segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

"Campeão de tudo", Willian Arão agora busca títulos como protagonista


Volante de 22 anos admite deslumbramento com título mundial pelo Corinthians e persegue novas conquistas como titular do Botafogo



Toda vez que entra na sala de imprensa do Estádio Nilton Santos para reuniões de atletas com a comissão técnica, Willian Arão se depara com alguns ícones da camisa 8 do Botafogo. Gerson e Didi estão ali imortalizados. Agora o número é vestido pelo volante de 22 anos, que se ainda não alcançou o status dos ídolos, conquistou títulos que muitos perseguem por toda a carreira. Mas depois de uma Libertadores e um Mundial – pelo Corinthians –, entre outros, ele quer mais. Recém-chegado a General Severiano, o jogador vai em busca de novas taças, mas desta vez como titular e no papel de protagonista.

Ao longo de 2012, o principal ano da história do Corinthians, Willian Arão se acostumou a ouvir do técnico Tite a importância de todos os jogadores do elenco. O volante nunca teve dúvidas disso, mas agora se permite buscar a afirmação como titular de um grande clube brasileiro, depois de passar por Portuguesa, Chapecoense e Atlético-GO. Tudo o que viveu em meio aos medalhões corintianos ele tira como lição a ser colocada em prática no elenco do Botafogo, formado em sua maioria por atletas que tentam fazer seus nomes no cenário nacional.

- A experiência que tive foi maravilhosa, porque são títulos que um jogador busca a vida inteira. Mas tudo depende do jeito que você administra, e eu tive um pouco de problema com isso, pois era muito novo. Por mais que não jogasse muito, era reconhecido. Passava na rua e pediam fotos. Eu parava no sinal e falavam comigo. Isso mexe com um jogador de 19 anos, mas minha família trabalhou meu lado psicológico, e eu consegui resolver rapidamente. Fui campeão mas busco mais. Quero ser campeão jogando. Isso vai ser mais legal - disse.

Willian Arão disputa a bola em jogo do Botafogo: em busca do protagonismo em grande clube brasileiro (Foto: Vitor Silva / SSPress)
Assim como Willian Arão, há muitos outros no elenco do Botafogo que buscam o protagonismo. E segundo o volante, esse fator pode fazer o elenco comandado por René Simões produzir tão bem como o grupo do Corinthians que ele viu, muitas vezes do banco de reservas, ir ao topo do mundo.
Willian Arão nos tempos de Corinthians: título mundial
 como coadjuvante (Foto: Marcos Ribolli)
- No Corinthians não tinha briga de egos, mas era preciso administrar muitos medalhões. Era difícil deixar Sheik e Pato no banco, porque as pessoas cobravam. Aqui no Botafogo, com a folha salarial mais baixa, é preciso se dedicar, porque muitos estão buscando fazer seus nomes. Eu sei que se der brecha, jogadores como Fernandes, Airton e Andreazzi podem entrar. Isso me faz crescer e é bom para o René. A gente vê jogadores como o Jefferson, Marcelo Mattos e Bill correndo muito. Se eles, que são experientes, querem mais, eu tenho que querer mais do que eles, pois sou mais novo - frisou.

Por isso, mesmo o fato de ser titular desde o segundo jogo-treino da pré-temporada não dá a Willian Arão o sentimento de acomodação. Para ele, nem mesmo o respeito que a camisa alvinegra impõe nos adversários – como ele disse perceber desde os primeiros jogos – é motivo suficiente para entender que está perto de cumprir seu objetivo ao retornar a um grande clube do Brasil.

- Fiz uma pré-temporada legal e bons jogos, estou subindo de produção, mas sei que tenho muito a melhorar e a crescer com o time. Mas vestir a camisa do Botafogo tem sido maravilhoso neste início. Ainda mais a 8, que foi de nomes como Gerson e Didi. Uma camisa de peso.

Por Gustavo Rotstein Rio de Janeiro/GE