis por o Botafogo estar na Libertadores.

Mesmo sendo apontado como revelação do campeonato, e os resultados no campo, Ventura mantém os pés no chão, avisa que está começando e que pretende estudar:

- As férias não vão acontecer. O meu objetivo era fazer o curso da Uefa no ano que vem. Já estou perdendo o curso da CBF, que começou na sexta. Segunda-feira estou indo para Granja. Quero estudar. Estou apenas começando. Quero buscar novos conhecimentos e me aprimorar.


Agradecimento aos jogadores
Hoje eu iniciei o jogo de maneira diferente. O irmão do Guilherme Marques (repórter da TV Globo que faleceu no acidente da Chape) falou algo que me marcou no velório. Às vezes é difícil, mas eu agradeci aos jogadores por tudo o que eles fizeram comigo, pela minha carreira. Se eu perco dois ou três jogos, eu não estaria aqui. Treinador jovem não tem jeito. A gente cobra renovação, mas não tem jeito. Abracei cada um deles antes da reza, parabenizei, agradeci por terem comprado a causa.


ContrataçõesA torcida quer grandes nomes, o Botafogo quer grandes nomes, mas temos que pensar na realidade do Botafogo. No ano passado a gente estava na Série B. Agora vamos para Libertadores. Essa nova gestão pegou uma terra arrasada, está arrumando a casa. Temos que ver a realidade do Botafogo. O que o clube passar, vamos sentar e ver o que dá para contratar dentro da realidade do clube.


Psicólogo
Ajuda sempre é bem vinda, mas controlamos bem essa situação. Isso é mais a característica de cada atleta. É difícil mudar certas pessoas. A gente tenta. Não vejo essa necessidade de psicólogo. Mas se chegar para ajudar, será bem-vindo. Prefiro contratar jogadores do que psicólogos nesse momento. Pode ajudar, mas não vejo como essencial para Libertadores


Oportunidade
Ainda nem falei com meu pai. Já tem um tempinho que eu não falo. Ontem teve uma festa linda para ele no Leme. O futebol nos deixa muito distante da família. Mas é nossa paixão. Amo isso aqui. Me preparo há 11 anos para essa oportunidade.


Sassá
Temos que conversar. Mudar a partir da idade, não muda. Tem o caso do Flávio Tênis (preparador de goleiros). Ele era cheio de manias e mudou depois de certa idade. A pessoa tem que querer ajuda. Tivemos o Jobson aqui, passou por vários profissionais e foi difícil. Enquanto a pessoa não quiser ajuda, não tem jeito.


Jogar após a tragédia
Eu tentei trabalhar a parte psicológica nessa a semana. Nos primeiros dias, deixei eles no momento deles, não falei de tática. Cancelamos o primeiro treino. Não tínhamos cabeça. Essa cicatriz vai ficar nos nossos corações. O Caio Júnior era um amigo particular. A comoção foi muito grande. A gente não consegue mensurar a dor de cada um. Como eu falaria de tática? Não fiz. Fizemos de maneira gradativa, fui sentindo.


Fonte: GE/Por Marcelo BaltarPorto Alegre, RS