segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Inspirado no histórico de convocações do Bota, Joel mira seleção camaronesa


Apresentado, atacante mostra saber que está no clube que mais cedeu atletas para Copas do Mundo e diz: "Se conquistarmos coisa maior, convocação pode acontecer"



O atacante camaronês Joel foi apresentado oficialmente pelo Botafogo no início da tarde desta segunda-feira, no Estádio Nilton Santos. Foi só abrir a boca para mostrar que é tão brasileiro quanto os outros. No país desde os 15 anos, o jogador, hoje com 23, deu o recado para a imprensa: "Já falo tranquilamente (português), pode fazer qualquer pergunta". De fala fácil, ele respondeu a tudo que lhe foi perguntado. Adaptação, Libertadores, titularidade... Refutou ainda qualquer comparação com o compatriota famoso Samuel Eto'o: "Se eu fizer um terço do que o Eto'o fez no futebol está bom" (risos). Mas o que mais chamou a atenção foi falar de seleção.

Joel foi apresentado pelo gerente de futebol do Botafogo, Antônio Lopes (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Com passagens por seleções de base de Camarões, Joel admite o sonho de vestir a camisa da equipe principal. Ele tem acompanhado o desempenho de seu país na Copa Africana de Nações – está na semifinal contra Gana – e mostrou saber do histórico do Botafogo com convocações – é o clube que mais cedeu jogadores para Copas do Mundo na história, com 47 convocações. Questionado se estar no Alvinegro o faz pensar em seleção, ele admitiu que sim.


– Isso é meu desejo. Vou dar meu melhor, desempenhar o máximo possível para que nos próximos jogos, meses, nos campeonatos que vamos disputar. Se conquistarmos uma coisa maior, que é um sonho para todos nós, consequentemente a convocação pode acontecer.

Isso é meu desejo. Vou dar meu melhor, desempenhar o máximo possível para que nos próximos jogos, meses, nos campeonatos que vamos disputar. Se conquistarmos uma coisa maior, que é um sonho para todos nós, consequentemente a convocação pode acontecer"
Joel, sobre a seleção de Camarões


Para crescer esse sonho, Joel quer chegar longe na Libertadores. Para isso, o Botafogo precisa passar pelo Colo-Colo, do Chile, no mata-mata da fase prévia da competição. O primeiro duelo acontece nesta quarta-feira, às 21h45 (de Brasília), no Estádio Nilton Santos, e o camaronês espera que o Alvinegro saiba aproveitar o fator casa para um bom resultado.


– Esse jogo para nos é muito importante. É um jogo que vai definir o nosso ano. O Colo-Colo, todo mundo sabe, é de tradição na Libertadores, mas o Botafogo também. Eles vão encontrar um time muito aguerrido. Todo mundo está focado, pode ter certeza. Óbvio que faltam alguns ajustes, mas isso é com o tempo. Vamos entrar bem disposto a conseguir a vitória – afirmou o camaronês.


Confira outros trechos da entrevista coletiva de Joel:

CHEGADA AO BRASIL
Meu representante mora no Brasil há 15 anos, ele é camaronês. Estava lá quando teve um campeonato realizado pela federação de Camarões. Joguei, fui artilheiro, e ele me fez a proposta. Minha chegada não foi muito fácil, era muito novo. Cheguei primeiro no Iraty, depois todos passaram a ser do Londrina pela parceria que o clube fez com o Iraty. Fiquei quatro anos, depois fui para o Coritiba, onde fui artilheiro em 2014. Depois Cruzeiro, Santos, e hoje estou no Botafogo.


ADAPTAÇÃO
Minha trajetória de adaptação não foi fácil, não falava português. Só falava francês, acabava conversando com as pessoas, mas elas não entendiam muito, precisava me virar para dar um jeito de entenderem. Isso me incentivou, estudei, fiz segundo grau completo. E tem a questão da cultura. Certas coisas são diferentes, apesar de muitas semelhanças com a cultura africana. Algumas consegui me identificar, como a comida, o comportamento, o dia a dia... Em outras tive que me adaptar. Hoje consigo me comunicar e estou feliz.


POSICIONAMENTO IDEAL
Do meio para a frente, onde precisa vou estar à disposição.


METAS
Meta de gol não vou estipular, mas meu melhor podem esperar. Dedicação e empenho não vão faltar. Mais importante é conquistar vitórias e títulos.

Joel espera brilhar no Botafogo para conseguir chegar à seleção camaronesa (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

CASA CHEIA
Hoje antes do treino tivemos uma pequena conversa entre nós e foi relatada essa situação. Temos a consciência que jogando em casa temos que impor o nosso ritmo. Jogo lá no Chile não vai ser fácil, então tem que ir com tudo para cima deles, fazer o resultado e dar esse presente maravilhoso que a torcida merece.


MAU INÍCIO NO CARIOCA
Eu cheguei recentemente, é óbvio campeonato de tiro curto, tem que fazer resultado rápido. Infelizmente não conseguimos fazer o resultado nesses dois jogos, mas o foco está na Libertadores. Passando esses dois jogos, vamos concentrar no Carioca para conseguir a classificação.


TITULARIDADE

Eu vim para somar, óbvio brigar pelo meu espaço, mas vai depender do meu desempenho. Aos poucos vai se adaptando. Todo mundo quer jogar, isso é bom para o Botafogo, entra uma disputa sadia. Independente de quem for jogar, pensamento é vencer.


CONDIÇÃO FÍSICA
Cheguei um pouquinho depois, já vinha treinando, mas é diferente. Me sinto bem, portanto estou participando normal, parte física e técnica.


NÚMERO DA CAMISA
Não preciso escolher, com o número que cair vou jogar. Camisa não joga, pode ser qualquer uma, o que importa é o desempenho em campo.


CAMARÕES NA COPA AFRICANA
Estou acompanhando. Na seleção principal ainda não joguei, mas nas categorias de base já participei em 2011, fui vice campeão na África do Sul. Agora estou muito feliz primeiro pelo desempenho deles, classificaram para a semifinal e conseguiram passar por Senegal nos pênaltis. E pelos problemas de um tempo atrás, na Copa de 2014 houve muitas brigas entre jogadores e federação. O resultado aparecendo é um ganho para o nosso país. Mostra que está sendo resolvida aos poucos, não totalmente, mas aos poucos. Conquistando esse título, com certeza as coisas vão melhorar.


Fonte: GE/Por Marcelo Baltar e Thiago Lima/Rio de Janeiro