sexta-feira, 12 de maio de 2017

Há um ano sem jogar, Jefferson entra em contagem regressiva: "Mais uns 10 dias aí"


Já treinando normalmente, goleiro do Botafogo voltará com proteção nos dois braços, prevê retorno ainda em maio, mira a Seleção e lida bem com aniversário da lesão: "Não vai ter bolinho, né?"






Dia 12 de maio. Na última vez que esse número e mês se encontraram no calendário, o Botafogo ficava sem seu grande ídolo do atual elenco. Na vitória por 2 a 1 sobre o Juazeirense, em Juazeiro na Bahia, o Alvinegro viu Jefferson ser substituído no início do segundo tempo por Helton Leite e saindo para não mais voltar até hoje. De lá para cá, foram: uma lesão, duas cirurgias, duas demissões no departamento médico, 12 meses de angústia do lado do goleiro, e de saudades por parte da torcida. Mas a espera está chegando ao fim!

Tudo Menos Futebol: Jefferson abre o coração



Jefferson enxerga a data como um ponto de recomeço, e não uma marca negativa. Lida até bem com a situação e brinca com o aniversário da lesão: "Não vai ter bolinho". Mas a serenidade que lhe é habitual segue presente. Em contagem regressiva, o goleiro revela que ainda sente um pequeno incômodo no local da cirurgia, antecipa que retornará usando proteções nos dois braços, traça meta de ser novamente convocado pela Seleção, abre as portas para tratar da renovação com o Botafogo e prevê estar à disposição de Jair Ventura até o final do mês.

– Previsão de jogo que o médico tinha passado era final desse mês. Mas para estar à disposição, creio que mais uns 10 dias aí – anunciou.



Jefferson responde a perguntas de botafoguenses via Twitter

Ao final do bate-papo, Jefferson respondeu em vídeo a cinco perguntas do Twitter escolhidas pela reportagem (veja acima).


 Confira a entrevista completa com Jefferson:

Twitter web player

GloboEsporte.com: sabia que faz um ano da lesão nesta sexta-feira?

Jefferson: o pessoal estava me falando. Acho que é uma data de recomeço, as coisas ruins já ficaram para trás. Não vai ter bolinho, né (risos), mas é um ano que não posso descartar totalmente porque tiveram coisas boas também nele. Mas para o futebol, é um recomeço na minha carreira.

O que você lembra do lance em que sentiu a lesão?

Não foi só aquele lance, eu já vinha sentindo há alguns meses, né? Porque essa lesão não foi uma pancada só, foi uma lesão crônica que vinha com o desgaste do tempo. Aquele jogo foi praticamente um... Como o doutor falou, estava com o cotovelo como um pneu careca, a qualquer momento iria furar. Ali foi no aquecimento, o treinador de goleiros bateu a bola, quando peguei caí no chão e já não senti mais o braço. Ainda joguei o primeiro tempo todo, lesionado, e 15 minutos do segundo tempo, aí não deu mais para continuar.

Se pudesse voltar no tempo, teria feito alguma coisa de diferente?

Não. Eu já estava treinando com cotoveleira, mas para mim era uma dorzinha que todos os goleiros sentiam e tal. Tinham alguns exercícios na academia que eu não podia fazer, mas não estava me atrapalhando em nada. Acho que foi uma pancada ali que acabou rompendo de vez.



Goleiro já vem usando o braço esquerdo para impacto nas quedas (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)


O que acha que vai ser o mais difícil nesse seu retorno aos gramados?

Acho que o mais difícil agora é o ritmo de jogo, todo mundo precisa. Mas estou voltando bem, nos treinamentos bem também. É poder usar aquilo que temos de experiência para recuperar mais rápido o ritmo.

Você ainda sente dor?

Desconforto você sente, né? Mas nada que te impeça de fazer as atividades. Estamos fazendo aos poucos. Estava até falando com o pessoal, é a mesma coisa de quando você fica um tempo sem correr, quando volta não vai correr 2km, 3km, 4km... Vai correr aos poucos até chegar no sue limite. É o que estou fazendo, voltando aos treinos aos poucos até os músculos poderem acostumar, os tendões se acostumarem às quedas. Então tem que ser tempo ao tempo para não ter nada de grave.

Você pretende voltar a jogar com alguma proteção no braço?

Até tenho que voltar. O Fernando Prass, da época em que lesionou até hoje joga com uma proteção. É uma proteção que não te atrapalha, pelo contrário. Acho que até muitos goleiros precisariam usar essa proteção porque durante a nossa carreira a gente pula, salta muito, então é muita queda. Poderiam aderir à ideia de usar essa proteção para não ter nada no futuro. É um meio de prevenção, com certeza. Como muitos jogadores usam atadura no tornozelo, para o goleiro no cotovelo, como a gente cai muito, seria uma proteção muito boa.

Então você vai usar nos dois braços?

Sim, nos dois braços. Porque se acostuma, já estou acostumado a usar nos dois braços e não me atrapalha em nada. Pelo contrário, me dá mais confiança.



O ídolo vai voltar a jogar usando proteções sobre cotovelo dos dois braços (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)


Como têm sido os treinamentos? Sem restrições?

Estou bem otimista. A única restrição, vamos dizer assim, que tem hoje é uma queda em cima da cordinha, que a gente ainda não fez. Acho que esse é o último estágio para poder voltar a fazer chute a gol, coletivo, essas coisas. Acho que essa semana agora que vai entrar a gente já começa a fazer o salto por cima da corda, porque o impacto já é maior.

Quando vai voltar? O que o seu médico particular fala?

Creio que passando por esse último estágio, já estará tudo apto para voltar a fazer trabalho com o grupo. Previsão de jogo que o médico tinha passado era final desse mês. Mas para estar à disposição, creio que mais uns 10 dias aí.

O que sentiu de diferente entre a recuperação da primeira para a segunda cirurgia?

Acho que foi o prazo. A realidade é que o prazo não foi respeitado, digamos assim, para uma lesão grave, né? Na primeira fiquei três meses para já voltar para o campo. Essa não, foram três meses sem fazer nada (para cicatrização). Quando voltei naquela época, com dois meses, um mês e meio, a fazer os trabalhos, ali já rompeu de novo. Acho que foi o prazo que a gente não soube entender na primeira fase.



Jefferson ao lado de Luiz Fernando Medeiros, médico da primeira cirurgia (Foto: Vitor Silva / SSpress / Botafogo)


O Botafogo até trocou profissionais do departamento médico por algumas questões, entre elas o seu caso. Acha que houve erro médico com você?

Não digo erro, acho que talvez falta de informação, né? Poderia ter buscado mais informação pela gravidade da lesão. Foi uma lesão rara, então esse doutor com quem operei, que foi o Márcio Schiefer, o que aconteceu: mesmo ele sendo especialista, levou mais uns três, quatro especialistas. Talvez a primeira não respeitou tanto a lesão em si, acho que o erro foi aí.

Qual será sua meta quando voltar?

Minha meta é poder voltar bem, fazer um Brasileiro bom, e um dos primeiros objetivos é voltar para a seleção brasileira. Sei que estou correndo contra o tempo porque é meu último ano, em questão de Copa do Mundo, tenho que voltar com a faca nos dentes para poder estar nesse grupo.

Você é um dos muitos jogadores que terminam o contrato em dezembro. Agora que vai voltar, chegou o momento para sentar e negociar a renovação?

Da minha parte, sempre vou estar aberto para o Botafogo. Em nenhum momento a gente teve a procura de renovação, não sei qual é a ideia. Meu contrata acaba no final do ano, mas estou em paz, tranquilo. Quero voltar, voltar bem, automaticamente o Botafogo vai se manifestar, e a gente vai conversar.


Goleirão já de roupa nova! Jefferson prefere a camisa cinza e laranja para sua reestreia (Foto: Reprodução)


Pensa em se aposentar no clube?

A ideia é aposentar no Botafogo. A não ser que o Botafogo tenha outros planos, mas minha ideia é permanecer.

O Botafogo lançou a nova coleção dos uniformes, gostou dos modelos de goleiro? Qual vai ser a camisa de sua volta, a cinza e laranja ou a azul e verde?

Olha, gostei de todos os modelos, mas me identifiquei mais com o cinza, uma cor mais discreta, vamos dizer assim (risos).


Fonte: GE/Por Thiago Lima, Rio de Janeiro