sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Dudu mira a Libertadores após quatro Liga dos Campeões: "Cereja do bolo"


Contando os minutos para estreia, volante do Botafogo se arma emocionalmente para adversidades e não teme catimba do torneio: "Se for para catimbar, é comigo mesmo"


Dudu Cearense em seu condomínio: ansiedade no
 fim das férias pela Libertadores (Foto: Thiago Lima)
De um lado, o glamour. Estádios sempre lotados, campos para lá de convidativos em um desfile dos maiores craques da atualidade. Do outro, a guerra. Jogos catimbados em ambientes muitas vezes hostis, com palcos acanhados, torcidas inflamadas e, ora sim ora não, tem até altitude. Dá para escolher entre a Liga dos Campeões da Europa e a Taça Libertadores da América?


– Hoje, a Libertadores! – responde Dudu Cearense.


Até para quem já jogou quatro Liga dos Campeões, a Libertadores será especial.


– É a cereja do bolo, com certeza (risos).


Aos 33 anos, Dudu é um dos mais experientes do Botafogo. No futebol europeu, enfrentou as melhores equipes do continente pelo CSKA Moscou, da Rússia, e pelo Olympiakos, da Grécia. E agora terá o gostinho de viver o outro lado da moeda na América do Sul, começando no dia 1º de fevereiro, contra o Colo-Colo, do Chile, no Estádio Nilton Santos. O volante até chegou a disputar um jogo da Sul-Americana em 2011 pelo Atlético-MG, só que foi ainda na fase nacional, tanto que ele sequer se lembra. Na sua cabeça, será tudo novidade, mas sem deslumbramento.


– Vai ser tudo muito novo para mim. Será histórico. Estou em uma grande equipe, que está sendo muito bem montada. Chegaram contratações pontuais, jogadores com mentalidade ambiciosa, com mentalidade de campeões. Eu gosto disso. Quero ver um grupo de homens, responsáveis. Temos que entrar em campo, bater no peito e dizer que vamos ganhar. Não entrar em campo com medo do Colo-Colo. Independente das dificuldades, vamos para cima. Sem mimimi – afirmou Dudu, que diz ter a receita contra a catimba e promete brigar pela titularidade.

Após vivenciar o glamour da Liga dos Campeões, volante vai experimentar o clima da Libertadores (Foto: Divulgação)

Dudu recebeu a reportagem do GloboEsporte.com no condomínio onde mora com a esposa e as filhas, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, para um divertido papo. Além da Libertadores, o volante falou sobre a "premonição" que teve em uma de suas metas do ano passado, a maior concorrência com a chegada de reforços, a campanha para Marinho virar alvinegro, vida pessoal... Confira a entrevista completa abaixo:


GloboEsporte.com: e aí, como estão as férias? Manteve a "boleiragem", né? No seu Instagram tem foto com Daniel Alves, Marinho, Kleberson...

Dudu Cearense: Cara, estou fazendo de tudo, trabalhando... Claro que férias se curte, mas me cuido também. Fui a Fortaleza, a Salvador, curti muito com a minha família. E a gente reencontra amigos nas férias, isso é muito legal. Gente que praticamente a gente não vê porque são muitos jogos, muita concentração. Então a oportunidade que temos para ficar gravado é legal. Ainda mais em rede social, quem me segue gosta disso, de ver a nossa vida, o que estamos fazendo. Somos pessoas públicas.


Dudu Cearense ao lado de Marinho e na campanha
 pelo atacante no Bota (Foto: Reprodução/Facebook)
Falando no Marinho, você fez campanha para ele vir para o Botafogo, né?

Eu tentei de alguma forma, né? (Risos). O Marinho é um cara excepcional, amigo, conheci no Goiás, tinha um potencial imenso. Falei com ele: "Olha, cara, você tem um potencial imenso e pode chegar longe, só você querer". Isso naquela época, não jogava, nem para o banco ia, estava fora completamente da equipe. E vê-lo assim hoje fico muito feliz, muito feliz. De uma forma tentei ajudá-lo, né? Hoje todos estão querendo ele, talvez esteja indo para a China. Quero o melhor para ele, tentei de alguma forma trazê-lo para o Fogão (risos), mas infelizmente não deu. Quem sabe na próxima oportunidade.


E na virada do ano, fez algum pedido, oferenda, pulou onda... Para 2017?

Pulei com a minha família as sete ondinhas (risos). Passei aqui no Rio mesmo. Só desejo para todos muito amor, muita prosperidade e muita paz. Tenho uma lista de metas, mas não vou falar (risos). Fiz muitos pedidos, todos metas, e não posso ficar esperando. Tenho que correr atrás. Vai ser um 2017 maravilhoso. Com certeza vai ser muito melhor do que no ano passado.


Quantas metas são essas?

Tenho muitas metas (risos). No ano passado eu fiz várias metas e aconteceram muitas coisas. Quando eu cheguei no Botafogo, umas das minhas metas era chegar na Libertadores. Quando fui contratado, coloquei como meta chegar à Libertadores e marcar o gol da classificação (risos). Teve aquele gol contra o Atlético-MG. Foi um gol que tirou o título do Atlético-MG e deixou o Botafogo mais perto da Libertadores. Quando eu cheguei, o time estava na zona de rebaixamento. E coloquei na lista a vaga na Libertadores. Não falei para ninguém. Estou falando agora porque aconteceu. Estava escrito. Nesse ano são umas dez metas. Pessoais e profissionais. Nesse ano vou tentar ser mais intuitivo na minha busca como ser humano. Espero que também aconteça no meu trabalho.


Pronto para sua primeira Libertadores?

Estou motivadíssimo. A primeira Libertadores da minha carreira. Espero, junto com meus companheiros, a comissão, o Jair, a diretoria, a torcida em um só pensamento, com muita positividade. O primeiro jogo vai ser muito importante para nós, e espero que o Nilton Santos esteja lotadíssimo. Espero que possamos chegar longe. Só depende de nós.


Para você, que já jogou quatro Liga dos Campeões...

A Libertadores é a cereja do bolo, com certeza (risos).


O que espera encontrar de diferente na Libertadores?


Chega a arrepiar. Muita garra e muita briga. Espero isso. Não tem outra escolha. Vamos ter que dar porrada mesmo. Comigo pode dar porrada, pode vir com tudo. Se o cara bater, vou revidar mesmo. Libertadores se joga com o sangue nos olhos. Não tem essa de jogar bonitinho. Assim não consegue nada. Desde o início temos que ter esse pensamento.


Então vamos lá, Libertadores ou Liga dos Campeões? Qual prefere? E qual o mais difícil?

Hoje, a Libertadores! Acho que a Libertadores é um pouco mais difícil de ganhar. Times sul-americanos são complicados. Na Europa são vários países. Na Liga dos Campeões, por exemplo, enfrentei quatro vezes seguidas o Arsenal. É complicado. Mas o futebol sul-americano é mais competitivo. É claro que a Liga dos Campeões tem mais qualidade. Mas a Libertadores é muito disputada. Espero isso. É um torneio pelo qual tenho um respeito muito grande.Vai ser tudo muito novo para mim. Será histórico. Estou em uma grande equipe, que está sendo muito bem montada. Chegaram contratações pontuais, jogadores com mentalidade ambiciosa, com mentalidade de campeões. Eu gosto disso. Quero ver um grupo de homens, responsáveis. Temos que entrar em campo, bater no peito e dizer que vamos ganhar. Não entrar em campo com medo do Colo-Colo. Independente das dificuldades, vamos para cima. Sem mimimi.


Você não jogou Libertadores ainda, mas jogou a Sul-Americana pelo Atlético-MG em 2011. Lembra?

Não joguei, não. Já tinha saído.


Jogou sim. Um jogo só, mas foi ainda na fase brasileira e contra o próprio Botafogo: 1 a 0 para os donos da casa no Engenhão, hoje Estádio Nilton Santos, no dia 23/08/2011.


Nem lembrava (risos). Joguei uma Sul-Americana e não sabia.

Dudu Cearense em ação pelo Olympiakos: volante chegou a ser capitão da equipe na Grécia (Foto: Divulgação)

A Libertadores tem muita catimba, e os brasileiros vivem caindo nelas. Qual sua tática para não cair também?


Catimbar também. Catimba versus catimba, meu irmão. Se você cair na catimba, vai ser expulso. Se catimbar também, o outro pode ser expulso. É um jogo de inteligência. Você não pode cair na catimba de um jogador sul-americano. Mesmo não sendo expulso, você perde o foco na partida. Temos que jogar o jogo e não ligar para isso. Se catimbar, vamos jogar mais ainda. Mas se for para catimbar, é comigo mesmo. Pode colocar no meu colo (gargalhada).


Outra novidade que você pode encontrar é a altitude, que não tem na Europa para jogos. Já parou para pensar nisso?

É muito difícil. Já joguei na altitude pela Seleção. No pré-olímpico, no Chile, em 2004. Com a seleção principal joguei também no Equador. É horrível. A gente foi um tempo antes para se adaptar, mas mesmo assim nós sentimos. Falta oxigênio. Você acaba não rendendo. Temos que tomar bastante cuidado. Temos que ter atenção com isso.


O que achou do caminho de vocês no sorteio? 

Não deve ter altitude tão cedo, mas é considerado o mais difícil de todos...


Eu não quero nem saber. Quero viver um dia de cada vez. No dia do jogo, vamos jogar. O Colo-Colo tem história? O Botafogo também tem uma grande história. É claro que estamos há alguns anos longe da Libertadores. Mas não tem segredo. Não podemos pensar que o Colo-Colo é um bicho papão. Temos que pensar em nós, fazer um boa pré-temporada e nos prepararmos muito bem. No dia temos que fazer o nosso melhor. Nem chegamos a jogar e já estão colocando dificuldades? Não é por aí. Temos que colocar a cabeça no lugar, pensar positivo e fazer o nosso melhor. É fato.


E o que achou dos reforços do Botafogo?


Excelente. Foram contratações pontuais. Estou muito feliz pelos reforços contratados. Foram muito bem solucionados. Eles vêm para somar em todos os sentidos.


Agora com Montillo e Camilo, acha que dá para continuar jogando com três volantes?

Essa pergunta você passa para o Jair. (risos). Eu quero é brigar por uma vaga. Não importa o esquema.


Depois de 16 jogos e um gol pelo Botafogo em 2016, quais são suas metas para 2017?

Mais jogos e mais gols. Vou trabalhar para isso.


Acha que pode se firmar entre os titulares com uma boa pré-temporada?

Vou começar do zero, uma outra temporada. Eu vim da Série C, outro nível. Também tive uma lesão no início, chatinha. Perdi um tempinho, mas foi válido tratar. Agradeço a todos do Botafogo que me receberam muito bem. Serei grato eternamente.


Por que não quis descolorir o cabelo igual aos outros para comemorar a vaga na Libertadores?

Não. Acho que não combina. Pensei, mas não rolou. Não faz meu estilo (risos). Ia ficar legal não.


E a vida pessoal? Está adaptado ao Rio?


Está de brincadeira, né? (risos). Me adaptar ao Rio? Estou no Rio de Janeiro, no Botafogo, equipe grande, nesse calorzão... Costumo brincar: “É gratidão indo e voltando”. Só tenho a agradecer. Já vinha antes passear com a família. Adoro o Rio. É uma cidade que você tem lazer para tudo... Para criança, adulto, o que você quiser, tem. Estou em paz.


E como tem sido o contato com a torcida?


Maravilhoso. É muito interessante. Rolou uma sintonia, uma parceria muito forte. No início foi um pouco difícil, mas eu consegui. Não é fácil conquistar a torcida do Botafogo, que é muito exigente. Espero sempre agradá-la da melhor maneira possível.


Fonte: GE/Por Thiago LimaRio de Janeiro