sábado, 6 de dezembro de 2014

Consórcio adia entrega do Engenhão e cria 1ª saia justa em 'novo Botafogo'




Carlos Alberto durante o treinamento do Botafogo no campo principal do Engenhao, após dois anos Vitor Silva/SSPress

Antes de ser eleito, Carlos Eduardo Pereira e seu grupo tinham várias críticas a Maurício Assumpção. Uma delas era a falta de pulso do ex-mandatário em relação ao Engenhão. Na última semana, o Botafogo recebeu a informação da Prefeitura do Rio, que o consórcio responsável pelas obras (OAS e Odebrecht) adiou para março a entrega do estádio, o que estava previsto para o fim do mês. E a postura adotada pela nova diretoria nessa situação foi bastante semelhante à do ex-presidente, que apenas ouviu promessas das autoridades, criando sua primeira saia justa desde que assumiram o clube de General Severiano.

"Com relação ao Engenhão nós estivemos sexta-feira com o prefeito Eduardo Paes, que nos recebeu com muita cordialidade, e nos posicionou que as empresas prometeram entregar em novembro, adiaram para março, mas o prefeito vai fazer todos os esforços para jogarmos em janeiro o Campeonato Carioca", disse Carlos Eduardo Pereira em entrevista coletiva.

As afirmações do novo presidente seguem exatamente a mesma linha de Assumpção quando este estava a frente do Botafogo. Em vez de uma atitude mais enérgica, como prometeu em entrevista ao UOL Esporte, em novembro, antes das eleições. "A diretoria [antiga] fala em prejuízo e valores, mas não tomou nenhuma atitude para ser ressarcido. Já tem tempo de interdição [20 meses] e até agora nada. Essa posição passiva certamente vai mudar", afirmou na oportunidade.

Assim como ocorria com Assumpção, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, promete fazer de tudo para entregar o Engenhão para o Botafogo para a estreia do Carioca, no dia 1º de fevereiro, diante do Boavista. Existe a possibilidade até mesmo de o estádio funcionar de forma parcial, com algumas partes ainda em reforma. O problema é que não é apenas a cobertura (motivo da interdição) que passa por melhorias.

O entorno do Engenhão está completamente quebrado. A Prefeitura está realizando ajustes nas ruas próximas, o que tem gerado grande transtorno para quem transita por essas vias. Além disso, o local apresenta pedaços de pedra e madeiras que inviabilizariam uma partida oficial no estádio. Evidentemente ainda faltam três meses para o novo prazo (e menos de 30 dias para o planejamento inicial), mas o atual cenário é pessimista.

Dentro do estádio, a situação é muito parecida. Quatro grandes máquinas, caminhões e container dividem espaço com as balizas dentro do campo principal do Engenhão, onde os jogadores realizaram alguns treinamentos nesta reta final de Campeonato Brasileiro. Até mesmo um dos funcionários da obra brinca com a situação: "tudo pronto em janeiro? Nem com a ajuda do papai Noel".

Bernardo Gentile
Do UOL, no Rio de Janeiro