domingo, 5 de março de 2017

Tem gringo no samba: "carioca" Montillo surfa na onda alvinegra


Há quase dois meses no Botafogo, argentino deixa de lado o perfil tímido, se identifica com botafoguenses e rebate críticas ao time de Jair Ventura: "Às vezes falta respeito"




Em evento neste sábado, Montillo se soltou e brincou com os torcedores (Foto: Marcelo Baltar)

Um argentino que, aos poucos, vai ganhando a ginga carioca. Se em público, durante entrevistas, Montillo ainda é um pouco tímido e mantém o perfil sério, internamente e com os torcedores o camisa 7 está se soltando. É comum vê-lo brincando com os companheiros. Neste sábado foi a vez de entrar "na onda" da torcida.

Quando você ganha, tudo fica mais fácil. Empolga o torcedor e também empolga o jogador. O que vejo aqui no Botafogo é que o grupo está fechado. Tanto dentro quanto fora de campo. A torcida está nos acompanhando, e isso nos dá mais ânimo. O estádio está lotando...Temos que trabalhar, treinar bastante, porque temos coisas importantes pela frente. Um time grande como o Botafogo tem que pensar grande e buscar títulos
Montillo

Há quase dois meses no Rio de Janeiro, Montillo a cada dia aparenta estar mais identificado com o Botafogo e com a cidade. No último domingo, assistiu ao desfile das Escolas de Samba na Sapucaí pela primeira vez. Em campo, foram apenas cinco jogos e um gol, no amistoso contra o Rio Branco, mas o camisa 7 já conquistou o carinho do torcedor alvinegro.


O sentimento é recíproco. Quer um bom exemplo? Montillo não participaria, a princípio, de uma ação que reuniu mais de quatro mil torcedores, neste sábado, no Estádio Nilton Santos. Em um primeiro momento, apenas Rodrigo Pimpão e Camilo foram solicitados pelo departamento de marketing. Ao saber do evento, o argentino pediu para participar para ter um contato maior com o torcedor alvinegro. Segundo o clube, praticamente exigiu sua participação. E foi um sucesso.


Montillo fez coreografias, com as crianças, da versão alvinegra da música "Deu Onda". O argentino também distribuiu simpatia, sorrisos, autógrafos e paciência para atender a todos. Inclusive com a imprensa, com quem falou sobre Libertadores, Carioca e os primeiros meses de convívio com os companheiros. No entanto, o camisa 7 também falou grosso e elevou o tom ao rebater os constantes questionamentos sobre a capacidade de o Botafogo ir longe na Libertadores. Confira abaixo!


Gringo na Sapucaí: Montillo conheceu o Carnaval carioca
 no último domingo (Foto: Thales Soares)
Início no Botafogo
Quando você ganha, tudo fica mais fácil. Empolga o torcedor e também empolga o jogador. O que vejo aqui no Botafogo é que o grupo está fechado. Tanto dentro quanto fora de campo. A torcida está nos acompanhando, e isso nos dá mais ânimo. O estádio está lotando nos jogos importantes. Temos que aproveitar esse momento, e podem ter certeza que dentro de campo vamos dar o nosso máximo. Agradeço o apoio dos torcedores no estádio e também fora. Mas não podemos contar só com isso. Temos que trabalhar, treinar bastante, porque temos coisas importantes pela frente. Um time grande como o Botafogo tem que pensar grande e buscar títulos.


Botafogo desacreditado?
Vi comentários de que o Botafogo não vai à frente. Se fosse assim, a gente nem treinaria. Eu ficaria em casa. Se venho para cá treinar, é para ganhar. Em todos os times que passei foi assim. É fácil falar sentando em um escritório e dizer que o Botafogo vai ficar fora. Por que vai ficar fora? Temos as mesmas chances dos outros times. Às vezes falta respeito, e isso é ruim. Quem fala isso não está levando a sério o trabalho que estamos fazendo aqui. Somos profissionais e sempre tentamos ganhar. Seja de quem for.


Grupo complicado?
Todos os grupos são difíceis. Alguns, talvez, um pouco mais que os outros, uma vez que contam com clubes com muita história na Libertadores. Mas pegamos dois times tradicionais como Colo-Colo e Olimpia e passamos. O futebol está muito parelho. Não dá para falar em grupo fácil ou grupo difícil. Todos são difíceis.


PS: O Botafogo está no Grupo 1, ao lado de Atlético Nacional (COL), Estudiantes (ARG) e Barcelona de Guayaquil (EQU)

Libertadores
Temos que ir passo a passo. Não podemos ficar falando que vamos chegar à final. Temos muitos jogos ainda pela frente, mas eu sou Botafogo agora. Já joguei várias vezes contra times argentinos pelo Cruzeiro e pela Universidad do Chile. Graças a Deus sempre fui bem. Sou Botafogo. Não posso ficar dividido e pensar em quem está do outro lado. Seja quem for, a gente tem que ganhar. Temos que passar por cima e fazer bons jogos. Foi assim que chegamos onde estamos.

Montillo já está bem entrosado com elenco: "Grupo está fechado. Dentro e fora de campo" (Foto: Vitor Silva/Botafogo)


Está totalmente recuperado?
Estou bem, treinando bem, já estou treinando com o grupo e me sentindo bem. Estou preparado porque vem muita coisa importante pela frente, com muita vontade de voltar a jogar. Agradeço aos jogadores que trouxeram a classificação do Paraguai. Esse era o nosso primeiro grande objetivo da temporada.

É fácil falar sentando em um escritório e dizer que o Botafogo vai ficar fora. Por que vai ficar fora? Temos as mesmas chances dos outros times. Às vezes falta respeito, e isso é ruim. Quem fala isso não está levando a sério o trabalho que estamos fazendo aqui. Somos profissionais e sempre tentamos ganhar. Seja de quem for
Montillo

Carioca
Infelizmente, no Carioca (Taça Guanabara), não conseguimos nos classificar. Espero que no segundo turno a gente consiga somar mais pontos para disputar as finais. Agora será diferente. Teremos mais tempo. Não será um mata-mata atrás do outro. A gente não teve tempo de preparação na pré-temporada. Agora chegamos diferentes. Trabalhamos bem nessa semana. Vamos chegar mais inteiros


Ansioso pelo primeiro gol oficial?

Não (risos). Não fico ansioso com essas coisas. Quero que o time ganhe. Independente de quem faz o gol. Somos um time e um grupo. Claro que é sempre bom ajudar com um gol, mas não fico ansioso para fazer o primeiro gol. Daqui a pouco vai acontecer normalmente, como sempre aconteceu nos outros times em que joguei. Tenho que trabalhar durante a semana e tentar ajudar nos jogos da maneira que foi: com gol, assistência ou fazendo um bom jogo. Para mim, não importa de quem seja o gol. É o Botafogo dentro de campo.


Fonte: GE/Por Marcelo Baltar/Rio de Janeiro