segunda-feira, 27 de julho de 2015

Do ostracismo à camisa 10, Gegê tem sequência e conquista espaço no Bota


Mesmo sem muitas chances com René Simões, meia recusa proposta da Série A, permanece no clube e ganha oportunidades entre os titulares com Jair Ventura



O mundo dá voltas. No futebol, porém, a velocidade às vezes impressiona. Gegê estava no fim da fila. Pouco aproveitado por René, muitas vezes sequer era relacionado. Com a mudança de comando no Botafogo, virou titular, ganhou a camisa 10 e agradou. Outrora alvo de críticas de torcedores, o meia deixou o campo aplaudido no empate por 1 a 1 com o Bahia, sábado, em Salvador.

- Acontecem algumas coisas no futebol que a gente não entende. Tem males que vêm para o bem. O René (Simões) é uma excelente pessoa, um excelente treinador, mas eu não vinha jogando com ele. Com o Jair (Ventura) passei a ter oportunidade de jogar. Não só eu, mas vários garotos que vieram da base. Isso é gratificante – disse Gegê, de 21 anos. 

Gegê em entrevista coletiva: jovem em alta com Jair Ventura após pouco jogar com René Simões (Foto: Marcelo Baltar)
O principal responsável pela sequência certamente é o técnico interino Jair Ventura. No Botafogo há sete anos, ele acompanhou o crescimento de Gegê no clube e trabalhou com o meia nas categorias de base.

- Conheço o Gegê há muito tempo. Ele foi o meu camisa 10 no sub-20 em 2012. É um garoto que conheço bem, que está sempre sorrindo e merece tudo o que está acontecendo com ele. É um trabalhador e nunca desanima. Você o tira do time, mas ele segue feliz. Aceita tudo, tudo está sempre bom. Ele merece. É um garoto que se esforça muito e é merecedor dessa oportunidade – elogiou Jair Ventura.


Meia recusou sondagens

Por pouco, no entanto, Gegê não deixou o Botafogo no início da Série B. O meia teve proposta de um clube catarinense da Série A e sondagem de outra equipe que joga a Segunda Divisão. Pouco aproveitado por René Simões, Gegê ficou dividido e procurou Jair Ventura para se aconselhar.

- Conversei na época com ele. O Gegê está aqui desde garoto, foi criado na base e tem uma identificação muito grande com o Botafogo. Ele me perguntou o que eu achava, e eu disse: “Gegê, vai ser feliz. Se não está feliz aqui, vai, fica à vontade”. Esse é o tipo de decisão que o jogador tem que tomar. Ele preferiu ficar, e agora está tendo uma nova chance. Futebol é assim. As coisas giram muito rapidamente – contou Jair.

Gegê, Luis Henrique, Sassá e Octávio posam para foto em avião (Foto: Marcelo Baltar / GloboEsporte.com)

Gegê optou por ficar, esperou pacientemente e a chance surgiu. Ele foi titular na vitória sobre o Náutico e no empate com o Bahia.

- Valeu a pena ficar. Quando apareceram as sondagens, o Jair veio conversar comigo, me apoiou e disse que esperava que eu fizesse o que fosse melhor para mim. Respondi que teria calma, e achei, no momento, que o melhor era ficar. Hoje vejo que valeu a pena ter ficado – disse o jogador.

O desafio agora é convencer Ricardo Gomes, que assume na próxima quarta-feira, a mantê-lo no time titular.

- Vou continuar trabalhando, me dedicando ao máximo, para quando ele chegar, eu poder manter essa sequência e continuar jogando.

Ricardo Gomes será apresentado nesta segunda-feira, mas só vai assumir o comando da equipe na quarta. Pelo menos até lá, contra o Criciúma, Gegê deve seguir prestigiado com a camisa 10 alvinegra.


Por Marcelo Baltar Rio de Janeiro/GE