sábado, 18 de abril de 2015

Desarmes, cartão zero e estabilidade: Arão aprende com erros e vira "xerife"


Titular em todos os jogos do Botafogo no Carioca, volante comemora confiança de René Simões e garante time pronto para a semifinal: "Não vamos ficar só na palavra"





Com 53 desarmes, Willian Arão é o melhor no
fundamento no Carioca (Foto: Satiro Sodré/SSPress)
Em três meses de Botafogo, Willian Arão conquistou uma importância na equipe alvinegra que ele não tinha no Corinthians. Basta ver a frequência de jogos. Atuou nas 16 partidas do Campeonato Carioca até agora e foi titular em todas elas. Esteve também nos dois confrontos pela Copa do Brasil. Ao lado do volante, houve um rodízio: Marcelo Mattos se lesionou e teve que ficar afastado por um tempo. Fernandes, Dierson e, mais recentemente, Giaretta foram testados. Arão, porém, mostrou ser a única garantia aparente no time além de Jefferson, que agora se recupera da cirurgia no joelho e deu lugar a Renan.

Fica clara a confiança do treinador no volante. E não é à toa. Ele é quem mais fez desarmes no estadual (53, segundo informações do site "Footstats") e não recebeu nenhum cartão amarelo, o que chama atenção. Arão diz que seu estilo de jogo se deve muito aos ensinamentos do atual comandante do Corinthians, Tite, aprofundados por René Simões. Ele acredita que, na ausência de Marcelo Mattos, tenha se tornado uma espécie de "xerife" no meio de campo, mas frisa que sem a ajuda dos companheiros nada daria certo.

- Acho que me tornei sim (risos), eles já me conhecem, sabem dos meus pontos fracos e fortes. Pude ajudar o Renan, o Fernandes, com quem eu já joguei bastante, Giaretta, Dierson... Acho que vamos nos conhecendo melhor, e eu me torno um pouco uma referência no setor, mas sem a ajuda deles não daria certo - afirmou Arão, que pode ter ao seu lado neste sábado Marcelo Mattos, que ficou no banco no jogo de volta contra o Botafogo-PB, pela Copa do Brasil.

Arão vem buscando com René números de seus desempenhos após as rodadas (Foto: Carlos Moraes / Agência Estado)
René Simões, em momento raro, fechou o treinamento de sexta-feira e não revelou o time que enfrenta o Fluminense. O treinador se mostra contente ao analisar o crescimento do volante nesses meses de clube carioca. René conta que Arão faz autoanálises e sempre está interessado em saber sobre seus erros e acertos nos jogos, pensando em melhorar cada vez mais o desempenho em campo.

- O Wilian é um jogador que terceirizava muito os problemas. Quando ele chegou, falei com ele. "O que aconteceu? São Paulo, Corinthians, Portuguesa, Chapecoense, Atlético-GO..." Ele me mostrou vários erros de outros: empresário, jogadores, comissão técnica. Eu disse: "E você? Já parou para pensar no que você errou?". Aqui ele está começando a se conhecer melhor. Acaba o jogo, ele vai atrás dos números dele. Ele quer saber quando acerta e quando erra. Agora ele não terceiriza mais e assume a responsabilidade - analisou René.



Autor do gol alvinegro no primeiro duela da semifinal (veja no vídeo acima), Arão não fala apenas por ele, mas por toda a equipe: o Botafogo está preparado para enfrentar o Fluminense na noite deste sábado. Com ou sem Fred. Por ele, até seria melhor que o capitão tricolor estivesse em campo, tudo pelo melhor do futebol. Porém, o atacante tricolor, suspenso por dois jogos após declaração contra a arbitragem do estadual, viu a tentativa de efeito suspensivo do clube ir por água abaixo, e ele está fora da semifinal.

Confira o bate-papo com Willian Arão na véspera do jogo decisivo:

GE: Você é líder de desarme e não levou nenhum cartão. Isso já é uma característica na sua carreira? Qual a sua filosofia de jogo?

- Quando eu comecei a jogar no profissional do Corinthians, o Tite falava muito para roubar a bola, diminuir os espaços sem fazer falta. Vim aprimorando isso ao longo do tempo, e o René também vem me ensinando muitas coisas. Procuro diminuir os espaços.

Pode-se dizer que hoje em dia é Willian Arão e mais 10 no Botafogo, agora que o Jefferson está se recuperando da cirurgia no joelho?

- Não me considero isso, não (risos). Penso fazer o melhor em cada jogo, ajudar o time. Graças a Deus estou fazendo um bom trabalho.

Procuro pensar nas coisas positivas e não nas negativas. Me apego ao gol que fiz, pude diminuir a diferença, fui feliz em fazer o gol. Se Deus quiser, esse golzinho vai poder ajudar amanhã. Dá um friozinho na barriga, que todo jogador tem que ter antes de um jogo assim. Estamos preparados para uma grande batalha, temos tudo para fazer nosso melhor jogo no ano. Não ficar só na palavra, mas colocar em prática tudo isso"
Willian Arão, volante do Botafogo

Como você acha que conquistou a confiança do René Simões?

- Não sei (risos). Talvez meu estilo de jogo, minha força de vontade, meu foco. São coisas que podem ter chamado atenção.

Você foi um jogador muito importante no primeiro jogo. Fez o gol e quase marcou o do empate. Como está sua cabeça para esse clássico?

- Procuro pensar nas coisas positivas e não nas negativas. Me apego ao gol que fiz, pude diminuir a diferença, fui feliz em fazer o gol. Se Deus quiser, esse golzinho vai poder ajudar amanhã. Dá um friozinho na barriga, que todo jogador tem que ter antes de um jogo assim. Estamos preparados para uma grande batalha, temos tudo para fazer nosso melhor jogo no ano. Não ficar só na palavra, mas colocar em prática tudo isso.

Como é jogar ao lado do Marcelo Mattos? Muda seu estilo?

- Muda, porque ele é um cara experiente, conhece os atalhos de um jogo importante. O Giaretta vinha jogando muito bem também. O Marcelo tem o perfil de jogador grande em clássicos, porque fala bastante, orienta e passa tranquilidade.

Fred fora. Anima?

- Nem anima, nem desanima. Nós estamos preparados para um grande jogo. Estamos preparados com ele dentro ou fora. Eu queria que ele jogasse, incrementa o clássico. Estamos preparados para joga contra o Fluminense como um todo.

O René disse na coletiva que você está se conhecendo melhor agora, sempre faz autoanálises, procura saber onde errou. O que mudou desde que chegou ao Botafogo?

- Tem uma pessoa que conversa aqui comigo, que é o Paulo. Ele é um coaching, uma pessoa que trabalha conosco e nos ajuda no autoconhecimento, tanto dentro como fora de campo. Tudo para conseguirmos nosso melhor objetivo, nosso melhor desempenho. Esse fato que o René disse, de eu estar me conhecendo melhor, quer dizer que estou tendo um maior autocontrole. Eu procuro sempre pelos índices e números para me aprimorar também. Futebol não é só número, mas ajuda muito, saber quantos passes certos eu dei, quantos eu errei. Tudo isso ajuda.

Por Marcelo Baltar e Sofia Miranda Rio de Janeiro/GE